segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Castle of Illusion


Acreditei que era bom, e fui-me seguindo, ou me cegando, imitando o que acho que sou. E tanta confusão, jamais acerto, sempre aperto, nunca ela.

De quem são as saudades que sinto, eu que não mas permito? Eu que não mais me permito que restar aflito! E a que se destina aflição quando não se quer estar no destino que se almeja? Não se almeja sem que a alma veja, e por que, Deus, não clareia os olhos que me pôs na cara? Que me põem na cara ilusão de que ando por onde caminho?

Cá de meu não tenho mais do que o que se perdeu. Só me perco o que me largo à estrada, alargada numa estreiteza de coragem tíbia, de gente pouca, de vontade contra si apontada, mais à vontade se se furta, pura, a macular-se em realização.

Ah, doce campo imaginário da aspiração!
Há "ah!"
"Há!", não!



Dos cegos do castelo me despeço e vou,
à pé até encontrar, um destino, um lugar
pro que sou.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vida na Zona (Natu Nobilis)



"Singela, porém tão bela, minha cidade é o maior barato! Por isso eu digo com orgulho: eu sou um teixerense nato! Na Praça da Matriz, vamos levantar poeira, não há nada mais gostoso que o carnaval de Teixeiras". 

Teixeiras, a nem tão longínqua terra natal de minha mãe, não é propriamente Santa Cruz de Minas, mas é certamente mais sinceramente pequena do que Sabará. E, em tempo de pleito, aqui como lá, haverá quem saiba cantar-se, peito aberto e dedo em riste, um orgulhoso filho nato da terra, onde quer que nascido, fora ou nela.

Valdomiro Miranda era teixerense nato, de fato e por compleição. Valdomiro, dizia-se com razão, tinha uma mirada certeira para a oportunidade! "Se te cheira a proveito, lá tu estás, Valdomiro!", dizia-lhe Francisco, sujeito reto e escrupuloso, mas que via no amigo "um divertido!". 

Naqueles idos de 50, Valdomiro Miranda cultivava um rodriguiano "bigodinho cínico", e era de longe bem mais progressista do que os Varguistas da era democrática e do que os golpistas inveterados. E o era muito mais nos limiares da cidade, onde a liberdade espontânea e também profissional grassava entre as moças de todas as graças: Filomenas, Valdetes, Jupiras e Keylas.

Sabendo-se já preterido pelos pruridos sufragantes de aliciados e aliciantes, Valdomiro foi buscar apoio onde o amor se exercia. E foi lá, nos limites da cidade, sem os rodeios de que me vali para esta singela (porém nem tão bela) anedota, que mirou direto ao ponto:

"Senhoras putas, chegado o pleito, deem de lado, deem de banda, votem no Miranda!". 

E assim, simples e direto, com o apoio das militantes da ternura remunerada e para o assombro de Francisco e o deleite dos chegados a uma variação que nada alterna, Valdomiro alçou-se da lambança à vereança: variou sem variar!


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sunflower



Não é posição mesquinha não deixar, por vezes, as coisas minhas. É quando, protegendo-me, eu nos poupo. Gritar às diferenças até, esgotado, rouco, enlouquecido, vergastado, deixá-lo.

Não ocupar jamais as posições em que, por força da empatia, tiraria da própria carne ao ter de desferir no corpo alheio golpes para cuja fúria não enviei qualquer estímulo.

Como passar em revista as palavras alheias sem lhes saber a subjacência? Talvez melhor lhes sirvam do que as constantes em minha teia. Como brandir a bandeira de uma instituição, quando se vê melhor o mundo sem a concretude do que pensaram seus remotos instituidores?

Não! As dores não são meus institutos, mas tenho um instituto, belo, arguto, de extrair-lhes flores, sabores.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nimbus


Tu te dás conta do quão sozinhos estamos? Nos concebem, criam, orientam, soltam, e já não sabem a que vamos. Crescemos personagens da mesma história, os mesmos fatos nos enredam, e nem nos mesmos nos tornamos. Rimos do mesmo, do mesmo nos lembramos (Parece-nos diferente).

Não temos a mesma fé, só do mesmo duvidamos. Escolhemos de quem nos acompanharmos,e não sabemos pelo que nos guiamos(Amor são nunvens sem guia, o Geraldo diria). De tanto dependem as nuvens! De que o Sol ferva a água, evaporação. De que azule o céu, iluminação. De que ergamos os olhos. Visão. Que alcance?

Busque...Descanse! Busque... Descanse! Entendimento? Relance.

Quem saberá pra onde vai consumido em desvelar de que veio? É velar! É desmantelo! E diz mantê-lo uma chama de que ninguém sabe o esteio, quem derrama. Os quintos do ouro para os quintos! Para quem tem parte! E com quem parte ninguém teve aparte capaz de nos fazer tomar partido quanto ao que virá. Virá?

Viração. A vida em brancas nuvens, em nuvens de branca dissipação.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Do meio. Do nada.


Meu telefone fixo, cuja fixidez não está em mais do que na mudez, exceto por ter a Carlota, um par de vezes, conversado com a secretária eletrônica, minha criada-muda. O interfone que ainda não me foi dado apurar se funciona. Esses os desperdícios que me são mais caros, que me dão mais barato, que me poupam o sobressalto.

Não. Não há misantropia alguma em só buscar contato quando se puder doar. E supostos caloteiros, os Axl Rose, os Tim Maia, estão muito mais pra protetores do que os mágicos Dylan, prestidigitadores capazes de, poupando a alma aos labores, enviar o corpo à turnê, conservando a alma em seu lugar de prazer. É o que fazem, em lugar de prazer... Como um Dorian Gray que só enviasse o quadro a público, deixando-se estar coberto em algum sótão, só, tão só...

Mas o que eu faria com o melhor de mim? Com esse extrato, substrato, com a subjacência? Com esses baluartes afeitos à erupção que, vez por outra, em levante, fazem-se torres frontais? De marfim, ou do mar sem fim...

A melhor defesa contra a frustração das expectativas é não as ter... 

Altas!



There's a few more bruises
If that's the way you insist on heading...

sábado, 11 de agosto de 2012

No Bolso


Droga! Não se vende o que não se emprega! Então não serei vendido! E se não me vendo há nisso uma fidelidade lá ao tempo do medo. It breaks my heart to see you hanging from a shelf.

Em que prateleiras se põe o que não é prata da casa mas prato desfeito? Do lado oposto ao do pranto? Quem já viu ouro azinhavrar? Encare a ilusão da sua ótica. 

Ouço agora um douto zumbido que me diz que escreve o que não sabe ler. E o que tenho feito em toda essa gente de letras senão me deter? E é assim, por isso, que sempre que me falam nelas falam-me de outras. Ninguém fala senão de si. Do contário, ecoam! Eco!

"Agora olho-o com a liberdade com que se fita um pequeno jogo de paciência, que nos faz pensar: Que importa se não consigo colocar as bolinhas nos buracos; afinal, tudo isto me pertence, o vidro, a caixa, as bolinhas, e o restante; se eu quiser, posso meter calmamente o problema no bolso".
                                        Kafka, Diário

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Oito Oito Sete Nove


Sol a quinze graus de Leão na casa dez em conjunção com Júpiter e Vênus. Bonito. Alinhamento. Positivo. Merecimento. Ascendente em Escorpião a quatorze graus, com Urano bem próximo. Acontecimentos fortes, cedo. 

Nódulo lunar norte a oito graus de Virgem em conjunção com Saturno, na casa onze, que é a casa de Aquário. Nódulo sul a oito graus de peixe, na casa cinco. Lua a vinte e um graus de Aquário, na casa quatro.

Autoemprisionamento. Autodesconhecimento. Passado. Existencialista! Conexão. Confusão. Abolição, de fronteira. Precisa discernimento. Análise full time. Carma remissivo. Peleja. Saturno: De novo! Leão na casa dez: Vá ser NO mundo! Separar-se do mundo subjetivo. Separar-se das coisas do outro. O que é a realidade? Os fenômenos. Isso é coisa da minha cabeça ou está acontecendo? O que está na minha cabeça está acontecendo?! Ter a pia terapia sempre à mão! Complexo psicológico. Emoção. Análise racional constante. Psicologia cogntiva? Útil. Avaliação. Peneira racional. Essa viagem, inventei? Aumento? Vênus próximo ao SOL: saber o que é o tal amor. Lançar-se. Salvar o mundo? Missão pra quem esteja podendo. Fantasmas interiores. Chamar à razão. Luz do SOL: clareza pro pensamento. Aurora: arquétipo do renascimento. Deixar o enamoramento da treva. 

Artista. Quem não sabe o que é sabe onde estar? Conhecer-se vendo-se ativo NO mundo. Falta o hábito. Falta a referência. 

Júpiter. Segundo Sol. Luz! Luz! Luz! Luz porque falta luz!
Dividimo-nos todos em "divididos" e "mais divididos ainda". 

Racional, crítico, brilhante a mente. Fé pura.
x
Sombrio, ensimesmado, apático no mundo-cão.

Não tratar o inconsciente como aos palestinos os israelenses: cercá-lo, farpá-lo, criá-lo em homem-bomba. Quem não tem nada a perder... Conhecer o negativo sem o sorver. O diabo, a sombra, é preciso saber onde está. Tem de olhar de "revesguê de olho". Ver a sombra sem identificação! Sol-Júpiter e Vênus! Sol-Júpiter-Vênus!

Nódulo sul em peixes: complexo de salvador. 
IN-TEN-SI-DA-DE x medo do amor.

Mercúrio no meio do céu: pensamento claro. 
Sol em Leão: Mostra-te! Ascendente em escorpião: Não!
Loucura pé no chão.

Vênus em Leão: afetos intensos em expansão. Gosto pelo artístico. Diversão.
Marte em Câncer: Segurança. Pró-família. Trabalho com aplicação.
Júpiter em Leão: Autoconfiança. Noção da potência e do limite. Lealdade. Ambição. Autoridade. Generosidade. Cordialidade. Gosto por crianças. Talento para a edução.
Saturno em Virgem: Método. Ordem Precisão. Lógica. Racionalidade. 
Urano em Escorpião: Interesse acentuado pelo esotérico. Curiosidade dos mistérios. Energia interior.
Netuno em Sagitário: Fé interior, ainda que sem filiação. Ideias nobres. Intuição profética. Viajante.

Quanto vem do espaço para o espaço de uma vida? Quando dela se perde se é tudo matéria esquecida? E que importa a matéria? Já não é matéria de discussão? Aperte-se com o que aporta, se lhe ajuda a evolução. Evoluem os astros bem alto, olhos ao céu, pé no chão. Marcha-estradeira, inimigos na fronteira, tanto lhe aporta a canção. Pena no tinteiro, penas sem grilhão. Pensamento é meta, a quem transcende, libertação. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Cross Road


Esta semana no trabalho chamaram-me "um perdido!". E não o fizeram porque não me arranje com pontos cardeais (com cardeais até talvez!), mas por uma falta de castidade de que não lhes faltavam indícios, e não lhes dei, então, combate. É-me chegada a hora da cruz(cada um é cruzado do que quer!). Aos 33 Jesus na cruz; Cabral no mar aos 33. E eu? O que faço com esses números? De resto, quantos castos não fazem mais que número?

Reflexões com que abri o ano no Planalto levaram-me a crer que era já tempo de enumerar virtudes... a que conquistar. Mas já de novo puni-me de meus excessos, mais de vez.

Dizem que bem-intencionados pululam no inferno, e não é menos certo que da premissa de um bom começo não se extrai, por força, uma boa conclusão. Faço então conclusos a Vossas Excelências mais brancas que vermelhas os autos da minha paixão vocabular, que não poderia ter nascido melhor conduzida.

Lembro-me com perfeição da primeira vez em que me deixei ficar em uma palavra por mais que o tempo necessário a sua decodificação, à extração de sua utilidade. Contava talvez oito anos e estudava no Colégio Santa Maria da Floresta, escola católica que, com seus hoje 109 anos, é a mais antiga deste Curral D'el Rey. Tia Ana Lúcia, beata pedagógica, conduzia-nos pela capela da escola, mostrando-nos os passos da paixão de Cristo, através de uma linda via crucis talhada em madeira, minha preferida to this very day.

A Capela era de si, para mim, um local misterioso, pois nunca andei muito em igrejas (a luta com o altar é já antiga!) e, ao contrário dos filhos cujos pais os vinham buscar ao fim do dia, eu esperava pelo Especial(o balaio da meninanda) no pátio, com outros "transmirins"

Nesse dia já avançáramos sobre a ajuda de Simão e a piedade de Verônica, e dei-me com este passo: Jesus é despojado de suas vestes. Aquilo saltou-me aos olhos encantados! "Despojar-se" era bem mais nobre que "despir-se" (e jamais deixei o despojo!), e de "vestes" bem mais do que de "roupas"! E o fascínio fez-se amor, arrebatamento, quando por clareza da imagem e da sequência não me foi necessário o concurso da beata para a tradução.

E foi assim que meus olhos aprenderam a dar-se a palavras com detença. E vocês, tendo-o sabido, que prolatem minha sentença. Mas digo, em alegações finais: como eu casto poderia existir, se minha primeira e divina, palavresca lição, fez-se do despir!?

Despojo-me!


(149)

sábado, 4 de agosto de 2012

Tinteiro



                                                                                                                        É preciso estar atento e forte.
                                                                                                                       Não temos tempo  de temer a morte.
Não há tempo
de fingir-se a  vida.
O perigo assoma e
nos arromba; ferida.


Baldado o esforço
de proteger-se;
os caminhos se cruzando,
é perder-se!


Sei do conforto de casa,
como sei!
Mas mais cresce (é da Lei!)
o que à estrada se larga!


Não se tema a solidão,
se for a condição andar sozinho.
Seguir picada pronta é vão!
Dê-se asas! Ao caminho!


A vida me suja,
me lanço ao chuveiro.
A tinta recolho,
alimento o tinteiro.


Corpo e alma limpos,
mergulho-lhe a pena.
E a alma, vertida,
só assim se faz plena.




(147)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Orquestra do Acaso


Meu doce é tempo de cama,
que amanhã é temprana a labuta!
E d'agosto o projeto  perfeito
do teu filho; não fujo à luta!


Meu filho 'inda me ouve dizer,
quando estiver de mim chateado,
e lhe direi com oportuno prazer:
Foste o acidente mais buscado!


Acidente (quem não sabe?!)
de relevo,e te concebo para a liberdade.
Não te projeto (como tantos) para espelho,
nem te protejo, dura ou doce,
da verdade.




(150)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Corte



Acho muito duras
as pessoas duras.
(Compostura!)


Acho muito fortes
as pessoas fortes.
(Porte!)


E quanto duro
sem medo da morte,
mas medo da faca,
sangrando do corte?




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