domingo, 31 de dezembro de 2017

SUAVE (Caminho)

A Felicidade é suave!,
bate às vezes sem alarde,
mas preferimos dormir
(e a porta não se abre).


Às vezes perdemos até as janelas;
passamos batidos por elas,
distraídos do caminho
(e aquele pássaro canta sozinho).

Às vezes não pomos sentido 
nos balões vermelhos do Amor,
insistindo em não sermos meninos
(e a vida perde sabor).

Porque não há maior alegria
do que a do menino com doces e desejo:
o sorriso lhe sulca o rosto
e a satisfação lhe suja os dedos.

Eu escolhi outra senda;
vou fazendo meu próprio caminho.
Eu me atrevo!, não se ofenda,
mas é melhor seguir comigo.

Eu me distraio é dos problemas,
e não atrapalho meu destino.

sábado, 23 de dezembro de 2017

EM TEMPO

Vai dormir, meu bem!
Vai deitar e nos sonhe!
É só o que posso pedir,
estando de si tão longe!

Mas muito posso esperar
enquanto espero passar o tempo.
Posso radicar na Esperança,
meu mais belo livramento.

E com chamá-la tal em vez de "sonho",
não me censuram o tê-la acordado.
Mesmo com a cara de bobo
de quem a tivesse sonhado.

Fogo, o que desejo,
é que vá queimar-se na praia.
Que queime este mineiro,
que agora por aí se espalha!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

OSHO - Amorável (Primeiro Septênio)

Com agradecimentos a Corita, Casa Sublime, e Roger Waters.

Como ajudar uma criança
a crescer sem interferência
em suas potencialidades?
Ajudá-la é maldade!

Criança quer amor,
não ajuda!
Bastar regar a planta
que ela se transmuta. 

"Under the name of 'help'
everybody interferes
with everybody else"

Tanto nos ajudam,
jogam-nos tanta tralha,
que o peso sobre os ombros
é o Himalaia!

Não seja tenso!
Seja ameno,
aberto,
terno!

AS crianças são todas tão únicas!
Como, para ajudá-las,
veste-se a mesma túnica?

(túnicas francesas pro Brasil...)

À cabeça provêm desculpas.
Tudo os pais pensam
por medo de alguma culpa.

"Sem ajudá-lo vai cair!"
Sim! E com sorte!
Cair em si!

A vida vai em septênios,
como o dia em 24 horas
e 365 dias são anuênios.

Não me pergunte por quê.
Não o digo porque não o entendo.
Apenas aceite o fato
de que crescemos em septênios.

Os sete primeiros anos são fulcrais.
Por isso nos caçam com afinco
pra vestir-nos vestes sacrais.

Para sempre estaremos confusos,
porque esses sensos difusos
nublam os potenciais.

Acenam a constrição
com camadas de poeira
sobre mente e coração.

Crescemos e questionaremos
tudo quanto há,
mas nos distanciaremos
do que "nos nasceram" já.

A primeira prova de amor
dada ao no primeiro septênio
é deixá-lo a mais livre flor;
não lhe impor nada nem com acenos.

Nada de conversão.
O mais amoroso afazer
é deixá-lo pagão
(com o contrário se disfarça um grilhão)

Por que tanta impaciência?!
Que contraproducente ciência!
As respostas antes das perguntas
em abuso de inocência.

Perguntando-nos sobre Deus,
mostremos as versões todas.
Tudo que se cometeu!
Não gostando que seja ateu!

Deus não se prescreveu.
Não está escrito.
Quem disso o convenceu
está proscrito.

Não há necessidade intrínseca
de crença em algum Deus.
Muitos viveram sem isso,
antepassados seus.

Nem há necessidade
de muita concordância.
Impor a visão dos pais
é assassinar a infância.

Se todos concordassem sempre
com o paterno quinhão
estaríamos na porta do Éden,
pelados de mãos com Adão.

Não me parece difícil.
É condição da evolução.
Para a humanidade melhorar
são necessários "nãos".

(Mas os pais gostam de obediência,
fecham ao rebelde o portão...)

Com atos livres e constitutivos
devemos livrar os cativos
de pais, pregadores, professores,
apenas liberemos os livros.

Cerque-os livres.
Cerque-os de carinho.
Remova as ameças, 
mas deixe-os andarem sozinhos.

Feito isso,
serão seus próprios,
não os invadiremos
com os nossos micróbios

que apequenam pequenas vidas.
Nossos medos, covardias,
todas as nossas fraquezas:
de pais, avós e tias.

Com essa fundação
constrói-se, a si, um forte.
Não teme nenhuma sorte,
nem ventos do norte, tufões.

Uma fundação fraca
é a estampa do medo.
Habilita-se o adulto
para dar-se ao desmantelo.

Não segura sua onda
nada em que acreditou.
O quarentão vestiu o terno
e seus cabelos cortou.

Chamam a isso 'maturidade',
não vê por quê o cortou:
é medo da sociedade,
qualquer padrão o torou.

Não interfira na criança.
Não lhe ensine o medo.
Ela é a filha da Esperança.

Deixe-a tatear no escuro.
Pode parecer difícil,
mas vai render-lhe doces frutos.




Casa Sublime, Alto Paraíso, 10/3/2015.

domingo, 17 de dezembro de 2017

CAPIBARIBE

Para João, Clarice e Olga

Num ansiado cruzamento de líricas,
beijo João Cabral
e o Capibaribe entra em minha mística.

Águas por que tentaram Severinos
uma realidade menos crística.
Onde a faca não os cortasse,
aliviados de forma híbrida:

Nem cabo,
nem lâmina,
só a vida e sua rixa.

Capibaribe que viu Clarice
viver sua meninice.
Descobrir encantada Lobato
e o que em livros se descobrisse.

(Livrar-se do tormento todo
que se sofre o que não se disse...)

O Capibaribe e tudo em que aporto
obriga-me à expressão.
É talvez mais um São Francisco
que deságua em meu coração,

que embora não tenha visto a seca
precisa de fluidez.
E a chance se aproveita
e eu do rio sou a tez.

A parte que o importa
e cospe de volta ao mundo.
Esquina em que Severino
me encontra e a meu Raimundo.

(Sempre a serviço da rima,
nunca da solução...)

E pra que procurar se o mar
não melhoraria o Sertão?
Este mundo não é coisa certa,
é mundo de transição.

Não falo de ir a verde
a deserta vegetação.
Falo da gente mesmo
que ri e chora sobre este chão.

E da moça e de seu rapto,
do rio que no mar se salga
pro que deságua em minha constelação.


Recife, 17/12/2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

AUTOAJUDA

O amor é algo muito importante, 
perdido dentro de casa. 
Acha-o mais fácil o distraído 
do que o da procura desesperada.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

OLGA (A vitória)

Para Olga, em seu aniversário.


Que belo que se chame Olga
a revolta do meu destino
contra a solidão premeditada,
trites fardo e desatino.

Dias cinzas até se felizes,,
e normais no que sempre foram.
Até badalarem os sinos,
dos sonetos, dos namoros.

Que de distâncias fazem nada,
reduzem a nada qualquer monte de chão.
Fazem-me desembainhada a espada,
que de fendas faz amplidão.

Um mar vermelho que me abre,
e banha até o que não sabe.
(Mas sabe que lhe vem com o Tempo,
mortos meus dias de detento...)

E lhe tomo emprestadas as asas,
a essa que insistiu em viver.
Alçada à vitória sempre,
nunca o que a pudesse deter.

Outro ano distribuindo sorte
a quantos nos toque esse encontro.
Sou a Gratidão por meu lote,
e que Deus me conserve esse encanto.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

PRESTAÇÃO DE CONTAS (700)

700 poemas publicados.

Uns me parecem feios,
outros complicados.
Outros me têm no enleio
de ter-me decifrado.

Uns distraem alguns,
outros oferecem um atalho.
Ficam aí para o tempo:
meus sorrisos, meus retalhos.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A BEAGÁ (íntegro)

A Belo Horizonte, por ocasião de seus 120 anos.

Beagá, Biririzonte,
não te cantei em meus louvores.
Sede dos meus deuses lares,
tocada de meus amores.

Nascida pra abrigar o novo
e corresponder ao plano.
E não tardou a demonstrar
que confins são ledo engano.

O melhor é estourar os limites,
engolir a Contorno.
Tornar-se abrigo ditoso
d'um crescimento buliçoso. 

Nossos estados e cidades num sentido,
nossas tribos e índios no outro.
E ruas que cantam poetas,
que cruzo pelo que percorro.

Cidade Jardim um dia,
reduzida a cidade canteiro.
Mas resistem ruas verdes,
que habitamos como viveiros.

Raul Soares, marco zero,
sem marcas que o apontem.
Salvo o mercado, bem perto,
onde mineiros matamos a fome.

Fome de tudo que seja,
que ali não falta nada.
Ou de fígado com cerveja,
ou de doces, queijos, cachaças.

Do alto das Agulhas Negras
abençoou-nos o Papa peregrino.
Só vejo as marcas da passagem,
dada quando era um girino.

Mas já me perfiz anfíbio,
pra explorar seus ambientes.
Sejam as manhãs e seu néctar,
sejam as noites e seus nutrientes.

Ou o que as ligue em ponte,
como A Obra e os rocks todos,
que nos distraem enquanto o horizonte
veste a aurora de novo.

Eduquei-me em teu primeiro Colégio,
depois sofri outro sistema.
Mas esta é uma terra de fortes,
a cicatriz é meu emblema.

Subi Bahia, desci Floresta, 
tanto, e por tanto,
que minha fronte é de luz,
trago um sol na testa.

Belo Horizonte não se esconde,
querem achá-la, ela está aqui!
Ressuscitou o carnaval,
pra brilhar-se como sempre quis!

No Maletta o meu Q.G.:
é minha e do Lucas a Cantina.
O filé e o talharim em disputa,
e o vencedor da peleja me anima.

Temos a Savassi, quase um centro,
de 'perambulância' diversa.
E a Pampulha que, distante,
mais parece secreta.

São cavidades do meu coração,
em que me formo e dissipo.
Jamais deixarei os aviões,
mas pra cada estação um "volto!" e um "fico!".

E me preservo no Santa Inês,
dos recônditos à tona.
Ora me mostro, ora me cifro;
sou as parcelas e a soma.

Belo Horizonte,
cento e vinte anos!
Eu te celebro e me entrego!

Te conheço os demônios e os anjos
e, também duplo,
te integro.

domingo, 10 de dezembro de 2017

INVERSO

Não me custou muito notar que eram aversos ao verso e não o podiam pronunciar. Não o podiam! Essa crueldade que se crê simpática, empática, poupadora. Esse grito mal dissimulado de que não me era dado dar-me por essa forma. Que deformados só o podiam fazer se o faziam em muito mais bela forma. Eu não conhecera a fôrma por que se compuseram esses compositores aptos a darem voz a esses  apreciadores expertos. Eu de nada sabia. De nada nunca procurara saber, como se daquele veneno do conhecimento jamais me pudesse morrer. A ignorância é que era a bênção, dizia-se por aí afora. Nutrir-se do que outros organizaram era a mais escura forma de aurora, pra um novo dia que de novo não tinha nada, que era mais uma forma da forma de outrora. Era uma eterna véspera. E do quanto sabia todos tinham tido a mesma via, os cafés, os predecessores, a dissecação. Salvo aquele liberto que se pusera a salvo dessa comunhão. Mas eles não o podiam saber, porque seguiu-se-lhes no tempo sem os seguir a essa campa. Outro mais maldito, diferentemente maldito, disse que preferia um banquete de amigos à gigantesca família. Onde isso ou aquilo? Pra que ser compreendido? Outros protegeram-se disso. Ela claramente protegera-se disso. Outra evadira-se da vida antes que pudesse atrever-se a essa compreensão. Minha mãe nutriu-se disso e me pariu. Como vêm essas coisas à luz? Fazem-se na madrugada? Fazem-se quando não se faz nada? Outros tiveram rotinas matinais em que martelavam seu ofício. Roíam os ossos do ofício (e como se não se perdessem em carnes...) Mas a carne é a etapa mais reduzida, e a única que se conhece. E me veio o grande esclarecimento pelo qual fui jogado de novo e sem defesa à mesma ideia de que a ignorância é que é a bênção, e que se dá de presente. Mas não essa ignorância presente e que tem sido a de sempre, não a de que nos queremos livrar pra já não precisar dessa outra. Faço-me entender? Claro que não! E pra quê? Pra que ganho? Pra que ganho, aliás? Eu não quero o risco do engano, embora já tenha desejado sua certeza, providenciado-a até. Não, Mallarmé! Eu e outro. Eles só veem o reboco, porque não lhes é dado penetrar. A luz que os guia é a de fora, a que se permitia. Do contrário era muito o trabalho. Pra que tanto? Pra que pranto? Educandário de mais recreio que lição? Desconheço! O duro é aguentar-se enquanto as incógnitas montam a sistemas, não é mesmo? O que os veicula se arrasta e a lombada os oprime e aprisiona, para sempre, no mesmo trecho da estrada. E é bem como não se vai a nada. E são mesmo dessa raça, essa extração, que só querem o outro que é eu, deles. E eu o que quero é aniquilar-me noutros. A cabeça do dragão o demanda, e as boas demandas não as resolvem os tribunais. Disso nem vale a pena que falais.... Falaz sim!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

S'ABRACE

A boca da noite não tem dentes,
não me parte.
O Sol parte mas em outra parte
não deixa nunca de brilhar.

(Amo os 24 horas...)

Não temo os recessos,
pois é dos recessos acabar.
Tenho hiatos da felicidade,
como se de costas pro mar.

Mas mais pra dentro tenho um rio,
e não se foge do Destino,
sei aonde vai-me levar.

Salga-se a água do que chora,
mas a água salgada é pro que quer-se curar.

Nunca jogue a toalha!
(a tolha se pode trocar...)
E não a faça de mortalha
(a morte pode esperar...)

Tudo tem seu tempo,
tudo se concatena.
Deixe o pranto e tome tento,
não finja que não sente a antena.

Vai-lhe dentro, palpitante,
um alarme em cada contexto.
Abra-se! Abrace-se!
A felicidade tem seu endereço!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

VOU

E deixo o Nordeste,
com a certeza de que vou voltar.
Minas é logo ali
pra quem gosta de voar.

Minas é uma catapulta 
que me assusta para o mundo.
O mesmo susto de um parto,
a cada vez que vou partir.

(Mesmo se a experiência
comprova que vou sorrir)

É um sofrimentozinho
bem menor que o impulso.
Coisa de alma velha,
que sabe que a vida é percurso.

Vou e volto,
que é a melhor forma de tornar a ir.
Nunca retorno, isso é certo,
o mesmo que parti.

Volto mais rico,
mesmo se deixei dinheiro.
Porque volto com a clareza bonita

de ter-me dado por inteiro.

sábado, 18 de novembro de 2017

JAMBO PITANGA (Olga)

Estou em vigor
e o girassol aflora,
chamando-me à luz emanada
de uma distante Olga.

Qual distante!,
se estou ao pé de si,
brilhando o melhor sol que posso
do que há dentro de mim?!

Não foi à toa que o poeta
decretou ser arte o encontro.
Porque quando assoma sou inteiro,
na reunião dos escombros.

Já ninguém lembra a dor do recesso.
A doída morte de ontem
hoje compõe a semente
de um aprazado sucesso.

De mais não se faz o sucesso
que de uma bem aproveitada
chance de ser feliz.

Nutrindo-se de caule e pólen
da mais bela flor
que o inconsciente sempre quis.

Exsurge a pela escura,
o coração dourado,
o ideal vermelho.

Não sou chefe de nada,
pois me perdura a infância
de tudo em que sou escoteiro.

Tateio nas sombras benditas
em que a surpresa não espanta,
apenas desanca a desdita.

Pois onde o coração palpita
ela não se contém.
E é a fé que me dita
a hora do "amem!"

E amém!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PRA MAIS UM POUCO

Cubo de gelo ao sol,
sou pra só mais um pouco.
Nutriu-me um sorriso estranho
a lágrima que desceu pelo rosto.

Você me ensinou o que fazer,
mas eu fui feito o oposto.
E não pude mais me fazer
a matéria do meu desgosto.

Pois tenho estado comigo
pelos séculos sem fim.
E sei que não há acaso
no terem-me feito assim.

E me destino a voos altos,
pelos céus de onde os vejo.
E o que pra mim é assombro
pra você é "não percebo!"

Percebo o que não realiza,
faço por prosseguir.
Sinto falta dos seus beijos,
mas meu desejo é conseguir

altear-me além dos desejos,
completar a contento a etapa.
E talvez alcançar um tempo
em que você não faça falta.

Não por ter sido nula,
que o quanto me empenho não o permite,
mas por ser época de pura
sorte que não nos limite.

Nem nos aparte,
cada um crescido a seu modo.
Eu agora me sinto completo,
meus defeitos não ignoro.

Mas sei que farei deles
a plataforma do meu impulso.
E traga de volta seus beijos,
que já não me vejo sem seu concurso.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

OUTRO TANTO (Mais Esperanto)

Vem-me de novo Sabino,
sabido,
a me lembrar que ainda
o menino é o pai do homem.

Vem-me, assim, de longe,
a confirmação do que estou.
Cada vez sou mais o homem
que o menino ensinou.

De déu em déu a palmilhar,
o mundo que entrevejo
vai-se expandindo tanto,
que do "pequeno" nada percebo.

Não o digo do pequeno que somos,
deste que torno a ser,
mas daquilo de que se distraem
os que se põem a perder.

Nada valem as miudezas
que vidrados se disputam.
Tão nublados da luz que os guia,
que o que perseguem deles triunfa.

Fora do medo há o mundo,
a coragem vai-nos dar à Luz.
A luz vai-nos dar a nós mesmos,
livrar-nos do mundo-capuz. 

Cá pus eu o que entrevi,
num momento de meditação
com que pude, disse-me a moça,
poupar-me à perturbação.

Desejo-nos Paz.
A paz de um é a de outro.
Todo mundo é capaz,
é só tentar mais um pouco!

domingo, 22 de outubro de 2017

BAR TRISTE

Estou em um desses bares tristes
em que a televisão está ligada.
Rumino a vontade acesa
de não ter minha alma apagada.

Espero o transcurso de um tempo,
até a hora de um compromisso.
Um outro ostenta sofrimento,
num ar meio enfermiço.

Tenho vontade de abraçá-la,
toda essa gente distraída
que desperdiça com afinco o tempo,
sem saber que sangram vida.

O tempo não é de se matar,
ele é de se viver.
O tal "senhor tão bonito",
de que feitos eu e você.

Então lhe dê bom emprego,
como o que daria a um familiar.
E vai ver que as horas são joias
de nos fazermos brilhar.



Centro Oriente, 11/7/2017.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

SORRINDO (Trabalhe!)

Sorria, meu velho!
Você já não é tão novo,
mas é sempre oportuno!
Sorria do compreendido,
sorria do absurdo.

Sorria para o estranho
como para o conhecido.
Sorria pelo que lhe vem,
sorria pelo que tem tido.

Sorria à larga,
que o sorriso (lembra?) é um lume.
E porque vai rumo ao novo
pode ser que lhe ajude.

Que lhe ajude a ajudar
a quem está a sua volta.
Essa em que estende a mão
é sempre a hora mais grata!

O mundo parece uma rede,
a vida, uma transmissão.
Multiplique essa espécie de peixe,
que a mais lauta refeição.

Seja tanto quanto possa
o arauto dos céus abertos.
Sem esquecer que, lá longe,
Ele está sempre por perto.

Trabalhe com sinceridade,
sobre esse ponto eu insisto.
Aquele feito com coragem
é o trabalho mais profícuo.

Faça render os frutos
para tudo de que temos fome.
E lembre-se: Nunca se esqueça
de que não trabalha em seu nome!


AMEMG, 7/6/2017

domingo, 8 de outubro de 2017

SÁBIOS

Não existem sábios que saibam que o são.

É TEMPO!

Sem notar que sofrer amedronta,
pus meu coração numa concha
e deitei-o no fundo do mar.

Num berço esplêndido.
Incogitável.
Intangível.
Inalcançável.

Para que não me pudesse encontrar.
Para que não me pudessem encontrar.
Para que seguisse selado.
Para que pudesse ocultar

os meus ouvidos precavidos
d'uma memória insurgente.
Uma memória polimorfa
de uma sereia que é gente.

O som não é tão veloz
quanto a Luz que me cegou.
Mas eis que agora me surge

e me parece melhor

que a memória que lhe tinha
e que a custo abafava.
Porque eu não a entendera,
e ela me machucava.

Como o tempo é senhor de tudo,
agora menos cego que mudo...
Mudo não digo, mas rouco,

pois chega de ouvidos moucos.

Vou abusar da garganta
e enviar-lhe um convite.
A você que já me encanta,
e chega do antigo alvitre.

Quero estar desembaraçado
do medo e outros freios.
Quero é ser alcançado
de novo por modos de frevo.

E boto meu bloco na rua,
com desculpas a quem se ofenda.
E votos de que aproveitem o exemplo,
que pode ser que lhes renda.

Eu me rendo ao amor,
imperfeitos como sejamos.
Tanto ele quanto eu,
e nos declaramos humanos.

Portanto perfectíveis,
como tudo que planejarmos.
E que Deus nos escute e ampare,
e quem sabe decida alar-nos.

Aos céus os prometidos.
Aos céus os alcançados.
E o tempo, não vou medi-lo,
mas é tempo de nos beijarmos!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CABEÇA DO DRAGÃO (Sou Mar!)

Para Carlos Maltz, Jurubela e Nathalia Duarte

Sempre de olhos postos no mar
(de onde também nascem Sol e Lua
sem se perguntarem em que costa),
penso em sua generosidade.

Trabalha infatigável e a bem,
vinte e quatro horas por dia,
o dia inteiro, todo o ano,
pouco importa o ano em que estejamos.

(Ou se bissexto ou bisesdrúxulo...)
O mar é mais corpo que corpúsculo!

O mar abraça todo aquele
que se acerca sem o cercar.
O mar não conhece o medo,
porque sabe que é infinito.

Já o singraram glórias,
já o contaminaram conflitos.
Abençoou a tradição dos crentes,
deu naufrágios aos aflitos.

O mar não teme adiantar-se,
disputa o horizonte com o céu
sem deixar de beijar a areia,
que a areia é que é planeta.

Eu sou mar!
Embora um dia não o visse.
Sei que não vou me acabar
se buscar o que Deus me disse.

Penso na bússola que sei que ostentei,
sempre apontando pro Norte.
Porque me perdia em talentos do Sul,
distraído do nodo da sorte.

Que imensa Graça a dos encontros
que nos apontam pra onde ir.
Mar, você é o espelho!
Eu também vou servir!

sábado, 23 de setembro de 2017

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DE FININHO

Como te afinas
com quem te confina?

Eu afino!

CANTA

Canta na minha janela.
Depois voa pra onde quiser,
livre pra voltar pra ela.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

BUSCA (Perdão)

Busca,
brusca,
minhas mãos.

Uma reconhece sua falta,
outra lhe outorga o perdão.
É quando estou mais liberto:
o perdão que ofereço está dado
(não precisa pedir acesso).


O perdão é um dom resplandescente,
nos eleva à condição
supra-animal de gente.

Fora do perdão, a guerra.
Aquém do perdão, a vingança.
O perdão não exercido
é o algoz da esperança.

Tenha plena certeza:
ninguém nasce sabendo.
Apenas mais acostumado
com o que vinha aprendendo.

Não há inferiores,
não existe não ter salvação.
Qualquer planta, nutrida e regada
conhecerá floração.

Gente é tudo semente de anjo,
até o mais extraviado.
Quanto mais amor mais anjos,
menos anjos se mais penalizados.

Então deixe de sentir-se o eleito,
toda água brotou na fonte.
Só juntos seremos perfeitos,
nos deixe beijar-lhe a fronte.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ESCREVE!

Ainda se ninguém lê Poesia, escreve-a sem entrave. Sempre vale, se devolve burilado ao mundo o que do mundo te invade.


"Permita que o Amo invada sua 'casa-coração''

DESENHO HUMANO (Projetor)

Não venci na vida,
essa postura envaidecida
é coisa de quem não entendeu.

Vivo pelo seu triunfo,
e essa força me anima.
A vitória que me rege
vai de pequena a imensa.
Resplandece quando quer,
só existe se está propensa.

Depois que me libertei
as algemas se proibiram.
Derretem-se já no limiar.
A melhor gema, está claro,
é pedra cristalina e solar.

Florir-se, girassol,
nada sob a candeia.
Nada atirado ao irmão
(quem ama não incendia!)


Mas estar incandescente,
num mundo carente de Luz,
é uma postura fraterna,
que aprovaria Jesus.

Não existe pena de vida,
Vida vale a pena!
Entende-o quem perdoa,
perde-se quem condena.

Dias concatenados,
com o intervalo da noite,
que é descanso e não ocaso
(que o espirito não se alvoroce!)


A Alvorada está plantada
desde tempos imemoriais.
Confie mesmo na madrugada,
e a madrugada já ficou pra trás.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

NEM AVENTURADOS


  1. Um abraço forte e apiedado 
  2. a você,  do outro lado, 
  3. tomando café ruim requentado, 
  4. depois de ter-se justificado
  5. com o boato,  disparatado, 
  6. de que falta pó no mercado.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

SUPÉRSTITE

Você é um tipo forte.
Sobreviverá até à própria morte.

AUTOAJUDA DA INDEPENDÊNCIA

O espaço cheio de inconveniências
ocupa o espaço da oportunidade.

Alije-as,
antes que seja tarde.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CAPITÃ RODRIGUES (Monodiálogo)

Para Amanda Rodrigues

Eu te participo que és muito minha
e me dizes que não,
que de ninguém.

Te digo que é uma amplidão,
bela e que não te retém.

És minha num sentido
em que poderias ser de quantos fosse,
sem deixar minimamente de ser tua.

É como uma medida de abrangência afetiva,
de que te quero muito bem e toda,
pouco importando teus arrufos e esquisitices,
ou os importando para os desmembrar,

para estar-me todo teu bom humor,
que mal aflora e se 'desatreve'.
O que me dá a delícia
disso que não sei se é timidez ou malícia.

Vou sendo só eu o mate
fumegante na escuridão,
até o dia em que me arremates
sem nem ter sabido do leilão.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

HÁ VERSO

Há poesia no meu verso
ou, ao inverso, 
averso em minha poesia?

domingo, 27 de agosto de 2017

ANOITECEU EM POA

Porto Alegre ferve
na noite suave.
Porto Alegre ferve
sem saber que me arde.

Nem cabelos castanhos,
nem sinal de nada.
Porto Alegre me ferve
na noite vaga.

Paralelas que se cruzam
em Belém do Pará.
Paralelas que se cruzam
sem levar-me pra lá.

Das capitais distantes
PoA é a de que estou mais perto.
É a deles mais minha,
porque Haurida de um berto.

Sob a propaganda do refrigerante
a juventude se grava.
A juventude é longeva,
mas não envelhece nem tarda.

Ao palco, num reencontro,
a confraria dos magos.
Sempre pode ser feito
o que pode ser sonhado.

Somos os verdadeiros gigantes
de que se faz a Terra.
Apaixonados pelo erro
que sabe que não se erra.

AS chaves estão perdidas,
mas põem fim ao cativeiro.
As chaves estão fornecidas
sob a bem soado desvelo.

E Porto Alegre lança luz
sobre o filho de que é plataforma.
De onde se lança aos atentos
todo tipo de aurora.

Já tanto se disse,
que cada um escolhe o mote.
eu, por falta de escolha,
sou livre pra ser Dom Quixote.

Lanço-me o da esperança.
Lanço-me de lança em punho.
Só falta o seu simples coração
para salvarmos o mundo.

Porto Alegre, foi tão rápido!,
mas não levo vazias as mãos.
Levo o por do sol e o poeta,
e até outra ocasião!


*Escrito no PepsiOnstage, em Porto Alegre, no dia 19/8/2017, durante a gravação do DVD Desdaquele dia, de Humberto Gessinger, em comemoração aos 30 anos do aclamado disco "A Revolta dos Dândis", dos Engenheiros do Hawaii, banda que capitaneou de 1986 a 2009.

Músicas diretamente referidas:

Longe Demais das Capitais (1986)
Anoiteceu em PoA (1990)
Parabólica (1992)
Terra de Gigantes (1987)
3 x 4 (1999)
Dom Quixote (2003)
Simples de Coração (1995)