sábado, 18 de abril de 2015

A FALTA

Eu não sou PTista, mas votei na Dilma no segundo turno, e voltaria a fazê-lo, coeteris paribus, a cada vez que disputasse com o também mineiro Aécio Neves. 

No entanto, não entendo que respeito é esse que deputados de bolso avaro imaginam que devamos a algo como "a nossa indústria bélica". 

ARMAS: pra quem as deva portar por dever de ofício, tanto na ativa quanto quando já aposentados (afinal, justamente por as terem portado no cumprimento do dever, podem tornar-se alvo privilegiado da ação de criminosos, no caso dos que cumpriram o dever e deram combate ao crime). 

E FIM DE PAPO! 

(Claro, "fim de papo" na minha modesta opinião. Cada um que sustente a sua, com a liberdade que um regime democrático, e portanto não -militar, consagra a TODOS, mesmo aos que lhe são contrários).

No mais, quanto menos armas no mundo melhor! Até o lindo dia em que ninguém as precise portar NEM por dever de ofício, de tanto pão e educação que distribuiremos**, INCLUSive, às almas dos ávidos cegos "de bem" que não se dão conta do efeito perverso que perseguirem tanta coisa EXCLUSiva tem sobre as almas dos que, justamente por não terem almas "evoluídas e refinadas" (como sou capaz de jurar que os excluivistas consideram as suas próprias), farão de TUDO para também serem "especiais", através da obtenção dessas coisas EXCLUSivas.

E, como não têm as mesmas oportunidades, esses irmãos excluídos...

Fizeram as contas ou querem que desenhe?

Irmão, como disseram Caetano e Gil, "as coisas não têm paz". Chega dessa bobagem de ostentar, esfregando-a na cara potencialmente revoltada (dão-se conta?) dos excluídos, sua EXCLUSividade. 

Deu pra ver a raiz do mal grafada em CAPITAIS (caixa alta) ou o pessoal do capital (dinheiro) não quer ver que a questão da EXCLUSão é capital (precípua)?

E, deputado (melhor) JÁ-IR, quem determinará quem são os cidadãos "de bem" *** que deverão portar as armas? Seriam os que pautam sua vida no exemplo de amor fraterno que ensinou Cristo, como o senhor, que tanto faz pela inclusão geral e irrestrita de todos os irmãos?

Desejo-lhes a todos um dia iluminado!



**esse plural de "distribuiremos" não se refere a qualquer agremiação, nem a qualquer grupo organizado, mas a nós brasileiros. TODOS, já que, graças a muita mobilização o voto não é mais censitário e a cada homem corresponde um voto (ou não concordam mais com isso? Querem a volta do critério de renda? Ou querem algum critério de educação, e aí arranjaremos um déspota esclarecido formado em Coimbra. Sorbonne? Harvard? Hard to believe...)

***ou será que cidadãos "de bem" são só os de muitos bens, como uma vez sugeriu, inadvertidamente talvez, um apresentador de programa de auditório, revoltado com o fato de poder haver crime em bairros nobres?





E já que é sábado e tô à toa, e já que o Caetano é lindo, e acha lindo tudo que é mesmo lindo (e os mais bobinhos o criticam justo por isso, o mais justo), vou deixar aqui mais um link dele. E vejam se prestam atenção, nesse bonito, a mais do que só o que sirva para posar de romântico e culto para a namoradinha. Afinal, tenho certeza de que, se o Caetano pudesse apertar um botão e amanhecer compreendido e cantado por TODOS, até o "menos nobre" dos brasileiros, ele o faria. Caetano, cara, eu te amo, com os defeitos que nós todos temos. Grato, cara! Muito grato!



sexta-feira, 17 de abril de 2015

BISTRÔ CENTRALINA (Página de Diário)



Cara, vai aqui um papo franco, digitado direto na tela de rascunho do Cegos, como há muito não se faz por aqui. Uma conversa. É como conversar sozinho sem que mo censurem, e sem que me censurem "ouvir vozes". É, vou ouvi-los, alguns de vocês. Pelo menos os três que curtem as postagens na página do Cegos no facebook. 

Isso de facebook é muito interessante. Fiz a página do Cegos em 2012, nem me lembro por pilha de quem e pra quê. A Chiquinha quando viu consignou lá um "assumiu o ofício?". A Kédma, que em 2010 me deu parabéns pelo dia do escritor, impedindo que eu deletasse e abandonasse o blog, lançou um aspeado: "Escritor - Não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira. Carlos Drummond de Andrade",  Acho até que inaugurou a minha sina de me bater com o itabirano carioca que olha Minas de longe para que não lhe explodam as mãos frágeis, débeis, geniais e cheias de sentimento. A Paula, naquele seu interesse fraterno, amor interessado-desinteressado, foi de "amo d+ da conta, sô!!!!", assim mesmo, internetês exclamadão.

Até esse advento eu acompanhava as estatísticas do meu acompanhamento aqui pelo blogger. Já não o faço. Não tem tanta graça. Acho que os três e seus amigos leem lá pelo facebook. Então a daqui só tem de interessante a geografia. Mas dá desânimo. Olha os dados do mês:

Brasil: 713 acessos.
Rússia: 301 acessos.
Estados Unidos: 242 acessos.
Alemanha: 31 acessos.
Áustria: 9 acessos.
Irlanda: 9 acessos.
França: 6 acessos.
Ucrânia: 4 acessos
Índia: 3 acessos
China: 2 acessos

E são dados reais. Eu vou até colocar a foto aqui, só pra provar pra mim mesmo (já que falo sozinho) que não é uma adulteração, como faz um conhecido meu. Eu conheço um cara que tinha um blog e agora tem outro. Vocês se assustariam com quantas visitas o cara recebe. É um fenômeno! Eu não sei como não tá em páginas impressas ainda. Ele atrai muita gente. Devem comentar um monte as postagens. Não é como aqui, que ninguém comenta. Mas não dá pra ter certeza, porque os comentários não são abertos. Chega desse assunto, ou parece essa frescura de "tapa de luvas". Nunca entendi esse troço, deve ser coisa de pó de arroz mesmo.

Mas o fato é que vocês se divertiriam ao ouvir as hipóteses que tenho para certos acessos. Mas guardo-as para o Dr. Fernando, com quem terei neste mês apenas para dizer-lhe que já não terei com ele, por um tempo, at least. Lá eu pago pra ele rir de mim. E o cara ri muito, é tipo um freak-talk-show, em que o convidado paga para rirem de si. Uai, se bem que no Jô Soares... Também não quero falar sobre essa vaca sagrada da classe média, poliglota à papa com línguas de fogo.

Vamos às hipóteses mais verossímeis: No Brasil eu tenho uns dez amigos. Na Rússia eles caem aqui quando jogam certas coisas no google e este, porque usei alguma imagem manjada de internet, os remete pra cá. Sobre os Estados Unidos eu nunca sei nada. Nem quero muito. Na Alemanha está a Carlotinha, que já nem ouve os áudios do Cegos que lhe mando por whatsapp. Disse que sou um "spammer". Achei sacanagem. Na Áustria eu conheço umas moças, pretendo até visitá-las em outubro. Delas uma é das criaturas mais inefáveis que conheci, uma moça sublime mesmo, que eu me atrevi a incensar aqui este mês, então tá fácil ter nove acessos. Na França tem uma guria linda, corpo e alma, herança de ex-namorada, mas que já não me dá lá essa confiança toda. Mas seis acessos num mês podem ser coisa de esbarrões na rolagem do facebook, versão telefone esperto da Apple. Ucrânia eu não sei o que é. À Índia devo ir em 2016, e a China é do caralho! Troço híbrido da porra! Viva a China, cara! Viva esse trem esquisito!

Aí lá no blog, depois de convidar meus então trezentos amigos pra me curtirem, tive por séculos 100 curtidas. Pelo jeito parte dessa galera recebia alguma espécie de notificação (os vermelhinhos...) quando eu postava. Aí, desses, três curtiam. Eu ficava pensando por quê cem pessoas tinham curtido, 150 visualizavam e três me davam o joinha. Aí um dia o Metal me disse que ele gostava de tudo o que o amigo "muito inteligente pra muito pouca coisa" escrevia, e que era, portanto, ocioso marcar tudo com o joinha, assim que ele os reservava para quando tinha uma especial nota de interesse, como quando eu dizia algo nobre, ou algo pouco nobre mas que ele diria. E ficou nisso mais de ano.

E o facebook, maravilha capitalista, me assediando para "impulsionar" a minha página. E eu sem saber que porra era isso! Eis que um dia eu pensei: "Cara, seja o que for, é uma parada de pagar para me divulgarem. É, "eu manjo dos paranauê!", como diz a Ju Erichsen (não, ela não tem marca de televisão, é atavismo batismal). Aí, lembrei dum lance sobre o qual eu lera no livro lá dos sapatos do orfeu, que é uma biografia do Drummond que o Said passou na matéria sobre o Carlitos que ele dava com muito amor na FALE, mas que eu tive que abandonar pra me ferrar de verde e amarelo. O lance é: o Drummond, que muito depois disso e claro que a partir disso se tornou o Drummond que você conhece e louva, pagou do próprio bolso para rodar o "Alguma Poesia".

Doido, né? Você aí que só curte o Drummond que saía nas notas de Cruzados (sim, a moeda do tempo daquele cruzado da literatura banal, o Sir Ney) saiba que esse cara foi jovem, tinha uma cara de tarado da porra! E era mesmo, cara! O cara numa temporada adolescente na biririzonte paradisíaca de então contraiu doença venérea. Depois era tímido e com cara de doido. Sim, era um cara jovem, sério detrás lá do tal bigode do cantado no poema do "vai ser gauche na vida". O anjo safado (ou o "safado" foi coisa da versão do Chico D'Holanda?) o cingiu e ele queria que a tarde fosse azul e com menos desejos, pra não ficar pirando nas pernas das moçoilas que trepavam nos bondes para andarilhar a cidadela. Cara, só devia dar pra ver as canelas das pretensas sirigaitas. Mas é isso mesmo. O tarante é o que se adivinha, "mulher pelada é tudo igual", dizia a vovó Terezinha recriminando minhas parcas playboys. 

Calma, Gabriel, isto não é terapia. Para de abrir janelas. O fulcral é: o cara que seria depois "O" cara teve de pagar pra se rodar e circular. Depois pegou pra caralho, deu certo demais. Não demais a ponto de "dar camisa", como diria a Hilda Hilst. Esse trem não se fez pra isso. Vai tirar o dinheirinho lá na repartição, meu amigo! Repartir-se com o contribuinte, mesmo os que sonegam e não querem repartir nada, os sem vergonha na cara que ainda querem vigiar o governo e latir em panelas e.... Opa! Chega de janela.

Bom, ele pagou e eu topei pagar. Dei aí meu trocadinho pro Zuck-albergue me divulgar na atmosfera bibliofacial. Cara, de 100 curtidas a página foi a...(um instante...

É, fomos a "1996 curtidas + 1 esta semana". Cara, fiquei famoso! Mas as visualizações pularam só de 150 por post pra 400 no máximo, quer sejam diários, quer demorem mais. I'm a fucking accountant, man! Depressão! Ah, claro, e três curtem os posts, além do incensado da vez.

Caralho, falei e não disse nada. Cansei do post. Acho que vou acender um incenso nesta sexta cujos planos soçobraram como naus à deriva. Ah, mas tem o homem derivado de que me derivo! Vou assistir mais uma vez ao show do GLM no Rock in Rio II e terminar o primeiro post do "Beletristas do Pia-uai", só sobre a minha vida na Gessingerland. Obsessivo, né?

Devo ser "intenso!", como me descobriu a Cabral.

Desculpa a fraude de ter chamado o post "Bistrô Centralina". Pra não dizer que não falei de flores cuspo rápido: Ontem veio a esta Centralina mansarda a Alicinha, que comigo e a quatro mãos (sobretudo a direita de cada um - é, pra isso essa merda de direita serve)fez (acho que a escolha dessa locução é índice de fraude) o primeiro macarrão da minha vida. Tá, ela fez mais que o ditar, mas fiz aí minha parte, tirei os plásticos das panelas que a Lô e o Gelson me deram em 2012, e amanhã vou cozinhar o resto dos igredientes pra Lina, se ela recebeu as minhas "saudações a quem tem coragem, aos que estão aqui pra qualquer viagem". 

Ficam aí as fotos pertinentes. Desculpe falar tanto. Quem tava no ônibus na Ucrânia, engarrafado perto do rio local aposto que curtiu eu não ser tão curto quanto os curtidos do facebook, tipo o ressentido "Cifras" e o "Me chamo antônio", que foi às páginas impressas.

Eu não tenho pressa... Bits, Bytes, "bite me!" e até mais!

Mas eu amo vocês três como se eu amasse vocês três e vocês três a mim. Caralho, devia ter ido mesmo à casa da Pampulha, amar sem amor nenhum. Ah, Beletristas! Tchau!







 

Esta hoje tá minha cara, mas o meu Ilex é só Mate Leão (Putz, Maria, não vou dormir esta noite, né! Mate depois das cinco da tarde!)



LINA (17 de abril)

Para Carolina Assunção

Dizem que assumir as coisas
no instinto e sem reflexão
é postura leviana:
"não se lance em qualquer assunção!"

Mas que gente mais sem pai!
Pai dos burros,
pai do meu passado,
pai do meu futuro.

"Assunção" é elevação
a uma certa dignidade.
E a idade é sempre digna,
a intenção sendo bonita.

E vê-se que a moça tem-nas tais.
Eu assumo isso sem medo de erro.
E vejo que já era assim
desde tempos ancestrais.

Os tempos mesmos em que a cocada era preta,
e a moça mais morena que eu.
E o caderno era bem feito,
e nele este se inscreveu.

Inscreveu-se em dívida livre,
e essas coisas são pra sempre ativas.
A amizade até quando é latente
é das coisas mais bonitas!

Então que moça diga o curso
que seus projetos tomarão.
O resto escapa a nosso pobre
poder de pouca decisão.

O chá roda, 
o jornal já não sai.
"Sem saída ficamos todos presos,
aqui dentro faz muito calor!"

Mas nada de papos loucos.
O dia lembra o em que primeiro brilhou.
Então paz, amor e saúde!
E que a proteja nosso Senhor!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

CANTEMOS A PENAS!


"...e se viu ferido justo na garganta quem nem alegre, nem triste, nem poeta..." - Caetano Veloso

"...tórax de superman e coração de poeta..." - Chico Buarque

"...Chega de poetas nas prateleiras, a doença está na cheia" - Sérgio Ao C.I.D.

"A poesia está morta, mas juro que não fui eu. Tudo a minha volta são reclames" - Zeca Baleiro.

"Não fui eu, não foi você, nem foi a máquina de escrever que matou a poesia. Não foram os deuses, nem foi a morte de Deus. Não foi o jabá da Academia que matou a poesia" - Humberto Gessinger

"Death is on the prowl" - Iron Maiden

E eu digo, senhores, diante de tanta morte:

Senhores, senhores!
Não há como nos batermos
contra evidentes estertores!

Vêm-nos como tratores!
Todos são senhores!
Eles e os senhores!

Eu sou júnior e sênior.
Eu nasci senil.
Todos são velhos mundos

E eu sou apenas o Brasil!

O Brasil pena,
a pena pena,
a pena canta:

"Poesia é um porre!"
disse o poeta dos pampas.

Acabemos logo com isso,
que nenhuma rampa me lança.
Aqui é um grito no escuro,
o escuro a todos alcança?

Então por estar no escuro
é que sou verde esperança!
Chega!
Não sou criança!

Sou o natimorto
soldado raso da temperança.
A vida tem pressa,
a pressa me dança.

Eu danço a peça
como se em minhas entranhas...

"Façamos silêncio pra ouvir o último poema:

Por que você não soa quando toca?
Por que você não sua quando ama?
Ninguém derrama sangue quando perde
guerras de fliperama.

Por que você não sua quando toca?
Por que você não soa quando ama?
Por que você não soa quando toca?
Por que você não sua quando ama?

As mentiras da arte são tantas
São plantas artificiais
Artifícios que usamos para sermos
ou parecermos mais reais"





Mas "a última palavra é a mãe de todo o silêncio": "Eu vou. Por quê "não!"?
= : )

quarta-feira, 15 de abril de 2015

PALAVRA! 2 (O apanhador no campo de seu tempo)

E os livros de que me alimento
(essa lauta refeição!)
dão-me tudo o de que preciso
para formar minha expressão.

Está formada há tempos!
Não gaste sua atenção
em organizar argumentos
pra derrubá-la em dissecação.

Então está dito:
Você só me lê se escrevo escorreito.
E se escrevo é só prospecção 
do que se esconde sob meu cimento.

Vou usar o Metal de prova,
vai-lhes testemunhar a todos
de co-arquiteto do projeto
do "vocabulário jacarandoso".

E não é que seja um texto
tão mais belo quanto mais faustoso,
mas que feminino resiste 
a brinco na orelha e colar no pescoço?

Uma ideia esquisita
de que a palavra é tão mais falsa
quanto mais bonita.
Que constatação é essa?

(Juro que não entendo
de onde lhes vêm as ideias!)

Todas as palavras
de que o dicionário dispõe
foram engendradas pra ser usadas
nas nossas diárias traduções

do que está posto no mundo.
(Ou do que nos vai profundo,
bem ocultado sob a pele.)

E quando olho pra tudo isso,
que meu dicionário me revele:
Que culpa tem meu idioleto
se sempre me agradou expandi-lo?

Nada se fez por implante,
foi tudo colhido nos livros!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

BEIJO



Hoje é dia do beijo.
É, logo,
um dia comum!

O beijo é o prêmio perfeito
pelo enleio de sermos mais um.

O beijo é um bom combustível.
Os bem dados são como viveiros
de nos vivermos deles,
e morrermos da falta.

"Um beijo!"
e todos correndo,
que o brinquedo não aceita
"altas!"

De altas,
de baixas,
de médias...

O beijo atinge todos e todas,
em desprezo de réguas e regras.

O beijo.
Os lábios.
O ósculo.

Expanda as comissuras labiais,
é sempre bom negócio!

Beijos modernos,
beijos ancestrais...

...quem conhece o beijo
está sempre pronto pra mais!

COLETÂNEO I


Édith e Cássia cantando "Je ne regrette rien";
Cazuza cantando "O mundo é um moinho";
Freddie cantando "The show  must go on";
We all going on 'till "Já vou!"

(A despedida é mais bonita
pelo que se grafou.)

As impressões derramadas
do que se nos imprimiu.
Vamos levar da vida
tudo o que se sentiu.

Tudo o que nos veio de graça,
pela graça da interação
conosco, com o outro, com o mundo.

(Sempre que os deparamos
há um mergulho profundo!)

"Viajar pra dentro
desse mundo extenso 
que até ontem eu nem sabia que existia",
o Khadhu cantava outro dia.

Penso que o sabem por dentro
todos que olham pra Índia,
que tanto nos chama.

"Hello, is there anybody in there?
Just nod if you can hear me..."
Liberte-se da anestesia!

"Thank you, Thank you, silence!",
vou ouvir-me por mais um dia!

Vou-me inspirar reparando
na constante rota aérea.
Doce ar que convido e me expando,
até expirar-me da Terra.

Toda esta vida é uma chance
para o autoconhecimento.
Mas há, também, num relance, 
muito reconhecimento.

Dê-se a si para assim dar-se
a tantos que também somos nós.
E vai descobrir por encanto
que nunca estivemos sós.




 

sábado, 11 de abril de 2015

PALAVRA! (São o que de são...)


Sou depositário da palavra,
e jamais serei julgado infiel.
Eu não irei a claustro
porque não as enclausuro.

(Uso-as em proveito difuso
e também me liberta a revelação...)


Mas não as devolvo àqueles
de quem eu as recolhi.
Não teria sentido isso!
(não saíram, de fato, dali...)

Robin Hood imune à censura,
porque se misturam as situações:
vai-se dos ricos aos sem condições,
o que é um fluxo lícito

e não di(lapida) os quinhões!(?)

Eu as colho e misturo,
colho-as no uso,
e as uso cantadas.

E se usá-las for de novo preciso
não há prejuízo:
é só decantá-las!

As palavras são softwares livres,
podem ser "hard to keep",
mas vale baixá-las.

Toda palavra é decisória,
mesmo as irrisórias,
ou de admoestação.

Palavras meritórias
e até palavras derrisórias:
todas são libertação!

As palavras são todas performativas,
que de palavras faz-se a vida.
Palavras são o que são!



Centralina, 2014.





quinta-feira, 9 de abril de 2015

AMAI-VOS (sem re-seitas)


Eu nunca fui muito de nada.

É do meu canto que vejo as paradas.
Este é o meu movimento!

(E não sei se valeriam tanto
os prantos e encantos que invento...)

Há tanta ideia,
tanta seita!
E sempre muito se aproveita,
mas ninguém tem toda a razão.

E da razão já nem tanto me socorro,
eu às vezes dela corro
(melhor me dou e doo com a composição).

Nada de mente estreita!
Quero a vida bem feita,
traçada no amor!

Então dou-me à farta colheita
do melhor que se semeou:
Buda, Jesus, Maomé,
de outra feita,

propunham a paz e o amor!


Centralina, 2014.


 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

MOÇA (Stage Fright)


Vem vindo a moça.
(Espero que Deus não me ouça!)
Ensaiei-a tanto, tanta!
(Lá vou eu de novo em "nós"...)

Um medo de não ter pele,
não ter cheiro.
De eu não dar o meu jeito.
Tenho stage fright,

frito se me importo!
Pois pode não dar tão certo
quanto quando eu me toco.

Eu devia ter-me tornado tântrico.
Gosto disso!
(Tanto, tanto!)
"Afinal o amor é tão carnal..."

É o parecer do Baleiro,
e também de tantos brasileiros.
(Mas e se eu me orientasse?)

No Oriente é diferente.
Não será quente aquela gente?
Ou serão mais alma que corpo?...

Sinto que é este o trilho:
tornar-me cada vez mais espírito
(Mas vou brincar mais um pouco!)
= : )



Centralina, dezembro de 2014.






XANADÚ (Just a Phil Leons)



Fatos curiosos sobre o pequeno Mandrake:

Era campeão de "Qual 'será' a música?".

terça-feira, 7 de abril de 2015

TÁ DE ONDA?


Para Gabi Alfenas
"Estou segurando a onda, porém gostaria de estar surfando na crista e sorrindo pro sol". - Roberta coelho


Segure a onda,
mas sem dedo em riste.

Não te cristes,
triste,
nada de cruz.

E tu te Cristas
na onda de luz!





domingo, 5 de abril de 2015

21 (Aber... Dean!)


Foi neste dia, há 21 anos. Eu tinha 14. Foi estranho. Era dia inútil, acredito, até porque talvez todos o fossem. Eu estava no meu quarto completamente recoberto de fotos de artistas de rock. Uma pá deles. Meu pai me chamou à desgastada e descascada sala de televisão. Queria mostrar-me algo. Não sei o que seria. Mostrou. Não era.

Passou a passar os canais no botão do painel da velha tevê sem o mais remoto controle. (Quem se controla nesta casa, anyway?) Um flash. Uma calça rasgada como as que ele usa, um pé só de tênis como os seus. "Pai, para, para!" Parou. E...parou.

Notícia. O líder do Nirvana, Kurt Cobain, de 27 anos, foi encontrado morto em sua casa em... Há indícios... 

Saí da sala e fui procurar indícios no meu quarto. Tinha uma foto acima da minha cama, que já era acima, a do topo da beliche. Ela não tinha nada. "Esse cara tá morto?" Minha vista escureceu. Fechou-se em losango, como no dia do fliperama matinal, em que eu saíra com só brigadeiro na barriga e desmaiara numa poça d'água. (Naquele dia morria um tal de Freddie Mercury, um cara espalhafatoso que eu não conhecia direito, e me parecia um pouco Ney Matogrosso).

"Esse cara tá morto?" A vista abriu-se de novo e eu fui à sala de estar. Ali só um velho tapete azul e o toca-discos com só os meus por sobre a caixa acústica. Só eu os ouvia "Bruises on the fruit. Tender age in bloom. He's the one who likes all our pretty songs, and he likes to sing alone, and he likes to shoot his gun, but he knows not what it means..."

Volto ao quarto compartido com o irmão indiferente e incomodado (e calado, só o soube anos depois) com o "meu" som. Percorro as fotos. Ele é o mais presente, junto como o Axl e o Hetfield (não se conseguiam fotos do Humberto, meio maldito na mídia burra).

Há fotos pra todos os gostos. As há infinitas! As há para justificar o azar infinito e para justificar um prêmio recente que ele tivesse recebido como melhor comediante do ano, como tanto gostam os bobos americanos. "I wish I was like you, easily amused. Find my nast of salt, everything is my fault. I'll take all the blame...in the sun I'm married,buried".

Numa das fotos ele está no meio, ladeado pelo Dave Grohl e pelo Krist Novoselic. Dave ri, como quem terá um futuro divertido. Krist... nunca se sabe de Krist. Intuo que ele é bonito. Ele viu o que ninguém via. Ele VIU! Outros achavam-no vil, apenas alguém que tentasse. Krist o VIU! (Meu Deus, será que o Kurt era um "projetor"! ?Vou fazer o desenho dele...)

Kurt estava no meio. Ele era o recheio. Sabiam-no todos. Tinha uma arma imensa, fuzil ou o que o valha, com o cano dentro de sua boca. "...and I swear that I don't have a gun. No, I don't have a gun" Caralho! Mentiroso filho de uma puta! "Sun of a gun", como na outra? Eu nem sei o que é essa porra!

"Esse cara tá morto?". O que é isso de morte, no duro? O que é isso de morto quando é duro? É sorte? É furo? Sou forte? Fico no mundo?
Eu tinha perdido a vovó Iracema. Era mesmo muito velha! (Isso a condena?). Morreu em 85, e eu talvez tivesse ido ao Hospital. Semper? Não sei! Não lembro. Ou talvez ela tivesse morrido em Campo Belo mesmo, vai saber! E quem morreu no Semper? Tia Bite, a da casa na praça. Não sei. Não me afetou morrerem os velhos. Os velhos são pra isso. Já não têm compromisso. E ela só vinha uma vez por ano e ficava uma semana. Talvez desse broncas em minha mãe, na superproteção do neto (meu pai). Talvez já não as desse e eu talvez só saiba disso agora.

Mas esse cara é jovem! É bonito!É poeta!É brilhante!É casado com uma... Caralho, uma dona muito estranha! Estranha mesmo! Mas ele tem tudo! Só não tinha estudo. Precisa disso? Quem tem faz o quê? Buquê de diplomas. Os de flores têm aromas. "There are countless formulas for pressing flowers. 

"Esse cara morreu?" Eu estava tão feliz que ele houvesse! "I'm so happy, 'cause today I found my friends. They're in my head. I'm so ugly. That's ok, 'cause so are you. Broke our mirros. Sunday morning is everyday, for all I care. Now I'm scared, light my candles in  a daze 'cause I found God". 


Que Deus é esse que se encontra e nos abandona? Que amigos são os que tenho na cabeça? O astrólogo que o esclareça: "Gabriel, não é que não seja real o que tá na tua cabeça, mas é que tem o mundo dos fenômenos. Tu tem que olhar o que tá acontecendo."


"I like it, I'm not gonna crack" Ele gosta, ele não vai entrar em colapso. Ele prometeu. Mentira. Prometeu não ter armas. Que promessas há se as enxergo? A música chamava-se Lítio, segundo a tradução da "Querida RockStars", que trazia uma letra de cada banda. Tinha até Sepultura. E eu vi que estava ali também. Não que fosse à tumba, mas eu também me sentia "Contradictions in my innerself. Only I guide my inner self". Esses caras eram de BH. Eram eu! Eram nada! Uns putos! Uns paulistas! Foram-se à desvairada. O Igor pegou de torcer pro Palmeiras! Um porco! Porra, um porco puta simpático. Traidor! Sai fora!

O Kurt falava a minha língua. A avó do interior não. Os paulistas mineiros do Sepultura não. Olhei no dicionário e, pelo jeito esse tal de lítio era um metal pesado, ou algo assim. O Nirvana não era metal, absolutamente. Mas era pesado. "Heavier than heaven", disse o biógrafo do cara. Tava tudo na cara! Quem não viu!? MAs puta que o pariu! Que merda essa porra! Mas soava lindo: "Lithium". Minha preferida to this very day. Disse-o ontem ao Iago.

O Iago tem 10 anos, completou-os recentemente. Adora Nirvana. Dá-me palestras. Ensina-me sobre o tema fascinante do garoto de Aberdeen. Disse que foi casado com alguma baterista. Disse que sabe porque ele morreu. Olha só! Ele já sabe. Eu procurando...

Lítio. Fiquei sem saber. Dezoito anos depois o Dr. Fernando me passou. Disse que era o único remédio com comprovado efeito anti-suicídio. Ora, doutor, mas isso é algo bastante estranho! Eu vou tomar um remédio e ele fará com que nunca mais eu pense em me matar? Isso é estranho demais! Tenho aí umas amigas que tomam esse troço porque são bipolares. É até um pouco chique, parece. Eu sou chique. Eu tenho analista, tomo lítio. Cara! Deve haver um conflito nisso. Acho uma merda ser chique. Como vim parar aqui?

"Esse cara está morto?" Ele era meu, era eu. O que eu faço? Luto? Faço luto? Luto? Ah, vocês acham que não há tumulto? Caralho, velho! Você tá louco? Eu tenho quatorze. Eu entendo tudo, e não sei nada do que isso quer dizer. Isso quer dizer ou vai desdizer tudo? Fica o dito pelo não dito? Mas e os meus conflitos? Eu não tinha. Eu tinha certeza de que não os tinha. Todos tinham. Eu era só um garoto impressionável. Bastante. Isso não é perigoso. Daqui a pouco vai envergar a saia escocesa do outro, ou a bombacha daquele. 

Depois, logo depois, teve uma excursão do Santa Maria pro Caraça. Um retiro espiritual. O professor conduzia alguma coisa. Ele era gay. Parecia muito. Mas estudava pra ser padre. Dizem que o foi. Padre. Dizem que não há ex gays. Então ele é. Ou nunca foi. Foda-se. Ou não, já que padres não p(h)odem, desde que tudo tinha outra grafia (e a atrofia de sempre...)

Fui de preto. O Geraldo me gozou, me chamou de viúva. Ou talvez tivesse sido outro. O pessoal cantou que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque, se você parar pra pensar, na verdade... não há!" Que merda essa música piegas! Pra que isso?! Detesto Renato Russo. Não tem nada a ver as coisas que esse cara fala. Ele é chato pra caralho.

Tinha outro enlutado (todos nós amantes de enlatados? Nirvana é? Era?) O Kurt "se você fosse sincera,ôôôô", era uma aurora! Eu vi aurora nele antes de em outros. Muito antes de no Pessoa. Ele era menos que os outros também. Era diferente. Os outros eram mais. Eram bem mais, um grupo todo. Cada um de nós era só um. Era sozinho. Não nos reuníamos. Eu me sentia "um estrangeiro, passageiro de algum trem que não passa por aqui, que não passa de ilusão". Depois de anos, ali pra 2009, 10, me enfiaram o Helder garganta abaixo. Todos os lugares são no estrangeiro. Tá ali! É só saber ler. Mas uns veem a Bíblia. Ela está em tudo. Está no meio de nós, e são uns nós de marinheiro, que nos obrigam.

Na minha fantasia, no Caraça, eu e um outro jogamos um babaca sem respeito pela nossa imensa dor pelas escadas. Contei esse caso um par de vezes, não sei por quê. Hoje tenho certeza de que o sei falso, não sei se o soube falso toda a vida. Talvez algum dia eu tivesse precisado que ele fosse real. Contava-o para a produção de efeito cômico, para fazer rir o interlocutor. Não quero ninguém triste. "A alegria é a melhor coisa que existe". E alguém lá quer fazer um samba com beleza? Prefiro a vida bela. Hoje. Vivo.

Passou. Um mês depois o Senna morreu. Parece que sofreu-se mais dessa vez no país. Eu não liguei muito, não. O cara parecia bacana, mas ele era bacana. Aquilo era coisa de rico, pra rico, ou pra pobre muito bobo, vamos combinar! Mas hoje eu respeito. Vão ao vão vão do autódromo. Dá pra ver um flash. Eu também só entendo flashes do que curto. Sou curto, um falso culto que não se alonga tanto assim. Talvez eu só tenha a cultura de orelha de livro dos amigos, digo, colegas do Direito. Dão palpite em tudo. São enciclopédicos. São muito mais inteligentes do que eu... Chega! Amargura não! Não posso. Combinei comigo este verão.

"My mother died every night. I say 'do you see? quote me on that' I know myself better than you. Somewhere I have heard this before. And I trained my memory to store. As defense I'm neutered and spayed. What the hell am I tryig to say". Eu não sei, não sei mesmo. Não sei o que digo nem pra quê! "It's too late to make it all clear", pra que terapia? Vou ter à pia porque, segundo os zens, eu estando ali e só ali, lavando louça sem pensar em moças, eu medito. Quando medito me edito e só lhes mostro o que convém.

Não. Não sou louco. Ninguém é. Hoje pago um pouco de louco porque o Kurt era o mais bonito e eu quero ser igual. Bonito. Isso é vaidade! Pra que ser bonito? Fazer as coisas bonitas, ora, pro mundo tornar-se tal também.

Ia contar tudo aqui. Tudo sobre 96, as fantasias, o abandono de dois meses do Promove, o que aconteceu com a vovó, a filha da vovó de cuja morte me eu soubera. Quando soube da morte desta, filha daquela, me despedacei. Identificar-se, meninos, é um perigo! Escolham modelos mais bonitos. Esqueça-se isso, 2006, a Justiça Eleitoral, a licença. Esqueço e há recompensa. 

Eu hoje escolho os Peppers. São menos profundos, mas quem quer ir pro fundo?! O fundo é escuro. O Kields é tão bonito que, quando o kurt morreu, rendeu-lhe esta homenagem, que hoje assino com ele:



Estou cansado! Extenuado! E ainda foram anos de belezas e aflições, reinterpretando o Nirvana pra sempre. Hoje é meio que outro o Nirvana em que penso. Sei que não o atinjo, mas me tinjo dessas coisas, que me atingem em cheio.

Caras, não façam análise, de nada. Deixem tudo inteiro e vocês ficam inteiros também. Perdoem-me o ter-lhes mentido que falaria do Kurt. O Narciso sou eu . Vou-me afogar. É compromisso. Caramba! Mas eu detesto compromissos, e agora eu já quero viver. Tchau! Vou tomar café e banho para ir ao templo budista de Brasília. Fica a pista. Deixo as duas do Nirvana de que mais gosto. Não,três, pra ser "demais!". 

Qualquer dia volto pra incensar os Chili Peppers, aí a gente vive mais e mais em paz!

Desculpe, gente! Desculpem mesmo! Eu me amo em vocês!


sábado, 4 de abril de 2015

PARABÉNS, JUSSARA!


Para Jussara Machado


Parabéns, Ju!

Sara a dor
do falso esquecimento
se chegamos tarde
mas a contento.

Se chegamos, arde,
até sem talento.
E para amigos dispenso
as coisas que invento.

O meu novo talento
é andar no vento,
esse vento que sopra.
(Como o estou percebendo!)

Há passagens em promoção,
um Gol-aço sorrido em Smiles.
Já que sempre fomos
avião. línguas e muitas miles.

Mas é para de abril a junho,
e pra Caxias do Sul.
Serviria para visitá-los?
(E aí cabe mais um?)

Contem-me sobre isso,
hac in hora sine mora!
Pois há também Ara-c'a-Ju,
(e não vejo a hora!)

Já enrolei bastante,
agora ao que conta:
Paz, amor e saúde

e vê lá o que apronta!

E um abraço pro Fábio,
que é também o seu.
É o gaúcho mais massa
que este conheceu!

Bom, pelo menos de perto!
Mas façam-me o favor
de respeitar o Humberto!

Beijo, Jussara!
De um longe-perto.
E com abraço à Minas

de um sonhador desperto!

Antes tarde
do que mais tarde ainda.
Alegria atrasada
a bem contamina.