quinta-feira, 30 de junho de 2011

Loco Motiva

Pensava nos comboios, como quem pensa em Deus: com uma falta de fé desesperada. Pensava também em Deus - um comboio: algo que sem dúvida existe, mas é absurdo, que parte com um destino indefinido.

Implacável sintaxe do convite à inversão que não distorce (mas diz: torce!): Deus existe sem dúvida, mas cogito ergo dubito ergo, ab irato, puta que o pariu!

"...de algum trem, que não passa por aqui, que não passa de ilusão..."


segunda-feira, 27 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pronúncia

O amor só é possível em si, só é possível em "se", só é possível "em se...". O amor não é possível em voz, não é possível em vós. Em nós, o amor só é possivel em nós.

domingo, 19 de junho de 2011

De Ofício

As famílias são para os floricultores. E nem todos os admiradores de flores, e nem muito menos os capazes meramente de as curtir, são para o ofício, se o arranjo é tão delicado. E os pés em atraso que nos arranjemos  em outros vícios.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Roques

Flor Terezinha Nilton Tadeu Paulinha Brow Carol Titia
Michelle Moms Leonardo Neneca Levadona Celma Marina
Junim Jussara Metal Sandinha Dani Jones Ana Gabriela Milena Lorena
Lilinha Fllé Banbs Sandrokita
Carlotinha Xoxim Rasslan
Frangão Piruca Adilson David Gualtieri-Flavinha Mamão

quinta-feira, 16 de junho de 2011

De Terceira a Primeira.

No dia em que Ramones deixar de me divertir, Pessoa de me emocionar, Helder de me instigar, Vinícius de me justificar, e Bach de me elevar; nesse dia eu quero estar, devo estar morto.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Há tensão.

É que é preciso ter coragem de apanhar do sentido até apanhar o sentido!

"Seis sentidos na mesma direção
  Seiscentos anos de estudo
  Ou seis segundos de atenção"

domingo, 12 de junho de 2011

Veneziana

Há, quero crer, consenso na rejeição do desperdício. Mas e detectá-lo, é também tarefa fácil?

Testemunhávamos uma aula em que se aludira a uma frase, pra mim Nova, de uma Vera professora da Casa em que todos faleamos. Segundo a docente, "viver faz mal à saúde". Era sobre o excesso de zelo? Talvez fosse, faleou-se um pouco na reprodução do contexto.

Cuidado, cara! Isso de viver vai consumir sua saúde! A preocupação na limitação dos excessos da vida atentatórios à saúde vai tornando antentatório à vida o excesso de saúde!

Lembrou-me uma triste constatação a que ameacei chegar quando brincava com aquela frase do Drummond-feliz-habitante-da-maravilhosa-escrita-no-mar, de que "as Minas são mais bonitas vistas de longe" (Talvez muitos manos paulistanos concordassem que as há assim, rs).
 
Pensava, então, em estratégia Casanova (agora o italiano), que a mais segura forma de manter vivo o interesse é não franqueando o acesso, ou como alhures já disse, restando em apresentação (preciso aspas para citar-me a mim? Às vezes sinto que sim...) 
Alto lá! Acho que estou dando muito franco acesso e, no acesso de franqueza, contradigo-me e desperdiço seu tempo!
Au revoir... de longe!
Revoar ao longe!

sábado, 11 de junho de 2011

"O fogo ilumina muito... por muito pouco tempo"?


Na sala em que se reuniam os ânimos dispersos, indômitos da agitação recreativa que aparta e só liga as lições porque as anula, o sorriso do mestre azinhavrava-se, porque não se reconhecia pelos pupilos. Pupilos de pupilas dilatadas, não para tragar o que de fora se lhes oferecia, mas por não lhes ferir os olhos a luz que se lhes opunha. Não lhes feria os olhos incólumes, e ficava-lhes então a alma ferida.

Ardera o teatro, no palácio em que na terrinha melhor as artes se encenavam. Em encenação da crepitação, lavrou o periodista seu Dramático!, que descido da machete o mestre apresentou.

Não os tocou! Não os tocava porque a chama que despedia o artístico em pompa não lhes figurava perigo. A desaparição do belo que se consumira fulgurante não lhes ventilava  risco, não lhes era cintilante.

Mas foi talvez ali que me rasgou e adiou a ameaça apartante.

Postergado o perigo, não nos protegeu a procrastinação, não foi bastante, há-de consumir-nos a labareda, do claro instante!

Canto porque o instante existe!

Ps: os que não se sintam instados à decifradivinhação, lancem aqui o “pirou!” ou “ah neeem!”, e deixem a outros a piromaquinação.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Te acordas!

Reclamas, incompreensivo, da incompreensão. Do mesmo antes feito a não mais poder. Dessa impotência, vem-te turvação, e já não aceitas o que seja jorro.

Mas o estilo forja-se, forja-se de si, embora não seja dado. O estilo não é manjedoura, "manjas"? O estilo é a cruz, ou é para a cruz.

Estilo em estilo Helder:


o estilo é um modo sutil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe?

Mas Freud é teu comensal. Sem deixar de o ser também meu, já que a cada vez que invisto, invisto contra mim, em desconfiança de mim, em desarranjo de mim.
(...) mesmo ao avaliar o estilo de um autor, temos o direito e o hábito de aplicar o mesmo princípio elucidativo que nos é indispensável ao rastrearmos as orígens dos equívocos isolados da fala. A maneira clara e inambígua de escrever mostra-nos que o autor está de acordo consigo mesmo; quando encontramos uma expressão forçada e retorcida, que, segundo o *apropriado dito, aponta para mais de um alvo, ali podemoss reconhecer a intervenção de um pensamento insuficientemente elaborado, complicado , ou escutar os ecos velados da autocrítica do autor.  
Ah, o apropriado dito era:
*Ce qu'on conçoit bien
S'annonce clairement
Et les mots pour le dire
Arrivent aisément
.
(Boileau: Art Poétique)

"Contra, contra, contra a tradição, a contradição, a contradição."

E tu, o que contas?
Ah, tu já não contas, de acordo contigo...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

To masiado Humano

Pensava no que pudesse haver de mais propriamente humano. Isso a partir do choque surpreendente (mas não o são todos os choques?) que experimentei ao ouvir o professor falar de alguma coisa como o surgimento da literatura como hoje a concebemos. Mas como é que pudemos já ter passado sem isto? Passamos mal, hein!

Surpreendia o choque porque sei muito bem que Ela não podia ter havido sempre, por mais ávidos que hoje sejamos. Sei Tomasiadamente tudo sobre o advento da agricultura, de como nos fixou, livrando-nos do nomandismo e fixando-nos a meta de, mesmo não mais errantes, vagarmos por aí de alguma maneira. Sei também que essa meta só foi tornada possível, ou facilitada, por Gutemberg, com o novo ritmo que imprimiu a nossas vidas.

Isso de mudanças, pensando bem, eu tirava de letra! Pois já não ouvi o senhor Major contando da chegada televisiva ao mais Belo Campo das Vertentes? Pois então não sei da dependência dos guris de hoje da Barsa instantânea e do telenamoro facilitado que têm na internet? Porque o nosso telenamoro, fônico, exigia prontidão e discurso acabado, ou nos acabávamos nós, dávamos nós, éramos nós... desatados.

Qual guris! Dependo eu mesmo da internet para chegar a vocês, que jamais me foram dadas páginas! Eu que antes dos 20 dela jamais me servira, só me tendo sido de serviço a partir da transatlântica paixão da cabeça aos pés em ponta.

Caramba! O que há de mais propriamente humano é alguma falta. No vazio cujo preenchimento varia, dele não nos livrando nem os que variamos! Homi, tá variandu!?

Livrarei, pra variar, mas nem isso me livra!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carentes de mundo, aos livros!

Perambulam "mais sós que paulistanos". Se quisessem, era-lhes dado perambular mais sóis. Andam à cata de diálogos que não se instauram senão formalmente, em dias looongos, vaziiiios. Ali é "fala o que quer e ouve o que não quer". Duas vezes. É que também fala quem quer falar e ouve (?) quem  não quer ouvir.

Mas há livros. Há livres que falaram para serem ouvidos quando. A chave é sua. A casa, se acaso há casa, é sua, seja o caso de entrar. Faça caso. Não se publique em ocaso.






 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mater Now

Aprendi muito com a minha mãe. Não aprendi tudo que sei, mas o que sei é relativo e circunscrito a esta jornada. Com minha mãe aprendi o que sou. Não tudo que sou, mas o que bem sou, o que me a-bem-soou.

Dessas lições, uma me veio nos estertores e direta, como sempre são nos estertores. Lecionou minha mãe que "a gente nasce só e morre só". Disse-mo assim, sem dissimulá-lo, e ilustrou-mo com sua vida.

Só os gêmeos nascem juntos, e apenas os comorientes, solidários no sinistro, morrem juntos.

Não digo que se isole, que se firme no recôndito, embora já me tenha dado conta de que o intestino é o privilegiado e irrenunciável lugar do processamento. Ao largo da histeria judiciária, processe-se. Concilie-se.

Que possa florir, sim, seu jardim, e que o orne a fauna que não lhe seja predatória. Bem-vindos os convivas de vivas intenções, que não reduzam as flores a hastes, como se hostes fossem, que pétalas não se devem suprimir.

Festeje-os, mas os saiba provisórios, em microcosmo da vida, ela mesma fugaz. Independa!

Quer saber, mesmo entre os gêmeos há sempre o primeiro na emergência, bem-vindo o seguinte com uma primeira chance de ser precedido. Entre os comorientes, também, há sempre um que expira primeiro, legando ao seguinte um último suspiro, e firmando-se o entristecido, resignado ou mesmo aliviado precursor.

Não. Não completei 4 anos sem mãe. A coincidência genética esgota-se na gênese. A afinidade genética regenera-se. Regenera.