quarta-feira, 24 de maio de 2017

CABO BRANCO

Vou lembrá-los,
antes que o tempo me acabe,
de que mar e amar
são milagres.

terça-feira, 16 de maio de 2017

D'UM

Dispenso elites
e grupos seletos.
Quero ver gente mesmo!
(e de perto!)


Não sou favorito,
não sou o predileto,
mas sou seu amigo
dileto!

Não nos cingem louros,
não nos cercam muros.
(A luz só se nota

no escuro!)

Esqueça o janota,
é sempre obtuso!
E o esquema de castas,
confuso!

Seja sua lei.
Seja suas regras.
É tão vasto o mundo!,
e tão fortes suas pernas!

Perlustre-se e
se arquitete!
Esqueça o ilustre
perliquitete.

Apascente-se.
Aquiete-se.
Conheça-se 
e o mais

se esquece!

sábado, 13 de maio de 2017

CAETANO



Meu querido Caetano,
ouvia "O Quereres" no trânsito.
Vim pensando pro trabalho que
"Eu sou mesmo muito grato
por ser-lhe contemporâneo!"

Mesmo se apenas pela franja da encosta.
Mesmo se não por todo o meu tempo.
Meu tempo, senhor tão bonito!,
também é tempo que se esgota.

Não sou anjo.
Não sou mulher.
Não sou alegre, triste, poeta.
Mas em você sou o que eu quiser.
Pouco me importa ou afeta
o podre poder dos homens
que não nem são tão homens assim.

Caetano insano tão lúcido,
vejo disso o fruto em mim.
Faço o luto da lucidez
que não for fermento mas fim.

Caetano, te vejo o garbo
perigoso de ser leonino.
E o pratico com o cuidado
que em Santo Amaro aprendi menino.

Eu gosto do mesmo preto que você,
porque gostamos dos pretos todos!
São todos baianos, todos africanos,
todos as cores todas do humano!

Não há lobo que te fira,
nem se grande, nem se pequeno.
Caetano, você é do meu sangue.
Não se importe com os venenos!

Tão bom filho!
Tão bom irmão!
Reconvexo, recôncavo,
amor do tipo Vulcão. 

Caetano se nos ilumina,
e às moças, moços, poetas.
Alegria, Alegria, Alegria!
Caetano é a alma da festa!

Caetano viu o Carnaval,
deu seu aval ao bem.
Bem embalado, ladeira abaixo,
chuva, suor e cerveja também.

É cantar o sol que desce.
É cantar a lua que sobe.
E cantar o povo humilde,
canto do canto mais nobre.

Consagrar esquinas à eternidade,
louvar a beleza da mulher.
Apreciar também o surfista,
que toda onda tem seu revés. 

Caetano, eu nem tempo tenho
pra cantar o que você é,
mas aceite os beijos e abraços
deste que tão bem te quer!

Infinitivamente pessoal!




https://www.youtube.com/watch?v=h5ruY3Dt10c

sexta-feira, 5 de maio de 2017

TÂMARA

Aos mistérios...


Efêmera tâmara,
câmara do meu prazer.
Fugaz cintilação,
indelével permanecer.

Fui a terras longínquas
para tropeçar em você.
Encurtou a noite escura,
pra sempre prestes a amanhecer.

Tâmara!
é a flâmula do meu bem querer,
que desconhece tempo e espaço,
tudo no encalço de te conhecer.

Sinto uma alegria funda,
que contamina a superfície.
Tâmara, eu sei que você existe!
Só não tem nome,

como em Clarice!...

domingo, 30 de abril de 2017

BEL PRAZER

Belchior, meu Nietzsche, descansa em paz!
"Eu não tô interessado em NENHUMA teoria. Amar e mudar as coisas me interessa mais".

D'ONTEM D'AMANHÃ

Ó distante delivramento,
traz-nos nosso rebento!
A vida pode ser dura,

mas menos se em contentamento.

Esse futuro tão claro
terá anos de dependência.
Mas nos vem do passado,
iluminado em sapiência.

Alguma coisa escondida
no mais recôndito de mim
diz-me que vem em concurso,
pra que então eu entenda meu fim.

"A que estou destinado?",
dedico-lhe meditação.
Mas talvez só o enviado
saiba ver-me o coração.

Descenderá de mim,
que sou seu descendente.
É uma espiral complicada
(verdadeiro novelo de gente!...)


"O menino é pai do homem",
disse um dia o Sabino.
Quis dar-lhe outras cores,
e dou-lhe o mistério do destino.

Então até ontem!,
vou aproveitar a manhã.
Dedicar parte do presente
a me lembrar do amanhã.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

GRATO

Obrigado, Pai!
Por ter posto
em minha vida as pessoas certas!

(As certas certas
 e as certas erradas.)


Obrigado ela limonada,
e por poder ser adoçada.
Obrigado por ter tido tempo
de saber o que é um rancho.

Obrigado por ser este
que de tudo me encanto!

Obrigado por meu canto solto
desde meu canto que não me prende.
Obrigado por ser este ser,
eterno no que aprende.

Obrigado pelo sorriso,
e por poder distribuí-lo
sem que me alcance o juízo.

Obrigado pelo escorpião
que vê pessoas e ambientes.
Obrigado pelo aquário
de se nadar racionalmente.

Obrigado pelo Leão e o garbo
de um imenso coração.
Obrigado por ser obrigado
a perseguir a evolução.

Obrigado por tanta estrela,
tanto mar, tanto sotaque!
Obrigado até pelo que sou
sendo-o apenas de araque!

Obrigado pela música,
e por ser, de tudo,
o mais puro que se escuta!

Obrigado por ser viajante,
e por ser viajor.
Obrigado pelos anjos
me acompanharem em meu andor.

Obrigado por saber amar
mesmo onde o amor não chova.
Obrigado por me espalhar,
hoje sem que eu me exploda.

Obrigado por ser grato!,
grata surpresa da experiência.
Obrigado por ter despertado
para que nem tudo pode a ciência.

Obrigado por meu corpo
ter descoberto a tempo o espírito.
Obrigado! Obrigado!
"Obrigado!" para sempre eu repito!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

C'ALMA

Namoros nunca os tive longos,
talvez justo porque intensos.
A água animada de vida passa,
a parada é repousado momento.

É como já ouvi dito,
perigosamente, sobre os roqueiros:
que "não vivem pouco mas rápido",
que escorrem sem qualquer bloqueio.

Não faço defesa da fúria
que lhe pode custar a vida.
Escolha bem a tertúlia,
a modalidade da alegria.

Tendo chegado intacto
a esta minha sobrevida,
recomendo algum recato,
o recato da calma bem-vinda.

Todo trajeto é ensino,
a senda é toda lição.
Mas consciência não é improviso,
é lenta dilatação.

Então faça por viver muito,
para ser de si o melhor.
Porque romantizar o tumulto
é coisa de fazer dó.

terça-feira, 4 de abril de 2017

ESCOLHO E COLHO

Já não quero o que me faltava.
Já não acho o que procurava.
O que procurava morri.
O que sobrevivo sorri.

Estou sequioso de poder.
Nada sobre os outros,
tudo poder!

À frente a imensidão!
Nenhuma âncora do que alcanço.
Apenas a necessária
a meu eventual descanso.

Tudo posso no que me fortalece!
Do que me enfraquece dou-me alforria.
Já cheguei ao futuro,
tudo claro, nada escuro.

Somente a sombra administrável.
Sou-lhe consciente mas amo sem travo,
sem travas.

(Uma redonda cara limpa
mesmo sob barba)


Escolho a direção,
e só elejo a que faz sentido.
A ninguém é dado fazer nada comigo!

Acompanham-me os que podem,
quando e se querem.
O amor só é se é nado,
não é nada por que se espere.

Impende viver o dia,
e o dia independe.
Se o dia foi tudo que pôde,
certeza que a noite é quente.

Ninguém fará inverno de mim,
ninguém me verá no inferno.
Frio só pra que me recolha.
Frio quando eu escolha.

Sei dos anjos que me acompanham,
que são de mim e serei eu.
Sei-os muito bonitos,
mesmo se o torto me esqueceu.

Hoje vejo que foi coisa boa,
não me predestinou a nada.
Sigo sendo a partir do mesmo,
no que já era minha estrada.

Minha estrada é esta.
A minha estrada foi feia!
Minha estrada foi refeita.
A minha estrada é bela!

Eu escolho!
Não, não franza o sobrolho!
Não é apóstrofe a Deus!
É dado melhorar-me,

de mais a mais filho Seu!

Agradeço a companhia de vocês,
enquanto estamos em sintonia.
Mas meu pai disse e "a vida chama",
então até qualquer dia!

E lhes direi antes do féretro:
não chamem nada de seu.
É tudo apenas empréstimo
que Ele lhes concedeu...a vida!

Divida!

https://soundcloud.com/user-580381287/escolho-e-colho

domingo, 2 de abril de 2017

UM SÓ

Estou no escritório ouvindo o primeiro disco dos 1001 que se recomendam para ouvirmos antes de morrer. (É importante que seja antes, pois sem ouvidos dificulta-se a coisa...). Sente-se em Sinatra aquela tristeza já apropriada de quem separou-se de Ava Gardner. Bom disco! Sobretudo porque te poupa do sertanejo, que jamais penetraria esta sala ornada de Beatles, Drummond, gracejos poéticos de uma ou outra canção popular e uma ordem expressa para eu me expressar.
Venho de um show de rock familiar. Apenas os familiares da banda, que tocou em sua própria sala ( a sala da mãe de dois deles) e poucos amigos, entre os quais me contava. Muitos primos, muitos com suas próprias famílias, mulheres, maridos, filhos e filhas. Eu gosto desse ambiente, dessa atmosfera, mas percebo que não preciso que seja eu o responsável por ela. Sou diferente porque sou igual a todos aqueles que são diferentes. Somos iguais pra cá! A única coisa 24/7 (in english...), de perpétuo funcionamento que me atrai é o mar! E mesmo dele gosto de me despedir para o reencontrar. É!... Deixa tudo como está!

segunda-feira, 27 de março de 2017

LEVE (,) MERCÚRIO

https://soundcloud.com/user-580381287/leve-mercury

Queria gritar nesta madrugada,
só perturbada por um Freddie Mercury soft.
Queria gritar mas não tenho sorte!

Estas paredes de condomínio vagabundo
são como de papelão.
Mas não sou um ingrato,
prezo muito o abrigo que me dão.

Amanhã vem o marceneiro
tornar em móvel o que é estanque.
Vem Daniel por prateleiras
no quarto de visitantes.

Uma estante num instante de quatro horas,
jornada de estagiário 
em que lerei a vida de Rita Lee.

Mais uma amostra
(já tive tantas...)

de como o sucesso deve se sentir.

Eu, esquecido aqui,
nem meus amigos me dão o cartaz
que quer minha falta de humildade.

Salvo se o formal o pede,
que tampouco estou jogado às traças.
Traçam meu destino astros
de que pouco ou nada sei. 

(Dizem uns que sabem tudo
sobre como me comportarei...)

Eu me recuso a achar que Deus,

tão bom e bem humorado,
não me tenha deixado
lacunas para alguns cacos.

Eu improvisarei!
"Improvements, you know?"

Não posso reprogramar a coisa toda,
não saco nada dos numéricos programas.
Acho que já nem saco
dos programas que pedem cama.

Estou pesado!
(Isso também foi acertado?)

Tenho de estudar melhor os movimentos,
isso me torna um atento.

E me terá despertado?!,
dormente por todos os lados?
Dor mente e deve ser superada.

A verdade é uma conquista!

Amanhã meu móvel é a vista
do saber compartimentado:
poesia, obras em língua estrangeira,
o legado da Letras (melhor companheira!):
análise do discurso, teoria da argumentação...


Filosofia, espíritas,
biografias, musicais,
os herdados da mamãe
(a seção que mais me atrai!)


Dá pra fazer uma de obras completas,
troféu que nunca erguerei mas não lamento,
ninguém vai!

Muito nos falta ainda pra atingir a angelitude.
Decerto não partiremos
desta velha decrepitude.

Leio e escrevo tanto!,
e não me basta para alcançar...
O estatuto há muito está pronto:
amar, amar, amar!

Mar, terras,
tudo em equilíbrio.
Eu também ondulo e tremo.

Eu também devo estar vivo!

Então grito na madrugada,
pouco me importa o papelão!
Os vizinhos que gritem comigo,
não têm outra destinação.

Só no amor há abrigo,
não há mesmo outra opção.
"Under pressure", sublime,
alivia-me a pressão.


quarta-feira, 15 de março de 2017

DISTRIBUTIVA (Edital)

A Pepa Mujica, o sóbrio.

Faz caridade!
Não é tarde!
Parece atrasar-te,
mas o que te adianta!...

Se almoço um pouco menos,
alguém ganha a chance da janta.
Não existe melhor maneira
de diminuir-me a pança.

Se compras um carro mais simples
(será preciso que tantos te olhem?!)

pode ser que descompliques
como outro se locomove.

Tudo o que desperdiçamos,
por preguiça ou vaidade,
pode ir a bom fogo se atiça
a chama santa da oportunidade.

Segundo disse o Senhor
ninguém vale pelo que tem.
Melhor valer pelo que sabe,
e nesse caso é melhor valer

por saber ser dado à fraternidade.

Todas as forças que conservas
por delas não seres doador,
podem ser forças de trevas
em que te internas como devedor.

Quem não tem dinheiro tem um abraço.

Quem não tem braços pode dar um sorriso.
E quem sorri (isso eu garanto!)
faz no mundo um mundo de amigos.

O poema é mesmo simples,
porque em simples intenção.
Espero que te seja um convite,
pois vai servir-me de inspiração. 


quarta-feira, 8 de março de 2017

MINHA MÃE (Uma mulher)

https://soundcloud.com/user-580381287/minha-mae-uma-mulher







Minha mãe era tímida.
Ou era "tímida nada!"
Ou talvez, como se disse Clarice,
fosse de uma timidez arrojada.

Minha mãe ia adiante
(era em tudo muito adiantada).
Minha mãe, no susto do encontro,
enchia a timidez de palavras.

Minha mãe era cética,
não tinha a certeza de Jesus.
Talvez, naturalmente ética,
pudesse prescindir da cruz.

Não estava certa nem de Tiradentes,
que dirá de Sócrates!
Platão podia tê-lo inventado
(que filosófica sorte!)

Minha mãe era grande leitora,
obras pequenas e grandes.
Até a menor grande obra:
era leitora de homens.

Até de seu pequeno filho,
rebelado contra a lucidez.
Minha euforia, meu enfado,
tudo via com nitidez.

Minha mãe era Flor que se cheirasse,
flor de nos deixarmos entranhar.
Se não entranhasse o cigarro
o câncer não a ia apagar.

Mas fica o lindo exemplo
do bem-viver a bem.
Essa é a vida mais plena,
pouco importa vivida com quem!

Minha mãe é daqui e de Galápagos.
Da África, França, Ásia.
Só me cobre a esperança,
nunca me cobriu a mortalha.

Seja-se!
E será verdade!
Ainda bem que esse exemplo eu colhi,
antes que fosse tarde!

quarta-feira, 1 de março de 2017

SAPUCAÍ

https://soundcloud.com/user-580381287/sapucai


Deixei a minha alegria corrente,
nas contentes Minas Gerais,
e fui achá-la diferente,
em uma terra que muito me atrai.

A alegria de estar no Rio,
tão já prenhe de lembranças,
mas tão rico de promessas
que é sempre nova infância.

Passei batido pelo velho Chico,
batente e batucado pelo Cartola,
e fui desencavá-lo, mais antigo,
o Noel, de tão boa história.

O Noel de cujo queixo fugi
para fazer-me mais vistoso.
mas é o Noel em que refulgi,
tomado de gosto pelo de seu povo.

Azul e branco, 
cores do céu.
Azul e branco
de Vila Isabel.

E cantando a música!,
o mais nobre enredo.
Cantando-a em música
de muito desvelo.

A concentração é pena,
as pernas ainda me ardem!
Mas é uma boa pena
se medida pelo que vale!

Tudo tão misturado!:
'macumba pra turista' e a comunidade.
Tudo tão misturado
quanto é misturada a fraternidade.

Portar fantasia que pesa,
ver assomar a curva
que revela luzes e arquibancada
faz clara a vista mais turva!

Quando a bateria clama,
quando o povo aplaude,
vemos que o que nos inflama
não nos inflama debalde.

Nenhum furação é o mesmo
quando visto de dentro, do olho.
Eu, que cismava, indisposto,
já não lhe posso franzir o sobrolho.

A Sapucaí é linda!,
porque é o Brasil visto do espaço.
À míngua de palavras e rimas
eu lhes suplico sentirem o abraço.

É como um abraço de Deus,
abraço-compasso-movimento.
Já intuo melhor o divino
tendo visto de perto o deslumbramento.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

JULIA

Para Julia Nogueira Maia, a Mandruvinha.

"Half of what I say is meaningless.
But I say it just to reach you, Julia". - Lennon




Era quarta,
era maio.
Nada predizia o trabalho,
mas o trabalho é santificante.

O labor é um santo estuário,
é também um emissário
do amor reinante.

E o amor o melhor capital.
Já o dizia antes:
não se apouca por se gastar.

Mãe, pai, e três irmãos pródigos,
com um chamado insólito
para bem o aplicar.

A surpresa muita vez é boa,
e essa não destoa.
É a própria regra a se confirmar.

Era a mais jovem,
e "jovem" é "Julia",
qualquer um pode comprovar.

Em crescendo foi cavando seu espaço,
com o desembaraço
que os astros lhe deram.

E se os astros deram,
deu-no Deus
em resposta ao que prometeu.
vir realizar.

Esse é um mistério profundo,
um código entranhado
no que a carne abriga,
e nos obriga a procurar. 

Reclama coragem
e é o trabalho de uma vida.
E que lhe seja comprida,
pro tempo lhe sobrar.

Eu aqui sou como expectador,
e um receptor da energia.
Talvez tenha-me vindo no tempo
justo de salvar-me a vida.

A ninguém, de plano e nele,
é dado decifrar a espiral.
Mas ninguém precisa de mais
do que afastar-se do mal.

E bem-vir o bem,
enxergar o que tem,
porque a mais ninguém
é dado te multiplicar.

Multiplique-se a suas instâncias,
aquelas que eu disse, profundas.
Pra nós é de grande importância,
e é pra todos divina ajuda.

É agora,...jovem!
Que as bênçãos chovem!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

TRANSPORTE

Quero 'enruarar'.
Soltar-me.
Deixar-me estar.

A morte me espreita.

A morte não me peita.
Ela está perto,
faz-se de longe.

Eu os alerto,
vocês:
"Onde?!"

Olham-me como se para um louco.
Eu sou normal.
(um pouco...)

"A vida é uma vitória temporária
sobre o que causa nossa morte".

Ora, não sejamos tolos!
A morte não é derrota!
A morte é um transporte!

Do avião para casa,
na volta, 
abatidos da viagem.

A morte é um resgate!

É o nosso desate
deste plano escolar.
A morte não é azar mas sorte

se tivemos tempo de amar!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

SOUNDCLOUD

Se ainda não o dissera fica dito: os poemas a partir do "A-LINÀ-FRENTE" estão disponíveis, para serem ouvidos, na SOUNDCLOUD, onde consto como sou: Gabriel Nogueira Maia:

https://soundcloud.com/user-580381287

SAMPINHA

Sampa Pampa Sertão.
Selvas Gerais.
Sampa é tudo e de todos,
porque Sampa é sempre mais!

(Capital do mundo,
que de tão mundo tem mais capitais)

Tribos em espalhafato,
discretas pessoas normais.
As edificações mais concretas
são suas estranhas catedrais.

Com o cardápio mais onívoro,
é a mais vasta cadeia alimentar.
Mas o pobre segue vivo,
com o patrão no calcanhar.

Tanto oferece tanto!
Não se vê o que não se veja!
Mas muito não se oferece a tantos
(pode ser que cê perceba...)

Certos Dórias são Hucks in Justus,
em helipontos, exclusivos.
E os trânsitos mais desgastantes
se reservam aos severinos.

Morte e vida na cidade
que a qualquer bardo seduz.
E se lhe dói a alteridade
não é cidade mas cruz.

Mas pode ser redenção;
também sei de renascimentos
que de tanta fé e intenção
se deram em meio ao cimento.

São Paulo meus sentidos aguça,
faz-me todo apetite.
Explorá-la em sua jactância
passa a ser meu alvitre.

Sampa, retorno às Minas,
mas você não fica atrás.
E vamos ver o que me espera,
assim que eu voltar

Sempre e mais!



Congonhas/Confins, 30/1/2017, 10:30 a.m.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

D'OR-AVANTE

Eu sou o desacerto.
Nem eu mesmo me perdoo
os crimes que cometo.

Ou de que sou acometido.
Aquele que me mato
já não moro comigo.

A eternidade é certa!
Pouco importa o veneno,
pouco o tiro na testa.

Pouco o que me atropela,
pouco o de que me embaraço.
Só desacolho o tormento.

(Negando-lhe meu regaço...)


Venham as tropas,
o pelotão de fuzilamento!
O choro irrompe,
liberta a alma!

Eu me alojo no tempo!

Fui. Sou. Serei.
E amanhã já me esqueci
do de que agora me lembrei.

Mas eu já não descarrilo,
sigo o trilho de onde parei.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

REMUNDO (O conserva-dor)

Para Ana Gabriela Brito, valente promotora. De justiça.

Não vou morrer no mundo em que nasci!
Nada mais natural,

que a lei é evoluir!

Avançar rumo ao futuro,
deixando no passado
o passado obscuro.

Mas o conservador é saudoso
do tempo percorrido.
E sonha torná-lo imutável
(para não correr perigo?).


O conservador é um melindroso,
de aparente nascimento.
Mas, a coisa vista de perto,
nos veio por sepultamento.

O conservador é um monumento
erigido à velha ordem.
Em madeira de demolição,
que as traças do porvir corroem.

O natural é traçar a revolução!
Revolver o solo infértil
pra ver a flor nascer do chão.

Uma flor de espectro amplo,
de mais variado aspecto.
Uma flor que leve a todos
o lindo pólen do real progresso.

Chega da chaga do medo!,
é chegado o tempo fraterno!
O tempo da real liberdade,
um tempo (e que seja eterno!)

construído na igualdade!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

EXCERTO DE UMA CARTA PERMANENTE A UMA JOVEM

a Rose Ana Oliveira

Acho que quando a coisa se dá, e se sustenta (porque às vezes cede rapidamente...) existe uma doçura que não cessa. Há um empenho. É algo como uma fome que, claro, se tem também sua repercussão sexual, no desejo, tem uma de uma necessidade de "embrenhamento" quanto a tudo! É uma querência. Esteve sempre lá. Sente-se um calor. E não se sente que ele se dissipa, nem que se espalha. Ele se concentra.

domingo, 1 de janeiro de 2017

UM PRIMEIRO

As cinco vão a seis.
O céu rajado de rosa,
depois de uma noite ruidosa
(mas belamente ruidosa),

não me deixa em erro.

É dia de ano.
O dia mais primeiro!
O arauto da esperança,
daquela esperança que já se acanhava,
sentia-se besta diante de tanto desmantelo.

Essa besteira é o medo!

Mas o medo é mesmo uma besteira!
Já o disse antes:
é a serviço da conservação.

Mas hoje a esperança amanheceu.
Está fortificada!
Pede ação!
Acredita que todos os erros são o de ontem!
São o passado.
Até casa-se com o futuro de papel passado!

Seu papel é a construção,
a reconstrução.
Vai de madeira de lei
ou no pau de sua abolição.
Tudo se reescreverá!

A esperança está fortificada!
Mais que os fortes litorais!
Mais até do que os literais!
Não vai morrer na praia...

Disse um poeta de outra vez que
"a esperança também dança
como monstros de um filme japonês".
Não! Não!
É o tempo do sim!
É outra a dança!

Esperança bailarina. 
Ela baila e dança o medo,
dança a carnificina.
Dança o fratricídio.

Tudo sempre teve um início!

Aproveite a bebida espumante da virada
para virá-la no casco da embarcação.
Os poetas cantaram os mares.
As poetas cantaram as águas.
(Essa gente é bom escutá-la,
que é tudo aurido do coração!)

O dia é o da confraternização!
Universal!
Não se acanhe com só o seu mundo,
é tudo muito mais profundo!,
embora seja singelo.

Tudo o que vejo é belo!
Te deixo um beijo lascivo,
mas um abraço que é-terno!

Vamos que não há nau frágil,

apenas naus a que se disse "não!"
Mas já não!
SIM!