quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sem meias palavras


Entrei na Sabinão. Sabinão, sô! Aquela padaria aqui do bairro. Sabe não? Enfim... Estava de camisa do Iron Maiden. Comprei seis pães de queijo e mistura para capuccino. Deu R$ 6,66. Ri muito alto, como o babaca que sou!



É muita adolescência nesse meu Brasil!!




terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Valete, Frates!

Chegou 2010, já não há fugir-lhe! É o primeiro ano que adentro balzaco, e com pouco saco, perdão da rima pobre e xula! Assim que, irmãos, sendo uma Pessoa bem Helder, é já hora de deixar a casinfância! Bons ventos me levem. Algum corretor a me ler?


Vento quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior
Alma de flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor

Vento que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo nao tem
Leva um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

Vento que dança nas praças
Que quebra as vidraças do interior
Alma que arrasta correntes
Que força as batentes
Que zomba da dor
Vento que joga na mala os móveis da sala
E a sala também

Leva um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém
Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar
Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Desaspeáveis aspas da aflição 2

"...havia uma boîte no sopé da colina onde não corria o risco de tropeças em pessoas que o conhecessem: envergonhava-o ser visto na companhia daquela mulher demasiado ruidosa, com pelo menos o dobro da sua idade, lutando contra a decrepitude e a miséria através de uma encenação absurda ao mesmo tempo ridícula e tocante, que o fez ter vergonha de sua vergonha: no fundo não eram diversos um do outro, e em certo sentido os seus frenéticos combates aparentavam-se: fugiam ambos à mesma solidão impossível de aguentar, e ambos, por falta de meios e de coragem, se abandonavam sem um gesto de luta à angústia da aurora como mochos aterrados. O analista lembrou-se de uma frase de Scott Fitzgerald, tripulante aflito do barco em que seguiam, deixado em terra numa viagem anterior, de coração exausto alimentado pelo oxigénio amargo do álcool: na noite mais escura da alma são sempre três horas da manhã. Estendeu a mão e afagou a nuca do dinossauro numa ternura sincera: salve, minha velha, atravessemos juntos estas trevas, declarava o seu polegar subindo e descendo ao longo do pescoço dela, atravessemos juntos estas trevas que só há saída pelo fundo consoante nos informou o Pavia antes de abraçar o seu comboio, só há saída pelo fundo e talvez que amparando-nos mutuamente lá cheguemos, cegos de Brueghel a tactear, tu e eu, por este corredor cheio dos medos da infância e dos lobos que povoam a insónia de ameaças."

sábado, 26 de dezembro de 2009

Desaspeáveis aspas da aflição 1

"- Para a semana que vem faço trinta e cinco anos, informou ela com descaro. Se prometeres pôr um smoquingue e levar-me a jantar a um restaurante decente o mais longe possível dos Caracóis da Esperança, convido-te; desde que o Mendes foi embora tenho um vazio no coração.

E apalpando-me o ombro:

- Sou uma pessoa muito afectuosa, chiça, não sei viver sem amor. Tu não deves ganhar mal, hã, os analistas esfolam, se te arranjasses, te penteasses, comprasses um fatinho na Avenida de Roma talvez ficasses jeitoso embora isso para mim, o dinheiro, o aspecto, não tenha importância nenhuma, são os sentimentos que me interessam, beleza da alma, não é? Um homem que me trate bem, me leve a passear a Sintra aos domingos e chega para eu andar feliz como um canário. Sou muito alegre, percebes?, muito sossegada, muito caseira. Eu cá meu filho pertenço ao gênero amor e uma cabana, o meu banho de espuma, a minha depilação das pernas, conta aberta na pastelaria, não exijo mais. Tens aí duzentos escudos com certeza, deves ganhar bem, és um cavalheiro, não aguento caramelos que não sejam cavalheiros, olha que gandulos sempre com a caralhada na boca puta que os pariu. Desculpa falar-te assim mas é que sou franca, não sou gaga, sei o que digo, a bem tudo a mal nada e ao depois simpatizo contigo, posso dar-te muitos gozos se gostares de mim, me compreenderes, me pagares a renda da casa, eu quero é dedicar-me, ter alguém que me leve ao cinema e ao café, me pague a renda da casa, me trate como deve de ser, goste do meu basset, me aceite. Por acaso podíamos ser felizes os dois, tu e eu, não achas, quando é que deslizas os duzentos bagos? Tens medo que isto seja conversa da fiada? Ó filho eu paixões é a primeira vista, não há nada a fazer, caíste-me no goto, deixa cá pôr os óculos para te observar melhor, te amar ainda mais."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Un jour, Ju (Gabriel disse...)











Bom...
Eu estou na beirinha do mapa; se meto n'água os pés, vejo-me a deixá-lo e, embora muito mais próximo do Brasil e, juridicamente, nele, sinto-me rumo à África.
É mar, que há sal, embora ondas não haja.
mas há já quem o curta,tudo igual; quanto menor, maior o proveito!
aqui veem-se a força e a vontade a concretizarem o que a chatice lógica bem gostaria de interditar.
assim que mesmo na falta de ondas tem-se escola pública de surf e estátua em homenagem aos surfistas...
é, se se lembra, a primeira capitania hereditária do Brasil, e até acho mesmo que me poderia tocar esta cota de cuja janela se avista o mar, do que me diz minha madrinha, sem que lho pergunte ou encoraje...
e embora o Brasil tenha começado aqui, pra mim, que venho de "dentro", é onde acaba; é onde o transcendo por metros, sentindo de pronto a irresistível atração que me incorpora, onde a sensação de pertencimento é tal que jamais encontrará paralelo, o que intuo, dada a quase nula chance de compravação que já me deparou.
aqui estoy lejos, aun que cerca, cerca de algumas centenas de quilômetros que me facultam pensar melhor antes do almoço sem recurso à cerveja ou ao que a valha.
aqui o tempo transcorre em blocos de só dois: está claro ou escuro, o chamado de mim não soa, que o celular não me acompanha, e não tenho como cruzar o tempo em ansiedade rodoviária de ilusória abreviação da distância cronológica.
tudo é cercado da ilusão de consumir-se, embora haja, subjacente, a certeza da facilidade do restauro de tudo, venha o feriado que for.
aqui como alhures azevedo, azevedo todo, e "fico pensando que por mais que eu ande, eu não consigo me afastar de mim!"

Mineiro a espera de gaúcho - pior que baiano!





Era janeiro de 1991, a quarta série ficara para trás, e com ela Tia Maria Luiza e quaisquer outras. Pela informação que tinha, esperava-me um batalhão de professoras, uma de cada matéria! Nada de tia, meu chapa! A chapa é quente!

Mas era janeiro, e o que quer que me viesse esquentar, não me pegaria antes de fevereiro. Na colônia de férias um guri me contava do quão perto chegara de ir ao Rock in Rio II, o evento da década, onde ele veria... uma pá de coisas cuja existência eu completamente desconhecia. Não, meu caro, não era possível chegar em casa e jogar no google, eu tardaria ainda para conhecê-los a todos, e de alguns gostaria que não me tivessem chegado sequer os nomes, que dirá seus "passo a passo", ou "step by step".

Era noite e me fazia acompanhar da Nildinha, minha fiel escudeira, força motriz do doméstico. Eu esperava pela aparição do bom gaúcho, que também tomava parte do festival, aquela parte sem potência, de sons sabotados, eternamente reservada a tudo quanto fosse dali mesmo, do Pindorama. Uns putos! Enfim... Veio-me a esperada presença, cabeluda e chacoalhante, e até louvada pelo repórter, que lhe atribuia o recorde em decibéis vindos da plateia, no inigualável momento (se medido em termos da adesão popular) em que "Era um garoto..." fora executada. Mesmo desse show, mesmo do breve recorte que dele fizeram, não tinha o domínio, pois que só conhecia o que viesse do inexorável Pop, que a ninguém poupava, já que do quarteto de vinil que o antecedera ainda não tivera notícia.

Basta de intróitos e pré-história. O interesse da noite, sua novidade, veio-me d'alhures. Depois de ter visto um descabelado e simiano Prince, e ter-me perguntando em vão de onde viria o interesse por tão exótica e patética figura, eis que surge um camarada cheio de marra, com uma cueca estrelada de prepotência yankee, e manda um som abalador de estruturas, irresistivelmente impositivo do apostolato! Foi onde me perdi, e onde dei entrada na adolescência sem qualquer chance de dignidade visual, haha!

Fiquei sabendo pelas reportagens que abundavam, que aquele rock in rio era o II em razão do I, haha, que acontecera em 1985. Feitas as contas, rapida e porcamente, dei-me conta de que o III havia de ter lugar em 1997, quando já seria um muito cabeludo e livre terceiroanista, que não encontraria óbice a sua expedição ao Rio de Janeiro! Malogro. Como já bem sabem vocês, veio-nos o III em 2001, outra era, outras armas, rosas menos perfumadas. Tal como possível, fui ao banco Itaú, comprei meu ticket pro passado por 30 pilas, e fui ter à cidade do rock. Plena satisfação!

Então, amigo, é por isso que sou pior que um baiano, tão pior quanto melhor se possa ser! Enquanto o carnaval daquele começa antes e termina depois, meu natal já dura alguns dias, e não terminará antes de 10/03/10, quando a montanha retornará a Maomé, ainda que já muito vitimada pela mineração. Pouco se me dá!

Gunner é gunner! Você não gosta? "Foda-se, eu curto Guns n' Roses!" E, "if you're gonna die, die with your boots on", mas de tiros perfumados!

Welcome back to the Jungle, Mr. Rose! Rock on!






















quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Wood stock market!





Quando o atormentado mental (I've been there!) e portador de sofrimento estomacal (I'm there!) Kurt Cobain aportou no Brasil em 1993, recebeu da fifi traquinas João Gordo a provocadora notícia de que seus shows em solo tupiniquim eram um oferecimento dos cigarros Hollywood, "o sucesso", aqueles mesmos que Celso já não pita! O resultado disso foi um sabotado e horroroso show, em que pudemos contemplar, atônitos, até mesmo uma punheta live on stage! Pura degradação moral; quite grunge!


Por aqui, Cobain travou conhecimento com Arnaldo Baptista (the lokiest man alive) a quem deixou carinhosa nota (em livre tradução do jornalista que então a publicou): "Arnaldo, cuidado com o sistema, eles te mordem e depois cospem fora, como a um caroço de cereja marrasquino".


Venho do cinema, onde assisti à nova película de Ang Lee, que aqui se chama "Aconteceu em Woodstock". Bem se poderia chamar "Aconteceu Woodstock", ou "Woodstock aconteceu". O fio narrativo que serve à exploração do tema do histórico concerto traz-nos a vida patética de um jovem explorado por sua despótica mãe judia, dona de uma espelunca feita hotel, perdida entre propriedades agrárias. Um belo dia, diante da notícia de que grande festival fora "expulso" da cidade vizinha, onde se realizaria, o rapaz, que tinha em mãos uma licença da câmara de comércio local, de que era o presidente, para organizar um pacato festival de música, vale-se do documento para atrair os desabrigados promotores de Woodstock.


O arauto da confraternização era um bonito rapaz de cabelos encaracolados, naquilo que pra nós se eternizou como "feições angelicais" ( pra mim em tudo correspondentes à descrição de Dorian Gray). Atrás dele emergiam vorazes empresários em ternos bem cortados, que sugariam os preciosos dólares dos hippies anti-capital.


É muito triste crescer e dar-se conta da completa impossibilidade de contracultura. Não temos o poder de escapar a nada. Dos que escaparam, ninguém nunca mais ouviu notícia. Se chegou a nós, é que já foi devidamente digerido. NO começo dos anos de 1990 as flanelas xadrez invadiram as passarelas de Milão. Em vez de o verem como o estelionato do estilo sempiterno dos habitantes do gélido norte estadunidense, muitos reinterpretaram os músicos norte-americanos então em evidência à luz daquilo, dizendo-0s uns forjadores de estilo. Dai-me paciência, Pai!


Infelizmente, se não os pode vencer, é juntar-se a eles! Isso de vestir camisetinhas do Guevara em passeio pelos corredores da Fafich, até que sua ficha do PSTU (você, que jamais foi trabalhador, nem urbano nem rural!) torne-se-lhe vergonhosa diante dos colegas de emprego bem -remunerado, não tem nada a ver, né!


Enfim, do filme ficou-me a premente necessidade de extrair a poesia que e como se possa do que o interesse dos graúdos nos permite alcançar...


E aqui me despeço embalado pelas ardências de pimentas que habitaram as famigeradas reedições do inesquecível festival:


"Look at me

Can't you see

All I really want to be

Is free from a world that hurts me

I need relief

Do you want me girl to be your thief?@!"

Prefiro os chistes que nos abatem aos bacharéis!

"Ao descer as escadas para o Banco distinguiu ao longe, perto da penumbra de sacristia a cheirar a verniz de unhas do gabinete das assistentes sociais, criaturas feias e tristes a necessitarem elas próprias de assistência urgente, um grupo de delegados de propaganda médica estrategicamente ocultos nas ombreiras das portas vizinhas, prontos a assaltarem de enxurradas palavrosas e por vezes letais os esculápios desprevenidos ao alcance, vítimas inocentes da sua simpatia impositiva. O psiquiatra aparentavo-os aos vendedores de automóveis na loquacidade demasiado delicada de bem vestida, irmãos bastardos que se haviam desviado, na sequência de um obscuro acidente cromossómico de percurso, da linhagem dos faróis de iodo para as pomadas contra o reumático, sem contudo perderem a incansável vivacidade solícita original. Espantava-o que aqueles seres debitantes, sempre-em-pés da boa educação, donos de pastas obesas que continham dentro de si o segredo capaz de transformar corcundas raquíticas em campeões de triplo salto, lhe dedicassem em chusmas atenções de Reis Magos portadores de preciosas ofertas de calendários de plástico a favor dos preservativos anti-sifílis Donald, o inimigo público número um dos aumentos demográficos, suave ao tacto e com uma coroa de pelinhos afrodisíacos na base, de jogos de xadrez em cartolina gabando discretamente em todas as casas os méritos do xarope para a memória Einstein (três sabores: morango, ananás e bife de lombo), e de pastilhas efervescentes que rolhavam as diarreias mas soltavam as rédeas da azia, obrigando os doentes dos intestinos a preocuparem-se com as fervuras do estômago, manobra de diversão com que lucravam os quartos de água das Pedras bebidos a pequeninos goles terapêuticos nos balcões das pastelarias. Os doutores saíam-lhes das pinças ferozes a cambalearem sob o peso de folhetos e de amostras, tontos de discursos eriçados de fórmulas químicas, de posologias e de efeitos secundários, e vários tombavam exaustos trinta ou quarenta metros percorridos, espalhando em redor os perdigotos de pílulas do último suspiro. Um empregado indiferente varria-lhes os restos clínicos para a vala comum de um balde de lixo amolgado, resmungando baladas fúnebres de coveiro.


Aproveitando a protecção de dois polícias que escoltavam um velhote digno com cara de ajudante de notário embrulhado nas lonas confusas de uma camisola de forças, o médico atravessou a salvo o bando ameaçador dos propagandistas a aliciá-los com o canto de sereia dos sorrisos uníssonos, desdobrados como acordeões nas bochechas obsequiosas: uma manhã destas, pensou, afogam-me num frasco de suspensão antibiótica amigdal do mesmo modo que o meu pai possuía, nunca entendi porquê, guardado no armário da estante, o troféu de caça do cadáver de uma escolopendra num tubo de álcool, e vender-me-ão à Faculdade, encarquilhado como um aborto, para figurar no mostruário de horrores do Instituto de Anatomia, talho científico atravessado de Castelo Fantasma, com esqueletos pendurados de ferros verticais à maneira de craveiros murchos a ampararem o seu desânimo a pedaços de cana, olhando-se uns aos outros com órbitas vazias de militares na reserva."

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"LOCUS MIRACULOSUS"


São Vicente, 22 de dezembro de 2009.



Estou aqui e, mais uma vez, confirmo o que nos disse Nando: "Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor." ASsim, no melhor interesse da mineiridade, e sem necessidade do recurso bélico, por meio do qual anexaríamos o litoral capixaba; eu agora, com a ajuda da amiga Caró, já escolhi meu presente de Natal. Espero que caiba no saco, Klaus!



segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Natural que me ofenda a fenda!


Os que já se lançaram à árdua batalha do interesse e de sua expressão, sobretudo os que já nos deixamos estar à margem por longo lapso (estéril lapso!), sabemos todos que há garotas de aparência “dura”. São aquelas que atraem o interesse sem “inspirar confiança”. Não, leitor apressado, não as censure com o material que não lhe dou. Não é que não pareçam fiéis depositárias de nossa confiança, é que não nos inspiram o resgate da nossa em nós mesmos. É o caso do que o vulgo consagrou como “confiar no taco.” Há nisso o tom empregado por aquele compositor que dizia que “garotos como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher são só garotos”.
Outro dia mesmo confessava uma tal fraqueza a quem a recebia com choque desgostoso. Pusilânime? Talvez! Proteção de face? Quiçá! É içar velas e lançar-se ao mar, bravio e incerto como seja, com o risco da procela que, quando não nos “naufraga” nem nos“deriva”, deixa-nos muito mais satisfeitos em viver e atentos aos prazeres que se nos apresentam.
Não me refiro às doceiras. Estas, com aquela essência melíflua e sem essência subjacente, quando conseguem despertar-nos o interesse (qual de nós não foi jamais tolo?!), não conseguem mantê-lo. Seu prazer é deixar-nos com cara de tacho, e me perdoem se julgam que as tacho injustamente, mas considero-o a justa taxa da perfídia, haha!
Em conversa com uma dessas moças de ar inexorável (“você é daquelas que nos dão a impressão de que, seja o caso de nos “rachar”, há de nos rachar ao meio!”), obtive-lhe alguma explicação, idiossincrática embora, do fenômeno. Disse-me que só “encoraja” quando se vê “querida”.
É de se lhe louvar a estratégia econômica. Com efeito, ao não prodigalizar os sinais de seu interesse, poupa-se talvez daquele assédio pálido e sem convicção dos que a ele só se lançam pela aparência de fácil triunfo! Quem precisa desses! Ademais, a seleção natural (essa acidental, se captei bem) ainda a livra dos pusilânimes que, feitas as contas, talvez sejam os mesmos aventureiros, sem, contudo, a nota de interesse que a perspectiva de verdadeira aventura poderia lançar-lhes! Aventureiro sem colhões?! Qual o quê!
Bom, gurias, invistam na estratégia, que parece acertada! Quanto a mim, que já não posso rogar a mamãe que me restaure eventuais escoriações faciais, acho que ainda me protejo um pouco das fendas; mas não se ofendam!
É cantar:
"...meu coração galinha de Leão não quer mais amarrar frustração; Ó eclipse oculto na luz do verão!"

domingo, 20 de dezembro de 2009

Leituras da madrugada: Ex lupus

"O médico escreveu no bloco: cabrão, curtas, compridas, riscou um traço por baixo como se preparasse uma soma e acrescentou em maíusculas Caralho. A enfermeira, que lhe espreitava sobre o ombro, recuou um passo: educação católica à prova de bala, supôs ele medindo-a. Educação católica à prova de bala e virgem por tradição familiar: a mãe devia estar rezando a Santa Maria Goretti enquanto a fazia."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Do casamento.








Veio ter-me às mãos o álbum de casamento dos meus pais, o que disparou algumas digressões, a que estive entregue boa parte do domingo. Lembrou-me que o adolescente que era, que vivia sob o ethos do roqueiro contestador, adorava proclamar-se contrário àquela "instituição falida", o pobre do matrimônio.

Durante a Faculdade de Direito, travando contato com os textos que o tratavam, sobretudo com o linguajar que lhe votavam, achei ocasião de reviver a fustigação ao enlace: "Contrair núpcias? E desde quando se contrai o bom?" Se não muito me engano, até já me vali da expressão em não muito antigos acessos de misogamia.

Essas coisas são das mais engraçadas. Confesso ter vertido uma lágrima discreta enquanto digitalizava o álbum, com o firme propósito de distribuir cópias aos muito justamente saudosos de minha mãe. Arrebatou-me de tal arte aquela arte simples, que cheguei a "publicá-la" no orkut, e agora não faço senão inscrevê-la aqui. Vai saber!

Aquele jovem Pádua que firma tão firme o livro da igreja, cujo nome desconheço, era mais jovem que sou, e não por pouco, por um lustro! A experiência abalou-me em minha misogamia, que já não lustro.

Recentemente tive o ensejo de "casar" uns cinco amigos; de dois fui padrinho, de um, simples conviva, de dois.... bom, de dois perdi foi o ensejo. Em justificativa e em galhofa do último ensejo desperdiçado, disse a alguém que não fui para não bancar o Ben Stiller de "Antes só do que mal casado": "Não há engano, senhor! Aquela não é a mesa das crianças, mas a dos solteiros!"

Caramba! Ao que consta isso de ser balzaco é meio estranho, hein! Mas não chega a ser o que parece ser "ser uma balzaca", das que se devotam ao "casamento ele mesmo", quiçá em detrimento da observação de circusntâncias que o poderiam tornar viável na longevidade.


Ah, mas vá lá! Minha relação com a coisa é conturbada. Acho que procuro a nascente e depois a aterro, aterrorizado! Acusam-me de sabotador de relacionamentos, colecionador das vicissitudes que se unirão em amálgama destrutiva do que se erigia. Será? Quando me debrucei sobre a coisa cismei: Mas por quê me entregaria à sabotagem, se crescido sob um tão encantador exemplo do conjugal? Ofereceu-se-me incômoda conclusão, a de que talvez eu procurasse a nascente justamente pelo feliz exemplo, e fosse a minha natureza, que a ele não se ajustaria, a força motriz do aterrorizado aterro! Não sei.

Encerro essa digressão com as desculpas de quem neste semestre não teve tempo para o analista, que não sei se conserva esperanças de rever-me. Ah, mas se sou analista de profissão e por empenho acadêmico (ah! Eleições e discursos!) talvez me possa bastar, né! Não acabamos de nos entender jamais! Já o sabia Kundera quando pôs na boca de Tomas a reflexão de que a vida não poderia valer muito, se o ensaio da vida já é a própria vida. Estamos condenados a queimar a largada! Ah, é largar!
Vou-me embora a cantar em eco do bom gaúcho:
"Sei que parecem idiotas as rotas que traço, sempre tarde da noite.
E se ando sempre apressado, e se nunca sei que horas são,
É porque nunca se sabe até que hora os relógios funcionarão.
Sem dúvida a dúvida é um fato.
Sem fatos não saem os jornais.
Sem saída ficamos todos presos
Aqui dentro faz muito calor
Sei que parecem idiotas as rotas que traço
Mas eu traço meus rumos eu mesmo, a esmo.
E se nunca sei a quantas ando, e se ando sem direção
É porque nunca se sabe, é porque nunca se sabe!
Nem sempre faço o que é melhor pra mim
Mas nunca faço o que eu não tõ a fim de fazer..."




PARAGONANDO: Russo Mercury



"EACH MORNING I WAKE UP I DIE A LITTLE..."


"TODOS OS DIAS QUANDO ACORDO NÃO TENHO MAIS O TEMPO QUE PASSOU..."

sábado, 12 de dezembro de 2009

Médicos com fronteiras





Há não muito tempo conversava com meu irmão, que acabara de ser atendido por um médico. Acho que se quisesse reproduzir melhor o contexto segundo a visão do mancebo deveria ter escrito "atendido". Questionava a frieza da classe. "O cara nem colocou a mão em mim, não levantou a cabeça nem nada, pediu uns exames e pronto!".


Na semana seguinte, numa excursão dessas pra show em solo carioca, conversava com um médico jr., desses que só fazem plantões e "curtem a vida", postergando a chatice mal remunerada da residência, e ele reagiu: "Nossa, as pessoas são tão carentes, né! Querem que a gente toque nelas!"


Confesso que por um tempo estive mais propenso às opiniões fraternas, acusativas da pouca fraternidade médica. Não me mereceu muito crédito a fala do doutorzinho, em desdém afrescalhado.


Hoje, no entanto, conversava nos corredores pós-graduandos com uma colega, que me contava algo sobre outro fugitivo da residência. Não me lembro muito bem dos detalhes desse tópico, pois a importância de outros sobrelevava. Sei que lhe disse, já em defesa dos meus antigos alvos de trajes alvos, que não lhes podemos censurar a reputada frieza.


Ora, um médico que, diuturnamente, ocupa-se em transmitir diagnósticos sinistros aos entes queridos das vítimas da má fortuna física não pode ter elevados graus de empatia. Como disse o bom gaúcho em outro contexto, "quem não fica frio fica fraco". Aquelas famílias receptoras dos maus agouros vão plangê-los por dias, talvez semanas, talvez até meses, e superá-los. Já o empático médico que os distribuirá seguidamente, viverá para sempre as nossas chagas. Cada um com suas dores e eles com as inesgotáveis dores do mundo? Acho que não, violão!
Se bem que "que não sofra, mas dê um toque, ora!"

sábado, 5 de dezembro de 2009

EX LUPUS - "Chovendo por dentro, impossível por fora"

"Eu me lembro de você ter-me dito alguma coisa sobre mim.
E logo hoje tudo isso vem à tona e me parece cair como uma luva.
Agora, num dia em que choro, eu tô chovendo muito mais do que lá fora!
Lá fora é só água caindo,
Enquanto, aqui dentro, cai a chuva!"


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Da pena da galhofa e da tinta da melancolia. Dá pena da galhofa...

Segundo ROUANET, os autores clássicos concebiam dois tipos de riso: o patológico, sintoma de insanidade, e o medicinal, que poderia purgar o corpo e a mente dos humores melancólicos.
Hoje tive oportunidade de ver, e de tomar parte, pra ser sincero, no triste espetáculo do riso medicinal a zombar do patológico. Parecíamos ter todos feito o juramento de Hipócritas, que não é nenhum célebre grego. Não há nada de medicinal no nosso riso escarninho, que mais mata que cura. Purgamos nossos humores melancólicos contribuindo para prender alguém num purgatório que não se resolve entre o paraíso e o inferno.
A loucura, parece-me, tem sua cota de poesia e, como tal, de solidão. O poético não é o mais propriamente compreensível. O humano? Já ouvi falar...

sábado, 28 de novembro de 2009

ETHOS

Muitos estudiosos da ação e da linguagem humanas (que para muitos é, ela mesma, ação) postulam que os indivíduos agem, com muita frequência, senão sempre, com atenção a um certo efeito de imagem. ASsim, não só a imagem que projetam é efeito de suas ações (que, por sua vez, são efeito de seu pensamento), como a própria imagem que projetam ou querem projetar é determinante de suas ações.
Sou levado a crer que seja assim.
Claro que o grau de consciência desse arranjo, bem como o grau de sofisticação no engendrá-lo, variam. Mas quem pode dizer que nunca tenha pensado algo do tipo : "Ah, mas seu eu fizer (ou disser) isso, vai parecer que...". Podem objetar que, num tal caso, não se tem mais que o cálculo imposto pela inexorável conclusão de que estamos, sim, sujeitos aos efeitos do que pensam de nós. A alegada necessidade do procedimento, embora se possa dizer que o desculpe, não só não o nega, mas o confirma. Fazemos isso!
Assim, quero deixar aqui a canção de que extraí a frase-símbolo de que, quanto mais mal feita a coisa, quanto mais perceptível o esforço para o constructo, mais baldado...

Ei-la:


Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras que não digo

Mesmo na luz não há quem possa se esconder no escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido

Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha nos teus olhos



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JE SUIS DÉBORDÉ!!!!!

Foda-se este trabalho!
Conhecimento é poder e TODA FORMA DE PODER É UMA FORMA DE MORRER POR NADA!!!

EX-VIEIRA

"...a insatisfação eterna do prazer obliterando o caminho do amor."

domingo, 22 de novembro de 2009

VOZES

"Já mandei mensagem pra ela, mas, como de costume (eu 'tava sem crédito!), não respondeu.
Dá pra crer?
O jeito é dar-lhe crédito!"

sábado, 21 de novembro de 2009

SOUZA CRUZ PERDE CLIENTE

CELSO JÁ NÃO PITA MAIS!

Estava na barbearia "dignificando" meu visual para a boda a que hoje assistirei. Lá, no costume, o assunto só passa por "...plantou a mandioca sem dó nem piedade" e coisas tais. Hoje não. Hoje o bom barbeiro deu-me a notícia do passamento do ex-prefeito. Não tardou para a televisão, ligada na Globo News, trazer a confirmação do que suspeitava fosse até brincadeira. Não, não por ser bom demais pra ser verdade, deixe de ser cruel!
A repórter estava diante do Hospital Sírio Libanês, de onde é comum que se noticiem os decessos dos célebres paulistanos, natos ou de ocasião. É, já não cabia dúvida: a morte era certa. Na breve retrospectiva biográfica a que procedeu como forma de situar o telespectador mais recente, ou de memória muito brasileira, a repórter informava o nome da operação policial que resultara na prisão do ex-prefeito. Informava mais, em encadeamento, que ele enfrentava graves dificuldades financeiras, em decorrência do bloqueio de seus bens por determinação judicial. E por isso o ex-prefeito, em maio último, tivera decretada sua prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia à ex-mulher.
Caramba, né! O Estado é muito vingativo! O bom Pita foi ter à prisão por falta de pagamento de pensão! Como pagar a pensão com seus bens de homem de bem bloqueados? Impossível!
Mas o Zé das Couves é um filho da puta! Esse tem de mofar na prisão! Não conseguir pagar a pensão alimentícia tendo-lhe sido dadas tantas oportunidades de formação e ascensão social?!!
Ah, esqueci de dizer que a prisão de Pita pela inadimplência dos alimentos era domiciliar!
Bom final de semana!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 6

Resposta abolicionista do "judiciosismo":


"Porque não quero ser tão julgado, nem tão de perto"



"...atrás da mesa o açougueiro comanda e intolerância me manda de novo pro banco dos réus."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 5

Resposta do day-to-day man:


"Porque se a mulher de alguém ficar de olhadinhas pra outrem no supermercado, prefiro ser outrem!"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não é sopa, não!





Segunda-feira eu estava na aula de literatura "ora pois" e, para variar, perdi uns minutos que poderiam ter sido de enriquecimento cultural com pensamentos que nem sei se assim se podem chamar. Sei lá do que a mestra falava quando, de repente, sem que ninguém gritasse o inaudito "Toca Raul!", ela o tocou, de ofício: "Isso é como aquela mosca do Raul, da sopa..." Imediata à mente (haha!) veio-me imagem que me vinha quando ouvia isso. Dei-me conta de que quando alguém se valia dessa expressão não me vinha a imagem de uma mosca verdadeiramente pousada na sopa, mas a de alguém comendo sopa e tentando, ao mesmo tempo, livrar-se de moscas que lhe zumbissem ao redor, talvez porque essa imagem me fosse muito simbólica dos incômodos.
Paralela à mente (tá, vou parar...) veio-me imagem de uma videocassetada que vira na infância. Nela, tinha-se uma avozinha muito icônica comendo um mingau (quase uma sopa, vai!) e deparando com uma mosca literalmente pousada na iguaria. Ela a recolhia à colher, olhava para um lado, olhava para o outro e, na falta de mais o que fazer, sobretudo naquela sala limpa (e como se orgulham de suas salas limpas as avozinhas que as têm!) engolia a musca domestica!
Olha, só agora alcancei o verdadeiro incômodo de uma mosca na sopa! É o fim! É a sinuca! Não se tem o que fazer! Ou se fica lá inerte, tapado, vencido de plano pela mosca, ou se deixa que ela cause um grande estrago (como sujar sua imaculada sala) ou, se não se pode vencê-la, é juntar-se a ela, juntando-a a si!
Fica dando sopa aí pra você ver!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cama-Leão




Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De um quasar pulsando lôa
Interestelar canoa...
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...
Rapte-me
Adapte-me
capte-me
It's up to me, Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão...
Rapte-me camaleoaAdapte-me ao seu
Ne me quitte pas...

domingo, 15 de novembro de 2009

Exemplo concreto e ex cathedra da relatividade do óbvio.

Estou feliz e contente estudando para a iminente prova de Semântica quando, no texto do Ducrot, deparo com este trecho:
Consideremos o diálogo:
X: Você quer ver este filme?
Y: Eu já o vi.
A resposta de Y indica um fato que, como tal, é suficiente para apoiar uma conclusão negativa que não é explicitada. Em nossa coletividade (e, em muitas outras) admite-se que o fato de já se ter visto um espetáculo, ou já ter feito um passeio, é uma razão para recusar revê-lo ou tornar a fazê-lo. Neste caso r está implícito, e ao mesmo tempo é levado em conta. (negritei)
Certa vez uma guria, em me explicando algumas possibilidades de classificação das personalidades segundo uma teoria de que não me lembro, disse-me, em exemplificação, que eu era um colecionador. Somos ou não somos produto do meio?

TALIÃO

sábado, 14 de novembro de 2009

DESAMANTES LATINOS

... nos quisimos tu y yo
Con un amor sin pecado
Pero el destino ha querido
Que vivamos separados

Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Sin haberse comprendido
Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Que son el tuyo y el mio

...vuelvo yo a recordar
Y me parece mentira
Ya todo aquello pasó
Todo quedó en el olvido
Nuestras promesas de amores
En el aire se han perdido

Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Sin haberse comprendido
Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Que son el tuyo y el mio
Que son el tuyo y el mio


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 4

Resposta verde, jovenguardista e gessingeriada:

"Será o fim dessa estrada e finalmente irei parar..."





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 3

Resposta sem esportiva:

A mim não compete competir, não na certeza da derrota.


On your marks.
Get set...
....up!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 2

Resposta Zafírica:

Porque de bom o matrimônio só traz os filhos, e já que os posso ter libérrimo sem, contraindo núpcias, contrair também os grilhões do brinde...


Cuidado com a que você brinda!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 1

Resposta Raiumunda:

"NÃO SEI FINGIR, NÃO SOU ATOR, SÓ VOU QUERER O QUE QUISER!"


Rodolfo, seu porco raimundo!

sábado, 7 de novembro de 2009

PODE SEGUIR A TUA ESTRELA...
















Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber

Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você


Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você








sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Assim acaba acabando!

Tenho uma mestra lusófila que nos dá folhas impressas sem destino em cujos versos devemos rascunhar nossos esforços acadêmicos. Tenho também uma amiga meio teutônica que se recusou a receber de mim um cd com algumas canções que lhe sugeria, dizendo-se mais disposta (e como!) a baixar as canções ela mesma, pois o mundo não precisava de que mais um cd fosse posto em circulação.
Confesso que dentre as posturas ecológicas há as que me parecem exageradas, sei lá.
Mas eis que estou parado no sinal (semáforo, farol, coisa e tal) e me vem uma guria (uniforme, boné, pá e tal...) e me entrega mais um folheto (ou afim, não sei bem como chamá-lo) cheio de mais ofertas de "acabamentos". Caramba! Haverá mesmo tantas dessas lojas? Caramba! As pessoas estão mesmo se acabando nessas construções e reformas? Tanto assim? Vixe!
Agora vou preferir a culpa de deixá-las (as gurias em uniforme) abobadas à raiva de ter sempre tantos papéis de que me livrar e à de fomentar um tal disparate!
Eco! Eco! Eco!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EX LUUPUS

"Assim, aos trinta anos, mais ou menos, este jovem fidalgo não só tinha passado por todas as experiências que a vida oferece, como verificara a inutilidade de todas elas. Amor e ambição, mulheres e poetas eram igualmente vãos. A literatura, uma farsa(...) Só duas coisas lhe restavam agora, nas quais pôs a sua fé: os cães e a natureza; um galgo e uma roseira. O mundo com toda a sua variedade, a vida com toda a sua complexidade, tinha ficado reduzidos a isso. Uns cães e uns arbustos eram tudo. Livre, pois, de uma vasta montanha de ilusão, e, por conseguinte, muito despojado...
...a lua nasce e o sol morre; a primavera sucede ao inverno e o outono ao verão; como a noite sucede ao dia e o dia à noite; como, depois de uma tempestade, vem o bom tempo; como as coisas permanecem como são por uns dois ou três séculos, apenas com um pouco de poeira e umas teias de aranha que uma velha pode varrer em meia hora; conclusão a que se podia chegar mais rapidamente, sem dúvida, dizendo: "o tempo passou e nada aconteceu".
Mas, desgraçadamente, o tempo, que faz florescerem e murcharem animais e vegetais com espantosa pontualidade, não tem sobre a mente humana um efeito tão simples. A mente humana, por seu lado, atua com igual estranheza sobre o corpo do tempo. Uma hora, instalada no estranho elemento do espírito humano, pode ser distendida cinquenta ou cem vezes mais do que a sua medida no relógio; inversamente, uma hora pode ser representada no tempo mental por um segundo(...)
Não defrontava apenas com os problemas que têm confundido os maiores sábios, como: "Que é o amor? Que é a amizade? Que é a verdade?", mas, logo que pensava nisso, todo o seu passado, que lhe parecia tão longo e múltiplo, precipitava-se naquele segundo prestes a cair, dilatava-o até umas dozes vezes o seu tamanho natural, coloria-o com mil cores e enchia-o com todos os resíduos do universo."

"Aja duas vezes antes de pensar."
Haja dúvida!
Há já tantas!
Ajax nelas?
Não! Aja nelas!
À janela?
Não! Lá isso não!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Orientação

-Opa, espera aí, Bi, Esqueci de tomar um chazinho...
-Puta merda!

............................................................................................................................................................................
............................................................................................................................................................................
-Sabia que é bom tomar algo quente depois do almoço?
-É nada! É horrível!
-A gente tem de seguir os orientais. Eles são sábios!



Por quê será que a gente se orienta, em vez de se ocidentar? Acidente?

domingo, 1 de novembro de 2009

São Vicente, 31 de outrubro de 2009.

Ando, ando, ando. A areia é feia, e a água nos pés, gostosa. Canso. Sento-me, abro o livro que leio. Pela data azul, minha mãe o leu em 88. Oitenta e oito? Tabuada, Tia Leone, Cíntia. Sentia medo. Era tudo à distância. Algo me ocorre. Dubito, ergo cogito, ergo sum. Ergo-me, volto-me. Puta que o pariu! Duvido que tenha andado tanto! Logo, apresso-me. Logo chego à barraca de côco. Entro. O atendente é cearense:

-Tu é de onde, tu?
-Beagá.
-De onde?
-Belo Horizonte.
-Ah, lá é estiado! Pesse lado ninguém vê sol faz quatro mês!

Há um carioca ao lado, cujo carrinho de compras fora abarrotado pelo cearense com cinquenta côcos:

-Tu é de Belo Horizonte?
-Sou.
-Beleza! Três pontos e lá vêm mais três, agora com o cruzeiro.
-Cruzeiro? Fique à vontade!

O cearense:

-Tu mora atrás do Atlético? Ele é fluminense, esse aí!.
-Conheço o Fluminense, era um time do Rio, né?- e saio. Ouço ao longe:

-É! "É" um time!
Como é irresistível a pertinência, o pertencimento.

sábado, 31 de outubro de 2009

A CASA é sua, Glória!- Paterfagismo

Era uma vez a era do "A casa é sua glória.". Agora é, de vez, a era do "A CASA é sua, Glória!"
E essa CASA, capital, não é o lar, é o mundo, a CASA CAPITAL!
Quem as amava Amélias agora não poderá senão amar-lhes as Glórias.
Já não se fazem mulheres como antigamente, com antigas mentes.
Adeus, Amélia!
Bem-vinda, Glória!
Você tinha razão, Paula!
Bel, chior as são?
É a hora em que "o novo, o novo sempre vem!"
Só não poderemos ser os mesmos e vivermos "como nossos pais"!
Qual o problema? Como amamos nossos pais!
Pois comamos nossos pais!
Comamos em paz!
E façamos a nossa indie gestão!

E canto:
"Se meu filho nem nasceu
Eu ainda sou o filho
Se hoje canto esta canção
O que cantarei depois?"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dobrando Afinados

-Ô Terezinha, esse feriado de segunda é municipal ou federal?
-É finados, ô Vicente, é geral, é pra todo mundo!
-Vicente, não esquenta não; esse é pra todo mundo que vai morrer!

Afinados, dobramos de rir.
Os sinos dobram, como dobrariam na segunda "fatídica".

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Anjo.

Já to digo, amigo teu que sou: Se me amolas, afio-me!


Douto Dalto: "Eu não nasci um anjo
Anjo não se faz..."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ranzinza


Odeio essa gente que será feliz "assim que tiver".
Odeio essa gente que tem certeza do que não sabe.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Folião "letrero" subversivo

-Bakhtin!
-Saúde!

Tá bom, vai! Deixando de lado a babaquice mais explícita, digo que, com todo respeito ao pensador, carnavalizo é com Caetano, que o Carnaval é menos russo do que baiano! Então:





Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa, beija, seja
O que Deus quiser...

A gente se embala, se embora, se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha, se beija, se molha
De chuva, suor e cerveja

domingo, 25 de outubro de 2009

ENQUANTO É TEMPO...



E pra não dizerem que eu, que já então não propriamente vestia a camisa, não fiz nada pelo Forte e Vencedor, digo a quantos o presente virem, ou dele conhecimento tiverem, especialmente à massa atleticana, que já estou na aula de natação, em que pese toda a cãibra de que diariamente acometido!

Digo mais, que torço muito para que o Atlético vá à Libertadores, para que os cruzeirenses, sujando-se, já não possam mais acusar os mal lavados de terceirizarem a vitória!

Ô, dá-lhe, Galo!
Ô, dá-lhe, Galo!
Olê, olê, olê!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nossa! Que Confúcio!

Morava com "a velha", minha querida avó, que assinava os semanários especializados em "celebridades" ("...recortada de revista especializada em vida de artista..."), com que me divertia em cada grupo de três minutos livres, sobretudo lendo as citações que suas páginas sempre recolhiam, muita vez distorcidas e equivocadamente atribuídas.Não me arriscando então a atribuir autoria, lembra-me ter visto citação de um preclaro oriental, não sei se Confúcio ou certo do que dizia, de que "os tolos tomam para si o respeito que é dado à posição que ocupam". Assim, incorporei ao meu repertório a coisa de que o sujeito não "é", mas "está".
Isso muito me ajudou, estando há muito no meio jurídico, em que grassa a sem graça vaidade. Dizia-me sempre que era impressionante essa imagem de seres tão essenciais que faziam de si sobretudo magistrados e promotores. Como essencial?! Ninguém "é" essencialmente magistrado, o cara "está" magistrado. Poético exemplo disso é dado no belo longa alemão (se não for alemão, é pelo menos certa sua filiação teutônica) "Lugar nenhum na África", que conta a vida de uma família alemã, encabeçada por um magistrado (ou por um que estivera magistrado), fugida da persecução aos nazistas. Lá, sua ex-celência trabalhava a terra ("...vivo do que faz meu braço, meu braço faz o que a terra manda. Voa tristeza, voa vento, voa tempo voa!.. e qual de nós não acorda de noite querendo de volta o perdido?")
Bom, isso é velho e há já muito incorporado. A novidade está na irresistível transposição desse já familiar labor para o LAboR familiar...Não lembro muito bem o que disparou esta ideia e esta relação. Estava no carro, indo para a sinecura, e comecei a pensar no que deu nisto, que m'arrebatou a mente, qual sequestro.
Familiar:Também aqui ninguém é, mas está. Não sei, sempre tive um irresistível desejo de prole; pode? Mas agora, vendo muitos maus exemplos de relações filiais-parentais, começa a me incomodar que elas a partir de algum ponto só sigam a inércia das convenções. Não as suporto! Quanto menos, melhor! Você aprende a amar o outro pelo que ele "está" e como depois reavivar o amor se o seu novo "estar" for um "já não estar" em relação ao "estar" que desencadeou o afeto? Tá, alguém pode dizer que, ao contrário do dito quanto à magistratura, um pai ou um irmão são-no essencialmente. Não concordo! E há uma quebra da própria lógica aparentemente inerente à afirmação se a sustentamos a toda força. Afinal, se convencionalmente um pai ou um irmão são-no essencialmente, como podem continuar a sê-lo essencialmente apenas por convenção se já não agirem como convencionalmente lhes era devido?AH, esquece!
Nâo tÔ entendendo nada!
Vou ali nadar!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

ENQUETE! DUELO

Danete e "Os Trapalhões"


X


Danoninho e "Chaves"



Vota aí, cara!

Xoxo não, Xoxim, haha!

L.C. - muxoxinho.... diz:
hahahahahha bocó

Gabriel diz:
Eu sou!
Assumo!
Mas, como já disse por aí, tenho as minhas profundidades!
não que seja bom!

L.C. - muxoxinho.... diz:
hahahaha
acho bom.

Gabriel diz:
É, eu também, mas não sei se acham por aí, pelo menos não as manifestações. Acho que me preferiam tão profundo que não chegasse à superfície!

L.C. - muxoxinho.... diz:
hahahahaha
fueda-se
seja feliz
e fim
o/

Gabriel diz:
Eu sou!
Acho até que sou como poucos.
E, só contados os conscientes, como quase ninguém!
Hahaha!
"Como quase ninguém"
Putz!


L.C. - muxoxinho.... diz:
hahahahahaahahahaha
hahahahhahahaa ri alto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rural BritRock Grande do Sul

E passo a passo vai cumprindo a profecia do Beatôul que dizia:

"I once had a girl
Or should I say
She once had me..."

"A seguir cenas obcenas do próximo capítulo
É só virar a página
E o futuro virá

Se alguém, seja lá quem for,
Tiver de morrer
Na guerra ou no amor
Não me peça pra entender
Não me peça pra esquecer
Não me peça pre entender
Não me peça pra escolher
Entre o fio ciumento da navalha
E o frio de um campo de batalha

Chegamos ao fim do dia
Chegamos! Quem diria!
Ninguém é bastante lúcido
Pra andar tão rápido
Chegamos ao fim do século
Voltamos enfim ao início
Quando se anda em círculos
Nunca se é bastante rápido!"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Já chegou? E agora? E agora?

Se eu disser que "estou ansioso por" gero a inferência de desejo? Mas pode ser cancelada? Bom, então, para evitar que me acusem da implicatura, deito à terra a expressão, e passo a estar "ansioso diante de". De quê? Ah! Da fronteira! Quando passo da dificuldade à impossibilidade?
Que tal fundir "interessada" e "interessante"? Ainda anda difícil, né!
Ó, mas pouco de cada não!
Tem de ser tudo no grau!
Oh yes!

sábado, 17 de outubro de 2009

Não sabe que é, não sabe que sou.

With eyes still dilated,
I've became your pupil
You've taught me everything without a poison apple
The water is so yellow, I'm a healthy student
Indebted and so grateful -Vacuum out the fluids

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Noite alta, céu risonho: Baixinha? Xou Xim!

-Xoxim, ainda dei sorte que te conheço! OU até teria errado o troço lá!
-Ah, claro! Acho melhor te crucificarem!
-Bom, minha VERa amiga irÔNICA, seja o caso, por favor, avance sobre a via crucis e me enxugue o rosto, vale?!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

DESCOMPASSO POÉTICO

Incorreção do poeta:

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."

Em correção do poeta:

A vida é a arte do encontro, pois há tanto desencontro pela vida."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Boa pílula

"Depois de agir compelido pelo interesse volitivo, o homem recorre à razão como instância homologatória do ato realizado". (de "O romance tragicômico de Machado de Assis").

E enquanto os mais estupidamente gramaticais (os muito gramaticais costumam sê-lo estupidamente...) discutiam a firula pronominal, escapou-lhes a sabedoria (nem tão) subjacente às palavras do (propositada e superficialmente) controverso Jânio Quadros:

"Fi-lo porque qui-lo."
Já então o nosso bom varredor detectara a instãncia real, a força motriz verdadeira das ações humanas (ou tivera acesso a quem a detectara, "me da igual")

domingo, 11 de outubro de 2009

QUALQUERELA

Sejas a tela que fores,
Com as tintas que tenho,
O quadro é negro!
Seja até lá o que fores,
O quadro é negro!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Marcas Polifônicas 2

Não é que tenha "traído o movimento"
É que sou movimento
E tem-me atraído o movimento.

PORTAS DA PERCEPÇÃO

Não é que não me comporte...
É que não há o que me comporte!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"Fico pensando que por mais que ande
Eu não consigo me afastar de mim."

domingo, 4 de outubro de 2009

DUELO

"Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir!"


x


"If you don't know where you're going, any road will take you there!"

sábado, 3 de outubro de 2009

Morfobisonhice

MEGERA

Me gera?

Gera-me quem me degenera?


Tudo está no tom. É de muito bom tom usar um tom bom!
Tão bom!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Babaquice jurídico-letreira.

Sei que lá vão bem distantes os tempos áureos do enciclopedismo. Sei, ademais, que o vulto dos que o engendraram não recomenda que os pastichemos. Não se trata disso. Nenhum blogueirozinho da madrugada vai tentar dar-se a grandes convergências. É apenas um exercício de exploração de formações, haha!
Apesar de operador do Direito (alcunha sob medida para os que não o dominamos a ponto de nos denominarmos juristas para dominarmos o mundo como consultores jurídicos), sou obrigado a reconhecer que o Direito, que se diz instrumento de pacificação social, está mais para instrumento de manutenção do status quo, não é mesmo?
Ora! Nada atenta mais contra o estado das coisas do que rupturas e anomalias. Além disso, todo bom causídico (nem o sou, nem o seria bom, mas...) vale-se do que quer que lhe esteja ao alcance para atingir seu desiderato (em homenagem ao Prof. Sérgio Peixoto). Então, lanço-me à supressão do anômalo na reputada anomalia:
"Ideias verdes incolores dormem furiosamente."
Calma, pessoal! "Tudo na mais perfeita ordem, tudo na mais santa paz". Havia um grupo de ativistas ecológicos que, frustrado ante a traição do programa da organização por parte de seu líder, que ascendera ao Governo, deixaram provisoriamente de praticar seu ideário, embora em irada trama de restauração do movimento.

domingo, 27 de setembro de 2009

Ampla Defesa.

A partir de uma agradabilíssma conversa entre bachareis, entre os quais uma defensora pública e um promotor de justiça, resolvi retomar a defesa do finado Michael, Deus o tenha entre querubins! Em relação à pedofilia, digo que o rapaz é inocente, há "crime impossível". 


O exemplo mais didático do crime impossível é a partir do homicídio. O sujeito resolve eliminar o cabra safado da sua região, responsável pelos momentos mais prazerosos da vida da sua mulher, a Sra. Corno. Acha-o no que imagina ser um preguiçoso sono à sombra, enfia-lhe a faca e, ato contínuo, descobre que o tipo já abotoara o paletó de madeira. Crime impossível O tipo do homicídio fala em "matar alguém". Uma pressuposição semanticamente irresistível é que só se mata o vivo. É impossível matar o já morto.

Michael? Pois bem: Para que haja pedofilia, é imprescindível que haja um adulto a, digamos, abusar de uma criança. Sr. Jackson, Peter Pan, não era adulto, era criança. Logo, não houve abuso, mas troca-troca! Ou, quiçá, o menino Culkin, que em contrapartida era precoce (logo mais adulto que Michael) é que abusou do rei do pop!

sábado, 26 de setembro de 2009

Conto Hodierno II - ... a cavalo!.

Disso, o luto!

JUST NOW

Batata's Grill, 11:52 h.


Sessenta e cinco anos, give or take, camiseta, bermuda, sandálias, dedos em festa. Acompanhado. Mesma idade, séria, cabelos pintados de preto, recupera-se de lesão que lhe compromete o passo, e é o dela que dita o do casal. Dita o passo, e dita a expressão, séria, quase muxoxo. Porém, ele, ao garçom:


-Tem suco?
-Tem.
-Então me dá um Skol.

Explodo em gargalhada. Ele abre o sorriso, aproxima-se, e abaixa-se até minha altura (estou sentado, almoço):

-Vi seu suco e imaginei que não pudesse já chegar pedindo uma cerveja.

Sorridente, era a cara do Tom Jobim ( o homem do cachorro engarrafado)!
Adoro sábado!

Vida Simples




Acabo de deparar uma edição da revista que anuncia um novo mal do século (rs): o me-achismo. Segundo opiniões que ali vão, entre sintomas e causas estão os reality shows, a desenfreada proliferação de autoajuda (do it yourself!), a supervalorização da autoestima e por aí vai.

Abertas as inscrições para os vaidosos anônimos: VA(´)

"All through the day, I, me, mine, I, me, mine, I, me, mine..."



"Umbigo meu nome é umbigo

Gosto muito de conversar comigo
Umbigo meu nome é espelho
Não dou ouvidos nem peço conselhos
Umbigo meu nome é certeza
Só é real o que convém à realeza
Umbigo meu nome é verdade
Sou o dono do mundo e o rei da cidade
Umbigo meu nome é umbigo...

Umbigo meu nome é umbigo...
Eu sou mais eu! dê cá um close no narciso

Umbigo meu nome é umbigo
Me peça tudo, só não peça para ter juízo
Umbigo meu nome é umbigo
Não sei de nada além de mim: o amor é cego
Umbigo meu nome é umbigo
Vivo na sombra e água fresca do meu ego
Eu vou andando, e quem quiser que acerte o passo
Faça o que eu digo, e eu me concentro no que faço
Se um dia o mundo pegar fogo eu salto antes
E dou adeus a seis bilhões de figurantes
Umbigo meu nome é umbigo
Quem está contra mim também está comigo
Umbigo meu nome é guru
Eu caí do céu foi pra mandar em tu
Umbigo meu nome é umbigo
O mundo perde o freio, e eu nem ligo
Comigo só não vai quem já morreu
Umbigo meu nome sou eu"


"Se afoga, Narciso!
Compromisso é compromisso!
Se afoga, Narciso!
Pelo menos isso!"

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Conto Hodierno (!!!!????)

Dera-se bem; arranjara novo par, mais bonito, mais inteligente, mais... dissoluto!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FIAT LUX!

Este é mais um "textículo", desses bobos, que tratam de como só damos valor ao que perdemos. Ah, mas quem lhes dá bolas? Sei de mulheres que há por aí que, tendo já desistido do feliz encontro de um príncipe em cavalo branco, já se vão acostumando a outras ideias, no assumido fim de não perderem o bonde da maternidade, a tantas tão caro, mesmo imprescindível. Talvez possa haver nisso alguma culpa de biotextos escolares que diziam: Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem e morrem


Dito assim, não só se tem a impressão de que a reprodução é etapa inerente à vida(sem ela você não pode dizer que viveu) como se infere, quiçá, que tendo a pessoa reproduzido, já pode providenciar a moeda para o barqueiro. Paro, que me perco! Queria era dizer que há mulheres que já providenciam seu esquema Zafir: Na falta de quem (que as contente) as despose, acha-se um sujeito, de preferência amigo, "até bonito", "até inteligente", "de boa família" e "bem resolvido( $$$$)" que esteja disposto a engajar-se na abençoada tarefa de multiplicar, como Ele queria.

Calma, Leitora! Também os há em carência de reprodução. Eu mesmo, confesso, em momentos de profunda misogamia, pensava em pactuar Xuxa! Bom, mas o que tem a ver esse título, e cadê a falta?

Lembrei! É que, depois da minha experiência de ontem, já não quero mulher que dê à luz, mas mulher que dê a luz!!! Aliás, obrigado, patroa, pelo gentil e pronto oferecimento de suas instalações domésticas, iluminadas e aquecidas!

E, Cemig, foda-se! Vá se foder! A melhor energia do Brasil não deve ser tão boa a ponto de estar tão prontamente no ponto para o Nordeste biririzontino, n'est pas? Mas foi bom, que agora sei o valor dessa luz que m'alumia! Pela falta dela, e dos colhões necessários à lavagem capilar matinal com águas gélidas, tive de me submeter à estupidez de ser um trintão de boné!

É, a luz é como o serviço doméstico que, na feliz expressão anglófona, is always taken for granted: se estão lá, ninguém se dá conta, se faltam, reclamam prestação de contas!


Vixe!

"O fogo ilumina muito, por muito pouco tempo
Em muito pouco tempo o fogo apaga tudo
Tudo um dia vira luz
Toda vez que falta luz
O invisível nos salta aos olhos."

domingo, 20 de setembro de 2009

Meta Linguagem em Si, sem dó, sem ré! (Ex cathedra, pero no mucho!)

Em todas as áreas, é provável, mas sobretudo em Literatura (e em Teoria da Literatura, particularmente) abunda análise, superabunda análise (Super há bunda, análise? Supera a bunda a análise? É, acho que pegou uma cacofonia!)! Ainda me lembro bem de uma aula do Papai Smurf, um impressionante professor de literatura do Promove. Bom, pelo menos diante dos meus padrões de então, verdade?
Bom, na aula em questão, analisando "O Ateneu", de Raul Pompeia, o professor teve a sorte de achar, em meio a toda aquela prosa, um verso decassílabo! Aquilo me impressionou sobremaneira! Não pude entender (ou pelo menos não me ficou), se havia no texto o que justificasse aquilo, como uma menção a poeta que se tivesse celebrizado por essa métrica, ou o que o valha! Mas a sensação que tive foi do tipo "Porra, cara! Não fode! Se você fizer escansão daqui e dali vai achar rendondilhas menores, maiores e quiçá médias, ora!" Haha! Aonde não vão os guris para poderem praticar sua discente e indecente iconoclastia do docente, né?
Ah, mas é bom viajar, né! Se eu, munido de lupa, fosse forçar a amizade sobre este blog, diria:
O blog do Sr. Gabriel, sobre inútil e desinteressante, já que, não raro, é vazio de conteúdo, exemplo máximo da "forma sem função", sendo tampouco a forma assim tão boa, encerra (mas revela) sua pobreza de espírito, sua frivolidade, sua fatuidade (e que dure mesmo o que duram fogos fátuos!) Vai-lhe no título:
ceGos eGos em aGonia
Em cada ítem lexical do título, a inicial do gajo. É sintomático, pois quer-se meter em tudo. É sintomático, porque só inicia mesmo, ajoelha e não reza. Além do que, é-lhe de praxe fomentar o que não faz, em estupidez semelhante à do popular "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço".
Veem como o título diz muito?:
ceGOs eGOs em aGOnia
"Go, go! Go, Johnny, go, go, go! Johnny B. Good! Be good Johnny!" "Vai que tô te vendo!"
Olha! Um post megalomaníaco! Ou será autocrítica? Humildade? Com "H" maiúsculo e dourado?
Nada! Só sugestão!
SugesTÃO VAZIA!