terça-feira, 30 de abril de 2013

À Sela!



Morena, serena!
Não há de que se preocupar;
é meu amor a forma amena
que vês se aproximar.

Morena, atenta!
Pupilas a se dilatar;
não te distraias com as melenas,
deixando o cavalo selado passar.

Um amor que se passeia
não é coisa com que se brinque;
se exibe pra ti, sereia,
e bem sério te pede que fiques.

domingo, 28 de abril de 2013

MENINO DE ENGENHO



Dom Quixote, que sorte
só ver o que os moinhos inventam.
Viver é bem mais divertido 
se vivemos do nosso talento!
E quem se atreve a dizer
que um sonho é só algo pequeno?

Venham dragões se de tanto
tem carência o meu coração.
Não há poder que exceda
a força da imaginação.

Então castelos, princesas,
nada terá sido vão!
A verdadeira nobreza
não é nata da razão.
Ela é inteira beleza
e radica no coração. 

Então, Dom, que dança
embala o teu coração?
É o xote da esperança
a que o tolo chama
ilusão!

sábado, 27 de abril de 2013

BRINDE (ANTENA)


Morena, tua antena
não capta os sinais que emito?
Assim não posso estar alegre,
e do papel de bobo me demito!

O que seria feito de mim
sem as palavras com que brinco?
Penduro-as em tuas orelhas
e de conquistar-te não desisto!

Não tenho mais que meus versos,
só possuo o que fabrico.
Então os envio a ti com amor,
e com esse pacote te brindo!

MUSA


Musa!
Me usa!
Nem que seja pra sonhar...

Não me acha a vida dura,
sem outro fim que esperar?!

Esteja perto
e dê-me acesso
às riquezas que encontrar!

Acesso franco e irrestrito
e verá se não reflito
o privilégio de explorar.

Minhas minas mais ricas,
suspeito, não são as Minas Gerais;
minha mina mais rica
é a mina que radica
aí na origem dos meus ais!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Altaneiro


Não sei porque te sonho,
caiu a coisa sobre mim.
És o anteparo daquilo a que aspiro,
e meus suspiros não têm fim.

Não me importa realizar-te,
realiza-me sonhar-te;
não tenho qualquer intenção.

Os meus sonhos são altaneiros,
e sei sonhá-los inteiros,
sem derramá-los no chão.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Invento


Como você me inspira!
Não posso viver a seu  lado...
Não largo mais da lira,
viro poeta consumado!

Quem resiste a um tal charme?
Nem eu, aqui do meu canto.
E vou gastar outra tarde
a cantar os seus encantos.

Assim vejo passado o tempo
e aproximada a hora
em que o mais belo invento
extrairei da "amora".

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Atentado (Pequena Morte)


Abraços são saúde!
E me atrever a mais não pude;
a moça mantinha distância,
disse que ali a terra era santa.

Mas não me fiz de rogado,
carreguei a mão na porfia!
Rejeito a pecha de tarado!
E minha doçura? Será que não via?

Não havia convencê-la,
a moça se resguardou.
Ficou perdida a beleza,
minha hora não chegou!

sábado, 20 de abril de 2013

A Falta


Sinto quando durmo.
Sinto no supermercado.
Sinto no escuro.
Sinto também no claro.

Sinto quando falo.
Sinto quando me calo.
Sinto se sussurro.
Sinto por ter te buscado.

Sinto se vou a shows.
Sinto se vou ao teatro.
Sinto se vou ao cinema.
Sinto faltar-me um pedaço.

Sinto escurecer o passado.
Sinto pelo futuro!
Sinto! Não ganho presente!
Sinto e não sei se duro.

Sinto se aperta o cinto.
Sinto quando me largo.
Sente-o até mesmo o instinto.
Sinto mesmo se caço.

Sinto por que és Diana,
a que o poeta ama!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ataque (Pianíssimo)


Meus dias têm sido mansos,
só ataco premindo teclas.
Daí o espectro amplo
e lírico de meus asseclas.

O homem anda metido em artes,
atento a tudo que faz
felizes os seus sequazes,
moldados pra tempos de paz.

E assim brindo meus acólitos,
bem-vindos de todos os cantos:
apascento-lhes o caótico
e com a lira lhes seco o pranto.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bem Sucedido



Amei-a em outras mulheres,
sem nem inteira de si.
Dei-lhes tudo que tinha,
tudo o que lhe fiz.
E porque se ofereciam,
tive nelas o que lhe quis.

Mas nunca me fustigaram,
fui-lhes o bem-querer.
Fui-lhes com entusiasmo,
o muito delas de você.

Você nelas é tão distinta,
pintada com suas tintas.
Um mundo de fortes cores,
em que não estão extintas.

Mais ganhava em voltar a mim,
que a você não há regresso!
E contentar-me em ser eu feliz,
não existe outro sucesso!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Espreita


Eu quero ser feliz agora!
Antes até de "hoje ainda!"
Não se bate a porta na cara
de uma tão benfazeja vizinha.

A felicidade está na espreita,
ainda que não se dê conta.
Então dê-se logo à colheita,
a estação é a d'agora, está pronta!

A felicidade, a alegria,
pra tudo têm concorrido:
pra que você se espraie,
e não viva assim comprimido.

Então dê-se logo o remédio,
é passado o tempo do pranto.
Não se deixe só no seu canto,
vivendo de não mais que tédio.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vai-te!



Aceso na noite,
não ilumino ninguém;
mas Carlos me adverte:
é o amor o a que se vem!
E o que não ama, peito aberto,
fica do cuidado refém.

Um pássaro cantou alvorada
e outros já o acompanham.
E a alegria que fez entoada
já é sinfonia de um bando.
E o velho bardo que a doar-me
não me dou, o que estará
esperando?

Vai-te, velho vate!
(não há abate!)
A vida é em se
experimentando!
E os erros cometidos
em boa causa, não maculam
tua alma de educando.

Faz do teu mundo educandário,
o que o canário faz do canto.
Pinta o céu do teu sorriso
laranja-róseo e o alterna
(como o dia alterna a noite)
com teu pranto.

Não há mapas prontos à mina,
e que a procura te vá minando
é ainda (acredita!) melhor sina
do que da vida estar-te poupando!

domingo, 14 de abril de 2013

Soiszinhos (À que vai chegar)



És a lua de que sou a sol;
a luz que farás, refletida,
te emprestarei com o arrebol.

E depois, missão cumprida,
na aurora me será devolvida,
que a luz de dois é a de um só.

Brilha a noite e me deixa o dia.
Brilha e a luz, repartida,
de dois fara um "nós".

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Descansou no Quinto (sexta às seis)


Sexta às seis!
Solto outra vez!
Hora da livre escolha!
Livre de papéis, livre de folhas!

Chega de repartição!
Hora de ser inteiro!
Deixo de lado os carimbos,
ponho de lado os tinteiros.

Troco "trans" por "ins" piração,
troco roteiros por divagação.
A clientela é aquela que escolho,
nada de chefe a franzir o sobrolho!

Fim de semana, início de mim!
E o quinto dia é sempre assim!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Máquina do Tempo


Fabril abril!
O que engendra teu tear?
Talvez apenas o tempo
de pelo tempo esperar.

Mas se em ludismo insistirmos
no mutismo maquinário,
traremos ao real u'a dor
melhor deixada ao imaginário.

Pois o artefato, de fato,
de nada nos serve;
mais útil (e menos fútil)
o só humano e sua verve.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

No 8001


Esta cidade é um calvário!
Eu o penso, rodoviário.
Grafo em telefone meus poemas,
e porque perdê-los faz-me pena,
não hesito eu em enviá-los.

Envio-os a um amigo mais atento
e assim os protejo do larápio,
que talvez ande longe e infenso
a mesmo entrar no raio do astrolábio.

Mas que bom que a poesia é o tesouro
e que anda sempre nela, protegida,
minha vida de alegrias e desdouros!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Singro ou Sangro


Vou!,
vento em popa,
olhar da proa.

Velas içadas.
Âncora? Nada!

Largar os lares,
alargá-los.

Singrar os mares,
desbravá-los.

Tomar os ares,
explorá-los!

Andar lugares,
gastar olhares,
apagar pesares
e apesares.

Pensamentos-mares
que entoo da proa;
nadam, nadam, nadam
e nada os coroa!

domingo, 7 de abril de 2013

Cartas a Alice - Última


Brasília, fevereiro de 2013.

A realidade penetra,
nos arromba la fenestra,
pro que não pede licença.

Mas a lição é benfazeja,
então convide-a, inteira,
e aproveite-a, intensa.

Não há tapas, só afagos,
e são em verdade raros
se da verdade compostos.

Então sonhe a realidade,
aspire-a, faz-se tarde!
Da mentira só despojos.

sábado, 6 de abril de 2013

Cartas a Alice - Penúltima



Brasília, fevereiro de 2013.

O melancólico está só;
reduziu a alegria a pó
e faz alarde da tristeza.

Mas deixar-se estar deitado
e supor-se deixado de lado
não o abençoa a natureza.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cartas a Alice VIII



Brasília, fevereiro de 2013.

A felicidade sempre está a tempo e hora,
e quando ela demora
é pra melhor se apresentar.

Da tristeza não faço caso,
deixo-a mesmo a marasmo,
abandonada como está.

(Tempo sempre de se alegrar...)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cartas a Alice VII


Brasília, fevereiro de 2013

Não saber o seu destino
facilita o desatino,
que é a matéria do sonhar.

Então siga o duvidoso caminho
sem saber se será findo
e não carece despertar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Amigo é Casa Na Montanha



São Vicente, março de 2013.

Desta janela  um dia vi a moça,
sem saber se pernas de louça,
se só risos ou qual o seu ar.

Só a sabia bem acompanhada,
por Junim recomendada,
porta aberta: só entrar.

Foram cartas azuis e viagens,
armações e traquinagens,
para chegarmos aqui.

Agora sem você não parto,
em lugar nenhum me aparto,
estaremos sempre por aí!

Ah! E ar da moça é sorrir!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Cartas a Alice VI


Brasília, fevereiro de 2013

A dor é também fantasiada
e se a queres exterminada
é questão de despertar.

Mas é que o mundo desperto
melhor se dá aos expertos
e prefiro ignorar.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Cartas a Alice V


Brasília, fevereiro de 2013.

O mundo imaginado
(é o que tenho sustentado)
é mundo muito sentido.

É o por mim experimentado
e o por mim inventado,
nem menos real por isso.

A realidade da beleza
(essa sua maior proeza)
está em termos suspirado!