domingo, 31 de março de 2013

Cartas a Alice IV



Brasília, fevereiro de 2013.

A ilusão é-me muito cara,
e até sem ela o mundo desaba,
carecendo sustentação.

Então invista nas suas e eu nas minhas,
invertidos em poesia,
os meus versos sem canção.

Pois viver sem poesia,
isso não lhe oferecia,
era só restar, em mundo cão.

E o mundo ornado em latidos
não é o aqui debatido,
que só admite diversão.

Diversão da dor e do peso,
um mergulho no desejo,
essa minha inspiração.

sábado, 30 de março de 2013

Cartas a Alice III - sms

Brasília, fevereiro de 2013.

O celuar a quer "leitora" e não "jeitosa",
como eu o mandava registrar.
Mas que escolha desastrosa,
de quem não sabe avaliar!

O celular não sabe nada!
É coisa besta, abandonada.
Fosse dotado de conceitos
não o deitava ao lixo, 
onde ficará, micho,
amargando ignorância.

Melhor fazia em, com respeito,
subi-la de conceito,
que seu universo, sim, é rico!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Cartas a Alice II



Brasília, fevereiro de 2013.

Hoje fiz pra mais de dez versejos,
e digo, 'inda não vejo
a hora de a pena deitar.

E quando eu me apercebo
o sol já é velho mancebo,
já posto a se retirar.

Entra noite e ainda afoito
do que sinto faço coito,
da palavra suspirar.

E o que me inspira me aflige,
e não é poeta o que finge
que a dor já não está.

Então sorrio descansado,
alegria genuína,
deixando o ar de enfado.

Quero é ares em fadas,
e que a poesia arda
se assim tiver de se dar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Cartas a Alice I


Brasília, fevereiro de 2013

Chegaste bem, ó moça, à terra?
E será que 'inda me espera
pro muito nosso tramar?

A tarde candanga está vazia;
nem sinal de poesia
onde a moça não está!

Então o jeito é pegar voo
e ver se meu canto entoo
pros lados de Beagá!...

Ô lugar bom como não há!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Ananadas Big Brothers On The Road

                                  
               Estrada de Santos, por ordem de Cristiana Rasslan



Vem a madrugada e não durmo.
De quem, ao lado, o sono perturbo?
Da pequena Alice, que dorme maravilhas.
Nem mesmo nota a solidão que brilha.

Não percebe as curvas da estrada de Santos,
caminho que já recolheu tanto pranto.
O meu não coleta, desato sorrisos.
Os Ananadas, remotos, viajam comigo.

Subo e desço serras, rumo litorâneo.
Vou na amizade, belo supedâneo.
E termino aqui o poema instantâneo,
pra saber o jogo quem está ganhando.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Eu estranho de mim



Cai a tarde feito um viaduto,
mas não trago trajado o luto;
seria ultraje com tanto a lutar!
E meu combate não será vencido
pois só ao me ter conhecido
poderia eu o deixar.

Mas quanto mais me olho mais me estranho,
e não me estranha eu não ter rebanhos,
que não sei pastorear.
Só sei errar a esmo, à cata,
ou comandar velha fragata,
aberto o veio do mar.

Navegar, dizem, é preciso,
mas me indispus com o astrolábio;
briguei com a bússola;
rasguei o mapa.

Vou ficar aqui esquecido,
a ver se você me passa!

Rio Adentro


Acorrentado?
Só rio abaixo!
Em aventuras me desfaço
e esforços não faço
em recomposição.
Só poderia ser um novo,
o mesmo de antes, não!

E quem quereria repeteco
quando, olhado de perto,
não seria repetição?
Mais um segundo e o rio é outro,
e mergulho como louco,
e louco não tem medo, não!

Então mergulhe no meu pouco
e vamos, em alvoroço,
repartir o mesmo pão!

domingo, 24 de março de 2013

Desencante


Moça! Moça! Moça!
Suspenda logo o encanto,
e seja coisa aprazada!
Desperdiça energia encantada
se do encanto não faz nada!

E o que ganha em correr mundo,
em desatino, apressada?
Vem-me disso algum peso,
sinto a alma acorrentada.

Moça! Moça! Moça!
Não posso estar assim,
só sei ser sonho,
essa coisa alada!

sábado, 23 de março de 2013

Sol Súbito


Surge, súbito, o sol sobre o campus
e lhe restitui a alegria.
É sexta-feira e ela é completa,
alegria sem eira nem beira.
Só eu, caminhando meu passo curto,
é que não a partilho.

Fez-se já a partilha de mim
e não sei a quem coube a alegria,
a alegria que não cabe em mim,
que sou só saudade.

Talvez também algum lamento!
Sim! O de sair sem as chaves
quando a porta se fechava por dentro.
Por dentro e com só tocar o batente.

Bato-me com os dias e,
se não desconheço a alegria,
é que conheço a recordação.
O passado é leve, tão leve
que não entendo porque
não me bastam as forças
para que o traga ao futuro.

Já sei! Pra isso é preciso concurso,
o teu concurso, mas és desviada rota,
desvairada rota.

Amarrota as cortinas se preciso,
mas abram-se!
O sol quer entrar!
E a luz será sempre benfazeja
se a soubermos moderar.

Só me falta a tua maciez de nuvem
para (até núbeis) já podermos nos reinstalar.
Estala-me então o beijo na fronte,
o beijo forte,
o beijo por que soube esperar!



(Poema feito hoje cedo.
 Começa apagado, termina aceso).

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cadente



Há riscos em todo proveito.
Arrisco, sim! Nada é perfeito!
E se não me largo me estreito;
perigo é não se lançar!

Na queda se aprende a cair,
e há portas que, só assim,
tombadas, se podem abrir
(são portas pro mais de mim).

O que sou além do conforto?
Quem sou eu aquém do desvelo?
Revela a coragem o medo
se o podemos vencer.

E quem não combate é vencido!
Derrota é não ter combatido.
Pra que, então, tanto siso
se te poupa de viver?

Adiante! Força menino!
Não dispensa algum vaticínio,
mas a vida, pra isso eu atino,
é a que souberes fazer!
É a que!
É aqui!

MMRMD(NM)



Há muito já que te busco,
queria agora você já estar!
Pra caça não tenho atributos,
sou astuto em te desejar.

Do meu desejo faz lar!
Põe-lhe portas, janelas,
e uma rede, aquela amarela,
e nos deixarmos estar.

E ela atada, nós dentro,
a nos amarmos, contentos!,
até com rebentos nos brindar
a vida que assim se plantar.

terça-feira, 19 de março de 2013

Sublimado


Doem em meu peito
coisas que, eu suspeito,
não me hão de derrubar.

Doem-me no peito,
doem porque, contrafeito,
muito as hei de suspirar!

domingo, 17 de março de 2013

Partout


Gosto de viajar,
que é ensaiar outras vidas.
Gosto de viajar,
missão comprida cumprida.

Disse o médico centrado,
no Centro, ao centro de mim,
que a cabeça se abre assim:
conversando, lendo e viajando.

Fiquei feliz com o revelado,
que já tenho tudo arranjado!
É que converso lendo e então viajo!
Leio viajando e com verso.
E viajando não deixo de ler e conversar.

E com versar me confesso!

sábado, 16 de março de 2013

A Bem Soado



Não peço bençãos;
penso que se dão mais do que se concedem,
ou que as recebem os que as merecem.
Aceso na noite, não sou merecedor.
Eu, só, na noite, mereço a dor!

Criador.
Cria-a-dor.
Qu'ria a dor (o que ria à dor).
Cria.

Pedia então a um Senhor mais elevado,
não era matéria de retardo,
era míngua de resultado.


Não há colaboração.
O trabalho mono do solitário jamais venceu duas jornadas!
E que há de errado com as terceiras chances!
Quelle chance! Third stone from the sun!

E foi no terceiro planeta que se deixou estar
acompanhado por mais do que uma rosa,
e que a revoada de pássaros tornou-se muito mais proveitosa
porque mais, muito mais amplos os horizontes!

O mundo é per correr.
E me ocorre agora que só não corro 
quando pode ser que você me acorra.

É isso!
Se você vem às quatro desde as três eu serei feliz!

E tu te tornas é ternamente responsável pelo que cativas!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Hoje (sem falta!)



Carpe diem, bela gente!
Ou não adiem! Não adiem!
Não adiem ad aeternum o que o dia dispôs.
Todo o poeta o dizia,
sigamo-los pois!

"As glórias que vêm tarde já vêm frias",
disse-nos Tomás.
Então as gozemos em dia,
sem olhar pra trás!

Não leve os olhos ao futuro,
tenha-os fitos no agora.
Aquele é projeto obscuro,
terra que a mão não explora.

Não descuidemos da vida,
cristal que não se refaz,
e a deixemos protegida;
É aqui! Não à frente ou atrás!

terça-feira, 12 de março de 2013

O Instante



Canto porque o instante existe.
Ai, se tu não me pedisses
para a tua vida alegrar!

Ficava a minha pejada de tristeza
e não havia poesia ou destreza
que a pudessem consertar.

Pois pesava-me a falta de tua leveza,
tua doce correnteza,
teu alegre farfalhar.

E juro que emudecia, 
não cantava o que sentia,
pois era "canto do que não há".

segunda-feira, 11 de março de 2013

Luzido



Vida rimada,
vida arrimada
no que a pena produz.

Vida pontuada,
vida pontilhada,
tecida em ponto-cruz.

Mas há também alegrias
e as descobri no dia
em que brilhei-me de tua luz!


sábado, 9 de março de 2013

Saci


Homens que se saciam
e perde o amor perna que o sustenta.
Mas que culinária é essa
se faz-se só de pimenta?

O amor, bem mais que isso,
é o que o coração inventa,
segredo que só se revela
à gente muito atenta.

O amor é o que move o mundo!
Mas e meu caos,
o que o orienta?!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Eu é mesmo um outro, Mallarmé!



Preferem minha companhia
às de seus namorados.
Mas por que, por economia,
não sou eu o convocado?

Talvez porque namorar
me fosse complicado.
Pra isso me acusam de tudo,
até mesmo de tarado!

Pois demandem melhorias,
estou pra tanto preparado!
Mas não o façam em demasia
ou sairei esgotado!

Ah! Deixe-me estar à luz do dia
e serei, garanto, comportado.
E se não puder sê-lo imediato
hei de sê-lo no tempo aprazado!



"O meu amor
  tem  um jeito manso que é só seu..."

Nadassei


Às vezes pareço
que sempre cultivo
o que nunca floresço.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Kiss and Tell



Não queria segundo encontro,
disse que nisso não cria.
Queria era logo após este
reaver a alforria.

Disse que não se apressasse,
que soluções oferecia.
E que, se a moça não se importasse,
uma delas merecia.

Podíamos pular o segundo,
e na sexta o terceiro, alegria!
Ou "já se tendo passado meia-noite,
o da quinta é o 1,5", insistia.
Ou podemos, preferia,
prorrogar o deste dia,
alongando a boa quarta
sem despir as fantasias.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Não vá, tarde!


Tarde vagabunda,
te convido,
inunda minha vida de prazer.

Tarde vazia,
que alegria
invade-me só de te ver.

Tarde do à-toa
em que o tempo voa
e a vida é só espairecer!

Tarde mais sem nada,
me oferece tudo!
E esse tudo-nada é que é viver!

Tarde, minha musa,
em que nada se usa,
tenho já saudades de você!

Tarde de sossego,
este mancebo 
só quer o seu ermo viver!

segunda-feira, 4 de março de 2013

domingo, 3 de março de 2013

Amar: verbo solto e lasso


Amar é simples amplexo,
complexo abraço;
Simples ósculo,
complexo balaço;
Se pode em discrição
ou em estardalhaço.

Amor só em ato solto,
ate ou desate laços.

sábado, 2 de março de 2013

Qual Resposta!


Mas moça!
Encontrar-se é tarefa pra vida
e melhor se compartida,
mas respeito a decisão.

É que a coisa insistida
já não é coisa tão bonita
e não estou pro feio, não!

Já sabias a que eu vinha,
e se a moça não convida
é que não há satisfação!

Então vou-me, deportado.
Vou ficar só, isolado,
em lacrado coração.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pe(r)dido


Moça feiticeira,
linda e faceira,
peço-lhe favor
com toda a ligeireza:

Me deixe estar pra sempre
ao pé de sua beleza
ou reverta agora o encanto
que me faz, de uma só feita,
oferecer-lhe tudo:
banho, cama e mesa!