terça-feira, 29 de dezembro de 2015

BANHO 2

Ikang-lang - sexualidade - 15 gotas.
Patchouli - sensualidade - 4 gotas.
Pimenta Rosa - picante - 6 gotas.
Sálvia-Sclarea - espiritualidade - 5 gotas.

Gotejo-me.
Gotejo-te.
Tejo em mim
e um beijo!

Feitiços em receita
são pra cura.
Nada de olho de salamandra,
nada de perna de saracura.

Passou o tempo decaído
em bruxaria escura.

domingo, 27 de dezembro de 2015

BANHO

Maçã e canela,
essencialmente.

A fruta chama,
a canela sustenta.

Qual é a mais suculenta?
(dessa ninguém vai saber!)

Até há quem tenha visto,
mas sem nunca ter investido
em se esclarecer.

É a inocência dos ancestrais:
acharem-se sábios demais
e terem vivido em tenra idade.

A suculência é macia e me arde.
Rosas sem alarde colorem as águas.

Rosas são a cor do amor,
mesmo se rosas são vermelhas.
Cobrem-nos com outro sabor!

Está posta a mesa!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

MOTO

Vou de moto.
Só cabem dois.
Então vou mais ela,
ora pois!

Cabelos ao vento,
loiros,
morenos,
seremos os dois.

Vamos de moto.
Vamos de moto pro mato.
Moto contínuo:
sossegados!

Vamos no vento,
o sossego é dado.
E nos inscrevendo
invento os alados.

domingo, 20 de dezembro de 2015

2016 taí!


JEDI

Acho bonito acompanharem-se da Força.
Acho bonito desejarem-se-na.
Acho bonitos velhos mestres.
Acho bonitos sabres de luz.

Império?!
Não me seduz!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SONHOS SÃOS

Meu bem,
você é um sonho!
Não acompanho,
nem componho essa evolução.

Talvez se nos compusermos...
Meu quinhão é bem pequeno,
mas posso dizer que tenho
entranhado alguma lição.

A tal ponto que me pergunto
se não seria mais generoso,
em vez de ficar ocioso,
tornar-me professor.

Disse-o ao meu confessor,
e acho que ele sorriu.
Ou de mim ou dos alunos:
"Coitados! Onde se viu?"

Mas preciso ensinar
o que preciso aprender.
Os meninos hão de ter
a experiência das almas mais velhas.

Também vêm mais ternas,
já notei.
E menos preconceituosas
(quem não se mete não goza!)

Acho a vida isso?
Só fala com algum tino
o que viu e viveu.

Não virá o meu,
mas sonho.
E nele tudo se cometeu!

sábado, 5 de dezembro de 2015

PALPITE

Eu quero viver de palpite
porque acho certezas tristes,
ou porque não as consigo formar.

Você pode ficar comigo
e até trazer seus amigos
que queiram se desinformar.

Porque gosto de palavras,
mas as minhas são levianas,
por lhes faltar o lastro devido.

Mas não me acerco desses bancos,
os bancos dos doutorandos.
Pra mim eles são um perigo!

Porque ali se sabe tanto,
e opõe-se tanto também,
que vão destruir o meu canto

e o que escreve nada mais tem!

Então não vou ser professor,
nem vou ser doutor,
nem vou ser psicanalista.

Vou flertar livremente com a palavra,
exaltá-la ou profaná-la, 
tudo com visto de turista
(ou de vigarista, dirão).

Mas não vingando o que digo,
não se vinguem do escrivão.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PAÍS DA MARAVILHA

O amor é um construto,
é um túnel de um lado a outro.
E já viu dançar em seu escuro
um vulto que não seja louco?

O amor pede passagem,
ou talvez seja passagem apenas.
Dou meu passaporte a carimbarem 
e o suspense é de fazer pena.

Porque há um homem no guichê
que me olha de cima abaixo.
E pode ser, já vamos ver,
que não me deixe atravessá-lo.

Mas eu quero ultrapassar a cancela,
não cancelem a minha chance!
Posso conhecer a fundo
o país que se chamou romance.

Mas foi tão buliçosa a revolução
que propôs-se a novo batismo.
Então chamou-se namoro
o país que agora fito.

E se entro e o habito,
se me dão todas as chances,
só o futuro dirá
a que nomes vai o romance.

Mas os nomes são só palavras,
e eu até me importo com elas,
mas são apenas outra passagem
pro que mais me importa

que é ela!