sábado, 31 de dezembro de 2011

O último será o primeiro


Certa vez, enquanto anoitecia em Porto Alegre doidamente, ocorreu ao Bomgaúcho, às margens nada plácidas de um rio vermelho-anil em que mergulhava o sol, a certeza de que o último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro. Tudo bem, vai! É certeza das menos perigosas pra quem vinha de fazer sua última resolução: da próxima vez só uísque escocês.

Amanhã, como disseram outros muito bem antes dele (conformando-o, conformemo-nos) the sun will be the same in a relative way but will be older! Mas o mesmo bomgaúcho disse (tá, o contexto era outro): todos iguais, todos iguais; uns mais iguais que os outos.

Chega de disse-me-disse! D'hoje pr'amanhã, à meia-noite (two minutes pra midnight todo mundo já atento, hein!) dois iguais vão-se posicionar de costas um pro outro e caminhar na mesma direção mas em sentidos opostos, e todos já sabemos quem vai sair vencedor, em que pese a igualdade. Ao perdedor um jazigo (espero que tranquilo e visitado com parcimônia) na lembrança.

Sem pesos e medidas, sem instrumentos de precisão (e eu com esses números?) eu lhes digo: não se apeguem ao apagado. Sigam. Não vence sempre o melhor? Sigam-no, desde já!

Nisto, quem ri por último ri sempre mais atrasado...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Vai assim de mim.

Dia desses disse a alguém que acordara de “causas naturais”. Diverti-me da expressão; penso tê-la inventado, não sei. Mas se há algo de verdadeiro nela além do fato de que não me desperta qualquer aparato; se há algo de intrinsecamente verdadeiro nela, é que são naturais meus pensamentos e tudo que me chama à vida. Muitos ao ouvi-los expressos diriam que não é verdade. Mas o que posso, se é tudo isso que me chama?

Disso que é tão prático e ainda assim não me ajuda a viver, eu não quero saber; eu não vou aprender isso. Vocês o dominam; dominam o que com isso?

Se adivinho significados ou se os atribuo, pouco se me dá; torneios verbais não são competição. AS palavras estão ai pra muito, pra muito poucos.

Se só és nocivo pra quem não se defende, absolvo-te. O mundo é agreste e o indefeso é suicida. Vai ao natural a seleção, e estou fora. Cada um é pro que é. Sou pro que sôo. Sou desnecessário e até inútil, mas não sou imprestável. Vai assim de mim, ou esvai-se assim de mim. Vaia-se de mim?

Ninguém ouve todas as camadas do dito; ninguém ouve se sussurro, ninguém ouve já se grito. Preciso ser ouvido em todas as camadas, não-preciso, acamado.  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

X-mas

Neste Natal, como em todos, abundaram mensagens sobre seu verdadeiro significado. Não lhes torço o nariz, absolutamente! Ou pelo menos "não lhes torço o nariz absolutamente", embora houvesse mesmo quem propusesse, já no dia 25 pela manhã, otimismos nos moldes do "passado o Natal, agora....".

Tudo bem! Há sempre razões além das razões que arrazoamos. Talvez achasse razão em já ter superado o Natal no 25 pela manhã no estar o Natal na ceia e troca de presentes, mas talvez a encontrasse em ter sido a data... tragada de coisas pagãs.... Papai Noel  avermelhado pela Coca... re-gerada nos mitos germânicos não sei quais...


Quase todos dão-se à troca de presentes. Tenho observado, no entanto (e aqui vai a razão pela qual realmente consigo estender pelo ano o que há em mim natalino) que o principal é a troca entre os presentes. Disso nasce muito. Disso se nasce (Tá! Às vezes também disso se morre!).


Não organizando eu mesmo ou os mais diretamente meus festas próprias, tenho assistido àquelas para que me têm convidado e, lá estando, assistido aos enlevos dos circunstantes.


Há sempre os que dizem fervorosos, os ditosos arrebatados pelo ditado, mas também os infensos ao dito. Sem mais torneios e indigitados, à conclusão: Só lhe faremos o milagre que mora em si, se mora (expedito ou moroso). Recorramos ao paquidérmico Saramago:

Não ordenou, não recorreu ao seu variado repertório de toques de bastão, uns mais agressivos que outros, apenas deu a entender, o que demonstra uma vez mais que o respeito pelos sentimentos alheios é a melhor condição para uma próspera e feliz vida de relações e afectos. É a diferença entre  um categórico "Levanta-te" e um dubitativo "E se tu te levantasses?". Há mesmo quem sustente que esta segunda frase, e não a primeira, foi a que jesus realmente proferiu, prova provada de que a ressurreição, afinal, estava, sobretudo, dependente da livre vontade de Lázaro e não dos poderes milagrosos, por muito sublimes que fossem, do nazareno.


Balança favorável (e não é comercial!) é isto: O verdadeiro milagre é o que portamos, se nos importamos! Esse é o X-... da questão!
E têm aqui o meu balanço!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Quito

A fim não de sobreviver, mas de conquistar o espelho, veio-me em acidente o bomgaúcho e deixei-o ficar até ilhar-me: "Todo mundo é uma ilha".
Somo todos ilhas, apenas em arquipélagos. Arquiduques sobre duques, tudo matéria dúctil de tola sobreposição; esse ducto para o nada.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

...O que não é espelho?

Há, sim, homens bons. Mulheres boas também as há (mais confusas que em profusão). Mas só as palavras, creio (e como é inebriante a confirmação do óbvio), é que são... apalavradas! Creiam-me quando não restar mais que em palavras.


Narciso não morreu do admirar-se mas da aproximação; somos tão mais bonitos de longe!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alma Grande: Mulher.

Não que julgue que aconteça para impor-me conclusão, ou mesmo reflexão, mas às vezes vem-me uma confluência de objetos nas conversas que traz parâmetros.

Outro dia, em curso no patrão, um professor de Português, desses que não têm lá muito a dizer de novo, a que falta luz,  iluminou-me o óbvio ("...toda vez que falta luz o invisível nos salta aos olhos..."): as mulheres mandam. Disse que, no âmbito doméstico, reina a mulher e, na sua falta, a faxineira (já lhes cansei sobre isso...). Mas o âmbito é maior.

Não muitos dias passados, assisti (seguindo oportuna recomendação) a "José e Pilar". A espanhola mulher de Saramago arrebatou-o a Portugal e, em novos baluartes (pilares...), refundou-o. Não canso de ouvir teorias que atribuem às mulheres de Einstein e outros seus grandes feitos. Na Vetusta havia mestra (ou doutora...) cuja obra, diziam, publicava-se sob o nome de iminente professor (dela e nosso). 

Pergunto-me se mais que "em tudo" as mulheres estariam "atrás de tudo". Hillary segurou as pontas dos panos sob os quais o marido dera vazão à concupiscência (quem não tem seu sassarico?) e Clinton hoje é ela mesma. Caetano, que já muito elucubrara e inspirara, só viu montarem seus ganhos a patrimônio ao encontrar, ainda Paula, sua Lavigne, uma tigresa de unhas verde-dólar que, sem o dolo de sobrepujá-lo, teve o mérito de impulsioná-lo.

Então por quê indecidir-se ante as decididas que apontam? Adianta? Aponta-te o dedo qualquer mulher! E quem quer mulher qualquer?A mulher é a alma do negócio, Elias!

Diz, almada, o que esperar...


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

In Werther Teurgia


A súbita consciência de que um núcleo comum não é sempre adjacente, ou já não é adjacente. A inopinada impressão de que o seguro não é sempre palpável, e de que o palpável não assegura. O estampido da rolha que se solta da garrafa que antes não se tinha à mão por tíbia (à) vontade, e que invertida faz com que verta o que só a mim diverte, que me diverte de mim, divergente.

De ver gente tanta tocar a minha caixa para nenhuma entrada. De ver gente tanta tão gente... Não se não os acolho; se não os acolho não ressoam em minha caixa. Nomes do que já não é, ou é alhures. Fictícios aqui os mais pra lá tão reais. “Sempre chegamos aonde somos esperados”. E se não somos? E o estatuto da realidade, quem o dá?

“Sempre é inesperado o abominoso”.  É que então são felizes. Esperar o pior é impossível, porque nada pode ser pior que esperar o pior. O pior é presente se se espera. E quem é que se dá um tal presente? Diz-se espera.

Os sofrimentos de um jovem, se decide não gozar. E para quê poder podar? A vida está, Kundera, em outro lugar?
Te urgia a quê?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Carma a vir



No começo era o verbo... Nunca fui um muito bom entendedor das palavras alheias, embora me propusesse amiúde a escutá-las, fazendo-as miúdas partes do meu. Embora não fossem, embora não iam.

Achava impertinentes aquelas ideias que me ficavam na cabeça (Tablet, nuvem... me dá igual! Dá-me muito!). Assombrava-me o que não era então mais do que o de que ora sou feito. Faz-me hora, faz... hora comigo, não... ora comigo... Ora! Comigo!?

Falar de relacionamentos é criá-los. E a mãe? É quem cria ou quem inventa? Não dá a cor da íris o tom na nossa diferença. Já não sei o que lhes aconteceu, não sinto o que sentiram, apenas sinto a partir do que sentiram. Mentiram? Mentiram, que me tiram o que lhes veio e, inconclusos todos, posso em releitura ler qualquer romance pela primeira vez! E se têm todos então a capa vermelha? Carmim... Escarlate... Escalar-te... 


É dos outros! É meu! Mas se “eu é outro”, “é meu” é-me alheio!


Saussure tinha dito aquilo das palavras e das ideias... Vou lá pesquisar o que disse o suíço....Sou isso? Vou nada! O sangue seca e já a letra não é a minha! Câmbio?

E que fraudes há no riso que eclode indômito por sobre a alma torturada!?


Car ma vie, car mes joies...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

...é quando.

Que seja ontem sempre a véspera do dia em que seremos felizes.

domingo, 4 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

sábado, 19 de novembro de 2011

"Uma chama que nos chama, nos atrai..."


Nunca é tarde enquanto a vida arde.
Estando-se aceso há acesso.
Dar-se sem fim recesso é dar-se fim,
Decesso.

domingo, 13 de novembro de 2011

COMO DADO - Cabeça há dentro...


Quando eu nasci minha mãe embrulhou-me em uma espécie de manto... Não, tanto não. Quando eu nasci veio um anjo safado... Opa! Tampouco! Mas que quando nasci não sei que espécie de anjo havia, isso posso afirmar. Também posso afirmar, sem exatidão e sem que me detenha dúvida, que minha mãe envolveu-me no que seja, tendo sido, isso afirmo, muito cômodo.

Acho que tomei gosto por aquilo. Não soltei pipa no ventilador, mas isso porque não soltei pipa alguma. “Se faltar o vento a gente inventa...” Mas vi e li pipas soltas. Já ouvi alguém louvá-lo, dizer que “esvazia a mente”. Já viu, né! Solto não! Sou solto!

E a vida é essa, sobe-se Bahia, desce-se Floresta, deixa-se a Floresta desencantado e torna-se a ela, ou ela foi sempre seu entorno.

Agitei-me. Entornei-me.Vim, vi, venci o suficiente. Dizem as más línguas que apenas o inevitável. Deixou-me o umbilical, e,passados a anestesia e o embotamento, desatei os laços de aparência inextricável. Se aquele não era, qual seria... 

Não subo lances que não sei aonde vão (ou não subo lances para o vão?)Batem-se, combatem-se, abatem-se. Golpeiam-se... Apeio-me! O “acomodado”. Sem elogios à letargia, não vejo o que no incômodo o enobreça. Desta peça, cômodo, vejo-os agitarem-se. Nos os alvejo e não me invejam. E que mal há se me dou sossego para que só me incomode eu a mim, em mim? Cabeça adentro! Não repercuto, não lhes disputo, não lhes incuto... nada!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Work-a-whole-lick



Se o fazes por necessidade, transige-o!
Do contrário, whadafuck!
I'm very ape and very nice
Pétrea láctea:

If the sun don't come you get a tan from standing in the english rain

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A não mais poder

Subiu o aeroplano, deixando atrás aquela pujança que já sabia em cifras  de educandário, depois vertida em imagens, sons e e movimentos e finalmente contabilizada em heliportos. 
São Paulo, a que nunca aspirara e que vinha de aspirar tanto era agora, sem o ser, como um sonho meu, aéreo em planos. Antes nítida, esfumava-se agora em branco. 
Tivesse-a visto de cima poderia minha alma ser tão alva e não-alvejada, tão vasta e não-devastada?
Tão nada poderia, decerto incerto.
Privamos:
-Poderias?
-Poderio nada!


O dia nada apaga as estrelas...

domingo, 30 de outubro de 2011

Ad(d) to the mystic II

As janelas são tão travadas neste hotel da São João é por quem?
São muitos aqui os cadentes por estreitados entre os largos? Arouche... Payssandu...
Indecido-me sobre suas decisões radicais.

Estreitou-se a garganta do Presidente..
E eu aqui, desapertada a gravata que não uso, não sinhô!




São Paulo, 30 de outubro de 2011

Ad(d) to the mystic


Rodo a Desvairada. Rodo à desvairada. Metrôs praquicolá! Era óbvio: a Luz é bonita! Era óbvio: a Língua Portuguesa está na Luz, é a luz! Sabia-o Pessoa, sabe-o Caetano; sábio Caetano. Vou sabendo-o, perfazendo-me eu. O processo é longo e é tudo, nunca se está perfeito. Pernas pra que te quero senão para que me doam e me sirvam de álibi ao descanso?



Pauliceamente dormido às oito e pico de um sábado?! Sim! Pico o sábado e não me valho das sobras se não me sobra pra tanto além do ter de por estar paulicea a mente.


Mas se Oswald era (como me dizem) extraído dos Nogueiras mineiros de Baependi; se Nilton o sabe em Brasília e o parabeniza por juntar-se a nós (quae sera tamen), estou-me neste hotel e sou banda em véspera de show. Sou(l) diferente e solo pelas bandas de cá!

Do you wanna dance under the moonlight?


São Paulo, 29 de outubro de 2011.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Filosofia de "Buteco" 24, oras!



Conversava de manhã com meu tio, um sábio homem, desses que não têm qualquer pudor em reverberar outros ainda mais sábios, e que nos são portanto muito úteis aos noviços.Para justificar o dito quanto ao ponto específico, relembro aos senhores o fato de que deixei há apenas quatro meses a casa paterna, enveredando-me pelos meandros da propriedade domiciliar, ou em vernáculo: sou há pouco dono de casa.



Narrava-lhe minha mais recente angustícola, extraída de minha experiência com a faxineira. Por imposição de minha rotina laboral, a dela é tal que chega e já saí e sai e não cheguei (o que tornaria perfeitos alguns casamentos após o décimo ano).



A coisa é que a senhora assenhora-se da casa, sente-se verdadeira rainha do lar, o que até me diverte, confesso de bom grado. Na primeira quarta (vai às quartas), quando cheguei em casa, vi que ela mudara de prateleiras as canecas e o conjunto torradeira-grill, passando-os estes para cima e aquelas para baixo. Disse de mim pra mim: Taí, a moça é prática! À americana: o mais utilizado mais à mão. Fosse maior o meu espaço e até deixaria os utensílios cotidianos sobre a pia, que é infelizmente bem pouca.



Na segunda quarta mudara de lugar os souvenirs (o pequeno Pessoa, a bailarina de flamenco, a pequena Torre Eiffel, o pequeno Portão de Brandenburgo) das prateleiras do escritório para os porta-cds amadeirados da sala. Até achei que estavam melhores ali, anunciando ao mundo, orgulhosos (mas não soberbos) que já errei pelo globo (e, por óbvio, ainda muito hei de errar). Afixara também o leãozinho de ventosa no box do banheiro social.


Na terceira quarta, vendo toda embolada a cordinha da persiana do escritório (que depois verifiquei estar rota, apenas disfarçada a arte) e bastante temeroso do que me reservaria a quarta quarta, engatei a primeira e deixei-lhe nota:
Bom dia, Rosângela!
Notei que a cordinha da persiana do banheiro está estragada. Gostaria de pedir que tivesse mais calma para arrumar as coisas. Quando estragarem (como aconteceu com o espelhinho do banheiro e com a persiana) gostaria que me avisasse.
ACho melhor não subir mais a persiana, ao limpar o escritório, acenda a luz.
Obrigado!
Jesus te ama!
Gabriel



Meu tio ouviu atentamente e, com calma (como é o sestro dos sábios) e, sem cetro ou outro badulaque, disse-me:

"Meu filho, me deram um livro que eu talvez jamais compraria, mas gostei. É de um rabino, e ele tem uma visão bem diferente. É interessante! O negócio é que você, quando as coisas estão ruins, não pode torná-las piores! A mesma coisa com namoradas. Às vezes um orgulho, um impulso e você acaba é degradando o quadro! É como disse um amigo meu: se estiver chovendo CARALHO, você pega um menorzinho, coloca logo na bunda e fica na sua"

Filosofia de "buteco"... 24 horas. Buteco de... rabino!
Em vernáculo: dos males, sempre o menorzinho de todos! rs.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Rodriguianice



Naquela semana não se haviam ainda encontrado. Ela era professora particular, com seus horários sempre cambiantes. Ele, embora não se houvesse já convertido em um misantropo, descoberto um prazer inigualável na solidão, em privar consigo, perdera, digamos, a sua predisposição ao encontro dos amigos. (A predisposição apenas, que a disposição ainda se podia encontrar, fosse muito o incentivo).

Chegado à escola, recebeu mais um presente desses com que se brindam os recém-independentes, um faqueiro de vinte e quatro peças. Achou divertido recebê-las tantas; já era a terceira vez que lhas davam. 

Mas o gosto da solidão acompanha-se, parece, por um redobrar do valor dado ao compartilhamento com as companhias conservadas fundamentais. Pensou telefonar-lhe. Fê-lo. Não atendeu. Esperado o tempo passado o qual normalmente se desincumbia a moça, tornou a telefonar-lhe. Não atendeu. Resolveu então, expediente confortável e  moderno, e ainda animado pelo espírito do compartilhamento, e pelo da troça, enviar-lhe sms:

Dona Moça, vou-lhe dar uma colher de chá.

A moça, quando mais tarde viu a mensagem, enfureceu-se, pareceu-lhe sórdida: Como pode ser que me ponham em dúvida o procedimento?! Acaso não sabe ele que se não atendo o telefone é das muitas aulas que tenho sempre de dar?! Embora tal não fosse o caso, naquele instante...

Sem pensar duas vezes telefonou-lhe, mobilizada, e reduziu-o a cinzas, tantos e tão nervosos foram os impropérios que lhe dirigiu. 

Nelson disse um dia que a mulher gosta de apanhar; nunca disse, contudo, que o homem goste de bater. É que a mulher sabe por quê apanha, embora o homem bata em nome não se sabe de quê.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vai e Racha!

O coração é sempre o mesmo: gosta de gastar-se, não gosta desgastar-se. Ser um dia um atleta retirado, com as fotos e os efeitos do vivido contando a história que o livrou das cartilagens, ou tê-las, a estas, intactas, mudas, estéreis.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Até o fim, até que, enfim, não...

"Quando eu nasci um anjo só baixou; falou que eu seria um executivo. E desde então eu vivo por aí, executando os rocks do meu livro".


Vai, Gabriel, ser gauche de esquerda na vida sinistra, pândego!


Um bom futuro é o que sempre me esperou; espera até o fim!

sábado, 1 de outubro de 2011

Having lost his mind, he lost his friend's head.


He had it so hard turning sex down
I think he just might get head from a guillotine.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Drôle!


Quem não chora "Dá aqui!" não mama, Dalí!
Peça, ô peça!

Metapastiche

Reclamam da organização social que nos legou o traço luso, de não ter havido negligências salutares, de nos não haver dominado gente outra cujo rastro fosse uma tal civilização, mas já se deram conta do gozoso que é ler o Pessoa na materna?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Non Serviam


O diabo teria sido uma engenhosa invenção da Igreja para explicar como, tendo sido o homem feito à imagem e semelhança de Deus, a maldade grassa no mundo. Um anjo teria apenas cogitado de não servir a Deus todo misericordioso, e o Tribuno Celeste fê-lo tombar à miserável Terra. 

Notem o quanto antecipou-se o mestre a Descartes (que aliás queria provar a antecipação?) e a seu cogito ergo sum. Cogito de o ser, logo sou... demoníaco! Anjo cadente! Bonita chuva! Chovam seus desejos!

Tribunal Celeste de exceção. Lembra Minority Report: o contraventor é neutralizado mesmo antes de lançar-se à execução. Mas não prestou a queda angélica, não para o mundo nosso atingido, tingido de vermelho.

É, mas parece que o que vale é a intenção, então! Di-lo Deus! Se intensa, então...

Lembrei-me desses orgulhosos maridos de mulheres castas à custa de vigilância. Não se pós-graduam, não malham, não se entretêm com amigas... Digo-lhes mui religiosamente: se a campânula é mesmo necessária, ei-los cornos e adúlteras!

Libertai-vos! Livrai-vos do mau "amem!""

sábado, 17 de setembro de 2011

Sin Sim

Não
Não estou às ordens.
Não estou a instâncias
Não estou em jactâncias.
Não estou.


Vou.
Eis o quê?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Partículas

Há partículas a que nos afeiçoamos, não sei se com justiça. Não sei se há razão no deixar-se estar. Talvez razão não haja mesmo, e vai ver padecemos é muita emoção, e é essa a nos imobilizar na contemplação da beleza passada daquele tempo sobre o qual nos detemos. Sim, partículas de tempo, e as há diversas!

Fui dar nisso por via transversa, em pleno sonolento barbeiro, deitado, a cabeça supostamente repousada sobre o apoio avesso à ergonomia que ali se nos oferece. Tentou-me dizer que se gabava, mas o habitante desta nossa rua Fleet não é nada demoníaco, e tem até  um tom bem modesto. A verdade é que tecia considerações sobre as mulheres em geral, partindo, é claro, de seu reduzido particular. Soltou-me:

"A mulher ela hoje tem de ver alguma coisa nocê pra ficar concê".

Pensei e quando  foi diferente? Não sei a que vem esse "hoje" que tenho visto sempre imiscuir-se em falas quase arrebatadas dos que buscam aceitação. Pensei que não é esse o ater-se ao "hoje" que ameacei pregar ali mais pra cima... 

É, acho mais que do que preciso é de ver o hoje à luz do amanhã, e não de o ler pela cartilha do ontem, tentando escapar do esgotado travestindo-o de sempiterno ou, pior, de próprio do hoje!

Meu mundo é hoje!

Acho que não sei...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Teorema






Às vezes, por rotas mais floridas e chegada mais serena, tomam-se os catetos e deixa-se a hipotenusa.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Você é o que não come!

Começara havia pouco na vida aquilo de a quilo, já que a integralidade curricular pré-vestibular me impunha o abandono do refeitório doméstico. Lástima, pois aquilo me convinha, comer segregado, tendo sido sempre justamente "o que não come"! Travava-me para a divisão da mesa com  uma dúzia, ainda que fosse mais apostólico que tímido, a pouca variedade nutricional a que estava disposto. 

Parêntese: complexo de inferioridade megalÔmano; não te aprovam, não te curtem (para ser bibliofacialmente atual) mas te põem reparo todo o tempo, inclusive em teu prato... ok!

O fato é que as corridas à casa ainda materna tornavam-se energetica e monetariamente contraproducentes, então cerrei fileira com os do quilo, e tornei-me comensal. Já na estreia, justapõe-se Viçosa (o apelido era geográfico, não era moça, nem de se olhar, apenas nascido na tecnópolis): Esse é o abacaxi mais caro que você vai comer na sua vida!

Senti-me meio bobo no momento. O Viçosa julgava-se credenciado para palpitar saúde, já que seu pai era médico ("espião da casa do caralho", em sua terna e anatômica expressão). E acabei deixando de lado por um tempo o carmenmirandismo gastronômico.Passado algum tempo, a frustração do prato vazio, a carnavalização cromática sugerida pelos expertos e o sincero amor por mangas e abacaxis restituíram-me as frutas ao prato.

Eis que dia desses topo o pós-graduando Viçosa num a quilo do shopping, MINADO pelos anos. Sempre o mesmo, cabelos espetados à Guinle, churrasco, fritas e tais. Aquele confronto me deixou mais jovem do que o espantado "Mas 32!?" que a generosidade às vezes me concede.Muitas graças ao pomar, e, verdade seja dita, ao Chato Bial, com seu fomento à aplicação diuturna do protetor solar.

Viçosa, você é o que não come! Um banana! Um maracujá-banana!

"Ai, ai, ai, ai, é o canto do pregoneiro. Que com sua harmonia traz alegria in south american way!"

sábado, 27 de agosto de 2011

Mater Certíssima

Freud espantava-se da organização societária ao redor da figura paterna, e por uma razão muito simples: o pai sempre foi uma hipótese. A mãe, como diziam os latinos, sempre foi certa, certíssima! Mas o pai, agora, pode pelo menos ser verificado.

Dizia-me minha mãe que, quando morava com suas tias, muito bem tratada embora, não tinha um tratamento tão VIP quanto o que se reservava a sua prima, filha de irmã, e não de irmão, como era. Tem sentido, sobretudo considerando-se a consideração que não tinham as tias pela minha avó.

Mas a verificação do pai veio a destempo, que a figura já não brilha tanto. Por aqui, acabamos de trocar um pai dos pobres por uma boa e velha (nem tão velha e nem muito menos tão boa) mãe. Os enlatados estadunidenses também dão sua mostra da coisa. Nos anos 50 fazia muito sucesso nas barbas do Tio Sam um seriado chamado "Father Knows Best"; nele, a família metia-se em todo o tipo de apuro vespertino, apuros de que só saiam quando o heroico pai chegava em casa, depois do trabalho, para restituir ao lar a paz que o marcava sob sua égide.

Hoje em dia, em contrapartida, esses "fathers" são o Homer Simpson e o Dino da Silva Sauro. Será isso mesmo? Depois das explicações sugeridas por Freud os Édipos exorbitaram o controle paterno, soltaram-se, mataram seus pais a torto e a direito, sem sequer a "exorbitância".... dos olhos! E vão os Danilinhos proíbir Ricardos mundo afora!

Mães, façam boas escolhas! FRANcamente, não vão dar MARGEm a que se perca a família!  


Essas mulheres estão chegando mais rapidamente que os alquimistas!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Embromelhando

A porta não pode quedar-se aberta. Levou então a chave. Apenas a da porta, a de que precisava para fechá-la, e apenas para devolvê-la, já no dia seguinte, com carinho, fé, e em equívoco onomástico: "Daniel Jesus ti ama".

Embora a constância das medidas e o fato de passar mesmo a Bíblia a semana sobre a vítrea mesa do escritório possam sugerir o contrário, há duas dimensões, duas Bromélias: a de Gabriel, que cede espaço à faxineira Rosângela; e a da Rainha do Lar Rosângela, que cede espaço a Daniel, amado "di Jesus" e keeper of the key.

Um dorme no lar, o que significa dizer que habita a imensidão, a vastidão de que se faz a madrugada, sobretudo em espaços diminutos expandidos por não os macular nenhuma mobília. A outra vem redê-lo como os galos e cães de Hanna Barbera (?), que se intercambiam ao soar o relógio animado de ponto. Entra cessado o Nirvana e o rádio relógio faz-se possante na surpresa. É forte e luminoso, mas "ela vive parada no sucesso do rádio de pilha". De novo o espaço exíguo amplifica-se nas ondas em modulação em amplitude e por oferecer-se com detalhes à erradicação da poeira.

É de dez às quatro às quartas no quinto na Centralina, nas Santas Inesquecíveis na reiteração.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

3.2



"Fico pensando que por mais que eu ande eu não consigo me afastar de mim". Domingo, Guarani, e os anos dourados insistem em ser os mesmos. E de repente 32 fazem-se oito, e restauram-se pai e mãe e a minha sujeição em expectativa sem ter por quê nem razão. Os itinerários tendo sido sempre os mesmos, não poderia ser sincera a ansiedade. E era, era a de sentir justo aquilo, e aquilo era justo, e me era dado, e esse dado explica talvez quem me fui tornando, e quem me vou entornando.

As galerias de árvores, onde as vejo estou em casa. E as que conduziam os meninos à recreação aquática domingueira são as mesmas que agora desvelam ao suposto adulto águas revoltas, se agita-se-lhe a alma; mar bravio, se bate-se contra fúria do mundo; ou remanso, se há paz ciência que cultive no recôndito que soube urdir.

Não há de fato anos dourados, há anos de cobre. Anos que cobram o nos atentarmos a eles, anos que nos cobrem e que se cobrem uns aos outros, azinhavrando a gente que não é polida!

Não sei, não sei, não sei....  Nogueirinha, dizem-me os ecos do ão que é preciso ser tão pequeno a ponto de, pontinho, ousar pretender ser apenas feliz. Equilibro-me em vão, em vãos e desvãos vou-me equilibrando, dentro do POSSÍVEL.

"Que ideia é essa de viver assim?"

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Lyric Improvements

"Na verdade nada é uma palavra esperando tradução".

Na verdade nada é uma palavra esperando tradução. Faça seu próprio sentido, sem "tido"e conTENDO. Nada no ocidente te orienta, rapaz! Nem cruzeiros do sul e nem bússolas que só apontam para o norte. Da margem TUDO é estrada principal! 


Vicinal? Vi sinal!
Vice não, visse!

domingo, 31 de julho de 2011

Tour Bilhão

Ter à pista é ter a um campo aberto ao simulacro de intercâmbio, em que erros recentes proferem-se, desconfio, a uma falsa audiência motora de ouvidos moucos. Todos entregues à auto-peace-canalhice. A minha faço-a eu em mute. Dou-me tantos e tão bons conselhos que jamais serei bom o suficiente para segui-los à risca; mas arrisco-os, que riscos sempre há.


É ter à pista-terapista. Terá pista Gabriel? All guma, gume cego.


Losing track, and loosening the tracks of the stars of track and field. Battlefield.
Field-Nylon.


Corpos são demente insana.

sábado, 30 de julho de 2011

D'or avant! - AS PÁS da torção.

"Não é a vida como está, e sim as coisas como são". Mas se "são tudo pequenas coisas e tudo deve passar"... "Acho que o imperfeito não participa do passado(...) Acho que gosto de São Paulo, gosto de São João, gosto de São Francisco e de São Sebastião".
E eu gosto de meninas de meninas.
E eu gosto de meninas de... Me ninas?

terça-feira, 26 de julho de 2011

d'Algures àlhures

Batiam-se juntos e apenas correspectivamente confessos por essa verdade clandestina de que comungavam.
É, "no inverno fica tarde mais cedo"...

dans l'espace intime d'une mise en danger maximale...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Drops de Seminarstrasse

Muito estimados Clarice e Fernando,

Ainda me faltam os móveis da sala; eu os tenho visto tão bonitos e de tão plenas possibilidades que acho que ainda me faltarão algum tempo. Faltar-me-ão até que os possa ter tais. E não importa!, que os amigos se veem pra rua, e talvez mais importe a um homem solteiro uma boa cama de casal, sobretudo se homem solteiro "tremenda a mente" bem acompanhado. 

Falta dali sobra de lá: sobra-me ainda um cômodo. Não, não há incômodo; apenas a companhia feminina rapidamente te pode convencer de que um quarto consagrado a uma desajeitada esteira não é senão um quarto estragado. O negócio para o exercício, que também é bom amigo de balzco, é  vê-lo pra rua!

Quanto às missivas de vocês, eu as lerei até o fim de quarta a domingo, vale? Do contrário, podem apontar-me sem dó nenhum as suas potentes epístolas!

Combinado! Sem Juremas a que este Sansão precise oferecer o escalpo em sacrifício para criar coragem, subscrevo-me com respeito filial.

Gabriel, apenas e tão somente. Verde e Quente!


"Eu quero paz, uma trégua
do lilás neon Las Vegas..."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ilu... mina!

Ícaro fotofóbico?

"Vicarious existence is a fucking waste of time!"

domingo, 17 de julho de 2011

Caixa Preta

O edifício abrigava muitas torres, de parapeitos entalhados de cenas complexas, ilegíveis ao primeiro olhar, em que donzelas errantes erravam, ao se perderem sem remição. Estava cravado em prédio ornado com vegetação exuberante e cerrada, incompreensivelmente habitada por fauna cujo conjunto não formava qualquer cadeia alimentar. Era construto de porte, vastas dimensões, e dir-se-ia que, potencialmente, estava apto ao abrigo de tanta gente quanta se pudesse avistar das torres elevadas. Sua entrada, ponte levadiça, maciça e intermitente,  de fortes dobradiças, era estrepitosa e sedutoramente ameaçadora. Tudo ali externava em canto, e externo de tanto encanto, que não se perguntavam tantos do interior, encerrado em pranto.
Só o viam visto as britas e rochas de que era feito.

sábado, 16 de julho de 2011

To Be Niquim - Vacina Antititânica

Sou aqui de Minas
De Belzonte, sô!
Sou também baiano
Do reconcânvo
Sou de Porto Alegre
Rio Grande do Sul
Verde, amarelo, 
Branco, azul

Eu soul brasilêro
Não soul estrangeiro...

"Sangue falso bangue-bangue italiano
Swing falso, turista americano..."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nogueirismo

"Viver a vida desapaixonada e culta, ao relento das ideias, lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta pra estar sempre à beira do tédio, bastante meditada para se nunca encontar nele. Viver essa vida longe das emoções e dos pensamentos, só no pensamento das emoções e na emoção dos pensamentos. Estagnar ao sol, doutadamente, como um lago obscuro rodeado de flores. Ter, na sombra, aquela fidalguia da individualidade que consiste em não insistir para nada com a vida. Ser no volteio dos mundos como uma poeira de flores, que um vento incógnito ergue pelo ar da tarde, e o torpor do anoitecer deixa baixar no lugar de acaso, indistinta entre coisas maiores. Ser isso com um conhecimento seguro, nem alegre nem triste, reconhecido ao sol do seu brilho e às estrelas do seu afastamento. Não ser mais, não ter mais, não querer mais... A música do faminto, a canção do cego, a relíquia do viandante incógnito, as passadas no deserto do camelo vazio sem destino..."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CentralNORADRENALina

Sob um dos vários pontos de vista que constituem mirantes privilegiados de que se olhar para a vida de um privilegiado, hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Do quanto me empolga vem-me certo desconcerto  por chamá-lo "resto". Nomenclaturas...

Colher de pau pendurada na parede, está decretado, institucionalizado, o abuso de liberdade. O documento fundador reza (algo aqui deve rezar!) que neste sítio é "proibido entrar numa de entrar numa".

Não há muito, e a supressão da instância televisiva autorizou a supressão, no paradigma, do televisor sobre catálogos (o televisor, aliás, é puro catálogo!).

Primeira música ouvida: Dancing With Myself
Primeira música tocada: Infinita Highway
Primeiras providências: Encomendar faxina e internet.
Primeira refeição: Torradas integrais com queijo frescal, preparadas em eletrodoméstico que o carinho engendrou.
Primeiros Simão e Verônica: Diogo e Paula
Primeira... "talvez", "vou pensar", "se você merecer".

Produto do egoísmo? Que socialismo? Não se perguntem pelo futuro de uma ilusão, que não há. Não me engano que o inferno sejam os outros a tal ponto que o isolar-me com minhas circunstâncias seja a panaceia redentora, até porque "errar é humano, colocar a culpa em alguém é divino!". Mas adivinho que não sou divino e, em contrapartida, não disputar contra ninguém partida, não desejar de ninguém a partida, e a eclosão da minha voz ser partida do concurso de alguns acordes, e não de concurso com os "discordes" é já vencê-lo realmente.

No mais, "sem dúvida a dúvida é um fato. Sem fatos não sai o jornal. Sem saída ficamos todos presos, aqui dentro faz muito calor". "Sem saber que a beleza de tudo é a certeza de nada, e que o talvez torne a vida um pouco mais atraente!"

Ah, claro! O primeiro texto lido:

Vou dizer como foi: aluguei uma casa. Só tinha uma cama para por lá dentro, mais nada. Bom. Alguns livros e um gira-discos. Sim. Pois meti tudo isso dentro da casa. Vê-se como sobravam quartos? Pus-me a andar pela casa. entrando e saindo dos quartos. Que se passava? Não compreendi logo. Parecia-me que sempre fizera aquilo, nunca na vida fizera nada senão andar numa casa vazia, de quarto para quarto, ao longo de corredores. Não, não é simbólico. A não ser no sentido em que tudo é simbólico. Aconteceu. Comecei então a escrever aquilo mesmo. A escrita foi-me conduzindo a outro tempo, um tempo simétrico. À matéria cristalográfica do tempo. Na infância havia uma casa onde eu andara assim, por corredores e quartos...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Diz "há sossego!"

Não há unidade neste um só, e não é tornando-o um "não-só" que passaria a haver, como parece lógico, inclusive. A loucura em expiação está no assumirem compromissos, atarem laços que, desvairados, tentam prendê-los ao que são, ao que ainda são e, já indo avante, ao que um dia foram, então. 

Tais laços, se a subjacência é sempre a mesma vontade de ser feliz, não se dão. Dar-se a quem se foi ata-nos, isso sim, por inextricáveis laços, àquilo que, sim, de nós assim fica:alguma dor. Ata-nos consignando-se em atas, que talvez não por acaso assim se chamem. De acaso em acaso em "ah, caso!" vai-se, desabalada carreira, ao ocaso de si-cambiante, se cambiante mesmo, como parece não haver diferente.
Mas quem é que me entenderia, apenas (e no máximo!) rente?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

61


 VENGO DESDE TUS BRAZOS,
  NO SÉ HACIA DÓNDE VOY!

domingo, 3 de julho de 2011

Arqui Tectônico 2 : Domini Cal

Pensava se algum arquiteto me poderia convencer da plausibilidade, do interesse em haver prédios residenciais sem janelas nas fachadas. Penso irresistivelmente em um projeto salomonicamente mesquinho, obstativo de privilégios exclusivos e do fratricídio, pela repartição fraterna da frustração. Não, mas a fraternidade não é assim, vai!

Há coisas nesta vida pra que não se pode olhar de frente, e as há de que não se pode olhar de frente. E azar de quem não pode...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Loco Motiva

Pensava nos comboios, como quem pensa em Deus: com uma falta de fé desesperada. Pensava também em Deus - um comboio: algo que sem dúvida existe, mas é absurdo, que parte com um destino indefinido.

Implacável sintaxe do convite à inversão que não distorce (mas diz: torce!): Deus existe sem dúvida, mas cogito ergo dubito ergo, ab irato, puta que o pariu!

"...de algum trem, que não passa por aqui, que não passa de ilusão..."


segunda-feira, 27 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pronúncia

O amor só é possível em si, só é possível em "se", só é possível "em se...". O amor não é possível em voz, não é possível em vós. Em nós, o amor só é possivel em nós.

domingo, 19 de junho de 2011

De Ofício

As famílias são para os floricultores. E nem todos os admiradores de flores, e nem muito menos os capazes meramente de as curtir, são para o ofício, se o arranjo é tão delicado. E os pés em atraso que nos arranjemos  em outros vícios.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Roques

Flor Terezinha Nilton Tadeu Paulinha Brow Carol Titia
Michelle Moms Leonardo Neneca Levadona Celma Marina
Junim Jussara Metal Sandinha Dani Jones Ana Gabriela Milena Lorena
Lilinha Fllé Banbs Sandrokita
Carlotinha Xoxim Rasslan
Frangão Piruca Adilson David Gualtieri-Flavinha Mamão

quinta-feira, 16 de junho de 2011

De Terceira a Primeira.

No dia em que Ramones deixar de me divertir, Pessoa de me emocionar, Helder de me instigar, Vinícius de me justificar, e Bach de me elevar; nesse dia eu quero estar, devo estar morto.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Há tensão.

É que é preciso ter coragem de apanhar do sentido até apanhar o sentido!

"Seis sentidos na mesma direção
  Seiscentos anos de estudo
  Ou seis segundos de atenção"

domingo, 12 de junho de 2011

Veneziana

Há, quero crer, consenso na rejeição do desperdício. Mas e detectá-lo, é também tarefa fácil?

Testemunhávamos uma aula em que se aludira a uma frase, pra mim Nova, de uma Vera professora da Casa em que todos faleamos. Segundo a docente, "viver faz mal à saúde". Era sobre o excesso de zelo? Talvez fosse, faleou-se um pouco na reprodução do contexto.

Cuidado, cara! Isso de viver vai consumir sua saúde! A preocupação na limitação dos excessos da vida atentatórios à saúde vai tornando antentatório à vida o excesso de saúde!

Lembrou-me uma triste constatação a que ameacei chegar quando brincava com aquela frase do Drummond-feliz-habitante-da-maravilhosa-escrita-no-mar, de que "as Minas são mais bonitas vistas de longe" (Talvez muitos manos paulistanos concordassem que as há assim, rs).
 
Pensava, então, em estratégia Casanova (agora o italiano), que a mais segura forma de manter vivo o interesse é não franqueando o acesso, ou como alhures já disse, restando em apresentação (preciso aspas para citar-me a mim? Às vezes sinto que sim...) 
Alto lá! Acho que estou dando muito franco acesso e, no acesso de franqueza, contradigo-me e desperdiço seu tempo!
Au revoir... de longe!
Revoar ao longe!

sábado, 11 de junho de 2011

"O fogo ilumina muito... por muito pouco tempo"?


Na sala em que se reuniam os ânimos dispersos, indômitos da agitação recreativa que aparta e só liga as lições porque as anula, o sorriso do mestre azinhavrava-se, porque não se reconhecia pelos pupilos. Pupilos de pupilas dilatadas, não para tragar o que de fora se lhes oferecia, mas por não lhes ferir os olhos a luz que se lhes opunha. Não lhes feria os olhos incólumes, e ficava-lhes então a alma ferida.

Ardera o teatro, no palácio em que na terrinha melhor as artes se encenavam. Em encenação da crepitação, lavrou o periodista seu Dramático!, que descido da machete o mestre apresentou.

Não os tocou! Não os tocava porque a chama que despedia o artístico em pompa não lhes figurava perigo. A desaparição do belo que se consumira fulgurante não lhes ventilava  risco, não lhes era cintilante.

Mas foi talvez ali que me rasgou e adiou a ameaça apartante.

Postergado o perigo, não nos protegeu a procrastinação, não foi bastante, há-de consumir-nos a labareda, do claro instante!

Canto porque o instante existe!

Ps: os que não se sintam instados à decifradivinhação, lancem aqui o “pirou!” ou “ah neeem!”, e deixem a outros a piromaquinação.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Te acordas!

Reclamas, incompreensivo, da incompreensão. Do mesmo antes feito a não mais poder. Dessa impotência, vem-te turvação, e já não aceitas o que seja jorro.

Mas o estilo forja-se, forja-se de si, embora não seja dado. O estilo não é manjedoura, "manjas"? O estilo é a cruz, ou é para a cruz.

Estilo em estilo Helder:


o estilo é um modo sutil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe?

Mas Freud é teu comensal. Sem deixar de o ser também meu, já que a cada vez que invisto, invisto contra mim, em desconfiança de mim, em desarranjo de mim.
(...) mesmo ao avaliar o estilo de um autor, temos o direito e o hábito de aplicar o mesmo princípio elucidativo que nos é indispensável ao rastrearmos as orígens dos equívocos isolados da fala. A maneira clara e inambígua de escrever mostra-nos que o autor está de acordo consigo mesmo; quando encontramos uma expressão forçada e retorcida, que, segundo o *apropriado dito, aponta para mais de um alvo, ali podemoss reconhecer a intervenção de um pensamento insuficientemente elaborado, complicado , ou escutar os ecos velados da autocrítica do autor.  
Ah, o apropriado dito era:
*Ce qu'on conçoit bien
S'annonce clairement
Et les mots pour le dire
Arrivent aisément
.
(Boileau: Art Poétique)

"Contra, contra, contra a tradição, a contradição, a contradição."

E tu, o que contas?
Ah, tu já não contas, de acordo contigo...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

To masiado Humano

Pensava no que pudesse haver de mais propriamente humano. Isso a partir do choque surpreendente (mas não o são todos os choques?) que experimentei ao ouvir o professor falar de alguma coisa como o surgimento da literatura como hoje a concebemos. Mas como é que pudemos já ter passado sem isto? Passamos mal, hein!

Surpreendia o choque porque sei muito bem que Ela não podia ter havido sempre, por mais ávidos que hoje sejamos. Sei Tomasiadamente tudo sobre o advento da agricultura, de como nos fixou, livrando-nos do nomandismo e fixando-nos a meta de, mesmo não mais errantes, vagarmos por aí de alguma maneira. Sei também que essa meta só foi tornada possível, ou facilitada, por Gutemberg, com o novo ritmo que imprimiu a nossas vidas.

Isso de mudanças, pensando bem, eu tirava de letra! Pois já não ouvi o senhor Major contando da chegada televisiva ao mais Belo Campo das Vertentes? Pois então não sei da dependência dos guris de hoje da Barsa instantânea e do telenamoro facilitado que têm na internet? Porque o nosso telenamoro, fônico, exigia prontidão e discurso acabado, ou nos acabávamos nós, dávamos nós, éramos nós... desatados.

Qual guris! Dependo eu mesmo da internet para chegar a vocês, que jamais me foram dadas páginas! Eu que antes dos 20 dela jamais me servira, só me tendo sido de serviço a partir da transatlântica paixão da cabeça aos pés em ponta.

Caramba! O que há de mais propriamente humano é alguma falta. No vazio cujo preenchimento varia, dele não nos livrando nem os que variamos! Homi, tá variandu!?

Livrarei, pra variar, mas nem isso me livra!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carentes de mundo, aos livros!

Perambulam "mais sós que paulistanos". Se quisessem, era-lhes dado perambular mais sóis. Andam à cata de diálogos que não se instauram senão formalmente, em dias looongos, vaziiiios. Ali é "fala o que quer e ouve o que não quer". Duas vezes. É que também fala quem quer falar e ouve (?) quem  não quer ouvir.

Mas há livros. Há livres que falaram para serem ouvidos quando. A chave é sua. A casa, se acaso há casa, é sua, seja o caso de entrar. Faça caso. Não se publique em ocaso.






 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mater Now

Aprendi muito com a minha mãe. Não aprendi tudo que sei, mas o que sei é relativo e circunscrito a esta jornada. Com minha mãe aprendi o que sou. Não tudo que sou, mas o que bem sou, o que me a-bem-soou.

Dessas lições, uma me veio nos estertores e direta, como sempre são nos estertores. Lecionou minha mãe que "a gente nasce só e morre só". Disse-mo assim, sem dissimulá-lo, e ilustrou-mo com sua vida.

Só os gêmeos nascem juntos, e apenas os comorientes, solidários no sinistro, morrem juntos.

Não digo que se isole, que se firme no recôndito, embora já me tenha dado conta de que o intestino é o privilegiado e irrenunciável lugar do processamento. Ao largo da histeria judiciária, processe-se. Concilie-se.

Que possa florir, sim, seu jardim, e que o orne a fauna que não lhe seja predatória. Bem-vindos os convivas de vivas intenções, que não reduzam as flores a hastes, como se hostes fossem, que pétalas não se devem suprimir.

Festeje-os, mas os saiba provisórios, em microcosmo da vida, ela mesma fugaz. Independa!

Quer saber, mesmo entre os gêmeos há sempre o primeiro na emergência, bem-vindo o seguinte com uma primeira chance de ser precedido. Entre os comorientes, também, há sempre um que expira primeiro, legando ao seguinte um último suspiro, e firmando-se o entristecido, resignado ou mesmo aliviado precursor.

Não. Não completei 4 anos sem mãe. A coincidência genética esgota-se na gênese. A afinidade genética regenera-se. Regenera.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ecco Genti!

Tome uma mão entre as suas e não prema. Tome uma mão entre as suas e apenas trema. A mão que se apresenta, trema. Apresentada, solte-a. Solta, acena. Acenos vêm e vão. Não são só partida. Podem, aliás, ser sua contrapartida, ser contra a partida; em conserva, são. 

O que vale é a intenção. Mas não se deixe estar ao mal-estarmos, ao nos ficarmos no inferno, que de nós é feito, dos bem intencionados. O inferno é de nós efeito, apenas. A penas! 

How do you do?
Well... fine!
How do you do?
Well... I just do.

Tome a mão única, a contramão. E que nos seja dado restar em apresentação, que o que vale, amigo, é a intenção!

E o que vale amigo tão intenso, tão?

domingo, 29 de maio de 2011

É uma vez...

Tem a faca. Tem o queijo. Mas gosta mais dela limpa e dele intacto do que sujo um, partido outro e satisfeito.

sábado, 28 de maio de 2011

Fórum - Ossos do Ofício

Tudo que é END é OSSO!
Não! Mesmo o que não é END é OSSO!
Ora, o bom é não parar debater-se o coração!
Estranho, nem juízes querem conclusão!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Monsieur do Pré em "Memórias do Careceres", direto do Xadrez


O grunge em que me recoloca o Quito quer dizer, talvez, que vou gastar agora e em adolescência a crise dos 50, em vez de a gastar então e em juventudezinha, o que talvez agastasse algum filho. É que sou muito pré-imaturo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pálio - Use your Illusion

Por que me é dado falar em simulacro vil sem redundância? Porque somos capazes de ilusão, porque na ilusão somos capazes. Capaz de eu conseguir! Capas para conseguir? Não me capas, conseguir! Vou mesmo é com seguir! "Sigo sempre no rumo do horizonte, o que nunca me leva a lugar algum, mas a cada passo me promete o infinito"

I BOUGHT ME AN ILLUSION
AN I PUT IT ON THE WALL
I LET IT FILL MY HEAD WITH DREAMS
AND I HAD TO HAVE THEM ALL
BUT OH THE TASTE IS NEVER SO SWEET
AS WHAT YOU'D BELIEVE IT IS...
WELL I GUESS IT NEVER IS
IT'S THESE PREJUDICED ILLUSIONS
THAT PUMP THE BLOOD
TO THE HEART OF THE BIZ