domingo, 31 de janeiro de 2010

CURTAS - CINE PROTESTO



Infelizmente só para o último dia, mas dei meu jeito de aparecer em Tiradentes, na décima terceira edição da mostra de cinema. Evento muito interessante, como já é a cidade, desde que por breve período, como todas as cidades de ordinário apenas lindas que mais parecem cenários.

A primeira atração disponível no Cine-Tenda foi uma série especial com dois curtas nacionais, "Vida Vertiginosa", de Luiz Carlos Lacerda, e "Ouro Branco", de Elza Cataldo, aquela mesma cineasta cujo "Vinho de Rosas" ficou eternamente em cartaz no por enquanto saudoso Usina Unibanco de Cinema. Não que não tenha gostado do longa, de que comprei até a trilha sonora, por sentir-me bem com tudo quanto remete ao Barroco, daí parte do porquê ter bem-estado em Tiradentes.

Mas o melhor da série de curtas (não que não os curta) foi o curto protesto de Lacerda. Ao fim de sua fala, depois de ter reclamado do pouco prestígio de filmes que, como o seu, "têm começo, meio, fim, e roteiro", pediu à plateia que prestigiássemos a pré-estreia nacional de "Elvis e Madona", primeiro longa de Marcelo Laffitte, seu "pupilo". "O filme é excelente, mas não está na competição, pois tem roteiro, começo, meio, e fim."

O longa é estrelado por Simone Spoladore e Igor Cotrim. E estrelado mesmo, que as atuações são merecedoras de todos os encômios, sendo a de Cotrim, particularmente, "brilhante", haha! Simone vive Elvis, uma motociclista rebelde que, segundo um dos personagens (cabeleireiro que, por mais que faça e aconteça, "não é gente que faz") "dorme na caixa", referência saborosamente jocosa à opção sexual da nem tão moça. Cotrim vive "Madona", cabelereiro transexual, cujo sonho é estrelar um show "luxuoso". Encontram-se, apaixonam-se, e nos brindam com uma história de amor ao mesmo tempo pujante, terna, e desafiadora de quaisquer rótulos. Amor heterossexual? Homossexual? Homoerótico? Homoafetivo? Bizarro? Que importa? "What's in a name", anyway? Ou, bomgauchando: "As coisas mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão!

Ainda que Tiradentes não me fosse tão atraente, ainda que a distância fosse outra, muito maior, tava pago! E que entrem em cartaz, que lhes darei de novo todo o cartaz, como agora, cravando-lhes os dentes para não lhos tirar!

sábado, 30 de janeiro de 2010

ERA como uma mãe PRA ELE.- Pink Freud.

Sua mulher era tããããão boa pra ele, que era uma mãe.
Era tão paradoxal que, mesmo sendo, ele queria livrar-se dela.
Ele, de sua(s) parte(s), não conseguia ser tão bom para ela, pois era "como uma mãe!" para ele.
Se fosse a dos outros, refresco...
Freudices....

Mother do you think they'll drop the bomb
Mother do you think they'll like the song
Mother do you think they'll try to break my balls
Ooooh aah, Mother should I build a wall

Mother should I run for president
Mother should I trust the government
Mother will they put me in the firing line
Ooooh aah, is it just a waste of time

Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna make all of yourNightmares come true
Mama's gonna put all of her fears into you
Mama's gonna keep you right hereUnder her wing
she won't let you fly but she might let you sing
Mama will keep baby cosy and warm

Ooooh Babe
Ooooh Babe
Ooooh Babe
Of course Mama's gonna help build the wall

Mother do think she's good enough for me
Mother do think she's dangerous to me
Mother will she tear your little boy apart

Oooh aah, mother will she break my heart

Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna check out all your girl friends for you
Mama won't let anyone dirty get through
Mama's gonna wait up till you get in
Mama will always find out whereYou've been
Mamma's gonna keep baby healthy and clean
Ooooh Babe
Ooooh Babe
Ooooh Babe
You'll always be a baby to me

Mother, did it need to be so high.








quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

...AINDA QUE TARDIA!

Bom, já que o Caíque, ainda sem especificar o mal, perguntou pela cura, digo-lhe que, ainda sem recurso aos Curas, ela está prometida. Deixo aqui a melonotícia do profeta, e digo que "antes tarde que mais tarde ainda!"
VALETE, FRATES!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ex (H)Umbertos....


FRED ASTERIX

FREUD ASTAIRE

MARCEL PROST

JOHN LENIN

MOBY DUCK

MOHAMMED DALÍ

RONALD REGGAE

WOODY ALIEN



DÁ NA MESMA?!


domingo, 24 de janeiro de 2010

BARBAREIRO


Mais que de alguns pelos, na barbearia eu me livro do mau humor. Eu me livro tanto que um dia ainda compilarei todas as histórias em volume único, livrando-me em público, com alguma capa divertida.


Hoje não há história, foi mais piada mesmo. Tinha a toalha sobre os olhos, e o barbeiro sem cliente fazia, em tempo real, nova letra sobre a de "Romaria", da pena Renato Teixeira, a quem se fazia alguma homenagem em algum canal de televisão. A letra? Uma pena, é deixá-la.


Estavam todos surpresos com a beleza da filha de alguém, que acabara de deixar o recinto. "Caralho, velho! A menina tem dessas belezas escondidas!" "Que escondida, mané! A menina é bonita mesmo!" "Eu sei, mas não é daquelas belezas que chega e pá!" "Taquipariu!"


Não demora muito, para um carro no meio-fio da outra calçada. "Esse cara é outro que tá comendo bem!" Vai-se.


Pelo silêncio respeitoso que se faz, pressinto a aproximação de uma mulher, a desfilar pela calçada dianteira. "Que canetas!" E levanta a toalha, pra que eu a veja! Vejo uma mulher (atendo-me ao eufemismo que o prazer de me contrastar com eles me impõe) assaz robusta, em um outfit meio "Let's go to Bahia!" Faço uma cara de sem graça. Caí! Não sabia se me sacaneara ou se ela realmente lhe enchia os olhos (presume-se que sim, né!). Explodem em risada. Volta o ocioso: "Parece aqueles pirulitões!"


Meus barbeiros são bárbaros!

sábado, 23 de janeiro de 2010



Já dizia o bom Bruxo do Cosme Velho (com quem, nos últimos ótimos (sob esse prisma) quatorze anos, entretenho relações bibliográficas de recentes efeitos dermopigmentados): "há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos".
Há também, bem o sei, amigos de dezessete anos, embora não nos tenha sido sempre dado trazê-los ao lado, fisicamente, numa base diária. Muito comumente, no entanto, pensamos que os quereríamos ao pé de nós (embora jamais "aos pés de nós") diuturnamente. Não se dá, não dá! Pouco importa, em verdade. Como já cantava o Montenegro (subvertendo, confesso, o contexto, ali romântico), "... eu sei que sou pra sempre, mas sempre não é todo dia!"
Mas as datas têm esse efeito benfazejo, de derramar sobre nós a oportunidade de dizer coisas que, embora vigentes todo dia, encontrariam no cansaço diário algo a subtrair-lhes a especialidade que lhes é de direito.
Assim, valho-me do ensejo para, mui ternamente, abraçar aquele cara que quis porrar todos os babacas na frente das gurias bonitas do colégio, provavelmente (cheguei a destempo) depois de ter sonhado driblar a todos e golear o outro time, à vista das gurias bonitas do colégio. O cara que quis ter o cabelo mais bonito da turma, sem medir esforços; que descolou uma jacketa branca, embora sem armas e rosas; usou lycra na escola, pintou os olhos, à vista de todas as gurias bonitas da savassi de então, que "pegou" antes de mim (haha! Doador ou precursor?). O cara que criou uma ex namorada comum, que seguiu outro rumo, que sumiu, que desapareceu. O cara que em mais alta conta já me teve, no seu jeito ternoturrão de demonstrá-lo sem dizer muito. O cara que roubou minha melhor amiga mas me deu uma mãe. O cara que come o churrasquinho. O cara de poster do Che mais collorido e incompreensível que já me cruzou o caminho.

Um grande abraço pro cara que.
Um grande abraço pro cara!



"É, ele não esquece mesmo. Mas é um filho da puta esse Gabriel!"








quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fazem sim! 3

Nãããão! Eu AAAAAMo meu marido! Meu marido é minha vida! Se ele me deixasse eu acho que morria. E os meninos?! São loucos com ele. Mas eu gosto de sexo, o que tem? É só sexo...












terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fazem sim! 2

"Ah, eu GOSTO dele, sabe. Ele até que é bonitinho. Ele é gentil, responsável, trabalhador. E ele gosta de mim! E eu gosto muito da família dele. Ele é um pouco ciumento, um pouquinho paranoico; só um pouquinho. Mas ó, ele adora criança! Gosta mesmo! E ele não medo de compromisso..."




Ou, num tom mais irÔnico (e também rola!):

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fazem sim! 1

Ah, you fake just like a woman, yes, you do
You make love just like a woman, yes, you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl.





domingo, 17 de janeiro de 2010

Sétimo dia

Estou na fila das populares Lojas Americanas, corredor algo extenso, com seu convite à preguiça para que convide a desistência. Não! No pain, no gain! I'll gain some pounds! Preciso do chocolate!
Distraio-me com outros que se me oferecem; já fiz minha escolha, não troco. Uau! Aqui tem até Papai Noel de Chocolate; até hoje?!!
Mais adiante no corredor, "tá na caras, tá na capa da revista", "revista especializada em vida de artista". Hebe está enferma. Pede força, segundo me parece, ou calma. Ser "celebridade" é isso, é ter a vida embrulhada de perguntas e exclamações pela curiosidade alheia.
Quando uma enfermidade dessas é anunciada, põem-se os abutres a esperar pelo decesso, o último sucesso do célebre. As homenagens se planejam.
De minha parte sinto é saudades da velha. Minha vó assistia religiosamente à hebdomadária Hebe, e era mesmo como gastava uns quarenta minutos da minha noite de segunda. Duvidosa elegância, um sorriso profissional que às vezes parecia revelar um não tão recôndito "puta merda! Não é possível!" para o que dizia o convidado. Anúncio de produtos cosméticos, que abarrotavam a cesta sustentada por homem com aspecto de mordomo, embora sem luvas ou muitos adereços, que assim se devia sustentar, gozando os estertores da beleza de que um dia (presumia-se) fora portador. Críticas superficiais ao governo federal, elogios à elite paulista e aos seus, alguma defesa do Maluf ou do que ele defendesse.
Lindo de viver!
Acabado, era esperar os sete dias.


D'agora até o ocaso de domingo

Dorme.
Acorda.
Dá-se corda.
Põe corda.
Passa corda.
Tira corda.
Propõem-lhe, discorda.
Lapidam, concorda.
Cor dá a tudo
dá corda, com a corda toda!
Põe-se o sol, não os efeitos
Ei-los feitos:
com a cor da toda!
Toda a cor!
Toda há cor!
Acordo de acordo!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Companheira de categoria, da categoria das companheiras.


"Ô, Rita
Tu sai da jãnela
Dêxa essi moçu passá
Quem num é rica i é bela
Não podi si discuidá
Õ, Rita
Tu sai da jãnela
Qu'as moça dessi lugá
Nem si demóra donzela
Nem si distina a casá"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vida na Zona- Ordi i pogréssu

Janeiro tá foda! Não tem gente aqui! 2010 não tem mais gente aqui. É desdobrar-se, tornar-se nos ausentes, fazer-lhes as vezes. Já vão dar dez horas. Já levo vinte minutos aqui, já passei em revista o funcional. Niguém disse nada depois que saí. Findo o dia finda a energia da moçada. Melhor abrir a porta aos soberanos...



-Podem entrar............................................................................................................................ (passo pra trás do balcão). Bom dia!

-Bom dia, moço! Eu vim justificá meu título. Eu vô fichá, priciso ficá em dias com a Justiça.

-A senhora tem votado?

-Nunca faiei eleição ninhuma.

-Me empresta o título da senhora; vou verificar.

-Pirdi.

-Então me empresta a identidade.

...........................................................................................................

-A senhora tem uma multa referente a 2005.

-2005.......... Ué, mais eu nunca faiô!

-A senhora deve estar esquecendo, mas houve uma consulta popular, sobre a questão do desarmamento.

-Ah, moço! O reverendu do disarmamentu. Tinha di votá?

-Sim, minha senhora; é considerado uma eleição, pra esse efeito.

-E cumé qui faiz?

-A senhora paga uma multa ou, se não tiver condições, pode pedir a dispensa.

-Multa? Pá votá nesses safadu!? Eis que tinha di pagá a genti.

(Eles pagam, minha senhora! E é por isso que isto aqui tá esta merda!)

E quantos que é a multa?

-Três e cinquenta.

-Só isso? Ah, eu pago. Cê vai me dá outro título?

-Só se a senhora transferir seu título pra cá. A senhora vota em Salinas. Só pode fazer a segunda via lá.

-E cumé qui tansferi?

-A senhora tem comprovante de residência no seu nome?

-Tem nu nomi du Carlus.

-E quem é Carlos?

-Meu maridu.

-A senhora é casada?

-Amasiada.

-A senhora tem filhos? Tem a certidão de algum dos meninos?

-Tem.

-Então me empresta, e me empresta o comprovante no nome do Carlos.........................................

.............................................Minha senhora, este comprovante é de janeiro, a Sra. precisa comprovar pelo menos três meses de residência aqui em Sabará.

-Eu num moru em Sabará, moçu, moru nu Fátima.

-Faz parte. A senhora não tem um comprovante de outubro, ou de setembro?

-Mas eu trussi o mais recenti, moço. Num servi?

-Pois é, senhora, este não comprova os três meses.

-Ah, moçu, eu sei qui num é culpa sua, mais é muita democracia! Por isso que esse país num anda!

(Justamente! Esta democracia é uma merda!)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ex orkut

Disse-o ao mundo a professorinha, atribuindo-o a sua vó, uma espécie de aforista, a cuja visão de mundo a educação formal não parece ter faltado:

"PREFIRO SER MULHER; DEVE SER HORRÍVEL TER O CHEFE ENTRE AS PERNAS O TEMPO TODO."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BROWN SUGAR. - "Por pura falta de opção, púrpura é a cor do coração"

Chamava-se Nilda, e era o braço direito da minha mãe. Mais que isso; era-lhe o braço forte, que mamãe, muito forte no mais, tinha-o algo fraco. Viera-nos de Texas Jungle, como carinhosamente chamávamos a inóspita e árida terra em que minha mãe tivera a infelicidade de nascer, cidade perdida, em que Judas feriu seu frágil pé nu, milhas depois de perder as meias, que perdera milhas depois de "desbotado". E é mesmo cidade desbotada de que, não obstante, tenho nem tão desbotadas lembranças carnavalescas.
Mas falo de Nilda.
Era 1987, e não creio que se possa dizer com justiça que eu já tivesse acesso a aulas de História, ou ao que quer que se pudesse somar aos esforços maternos, pálidos diante do que se nos inoculava vindo de tantos tão tontos circunstantes "exógenos", a que as irresistíveis jornadas laborais parentais nos expunham sem tréguas.
Na primeira série, era-nos dado levar da escola pra casa, na sexta-feira, um livro baseado no qual, vinda nova sucessão de dias de feira, botaríamos banca artística, com os desenhos que dos livros e de nossas inimagináveis imaginações extraíssemos. Li o "O menino marrom", e não sei de que se tratava, não me lembra, como não me lembra de que ordem foram minhas reflexões, e que "culpa" teve nisso o livro.
O pai de Nilda parecia-se com o Pelé. O pai de Nilda era sósia do Pelé! Nilda, apesar de ter a pele bem menos escura que a do pai, era dos que traziam vertidos em traços de fisionomia a nossa parcial ascendência africana. Ainda eu vinha muito distante de libertar-me do que me vinha das circunstâncias acima descritas que, verdade se reitere, não me vinham domésticas.
Nilda cortava batatas na cozinha, com suas grossas canelas terminadas em chinelas havainas brancas, só azuis na sola, nas bordas, e nos arcos de borracha que as atavam aos pés. Acerquei-me e, em tom carinhoso, disse-lhe: Nildinha, você é marrom! Em desconcertante, imprevista, enérgica e (retrospectivamente) justificável reação, aclarou-me: Não, Gabriel!! Ieu sou é preta! Cara de susto: Não, Nildinha! VOCÊ é marrom! Claro que aquela sua decidida e altiva marcha na escala cromática fez-me ainda mais claro, embora nada me tivesse ficado mais claro. Claro, fiquei ainda mais alvo, alvejado pela recalcitrância de quem, na minha pueril maculada lógica, desdenhava meu afago condescendente.
Passou 87, passou 97, passou 2007. Não passou 2017, mas passei a ver que a minha condescendência era obsoleta diante de nossa "co-descendência".
No Brasil grassa um racismo sem graça, sem jeito, "delicado". Delicadamente: às favas!



domingo, 10 de janeiro de 2010

Misogamofilia? McPorra é essa? - Happily EVEN after...





Não sei, mas me parece que Sun Tzu, Napoleão, e (por que não?) Duque de Caxias e o Capitão Nascimento dar-me-iam razão: seja para vencer o inimigo, para fugir-lhe à fúria, ou para juntar-se-lhe, convém conhecê-lo. Assim que minha nova e muito amiga convocou-me a ser-lhe o palpiteiro nupcial.

Cara, eu até sirvo pra coisa! Até música de entrada do noivo eu tenho; bota fé? Caramba!
E por falar em músicas de entrada e saída, é nisso que reside o caso de interesse nesse contexto de boda que sempre me boda um pouco.
O Joãozim escolheu música de Bach! Well done, fellow!
A moça, entre outras, escolheu, pra soar na saída*, a “Aleluia!” Isso! Aquela mesma eternamente explorada em contextos cômicos!
Disse-me, em surpresa que muito me surpreendeu, que suas amigas (as mais novas e já casadas, claro!) mangaram dela, dizendo-lhe que todos achariam que estaria dando graças ao senhor por ter “finalmente desencalhado”! Nada mais justo! Disse-lhe que a peça era, com efeito, muito bonita, mas que seus antecipados efeitos eram inevitáveis.
Last but not least (even better, in fact), ela consultou o Joãozim sobre sua escolha musical e ele prestou-lhe muito gentil adesão! Ora! Francamente!
Fosse um caso de uma guria bonita (não entrarei em pormenores pela iminência da alteração de seu estado civil), inteligente, simpática, sorridente, enérgica e até bem-remunerada e estável gritar públicas aleluias por estar-se unindo a mim, até eu juntava-me ao coro e fazia-me destacado plenos pulmões gospel!
Todos lhe querem os sapatos, Joãzim, amarre-se-os à kichute!
Oremos:
“É preciso fé cega
E pé atrás
Olho vivo, faro fino
E tanto faz
É preciso saber de tudo
E não pensar em nada
Fé cega, e pé atrás!”
*Saída da igreja, no dia da boda. Não sejam maldosos!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FOI-SE





















Hoje assisti à "Lula - o filho do Brasil", do Barreto. Olha, é algo como uma novela delicada. Gostei, e confesso que cheguei a emocionar-me. Em minha defesa, digo que discreta e imperceptível lágrima escapou-me na cena em que sepulta a mãe. Coisa de órfão.

E por falar em órfão, sou também um órfão da utopia. Não há negar, foi-se! Já o Lula, antes mesmo de ser cooptado para o movimento sindical pelo seu irmão, a tomar-se por base o filme, não acreditava no comunismo, nem em suas presumidas etapas inevitáveis.

Há uma cena do filme em que alguém, não lembro se o Lula, o irmão ou outrem, aponta para o fato de que os dirigentes do movimento sindical não eram como eles, verdadeiros trabalhadores, mas eram "cria de escritório". Senti-me tolo. Como já disse em post pretérito, fui sempre um simpatizante do que normalmente se entende por "esquerda", com simpatia pro labore. Não é à toa que, para horror dos amigos empresários (olha só! eu os tenho!) a única posição de "autoridade jurídica" que tentei foi a de Procurador do Trabalho.



Senti-me tolo porque, se os "crias de escritório" estavam desautorizados, imagine os "crias de sala de aula", os que foram ao mundo em imersões de bibliofilia! Lembra-me meu pai a bradar coisas que me incutiam tais ideias, além, como também já dito, das sedutoras preleções das professoras de história, sempre muito convincentes, e munidas de "fatos" e coisas tais. Mas meu pai estava autorizado? Porque seu pai era estivador e sua mãe vendia manteiga porta-a-porta? Pois é! Mas e eu?: inglês, espanhol, francês, natação, futebol, violão... Bizarro, né?


Bom, não sei! A ideia é boa! Mas estamos todos muito agarrados ao "legitimamente nosso", né? Todos guardados com Deus contando os metais. Estaremos um dia prontos a partilhar?


Não sei. Não sei mesmo. Quem canta seus males espanta? Vou Polianar:

"Na zona sul existe um rio
nesse rio mergulha o sol
e arde fins de tarde
de luz vermelha
de dor vermelha
vermelho anil!"


É! Tudo azul no Brasil! Ao som do mar e à luz do céu profundo!

Ah, berço esplêndido!



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Desaspeáveis aspas da aflição 3

"Foda-se, pensou o analista aterrado, inalando o perfume semelhante a gás de guerra de 14 que se soltava em rolos letais da nuca da mulher, o que faria eu se estivesse no meu lugar?"

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cabelos longos não usa mais...


Há uma fraternidade hirsuta no mundo: Os cabeludos são todos irmãos! Nos não poucos anos em que ostentei vasta cabeleira, não me era raro ouvir comentários do tipo: "Você é a cara do namorado da minha prima!" ou"Cara, voce é igualzinho ao meu vizinho do 804!". Para não ter o trabalho de trazer à colação fotos de tipos tão remotamente passados e de mim desvinculados, dou exemplos "célebres": certa vez um taxista saudosista dos anos floridos e ácidos chamou-me Janis Joplin. Fora as comparações sempre renovadas a figuras cuja lembrança era trazida tona por algum adereço que eu portasse, como a com o Humberto Gessinger, o Dave Mustaine, ou qualquer outro cabeludo! Qualquer um!!!



Mas este post não é sobre cabelo, "cabelos longos não usa mais". Outro dia mesmo, enquanto eu, por puro tédio e medo de raspar a cabeça, e mais dado como sempre fui a mudanças paulatinas do que às drásticas, ensaiava um recabeludar-me, minha interlocutora, que via passar um seu ex-namorado balzaco e cabeludo disse: "Á lá que ridículo! Trinta anos e criando cabelo!" Hahah! Foi foda!


MAs o lance hoje foi o seguinte: estou plantonista solitário na serventia. Solitário da classe, que os cidadãos abundaram muito! Muitos, muito adequados ao espírito, com insuperável cara de bunda, até! Enfim... Mas estava eu lá bem pensando: "Cara, só pego o plantão de janeiro agora se perder algum sorteio!!!", e eis que me vem o bom gaúcho, diretamente do meu som, onde rolava o ZE 241's hits. CAra, tantos anos de dedicação à causa hawaiiana e o cara vem me zoar na maior: "Somos um exército, o exército de um homem só! No difícil exercício de viver em paz!" Paz!!!!??? Não sirva à Pátria nas trincheiras, meu irmão! Vem servir na serventia! Verás! Ah, verás!


Mas não ouso reclamar! De julho em diante sei que janeiro será doce lembrança e que, com o aumento irresistível da carga horária, que nos enclausurará a todos em um Big Brother da lei, quererei de volta minha solidão!!!


Já vou ensaiar:


"Se você sofresse tanto quanto eu sofro com a solidão,
e precisasse tanto quanto eu preciso da solidão
não me pediria pra repetir
revoltas banais das quais já me arrependi..."

E grito de julhoemvante: Já me arrependi! Já me arrependi!





segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

BEFORE SUNRISE

"When you play with fire
Sometimes you get burned
It happens when you take a chance or two
But time is never wasted
When you’ve lived and learned
And in time it all comes back to you…

And when I got weary
I’d sit a while and rest
Memories invading my mind
All those things I’d treasured
The ones I’d loved the best
Were the things that I’d left behind…

Old familiar faces..."



"...de outros carnavais, com outras fantasias...
...parecia que era minha aquela solidão...
no início era um precipício, um corpo que caía
depois virou um vício (foi tão difícil)
acordar no outro dia..."

domingo, 3 de janeiro de 2010

Cinefilia frasal

-Mr. Rick, what kind of a man is Monsieur Renault?

-Just like any other man, only more so...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Aspas à laia de leão.

Vou-me valer desta virtualidade para exibir o que me veio em outra, e que me rendeu um muito grato momento. Amiga antiga, quase uma "não praticante", se considerado que não o é fisicamente há sabe Deus quantos anos. Enfim...

Ela - mas puxa, vc escreve bem! Escreve um livro!

Eu - Haha, mas são vaguezas inorganizáveis em torno de um eixo.


Moça, como sei que você verá isto, gostaria de aditar e, melhorando um pouco meu lado, dizer que são "profundidades vagas inorganizáveis em torno de um eixo". "Deep like dirt water!", ou, na expressão inesquecível de Cecília: "É tão claro! E turva tudo!"
Vou-me embora catando o produto da pena de um colega astral:
EU sou um LEÃO de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas....
...por mais distante
o errante navegante
quem jamais
se esqueceria...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CHAT ROCK - "...amava os Beatles e os Rolling Stones





























1962 - Mick Jagge entra na sala










1985- Humberto Gessinger entra na sala




2009 - Humberto diz para Mick - Me diga, garoto (????!!!!), será a estrada uma prisão?


2009 - Mick diz para Humberto - Eu (já há muito) acho que sim, você (ainda) finge que não!


Humberto Canta: "...mas não precisamos saber pra onde vamos, nós so precisamos ir"

Mick Canta: "Childhood living is easy to do...."




Humberto Canta: "...Adrenalina é uma menina dormindo, dançando em silêncio, imaginando um reggae. Cansei de alimentar os motores, agora quero freios e air bag.



Mick Canta: "...who could hang a name on you? When you change with every new day, still I'm gonna miss you!"

Só agora Caio em mim

Dei-me contas. Dei-me as contas. E dei-me conta de que você não tem que. A vida não é quando.

2010!!!! Blowin in the wind...

Foi! Não fui! Foi isso mesmo! Nada se me apresentou. Tinha um programa aspeadamente fraterno, coisa doméstica, pra poucos e bons, mas não deu rock. Deixei-me ficar. Foi-se o tempo em que havia aquele desespero tão grande nessa passagem, que se podia entregar o cara a programas de índio inacreditáveis, em que se pagava uma fortuna sem direito a nada, apenas para não ser etiquetado como o "loser que não se arranjou".
Já dizia a comu orkutiana: going out is overrated! E, quando o programa era tal que o sorriso só saía pra foto, era também over hated! Hated over and over and over!
Deixei-me ficar, em programa essencial e desaspeadamente fraterno. Só a família, a que me tocou por sorte e a que por sorte me tocou escolher: show do bom gaúcho na tevê, inédito pra mim (Obrigado Carol!!!!!!), Paula aqui manejando o fogão sob minha expectativa muito atenta, e a kédma online, minha fiel leitora manauara!
Eis 2010, ouço-lhe as primeiras e ruidosas celebrações. Não as vejo, mas as tenho intestinas, trago-as dentro, pois trago-as pra dentro! Trague-as! Trague-as!É ano de voo livre!Bem-vindos, meus bons!
A vocês o já há pouco dedicado: Que lhes venha pejado do bom! Que ratifique o bom, retifique o mau, e bá! Que muitos muito bons ventos lhes soprem as velas, que suas naus não deparem procelas, now nor never! E que seja “navegar o mar da tranquilidade”, mas não o da tranquilidadentrega, mas o da tranquilidade de darem-se ao passo que melhor os leve leves! Lá! Lá onde só vocês sabem!
I'll be two steps behind!