domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma noite mais longa que o porvir.








Buenos Aires, 28 de fevereiro de 2010.

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010. Sabe esses dias longos!? Sobretudo nas férias, quando não é do hábito dos sãos acordar cedo, muito menos deixar o leito. Nós o deixamos. Saltamos da cama e pegamos o BuqueBalaio em direção a Colonia del Sacramento. Uma curta viagem Prata afora, que nos permitiria a sensação de ampliarmos nosso curto curriculum de viajantes internacionais.

Adentramos a República Oriental do Uruguay para nos depararmos com muito simpática cidade. Atmosfericamente falando, creio poder chamá-la, com alguma justiça, de "a Tiradentes Uruguaya", embora mais diminuta. Alguma aproximação ainda nos permitiria chamá-la "a Alsácia Ibérica do Ultramar". É que foi fundada pelos portugueses, que no seu afã globalizante entenderam por bem povoar as margens do Prata. Os espanhóis, senhores daquelas terras de América, tomaram-na, e os portugueses a recuperaram por tratados. Segundo a fala da guia (não chequei os dados porque forçosamente o faria na internet, e pareceu-me muito desdém dar tão pouco crédito a tão simpática e aparentemente informada uruguaia.) esse movimento repetiu-se algumas vezes, já que "os espanhóis eram muito bélicos, e os portugueses, muito diplomáticos".

Passada ali a tarde, entre História e beleza geográfica, entre sotaques e ação solar "desnaturalizadora" de proteínas, voltamos a estas boas terras de bons ares. Ao chegar "em casa", um edifício de trinta andares, vizinho lateral do Four Seasons, o primeiro tremor do dia: Luly Drozdek mora aqui! Para os provavelmente muitos que não a conhecem, Luly Drozdek é uma muito bela atriz portenha, que integra o elenco de "Passión", um muito divertido espetáculo a que assistimos num dos inumeráveis teatros da Corrientes (embora não "tres-cuatro-ocho"). O tremor se deve a que, na peça, a que assistimos da primeira fila, a muito corporalmente abençoada moça fazia uma corajosa exposição de sua estimulante figura. Me encanta el teatro! Voltando as pernas a sua habitual mais-ou-menos-firmeza, subimos ao apartamento que, se não antes mencionei, está no 26º daqueles trinta andares.

Banhados, nutridos, penteados, hora de descer a desfrutar a sexta portenha. Surpresa: acabou a luz! Descidas as centenas de degraus que nos apartavam da planta baja, porta de saída para uma noite em que não prestigiaríamos o concerto do Coldplay no estádio do River, experimentamos o segundo tremor, novamente das pernas, o da fadiga!

Em outro ponto da cidade, em um centro de exames clínicos, foram experimentados o terceiro e o quarto tremores: o nosso bom Senhor Nilton submeteu-se a uma ressonância magnética, claustrofóbico exame cuja antecipação lhe rendeu o terceiro tremor, ficando o quarto por conta do próprio procedimento.
Reunida a família, desfrutada a matinê, ficou a moça em casa, onde a luz ainda não voltara, dormindo na escuridão, enquanto eu e el diplomático señor Nilton ganhávamos a noite que, apesar de seus habituais bons ares, não nos ganhou, por agotados! Chegando ao prédio, nova e boa notícia: o responsável lograra seu técnico fiat lux, e pudemos subir os vinte e seis andares como gente civilizada! Eram duas da manhã. Comentamos eventos daquele longo dia, nos despedimos, cada um a seu quarto, e no meu fui ter com os da terrinha, via msn.

Hora-e-meia-e-mais-um-pouco depois, no que parecia um súbito e fulminante cansaço, despedi-me dos virtuais interlocutores, sob a suspeita de um imininente desmaio e, em meio ao quinto tremor, enquanto decidia o que me passava, se fora o sobrepeso que justamente pesa sobre mim (como castigo pela orgia gastronômica) a romper a cadeira, ou um desmaio por excesso de sol na moleira, um assustado tio assoma à porta do dormitório e :
"Gabriel, você tá sentindo isso!?"
"Sim!"
"Puta que pariu, não é o vinho! Paula, acorda!"
"hum...(dormindo)"
"Paula, acorda, anda! (aos berros) :Paula, você não tá entendo, o prédio tá tremendo! Anda! Não, larga isso, não é pra por roupa!"

Sabedores da inutilidade dos elevadores em caso de incêndio, completos ignorantes no que respeita a terremotos e seus mais imediatos efeitos sobre as estruturas prediais, mas experientes na eternidade que custa descer vinte e seis andares por las escaleras, descemos de elevador. Eu (felizmente) ainda metido em rubronegras listas ramônicas, o outro de pijama, a guria, na pior, sem pijama e sem lentes ( as que vencem seus doze graus de cegueira!). No saguão, já o porteiro recebera telefonemas de quatro andares. Rapidamente o saguão ganha mais quatro famílias, as do nono, décimo sexto, e vigésimo nono andares. Uma chica que chega borracha do boliche, ao cruzar a portaria, fica na dúvida se para de beber para não voltar a ter aquelas visões, ou se, mais realista quanto ao que lhe apresentam os olhos, e ao mesmo tempo mais sociável, toma parte na festa do cabide que tem lugar bem ali!

Aflitos e desabrigados, um dos moradores, o mais preocupado de nós, constata que o lustre do prédio em frente balançava. Eu, incompreensivelmente aliviado, constato que não estávamos habitando o Palace II portenho! Estranho alívio imediato.

Passeando roqueiramente trajado, acompanhado de duas bizarras figuras em pijamas, ganhamos os jardins do Four Season, direção da portaria, a saber se lá se sentira o quinto dos tremores (o do pânico apaspalhado!) vindo dos quintos sabe lá deus (ou o outro!) de onde! Não sabiam. Diviso e ouço o carro da polícia! "Fudeu, não admitem festas do pijama públicas!" ou "Quicá vieram com a defesa civil". Param. Nada sabem. Vem van, em vão. Abre suas portas. Sai Vince Neil, vindo direto do seu concerto, no mesmo local em que, em 2007, eu assistira ao concerto (bem mais desconcertante!) do Lacrimosa. Flashes, gritos de garotas vindas sabem lá aqueles dois de onde! Autógrafos! Pensei no MeiaTigela! Tanto para lhe contar!

(Nossa, o post tá giga! Não vou ler esta merda nem fu!)

Bom, novamente reunidos no saguão, todos ligados no rádio, descobrimos a verdade: terremoto fulminara e estraçalhara Santiago, Mendonza fora abalada, e o abalo chegou, como o experimentamos, a Buenos Tremidos Aires! Prédios altos, muito PROfundações, sustos ceifadores da tranquilidade tupiniquim!

Já é domingo, e retorno hoje a "um país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza", e poupado do Vince Neil!

Amén!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

POETEIRO.

Não sou bobo nada!
Sou!
Sou o bobo da corte,
Mas só faço a corte à sinhazinha!
Cortês!
Cortesão!
A cor tez é branca
A cor tesão é verde-escarlate
A escalar-te, full time.

"...em vão". Portuñol selvaje sacrílego


Dicen que Jesus citó. No estoy de acuerdo! En realidade ha sido Jesus citado! Era un hombre increíble, un original! Hace más de dos mil años que lo citan! Y lo citarán muchas veces más!


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

The incomprhensible is unbearable

Não suporto essa talvezcia!
Náufrago o barco,
Dá-me outro; à travessia!
If your Cummings were to me!
As I wander wondering wonders
Chastise me the thought of your destination,
The tough thought of your whereabouts!
What about us

Stranger in a strange land I know by heart!


domingo, 21 de fevereiro de 2010

E eu com esses números!


Buenos Aires, 21 de fevereiro de 2010.
Acordei num domingo como o são todos e resolvi ficar em dia com os blogs amigos. Hoje, felizmente, fazê-lo é também uma forma de me rehawaiianear. Sempre bom! Num dos posts dos nossos bons de pena virtuais, li a confissão do cara de que "tinha sete mil vidas no amor". Entrei no lance. É tão raro isso! E é mesmo isso, né! "Sete vidas, mais de mil destinos!". A quantas encruzilhadas você chegou! Ao fim de algumas, quantas eram as combinações possíveis! Lembra-me um jogo bobo de vídeo game, outrun. ACho que era de master system. Você pegava um conversível vermelho (tudo muito original), e saía por aí, meio easyrider. Acho até que rolava uma gatinha. Claro! Exatamente! Longilínea, loira e, provavelmente, silenciosa, calando a sua vontade de ouvir outra coisa, outra rádio. Não adianta! Você não tardará a dar-se conta de estar em um remake. E remake não costuma ser bom! Basta ver o que fazem los americanos, com contumácia; recalcitrantes!

Outro dia lia o suplemento de cultura do "La Nación", seção de cinema. Falava-se do filme sueco aqui chamado "Los hombres que no amabam a las mujeres". Já se sabia que os estadunidenses o estavam refazendo. Não lembro mais quem era o cara, ou a sua relação com o filme, mas censurava os sobrinhos de Sam e a sua mania de "refazer o que está bem feito". Não sei se é soberba, incapacidade de ler legendas, vai saber!

Mas não seja muito literal, amiga! Nunca tive conversível e parece-me que já namorei uma loiraça! UMA!

Estou esperando. Você vai aparecer e dizer "Cara eu prefiro outros canais!", sem aparecer com sua cara em todos os comercias. Sem aparecer com uma cara em tudo comercial. Ah, o comércio amoroso! Curioso escambo!

Ah, talvez eu vá para o escambau antes de isso dar certo!


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ahora sin nora de nuestra muerte, amén!


Buenos Aires, 17 de fevereiro de 2010.
A cinefilia é mal que segue o cabra aonde vá. E numa terra como esta, em que se espalham várias e várias salas a uma distância pedestre da nossa "residência", fica difícil estar assintomático. A noite de hoje foi consagrada ao cinema mexicano, com o muito aprazível "Cinco dias sin Nora". Começado o filme foi projetado aquele clipezinho simpático do Cine Argentino, o que nos deixou surpresos ao ouvirmos aquele espanhol tão mais claro que o que nos soa nas ruas. Que saudade dos "ll" que soam "lh"! haha!
A história é muito interessante e tem momentos impagáveis que nos deixam envergonhados das gargalhadas altissonantes que irrompem! Nora, que já tentara se matar quatorze vezes ao longo de sua conturbada vida, e que era vizinha daquele que já era seu ex- marido por vinte anos, deixa o mundo e, nele, a incumbência ao ex-marido de preparar-lhe o funeral. Não, não foi por escrito, foi por... cilada!
É uma divertida mostra de como as mulheres, quando logram inscrever-se em nossas histórias, fazem-no com a tais frases mais azuis que "você não pode apagar". Carma, privilégio... Vai saber! Não as podemos vencer! Juntemo-nos a elas! Vivamos por essas mulheres que são de morte!




terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CESSE A PORFIA!

Ô recalcitrante! Às vezes a insistência é obviamente contraproducente.
Provei.
Não gostei.
Insistiram.
RE-PROVEI.

Buenos Aires, 15 de fevereiro de 2010.


Hoy es el lunes! E as mulheres são de lua, ah são! Minha irmã está em choque, reclama que uma reles semana portenha já a engordou! Já referi em outras oportunidades que das coisas que marcam esta temporada uma é a comilança! Não há escapar-lhe! Mas as mulheres também gostam de desafios, e ela chamou a si este: não comerá! Fará o básico das refeições. Bom, veremos! Eu sou da opinião de que o que vem fácil vai fácil, haha! Depois que acabar o extraordinário período que é o de férias, volta-se ao ordinário, à ordinária vida de comer o de sempre, fazer o de sempre. Aproveita, minha! haha!


Bom, fim de noite, findo o filme, passamos pelo Guerrín, a comer mais uma fugazzeta. Vem-nos. Eu e o señor Nilton a atacamos. A guria a olha, resiste. Pediu água! Ah, menina! Está muy rica! Probá! Um pedacinho, pô! "Tá bom!".....................

........"Tá vendo! Um pedaço mata a fome!"

"Tem razão! Um pedaço me mata de fome!" E sirvo-me de mais um! Quero ver se vou ser tão engraçadinho na hora de passear minha desfigura Viniciana, Marlobrandiana (o velho, bem claro!) pelas ruas biririzontinas!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Faça o que quiseres pois é tudo da lei!

















Buenos Aires, 14 de fevereiro de 2010.

Domingo! Domingo é domingo, creio, onde quer que seja! Costumava dizer, quando adolescente, que se fosse raptado e solto em qualquer parte do mundo, talvez não soubesse pelo sol a hora, talvez não soubesse pelas estrelas a parte do globo, talvez não soubesse nada, mas saberia se fosse domingo. E aqui, tão perto, hermanos, claro que sabia mesmo, né! Foi acordar e ir ter à feira, para nos divertirmos, sobretudo, na feira de San Telmo, com a felicidade turística da classe média brasileira, dos quais muitos, como nós, não conheciam outros campos alienígenas além dos portenhos. Que gente estranha somos! Ah, é ser feliz, haha!

Dia de San Valentín e lá estávamos, três ímpares, a pisar las calles! Depois de muito rodar praças e feiras, agotados, hambrientos, fomos ter ao La Nueva Gata, um restaurante que é mais delivery mesmo, tosquinho mas que, diante da fome, serviu-nos iguarias. Mas o que queria contar era a bobagem do diplomático Señor Nilton, que é do que mais se sente falta de quanto há em Buenos Aires. Ao descer do carro, olhei pra cima e vi a publicidade da nossa boa Coca-Cola, que aqui, ao contrário do que creem alguns bem intencionados, não se chama Cueca-Cuela. Aí disse: "Nossa, nós bem que usamos o imperativo porteño, né! Como em tomá no cu!" E vem a experiência diplomática: "Ué, não é imperativo, é facultativo!" E eu que me julgava perito em Constituição, o bacharel da família! É, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, salvo em virtude de lei!

Bem que não assistimos a "Dia de los enamorados" ("Valentine's day", no original), mas a "Enseñanza de vida " ("An Education", no original).

Foi um bom dia!

Senhor! Manda-me um sinal!


É ver o belo nos meios disponíveis!
Feliz dia de San Valentín!

sábado, 13 de fevereiro de 2010



'Cause what you've got inside
Ain't where your love should stay
Your love, sweet love, ain't love
'Till you give your heart away!

Eles manjam de comida! Mangia!




Buenos Aires, 13 de fevereiro de 2010

Cara, os Nogueira são muito bons de garfo! Sempre que estou por aqui, ou por onde quer que os haja, é comilança! Ainda não nos metemos em nenhum boliche! Bom, acaba de nos chegar o primeiro fim de semana, é verdade, mas além do cinema e dos teatros, e sobretudo atrações musicais latinas, parece uma gira gastronômica! Não que comamos o que não se encontre em casa, né, mas acho que as férias, além daquelas promessas de pronta entrada em academias no retorno, desatam o nó do estômago, sabe como! Como! E como!
Além das coisas mais manjadas, como o excelente Kansas, que é como um OutBack mais elegante, já estivemos no peruano Status, onde nunca me canso de comer o fabuloso cebite, no El Cuartito, uma pizzariazinha sem requinte, que talvez não seja de bom gosto, uns diriam, mas é de gosto muito bom, e no Palito, um chinês muito do bom, aonde quero ir de novo comer o Pollo a trés aromas. Hum....
Hoje estivemos nesse local aí da foto, também no bairro chino, o Lotus Neo Tahi. Ali saboreei o Kaeng Ped Kai, um lance curry rojo de pollo, con mango e leche de coco. Qué rico! O té rojo frío confesso que estava mais pra HerbaLife, segundo me disseram. Gostei mais do chá lá do Palito! Bom, nem tudo são glórias!
Galera, postos meus arredondados pés em Beagá, deem-me prazo pra exibir minha desfigura na Medina, vale!
Mangia!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Perfaço-me.
Você, se já acabou, já se acabou.
Cede seu lugar.
Não há terras inúteis onde não há campos inférteis.
Devolva-as, melhor as termos devolutas!
Vete!
Buenos Aires, 10 de fevereiro de 2010 - 23: 22

Olá, MULHERÃOzinho!


É a primeira hora do dia aí no Brasil, o dia porteño ainda não nos chegou, e já estou pensando em você! Pensando que Buenos Aires é uma cidade linda, cultural, esteticamente favorecida, que seria um local ótimo pra morar! Penso, com carinho e melhor, que morar melhor seria morar em si! É em si que me quero abrigar de qualquer intempérie, sentir calor, banir o frio! Não vejo a hora de março chegar, e espero, francamente, que ele não ponha suas águas a serviço do fechamento do verão! Até porque, estando aqui, sinto na pele um excelente argumento para tanto: aí no Brasil, tropical, não há estações! Parte-se, chega-se, mas não há estações! Não há, portanto, sentido algum em falar-se em final de verão! O Brasil não está no verão; o Brasil é verão!
Veraneia-me, vero Sol! Radiante linda mulher!
T.Q. M.!
Beijo!



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010





Buenos Aires, 10 de fevereiro de 2010


Quarta-feira é dia de museu em Buenos Aires, capital da Argentina da América. Eu, nativo do Brasil da América, junto com outros d'outras partes da América e de outros continentes, peguei uma filinha no MALBA para ver a exposição do Andy Warhol, pela qual hoje, por ser quarta, se cobravam cinco pesos. Barato, né!
Muitos, com alguns bons argumentos, de fanáticos das belas artes, não reconheceriam qualquer valor ao trabalho de Andy. Seria mera popice, como o reaproveitamento de fotos, desenhos de latas, e coisas tais. Não sei! O contexto faz coisa, né! As coisas têm um valor postas em um contexto que não teriam em outro, ou despidas de. Que o digam os Duchamp desse mundo de meu deus. Mas de tudo quanto havia desse filho de retirantes europeus ao novo mundo, a América, o que mais me chamou a atenção, inscrita na parede, foi a resposta de WARhol à indagação de um repórter. Nela, WARhol dizia que era uma bobagem isso de se questionar a prerrogativa estadunidense de serem chamados de América. Dizia que lhe diziam que essa nomenclatura poderia ofender outras nações que não estavam senão na América. "Não me importa o que uma Venezuela ou outro país possa achar disso. O Brasil não se chama Brasil da América. Temos o direito de sermos chamados América, abreviadamente." Argumento... barato!
Digo que, apesar de ter visto ali alguma coisa de interesse, o Sr. WARhol já teve muito dilatados os seus quinze minutos. Abreviadamente, como ele diria, o que há de melhor ali são nossa Tarsila e nosso Di. Que belo o Abaporu!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ARTEPLEX











Eu e Woody já estamos firmes na cinefilia. Aqui no Arteplex estamos todos: Brando, Chaplin, Felini....
O Arteplex é o Belas Artes daqui, embora ainda não tenha acertado o horário de frequência. Bom, pode ser que só haja ali aquelas coroas mesmo, e a los jóvenes les gusten más los blockbusters! Vai saber!
Por enquanto, além do ToyStory 3, a que assistimos por falta de opção, mas que em 3d acaba sendo mesmo divertido, assistimos a dois longas muito recomendáveis.
O primeiro, "Jelly Fish", aqui chamado "Medusas", é uma produção franco-israelense de Etgar Keret e Shira Geffen. Delicado, comovente, pode-se dizer que, de alguma forma, entrelaça pequenas histórias de desajustados. Vale a pena!O segundo é "Andres no quiere dormir la siesta", prata da casa, de Daniel Bustamante, com Norma Aleandro, a Eva Wilma porteña. Andres é um guri cuja mãe, linda por sinal, envolvida na resistência à sangrenta ditadura argentina, acaba morta, modificando na base a vida do pequeno, que sofre surpreendentes modificações, ou revelações... Muito bom! Recomendado! Los busquen!

Buenos Aires, 08-02-10: A mi me gusta el verano



domingo, 7 de fevereiro de 2010

Á gozá com o PAU LA dos outros, rapaz!


Buenos Aires, 07 de fevereiro de 2010

Tenho no orkut um álbum chamado "Here, there... just here and there", e não é por acaso. Não sou, ainda, homem de grandes andanças. Respiro de novo, embora me fosse conveniente à expansão da experiência respirar mejores, buenos aires. Ainda quando possa haver melhores, o bom é sempre bom, às vezes bom demais.

Mas o melhor foi viver de tabela a experiência fraterna de quem ainda não voara, fosse com o recurso que fosse, nem metera os pés em terra que se pudesse chamar estrangeira. Muita alegria fora desse meu Brasil! Haha!

É uma quase "revivência", algo muito interessante. Um quase gozo fugaz do full gas alheio! É como ficar anos sem ouvir Nirvana e, de repente, à audição dos primeiros momentos de "Lithium", ensaiar sentir aquele fervor adolescente e ver a coisa esvair-se em pouco mais de segundos!

Sem frustrações! Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, né! O rio aqui é outro; os ares, bons mas outros. Sou outro. Não, não há outra! Ah, chance... Chance há (de)outras!

Passeio rápido e, antes que algum apressado critique a escolha do primeiro sítio a que conduzida a irmã, lembre-se de que, pra quem vem de Horizontes mais Belos, bairros chinos e metrôs sub são coisas típicas de onde se está!

Me ducho e me voy! Quem sabe não me toca, ao azar, a sorte de conhecer de olhos e mãos uma hermana, para dela só gostar "o trivial do momento", já que tenho gosto bom ficado em meus olhos e boca"!

HOLA, HERMANAS!

"'Cause I'm leaving on a jet plane
Though I know I'll be back again
Oh babe, I hate to go...
...not!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

REVEZAMENTO

Amanhã brindaremos com o vinho à uva que com ele nos brindou.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA

"A onda agora é" é passado, sim senhor!
A abalar Bangu agora só Tsunami arrasador

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"O DIABO VIGE DENTRO DO HOMEM"

Se não muito me engano, Guimarães Rosa veio ter ao mundo no ano mesmo em que o deixou Machado. Deixou-o cacete, parecia, mas vinha algo novo veicular o mesmo e sempre mundo. Machado soube ver que todos temos guerras que nos vão dentro e, mal do mundo, não há sempre exércitos brancos a vencer os camisas-pretas, de cruzes tortas e outras! Cruzes! Não é assim! Não há maniqueísmo aqui pra dentro, a não ser na nossa cabeça estúpida! Chamou a isso (tá, mais ou menos isso) "caracteres", e com eles encheu suas ricas páginas, objeto de incessante garimpo, e nunca creio que verão pelada aquela Serra!
De Serras a Sertõres, também ali pode florescer Rosa, de que muitos vemos facilmente os espinhos, nem tão raros, não nos atrevendo (com muito prejuízo!) a aspirar-lhe o perfume, a aspirar à compreensão daquilo. Começo, lanço-me, e terei apoio; há de me vir algo! Já vejo, páginas adentro, que também soube ver com os olhos agrestes e sem lentes de que amiúde se revestia a guerra a travar-se-nos nonstop! Veem-na todos os que não nos furtamos a vê-la, embora haja essesoutros, que a negam para suporem-se campos pacíficos. As flores de plástico não morrem! Que gozem sua fertilidade industrial, que muitos Pessoas continuarão vendo-se muitos; a machadadas revelar-se-ão caracteres; e os mais modernos olhos gaúchos vão continuar a tentar descobrir quem é o clone de quem, nessas muito mais de 123.000.000 de variações sobre o mesmo tema que erram pelo mundo!
Ah, errássemos menos!!!...
Ah, você não erra, né? Então continue batendo seu martelinho de pureza! Atrás da mesa o açougueiro comanda, e a intolerância me manda de novo pro banco dos réus. Que vá ter ao açougue quem quiser! Há hortas e o mais!
E há Rosas:


"Melhor, se arrepare: pois, num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. E que isso é? Eh, o senhor já viu, por ver, a feiura de ódio franzido, caratonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engulir por sua suja comodidade o mundo todo? E gavião, côrvo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar para adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas - que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo - que é só assim o significado dum azougue maligno - tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?! Arre, ele está misturado em tudo."

EX FOLIA-AÇÃO - meat-me as hard as rock!

-Olha que acabo com a sua raça em propagação da minha!

EXTRAIU LEITE DE PEDRA.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

TERÇA À PARTE.


Este post não tem nada. É página de diário. Portanto, você que não me conhece, nem gostaria de conhecer, pode saltá-lo. Aliás, você que não me conhece, e talvez justamente por isso julgue que isso valha a pena, pode saltá-lo também, porque ele não me carrega. É página de diário de notícias, despersonalizadas. Um gabar-se de satisfação adolescente.

Minhas férias escolares já ultrapassam a segunda terça parte, mas as laborais, muito mais necessárias e sentidas, acabam de começar, e é nelas que nos jogamos, que nos permitimos fruir o que seja. E terça me apareceu programa irresistível, a que talvez assistisse ainda que em véspera de prova(É, sou CDF, de um certo ponto de vista). E olha que estava de férias! Não que não tivesse o que fazer. Lograra marcar um programa há muito muito desejado, e de incerta reaparição, mas já notei que a melomania é mal que, se não me matará, fará com que padeça toda a vida... no paraíso!

O fato é que uma minha grande amiga, empresária cujos empreendimentos estão situados nas adjacências do Teatro Alterosa, consegui-nos entradas para o pocket show do Zeca Baleiro! Evento super exclusivo, de que nem a notícia me chegara, pelo menos até a véspera! Joguei tudo pro alto e fui!

Não me atreverei a tentar reproduzir a entrevista até porque as pessoas, se gostam do Zeca, provavelmente já sabem o que disse (Eu, por exemplo, poderia ser dublê de entrevista do bom gaúcho, então também há quem possa sê-lo do bom maranhense e mineiro honorário), se não gostam, não querem saber. Só digo que gostei da coisa de defender o brega, até porque, é defender-se, já que Zeca, se tem textos muito acima dos textos assim rotulados, esteticamente, melodica e ritmicamente, é tributário da moçada.

Bom, o show foi do caralho, deixo-lhes amostras, e o testemunho de que o cara é o Mr. Simpatia. Poderia desposar a Sra. Dolores, interessante mistura resultaria.






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Afiançado?


Dois eventos recentemente passados, um deles ainda flagrantemente presente e, provavelmente, futuro, combinaram-se na gênese deste post. Nesta feliz data, minha irmã caçula (a quem vai dedicada a trilha, impertinente para o mais do post) anunciou seu noivado. Atará os supostamente inextricáveis, e ainda mais supostamente sagrados laços nupciais. Vai-se conjugar. Para conjugar bem e utilmente, é necessário saber também sobre flexão, regência, tudo muito indispensável. Houve um tempo em que sobre regência já se nascia sabendo...

Por falar em outrora, como já disse, estive em Tiradentes neste fim de semana e, além da boa experiência cinéfila que a visita me proporcionou, uma subvisita proporcionou-me uma "coisa de cinema", o que não é de espantar, naquela cidade-cenário, né!

Estava na área externa daquela matriz que, não sei se forço a pertinência, chama-se Matriz de Santo Antônio, quando deparei uma lápide cravada no chão em cuja superfície se lia:
"Amélia Maria José. Casada em 19/08/50, Falecida em 01/02/64."*

Acho que não preciso tecer grandes considerações sobre isso, né! Assim são as lápides, delas sempre constando, além de possíveis elogios fúnebres, as datas em que a pessoa passou a ser, e a em que deixou de ser.

Bom, antes do mais, e antecipando-me ao Caíque, lanço aqui a sugestão que me foi dada por uma amiga da agora noiva: "Melhor seria que constasse Amélia Maria José. Nascida em 13/09/1930, Casada em 19/08/1950."

Cada um sabe o que é melhor pra si! Seja feita a nossa vontade, agora e na hora...