terça-feira, 19 de setembro de 2017

BUSCA (Perdão)

Busca,
brusca,
minhas mãos.

Uma reconhece sua falta,
outra lhe outorga o perdão.
É quando estou mais liberto:
o perdão que ofereço está dado
(não precisa pedir acesso).


O perdão é um dom resplandescente,
nos eleva à condição
supra-animal de gente.

Fora do perdão, a guerra.
Aquém do perdão, a vingança.
O perdão não exercido
é o algoz da esperança.

Tenha plena certeza:
ninguém nasce sabendo.
Apenas mais acostumado
com o que vinha aprendendo.

Não há inferiores,
não existe não ter salvação.
Qualquer planta, nutrida e regada
conhecerá floração.

Gente é tudo semente de anjo,
até o mais extraviado.
Quanto mais amor mais anjos,
menos anjos se mais penalizados.

Então deixe de sentir-se o eleito,
toda água brotou na fonte.
Só juntos seremos perfeitos,
nos deixe beijar-lhe a fronte.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ESCREVE!

Ainda se ninguém lê Poesia, escreve-a sem entrave. Sempre vale, se devolve burilado ao mundo o que do mundo te invade.


"Permita que o Amo invada sua 'casa-coração''

DESENHO HUMANO (Projetor)

Não venci na vida,
essa postura envaidecida
é coisa de quem não entendeu.

Vivo pelo seu triunfo,
e essa força me anima.
A vitória que me rege
vai de pequena a imensa.
Resplandece quando quer,
só existe se está propensa.

Depois que me libertei
as algemas se proibiram.
Derretem-se já no limiar.
A melhor gema, está claro,
é pedra cristalina e solar.

Florir-se, girassol,
nada sob a candeia.
Nada atirado ao irmão
(quem ama não incendia!)


Mas estar incandescente,
num mundo carente de Luz,
é uma postura fraterna,
que aprovaria Jesus.

Não existe pena de vida,
Vida vale a pena!
Entende-o quem perdoa,
perde-se quem condena.

Dias concatenados,
com o intervalo da noite,
que é descanso e não ocaso
(que o espirito não se alvoroce!)


A Alvorada está plantada
desde tempos imemoriais.
Confie mesmo na madrugada,
e a madrugada já ficou pra trás.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

NEM AVENTURADOS


  1. Um abraço forte e apiedado 
  2. a você,  do outro lado, 
  3. tomando café ruim requentado, 
  4. depois de ter-se justificado
  5. com o boato,  disparatado, 
  6. de que falta pó no mercado.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

SUPÉRSTITE

Você é um tipo forte.
Sobreviverá até à própria morte.

AUTOAJUDA DA INDEPENDÊNCIA

O espaço cheio de inconveniências
ocupa o espaço da oportunidade.

Alije-as,
antes que seja tarde.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CAPITÃ RODRIGUES (Monodiálogo)

Para Amanda Rodrigues

Eu te participo que és muito minha
e me dizes que não,
que de ninguém.

Te digo que é uma amplidão,
bela e que não te retém.

És minha num sentido
em que poderias ser de quantos fosse,
sem deixar minimamente de ser tua.

É como uma medida de abrangência afetiva,
de que te quero muito bem e toda,
pouco importando teus arrufos e esquisitices,
ou os importando para os desmembrar,

para estar-me todo teu bom humor,
que mal aflora e se 'desatreve'.
O que me dá a delícia
disso que não sei se é timidez ou malícia.

Vou sendo só eu o mate
fumegante na escuridão,
até o dia em que me arremates
sem nem ter sabido do leilão.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

HÁ VERSO

Há poesia no meu verso
ou, ao inverso, 
averso em minha poesia?

domingo, 27 de agosto de 2017

ANOITECEU EM POA

Porto Alegre ferve
na noite suave.
Porto Alegre ferve
sem saber que me arde.

Nem cabelos castanhos,
nem sinal de nada.
Porto Alegre me ferve
na noite vaga.

Paralelas que se cruzam
em Belém do Pará.
Paralelas que se cruzam
sem levar-me pra lá.

Das capitais distantes
PoA é a de que estou mais perto.
É a deles mais minha,
porque Haurida de um berto.

Sob a propaganda do refrigerante
a juventude se grava.
A juventude é longeva,
mas não envelhece nem tarda.

Ao palco, num reencontro,
a confraria dos magos.
Sempre pode ser feito
o que pode ser sonhado.

Somos os verdadeiros gigantes
de que se faz a Terra.
Apaixonados pelo erro
que sabe que não se erra.

AS chaves estão perdidas,
mas põem fim ao cativeiro.
As chaves estão fornecidas
sob a bem soado desvelo.

E Porto Alegre lança luz
sobre o filho de que é plataforma.
De onde se lança aos atentos
todo tipo de aurora.

Já tanto se disse,
que cada um escolhe o mote.
eu, por falta de escolha,
sou livre pra ser Dom Quixote.

Lanço-me o da esperança.
Lanço-me de lança em punho.
Só falta o seu simples coração
para salvarmos o mundo.

Porto Alegre, foi tão rápido!,
mas não levo vazias as mãos.
Levo o por do sol e o poeta,
e até outra ocasião!


*Escrito no PepsiOnstage, em Porto Alegre, no dia 19/8/2017, durante a gravação do DVD Desdaquele dia, de Humberto Gessinger, em comemoração aos 30 anos do aclamado disco "A Revolta dos Dândis", dos Engenheiros do Hawaii, banda que capitaneou de 1986 a 2009.

Músicas diretamente referidas:

Longe Demais das Capitais (1986)
Anoiteceu em PoA (1990)
Parabólica (1992)
Terra de Gigantes (1987)
3 x 4 (1999)
Dom Quixote (2003)
Simples de Coração (1995)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

VIVO!

Colaborou Beatrice Mantovane

Saudosos são os mortos!
Eu estou é vivo!
O que há?!
Não vá a moça me dizer
que a distância vai-nos separar.

A distância é o que percorro,
tenho praticado o mister.
De aviões e estradas me socorro
se a moça me quiser.

Suas terras são distantes,
mas não oferecem perigo.
São o que o Brasil já era antes,
e há vidas que eu consigo

deslocar-me imperturbado
pelas vias até o amor.
E é muito mais fácil de carro
do que disfarçado de santo no andor.

Não me afasta o Sol,
não me arreda a chuva.
E nem se não as alcanço
faço que me desfaço das uvas.

Eu quero é que me desfrute,
tenho bem mais sabor do que imagina.
Eu quero é que Deus nos ajude,
ou vou à moça ou vem ela a Minas.


Porto Alegre, 19/8/2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

MANAUS (Sô-Baré)

Para Kédma Magalhães, Lorena Costa, Beatriz Barbosa e Isadora Liberato.

"Manauara...",
tá na cara!
Onde um gentílico mais gentil?

O que se aplica a uma gente quente,
como a terra em que se movimenta.
Orgulhosa de tudo que tem
e longe de modorrenta!

Paricatubas,
Anavilhanas.
Tantos nomes
no Amazonas!

423.
712.
E eu com esses números?
Deslumbro!

Rios imiscíveis,
mas que só andam juntos.
A solução pra humanidade
(Eu presumo!)

Larguem Paris de lado,
não tem nada a ver!
Paris, fresca e distante,
não sabe nada de vocês...

(Aliás, pouco sabe o Brasil,
mas precisa aprender).

Um estado gigantesco,
de cidades espalhadas.
Tanto rio caudaloso,
quem precisa de estradas?

Peixes de a gente se babar,
e nunca atingir a fartura.
Peixes de já nada esperar
dos peixes de parte alguma!

Pirarucu, Matrinxã,
Tambaqui, Tucunaré.
E sucos de tantas frutas,
dos mais variados pés.

Um teatro faustoso,
nascido da soberba,
mas hoje entregue ao povo,
sua real realeza.

Milhões de habitantes,
e a praça é de cidadezinha.
Tranquilidade nos bancos,
mas esperteza nas esquinas!

Tão afastada embora,
é ainda Brasil.
A mesma chaga que chora
o povo do azul anil.

Uma bela e grande arena
pra um futebol que ninguém viu.
Melhor o feito com o capricho
que um e outro boi garantiu.

Das terras do Cruzeiro do Sul
é a mais profunda que conheci.
E foi tão boa a acolhida
que me sinto Baré, daqui.

Ramos Ferreira,
entre Tapajós e Getúlio Vargas.
Dito o endereço
até sinto-me em casa.

Manaus, minha nau é boa
e irá sempre aportar
nas terras do Amazonas,
quando me convidar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

AQUI,

Paris nunca me viu,
nas vezes em que estive ali.

No Santa Inês,
toda manhã,
os bem-te-vis cantam pra mim.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

MEIO DO NADA

Para Beatrice

Fui-lhe positivo,
disse-lhe que sim.
Refutou-me em sua fé na descrença.
Disse que o futuro não era nossa pertença,
mas divina.

eu lhe disse "Menina,
quer ter a certeza de não chegar
é só não se por em marcha!"

Pareceu-me atônita,
como quem já não sabe o que acha.

A pessoa tem, muita vez,
uma capacidade de fé,
mas não sabe o que lhe faça.

(Às vezes não mais que pirraça...)

O meu sinal de fumaça diz "Sim!",
e minha fé é imbuir-me de propósito.

Já quanto ao equinócio...

segunda-feira, 24 de julho de 2017

TRIUNFE (Luísa)

com Clarice

Ele não está, Luísa!
É inútil essa busca.
Seus timbres,
seus papéis timbrados.

Tudo está anulado!
Foi-se!

Foi buscar outro espaço,
foi ambientar-se.
Retirou sua ausência,
já antes tão presente.

Luísa, se contente!
Ouça o jardim lá fora.
O mundo é todo seu
e excede esta sala.

Luísa, 
o mundo não se compara!
Viver não tem paralelo!

Luísa,
um Jorge não vale!
Não vale um Marcelo.
Um Túlio tolo, Ladislau, 
nada Luísa!

Nada será igual!

Luísa, não procure agora!
Luísa, ele não está lá!
Ache-se, Luísa!
Luísa, você é que está!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

SÓ EM JOÃO PESSOA

Na maior parte do tempo
estou só em João Pessoa.
E bem por estar só.
É uma conquista!
Foi trazer para o litoral
minha solidão esquisita.
A mesma que já passeara por São Paulo.

Mas São Paulo,
sempre grande e outra,
já era um pouco conhecida.

Minha solidão é entrecortada
por alguma companhia.
De vão em vão me vêm à mão
meus amigos da Paraíba.
Os que só aqui encontrei
e os que já entretinha.

É um amor.
São amores!
Como disse um guru,
sorrirei de cada dia em que despertar.
É um renovado privilégio
o de se melhorar.

Na maior parte do tempo
estou só em João Pessoa.
Mas quando estou mais só
é quando fito o mar.

Imenso, cálido, convidativo,
recebe-me com sinceridade,
mas fica claro que não posso ficar.
Não sem arranjos:
nadadeiras, barbatanas.

O mesmo para João Pessoa:
recebe-me, afaga-me,
mas me mostra o caminho para o Castro Pinto.

Ela tem os paraibanos,
tem os pernambucanos incorporados.
E o mar tem sempre o céu bem junto.

Na maior parte do tempo
estou só em João Pessoa.
Mas quando estou mais só
é quando avisto um casal,
num pedaço só deles de mar.

Abraçados, molhados,
ela dando pinta de que sem ele iria afogar-se,
mesmo se ali dá pé.

Eu quero apenas dar pé,
dar pé antes de partir.
Emprestar ao humano, 
aos homens,
toda esta minha fé.

Haverei de amar tão só
quanto como em João Pessoa. 


João Pessoa, 27/5/2017.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

LIMA (Candeia)

Existe um belo,
mais belo que um verso,
que diz que uma vela acesa
acende outras mil sem se apagar.

Não se envergonhe de se escorar,
um pouco, em quem está bem.
Não há mal algum nisso!

(Talvez estejamos até
saldando algum compromisso!)

Tudo que nos foi dado,
foi-nos dado por empréstimo,
e tudo em atenção aos outros.
Se o seguirmos, está dito,
o mais nos virá por acréscimo.

Toda fortuna,
o dinheiro ou a alegria,
é destinada a seu irmão.
Esta é uma escola de fraternidade,
não há outra destinação.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

CABO BRANCO (Mar e Amar)

Vou lembrá-los,
antes que o tempo me acabe,
de que mar e amar
são milagres!

Ambos são a verdade,
e são ambos imensos.
Ambos serenidade,
em ambos às vezes tormento.

Ambos nos ensinam, 
portanto,
que é preciso ter confiança.
Ambos revelam em nós
o nobre dom da esperança.

Estão ambos sempre vivos,
ambos nos atingem.
E quando nos acostumamos
nenhum deles nos aflige.

Penso que em tanta alma
está a assinatura de Deus.
Porque há um encanto dado
que nunca se prometeu.


João Pessoa, 24/5/2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

SORRI, PEQUENA!

Para a triunfante Letícia M. Pizato
 
Distraiu-se o anjo,
ficou enferma a pequena.
Sempre um susto pros pais
(só um pai sabe o que pena...)

Correm médicos com exames,
testam a medicação.
E a pequena nem se dá conta
de tamanha comoção.

Desconhece perigos,
ela é toda coragem.
Basta ver mamãe ou papai
e se instaura a tranquilidade.

É uma pequena Alegria,
que guarda alegria imensa.
Eu, quando vi que sorria,
vi que a felicidade compensa.

Sorri sem freio, pequena!
O caminho é longo e as alegrias, muitas.
Confia que as mãos que a seguram
são as mãos dos seus velhos juntas.

Sorri à larga, pequena!
Que todo sorriso é um lume.
Faz, sem ver, favor ao mundo
e com que seus velhos se aprumem.

Sorri confiante, pequena!
Que o sorriso é o anúncio da vitória.
E desconfio que seja uma dica
para se compreender a Glória.

Sorri, pequena!

terça-feira, 20 de junho de 2017

EM JOÃO PESSOA

A noite cai, 
o sol se levanta,
e eu rio!

Eu, rio,
corro para o mar!

O mar é quente.
O mar é qual gente:
tudo questão de saber entrar.

Que defendam que mar é tudo igual,
vai-lhes doer.
O certo é doar-se.

Nesta quarta-feira
o verde quer ser azul,
elevar-se!

O azul quer ser verde,
aprofundar-se,
eternizar-se em marulhos.

As nuvens envolvem o horizonte
de fora a fora,
tarde adentro.
São um convite para a maciez
sabidamente salgada da espuma.

É uma dica para quem a recolha:
os matizes são mais delicados
do que os veem os ditados.
Eu já disse:
E quem gosta de ditados?!

A tarde é toda uma liberdade
e, do meu jeito próprio mas já tão divulgado
amo João Pessoa!

E não nego nada,
ainda que à tarde e sem testemunhas.
João Pessoa só tem uma!,
até que eu lhe volte.

Anote:
Até que eu lhe volte!

João Pessoa, 24/5/2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

SCRIPTOR

Quem escreve por necessidade
mas logo toma gosto
é tomado pelo medo de que a palavra lhe falte.

Medo de que nada o arrebate,
ou de que não lhe saiba dar expressão,
perdendo a chance do alívio.

O verso
(e também outras linhas)

é como um grito.
Dá eco à alegria,
dá fim a conflitos,
desvenda segredos,
ilumina a essência.
Protege do vazio
e nos alça à consciência.

E a consciência é um exercício.
Parece-me que seja algo que se pratique,
não algo que se seja.
Algo que desperta
mas às vezes boceja.

E se o sono é,
de certa forma e como já o disse,
uma morte interina,
a consciência  não resiste
ao que assim a elimina.

Mas se a morte é um transporte
o sono desdobra-se numa espécie de sorte,
numa forma de aprofundamento.
Ele é uma eternidade de diferente dimensão.

Cerram-se dois olhos
ou apenas olham para dentro,
como dizia o vovô Major.
Eu nem sei se se dava conta
da extensão do que dizia.

Dois olhos em compromisso
de olhar pra dentro,
e um terceiro, na testa,
bem aberto!

Abro-me pro manifesto:
nada termina onde tudo começa!


(CNF-JPA, 20/5/2017)
 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

À MULHER

Para a semana das mães/2017, do TRE-MG


A mulher não é da costela.
A mulher não é só do frevo.
Há mais razões na mulher
que qualquer razão que eu concebo.

Foi preciso uma mulher
pra que eu viesse a ser homem.
E também devo à mulher
se me chamam por meu nome.

Diziam que o feminino era o coração,
como se o coração fosse miragem.
Mas esqueceram que o coração
é o próprio centro da coragem.

O filósofo disse,
e disse como coisa patente,
que o homem nasce livre
e por toda parte depara correntes.

Esse "homem" é o ser humano,
pois foi sempre o mesmo com a mulher:
Assim que nasceu, forte e livre,
viu atarem-se-lhe os pés.

Impôs-se a força bruta,
a vantagem corporal.
A um ponto de ser impuro
estupro de sua moral.

Mas o forte nunca é vencido.
A coragem não se derruba.
E onde houve pilhagem
não tardou nascer a luta.

Mulheres feitas mulheres.
Mulheres de sua seita.
Mulheres indignadas,
e não apenas contrafeitas.

Mulheres desejosas
de assinarem seu contributo.
E de superarem a indecorosa
posição de apenas tributo.

Porque tudo que pode "o homem",
pode-o o ser humano.
Também pode, portanto, a mulher,
haurida do mesmo plano.

E se há (e há!) diferenças,
elas nos fazem complementares.
As cooperações e concertos
são medidas salutares.

Mulher, seu nome é luta!
Mulher, não se aflija!
A todo tempo a labuta
transmuta-se em conquista.

Toda força à mulher!
Toda força ao gênero humano!
Da hora de subir
até a hora de cair o pano!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

NERUDO

Viver é fácil:
Você começa com um choro agoniado
e termina com um sorriso suspirado
se deu-se conta,
no itinerário, 
que era de amor o tratado.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CABO BRANCO

Vou lembrá-los,
antes que o tempo me acabe,
de que mar e amar
são milagres.

terça-feira, 16 de maio de 2017

D'UM

Dispenso elites
e grupos seletos.
Quero ver gente mesmo!
(e de perto!)


Não sou favorito,
não sou o predileto,
mas sou seu amigo
dileto!

Não nos cingem louros,
não nos cercam muros.
(A luz só se nota

no escuro!)

Esqueça o janota,
é sempre obtuso!
E o esquema de castas,
confuso!

Seja sua lei.
Seja suas regras.
É tão vasto o mundo!,
e tão fortes suas pernas!

Perlustre-se e
se arquitete!
Esqueça o ilustre
perliquitete.

Apascente-se.
Aquiete-se.
Conheça-se 
e o mais

se esquece!

sábado, 13 de maio de 2017

CAETANO



Meu querido Caetano,
ouvia "O Quereres" no trânsito.
Vim pensando pro trabalho que
"Eu sou mesmo muito grato
por ser-lhe contemporâneo!"

Mesmo se apenas pela franja da encosta.
Mesmo se não por todo o meu tempo.
Meu tempo, senhor tão bonito!,
também é tempo que se esgota.

Não sou anjo.
Não sou mulher.
Não sou alegre, triste, poeta.
Mas em você sou o que eu quiser.
Pouco me importa ou afeta
o podre poder dos homens
que não nem são tão homens assim.

Caetano insano tão lúcido,
vejo disso o fruto em mim.
Faço o luto da lucidez
que não for fermento mas fim.

Caetano, te vejo o garbo
perigoso de ser leonino.
E o pratico com o cuidado
que em Santo Amaro aprendi menino.

Eu gosto do mesmo preto que você,
porque gostamos dos pretos todos!
São todos baianos, todos africanos,
todos as cores todas do humano!

Não há lobo que te fira,
nem se grande, nem se pequeno.
Caetano, você é do meu sangue.
Não se importe com os venenos!

Tão bom filho!
Tão bom irmão!
Reconvexo, recôncavo,
amor do tipo Vulcão. 

Caetano se nos ilumina,
e às moças, moços, poetas.
Alegria, Alegria, Alegria!
Caetano é a alma da festa!

Caetano viu o Carnaval,
deu seu aval ao bem.
Bem embalado, ladeira abaixo,
chuva, suor e cerveja também.

É cantar o sol que desce.
É cantar a lua que sobe.
E cantar o povo humilde,
canto do canto mais nobre.

Consagrar esquinas à eternidade,
louvar a beleza da mulher.
Apreciar também o surfista,
que toda onda tem seu revés. 

Caetano, eu nem tempo tenho
pra cantar o que você é,
mas aceite os beijos e abraços
deste que tão bem te quer!

Infinitivamente pessoal!




https://www.youtube.com/watch?v=h5ruY3Dt10c

sexta-feira, 5 de maio de 2017

TÂMARA

Aos mistérios...


Efêmera tâmara,
câmara do meu prazer.
Fugaz cintilação,
indelével permanecer.

Fui a terras longínquas
para tropeçar em você.
Encurtou a noite escura,
pra sempre prestes a amanhecer.

Tâmara!
é a flâmula do meu bem querer,
que desconhece tempo e espaço,
tudo no encalço de te conhecer.

Sinto uma alegria funda,
que contamina a superfície.
Tâmara, eu sei que você existe!
Só não tem nome,

como em Clarice!...

domingo, 30 de abril de 2017

BEL PRAZER

Belchior, meu Nietzsche, descansa em paz!
"Eu não tô interessado em NENHUMA teoria. Amar e mudar as coisas me interessa mais".

D'ONTEM D'AMANHÃ

Ó distante delivramento,
traz-nos nosso rebento!
A vida pode ser dura,

mas menos se em contentamento.

Esse futuro tão claro
terá anos de dependência.
Mas nos vem do passado,
iluminado em sapiência.

Alguma coisa escondida
no mais recôndito de mim
diz-me que vem em concurso,
pra que então eu entenda meu fim.

"A que estou destinado?",
dedico-lhe meditação.
Mas talvez só o enviado
saiba ver-me o coração.

Descenderá de mim,
que sou seu descendente.
É uma espiral complicada
(verdadeiro novelo de gente!...)


"O menino é pai do homem",
disse um dia o Sabino.
Quis dar-lhe outras cores,
e dou-lhe o mistério do destino.

Então até ontem!,
vou aproveitar a manhã.
Dedicar parte do presente
a me lembrar do amanhã.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

GRATO

Obrigado, Pai!
Por ter posto
em minha vida as pessoas certas!

(As certas certas
 e as certas erradas.)


Obrigado ela limonada,
e por poder ser adoçada.
Obrigado por ter tido tempo
de saber o que é um rancho.

Obrigado por ser este
que de tudo me encanto!

Obrigado por meu canto solto
desde meu canto que não me prende.
Obrigado por ser este ser,
eterno no que aprende.

Obrigado pelo sorriso,
e por poder distribuí-lo
sem que me alcance o juízo.

Obrigado pelo escorpião
que vê pessoas e ambientes.
Obrigado pelo aquário
de se nadar racionalmente.

Obrigado pelo Leão e o garbo
de um imenso coração.
Obrigado por ser obrigado
a perseguir a evolução.

Obrigado por tanta estrela,
tanto mar, tanto sotaque!
Obrigado até pelo que sou
sendo-o apenas de araque!

Obrigado pela música,
e por ser, de tudo,
o mais puro que se escuta!

Obrigado por ser viajante,
e por ser viajor.
Obrigado pelos anjos
me acompanharem em meu andor.

Obrigado por saber amar
mesmo onde o amor não chova.
Obrigado por me espalhar,
hoje sem que eu me exploda.

Obrigado por ser grato!,
grata surpresa da experiência.
Obrigado por ter despertado
para que nem tudo pode a ciência.

Obrigado por meu corpo
ter descoberto a tempo o espírito.
Obrigado! Obrigado!
"Obrigado!" para sempre eu repito!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

C'ALMA

Namoros nunca os tive longos,
talvez justo porque intensos.
A água animada de vida passa,
a parada é repousado momento.

É como já ouvi dito,
perigosamente, sobre os roqueiros:
que "não vivem pouco mas rápido",
que escorrem sem qualquer bloqueio.

Não faço defesa da fúria
que lhe pode custar a vida.
Escolha bem a tertúlia,
a modalidade da alegria.

Tendo chegado intacto
a esta minha sobrevida,
recomendo algum recato,
o recato da calma bem-vinda.

Todo trajeto é ensino,
a senda é toda lição.
Mas consciência não é improviso,
é lenta dilatação.

Então faça por viver muito,
para ser de si o melhor.
Porque romantizar o tumulto
é coisa de fazer dó.

terça-feira, 4 de abril de 2017

ESCOLHO E COLHO

Já não quero o que me faltava.
Já não acho o que procurava.
O que procurava morri.
O que sobrevivo sorri.

Estou sequioso de poder.
Nada sobre os outros,
tudo poder!

À frente a imensidão!
Nenhuma âncora do que alcanço.
Apenas a necessária
a meu eventual descanso.

Tudo posso no que me fortalece!
Do que me enfraquece dou-me alforria.
Já cheguei ao futuro,
tudo claro, nada escuro.

Somente a sombra administrável.
Sou-lhe consciente mas amo sem travo,
sem travas.

(Uma redonda cara limpa
mesmo sob barba)


Escolho a direção,
e só elejo a que faz sentido.
A ninguém é dado fazer nada comigo!

Acompanham-me os que podem,
quando e se querem.
O amor só é se é nado,
não é nada por que se espere.

Impende viver o dia,
e o dia independe.
Se o dia foi tudo que pôde,
certeza que a noite é quente.

Ninguém fará inverno de mim,
ninguém me verá no inferno.
Frio só pra que me recolha.
Frio quando eu escolha.

Sei dos anjos que me acompanham,
que são de mim e serei eu.
Sei-os muito bonitos,
mesmo se o torto me esqueceu.

Hoje vejo que foi coisa boa,
não me predestinou a nada.
Sigo sendo a partir do mesmo,
no que já era minha estrada.

Minha estrada é esta.
A minha estrada foi feia!
Minha estrada foi refeita.
A minha estrada é bela!

Eu escolho!
Não, não franza o sobrolho!
Não é apóstrofe a Deus!
É dado melhorar-me,

de mais a mais filho Seu!

Agradeço a companhia de vocês,
enquanto estamos em sintonia.
Mas meu pai disse e "a vida chama",
então até qualquer dia!

E lhes direi antes do féretro:
não chamem nada de seu.
É tudo apenas empréstimo
que Ele lhes concedeu...a vida!

Divida!

https://soundcloud.com/user-580381287/escolho-e-colho