segunda-feira, 30 de março de 2009

QUE A PAZ ANCORE, mas pas encore!!!

Cara, só não me tomem por Santo Agostinho em "Ó Senhor, dê-me a castidade, mas não agora!"
Cara, devo ter passado de Joca a Ranzinza e não me dei conta, mas a aparentemente sempre iminente falência do amor, que parece espreitar-nos todo o tempo, faz com que veja o trivial com novos olhos, reinterpretando a banalidade cujo sentido se cristalizara. Dia desses revirava papeis de toda a vida, serviço arqueológico braçal mesmo, e dei com essa fórmula sentimentaloide que uma guria lançara num papelzinho: "Você pode não ser alguém no mundo, mas pode ser o mundo de alguém"

Engraçado, mas naquele tempo em que éramos todos jovens em progresso, pareceu apenas algo muito bonitinho a se dizer a quem, por força da pouca chance, obviamente não ecoara no mundo, nem mesmo da forma mais ao alcance de quem seja, que é marcando os que estão-estiveram no entorno. E como é mesmo verdade que os textos se modificam, não só por todos os que os sucederam, que lançam novas ideias no mundo a partir das quais podem ser interpretados, mas também pelo já aqui decantado fato de que muda o leitor.

Desta vez li a frase como querendo dizer que "não ser alguém no mundo" pode ser uma condição (às vezes sine qua non) para "ser o mundo de alguém". Caramba! Uma dessas não pode! Meio patético o projeto de ser o mundo de alguém apenas e tão somente, até porque, alguém de quem você possa ser todo o mundo, sobretudo ainda que não sendo ninguém no mundo e até justamente por causa disso, só pode ser alguém algo patético, como é patética toda a situação.


Bom, talvez seja mais patético que eu esteja aqui, a uma tal hora, discutindo, sozinho, algo que talvez não se entenda e que não pode levar a lugar algum. Sei lá, pra variar...



Ah, antes que soe mais cruel do que ranzinza, a frasezinha sentimentaloide não me foi dirigida.

sábado, 28 de março de 2009

Hoje tô aforista SEM aspas:



A necessidade é mãe da habilidade. Aproveita as injunções que se apresentam e as faz úteis, guardando as lições.
O amor é brincadeira de criança e é preciso ter-se em mente que um quadrado não se pode conter no espaço reservado a um círculo...Não sem que lhe desgastemos muito as arestas...

quarta-feira, 25 de março de 2009

"It's forever, this time I know and there's no doubt in my mind Forever, until my life is through, girl I'll be lovin' you forever"


Pois é, tô no processo de ouvir Kiss a cada dois dias, alguma canção que seja, em preparação para o prometido espetáculo do dia 08-04 que promete, caso os caras ainda deem conta, balançar a Apoteose. Bom, o lance é que ouvia essa canção que, toda vez que é executada, "the place lights up just like a damn christmas tree", e fiquei pensando que o Russo era mais realista pra essas coisas, do tipo "...se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber, que "pra sempre" sempre acaba".


É, as coisas só podem mesmo ser eternas enquanto duram, suponho... Obrigado, Vinícius! Haha!

Aí lembrei daquele cara que dizia sobre a impossibilidade de se banhar duas vezes a pessoa no mesmo rio. É que o fluxo das águas não para, e elas jamais são as mesmas. TAmpouco o sujeito que nelas imerge é o mesmo da segunda vez. Outro dia o grande tio Niltinho disse uma coisa de muito sentido, que era mesmo um desafio as pessoas pretenderem ficar juntas por muito, já que, passado algum tempo, ambas se teriam tornado outras. Claro, amigo, o carinha da teoria das águas disse que "só a mudança é permanente". O negócio é que a mudança pode dar-se ( e é muita vez o que se vê) em divergência, e aqueles que um dia estiveram próximos passam a estar consideravelmente distantes.

Pensando nisto, dizia outro dia a uma guria muito especial, que se confessara investindo em algo "mais ou menos", que largasse de vez aquele barco, pois se o que começa bom pode sofrer deterioração, imagine-se o que já parte do mais ou menos.


Ah, quer saber, guria, vai nessa! Quem sabe vocês não se transformam em convergência e o que era distância não se torna proximidade cúmplice?!



Alea jacta est!

domingo, 22 de março de 2009

I will, if I may, ask two questions:



Where does the truth lie?
Does the truth ever lie?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Apostólico, passo

É, poemei, é o que se faz quando há sons que chamam a atenção, em pleno exercício vespertino da sinecura!



Apostólico, passo




Fui, preso, presa
Mas o amor não se represa
Agora, orgulho supresso
Venho e, surpreso, peço
Aos amigos de apreço, que preso
Que comigo paguem o preço
E que sem pressa sigam o passo
De remontar-me, peça a peça
Pregue a vida uma peça
Prego-me à vida, um peça!
Não havendo nada que o impeça
Eis que fico na peça!

sábado, 14 de março de 2009

Aulas de literatura são um inesgotável manancial de frases de efeito, com sentido ou sem muito, e outras sem efeito e de até muito sentido. Num momento em que eu descia à Terra, depois de fantásticas viagens que aqui só se tornariam atraentes pudesse eu postar suas imagens, tava a professora falando "Romeu e Julieta só o são (ainda) porque morreram jovens." Caramba, vira e mexe a gente se pega pensando nessas coisas, seja qual for a forma que lhes atribuímos. No caso, a minha frase sintética da vez veio na forma de um lamentado suspiro: "ah, os efeitos inexoráveis do tempo!" É, porque ainda quando você está diante de um Dorian Gray, por quem um quadro sofreu os inexoráveis e muito visíveis efeitos físicos do tempo, vem o tempo corroer-lhe a alma. E é disso que espero que se possa escapar.


Mas quando a professora disse o que disse sobre aqueles inesquecíveis jovens, vieram-me à mente, é claro, os mitos do rock n' roll. MInha mãe já me dizia o mesmo dos Beatles (e nem pensem em matá-la, já lá está ela em boas mãos, supõe-se), que tiveram a sabedoria de saber quando parar. Não tivesse sido assim e ter-se-iam tornado algo como os Rolling Stones, a que não atribuo nenhum adjetivo para não ferir as suscetibilidades de algum rockeiro errante que aqui deite os olhos, e porque também eu tenho muitos discos dos caras, até mesmo da década de 90! Pensei também noKurt, no Jim, na Janis, no Jimi (tantos que, dizem, morreram aos 27, suposta idade maldita a que sobrevivi, talvez de raspão, haha). Ah sei lá...


Aí deixei de lado a discussão solitária e mental para tentar saber mais sobre Camões, e me ficaram só duas frases, tese e sugestão, a primeira de uma canção do Iron Maiden (engraçado chamar o produto do maiden de canção) e a segunda de um bottom usado pelo Axl Rose em uma velha foto que tenho aqui em algum lugar; ei-las:


"Only the good die young, all the evil seem to live forever" e
"LIVE FAST, DIE YOUNG".
DEUS É POSSÍVEL E IMPROVÁVEL.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Perdia
Per dia
Perdinha
Perdona
Perdão
.
O Nando Reis vai fazer um show em BH neste fim de semana. Tava ouvindo uma canção do cara em que ele diz: "Amor, eu sinto a sua falta. E a falta é a morte da esperança". Fiquei pensando se ele quis dizer que a falta só se sente depois de morta a esperança. Enquanto pulsa a esperança, sua pulsação faz tão vivo o tal amor que o cara não lhe sente a falta. Talvez seja sentir a falta (de algo, do amor...) o que mata a esperança. Aí isso podia ser enquanto ainda houvesse o relacionamento que, morta a esperança, acaba. Viajei total. Ouvi a canção no disco ao vivo do Nando, que foi gravado no Sul, aí lembrei do Mário Quintana, que disse (acho que foi ele) que "a esperança é o urubu pintado de verde". Não sei se quis denunciar o engodo a que nos submete a esperança, como se toda vez que a ela nos apegamos estivéssemos nos apegando, em verdade, ao fato temido, já concretizado. Pode ser que tenha sido mais positivo, querendo dizer apenas que a esperança é de tal forma poderosa que pinta o urubu de verde, ou seja, mantém-se contra o provável. Sei não, vejo nisso, talvez, a miopia do esperançoso, vendo cor onde não há, ou se atendo à cor com a abstração da forma.

Ah, de volta ao Nando "se a fé remove até montanhas o desejo é o que torna o irreal possível".
Caramba! Nem bem entrei, muito atrasado por sinal, nesta onda da escrita jogada a esmo por pura vazão e já se me depara, no primeiro dia, um texto assim:

"Hoje só consigo sentir vazio e pena. Uma enorme pena de todos nós. Dos coroas filtrando o chope dentro de suas enormes barrigas, das moças e marombados feitos de lycra, dos chatos do Estação Botafogo, das minicelebridades da internet compartilhando solidão em diários insossos, da galera se esgoelando ao som da novidade de vinte anos atrás, dos velhos jornalistas e sua boêmia enlatada, dos novos jornalistas, sem sonho ou estofo, e dos jovens e velhos escritores, compulsivos, mascando palavras e mascarando vaidades. Pena dos três poderes: policiais, traficas e políticos. Pena do povo achando que não tem culpa, que não é com eles - digo, conosco."
É de um crônica do João Paulo Cuenca, chamada "Carta aberta para um amigo além-mar", publicada Deus sabe onde e quando, a bit bitter, como é mesmo a vida, às vezes... É, em tudo quanto se faça em público dá-se a cara a tapa! Não tem como fugir. Talvez fosse melhor pensar calado (alguns até apontariam a redundância disso). Sei lá, vou dormir, "a vida é doce."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Caramba! Então há este troço, de que posso me valer sempre que me faltar aquele bom interlocutor, capaz de me ouvir as bobagens sem comentários lacônicos do tipo "é foda", que não passam de um (já não tão) educado "Cale essa boca pelo amor de Deus!"

Escape to the void!