terça-feira, 31 de março de 2015

FF (Rew agora...)

"...que amva... que amava..."


O que é isto que vamos tendo?

Quer dar-me acaso ciências?
Se me diz tudo não me ocupo
em pesquisar as intercorrências.

Hoje tanta gente é poli,
há poliglotas do amor.
Gente que não poupa a língua
nas belezas que nos deu o Senhor.

E aí, mono ou poli?
(Acho que a moça é que escolhe
quanto recolhe de amor.)

O amor tende ao infinito,
mas pode deixar-nos aflitos
se tememos expansões.

Eu não tenho grilo com isso,
mas tampouco me esquivo
de sermos dois corações.

Há dois corações cinco estrelas.
Eu não sei mais o que escreva!
Revelo-me em desperfume.

Porque já quase bato o Lennon
por quanto estou escrevendo
sobre o tema do ciúme.

Centralina, dez/2014


 

segunda-feira, 30 de março de 2015

FLLÉ (A bailaria tem)



Para Fllé
(Flávia, faça chuva ou sol)

"Tô descendo a serra,

 cego pela serração.
 Salvo pela imagem,
 pela imaginação
 de uma bailarina no asfalto,
 fazendo curvas sobre patins" - HG



"Só a bailarina que não tem".
Crescemos ouvindo isso,
dos brilhantismos bonitos do Chico,
que lhes retirou os defeitos.

Alçou-as a quimera?

E a bailarina que eu conheço
é até mesmo um pouco desse jeito.
Não é da "Terra do Nunca",
mas da do "sempre" e "quem me dera".

Porque a moça tem um brilho bonito,
que lhe sai também nos giros.
Piruetas, pliès e tandis
devem sair-lhe perfeitos

como sempre se quis!

Aquele querer de coragem
que sempre me admirou.
Não lhe importava a milhagem
para perseguir o que sonhou.

Foi a terras distantes,
às terras dos  outros,
de línguas estranhas.
Foi para ser brilhante e

exportar o diamante das entranhas!

Pois tinha mesmo um brilho entranhado e,
tendo sido sempre tão generosa,
eu o teria estranhado
se o não tivesse exportado a quem gosta.

Mas o que ia dizendo atrás,
antes de perder-me na História,
era das coisas tidas
que são mais bonitas que glórias.

Enquanto os demais perdíamos
tempo com críticas maledicentes,
sorria suas alegrias,
tornando-se muito mais gente.

E quem se torna mais gente
também nos adorna a expansão.
É como um contágio contente,
uma forma de inspiração.

Siga sempre esse rumo, moça:
música, bondade, dança.
E vai ver como nos anima
a atingirmos o que alcança.

Nunca é tarde para ser intenso,
nunca somos velhos pra felicidade.
Eu, te olhando, às vezes penso
que a vida é dançar até tarde.

O "tarde" ainda lhe tarda,
tenho certeza e uma espécie de fé.
Então ponta do pé na tristeza;
a vida não é senão balé!

Passe sempre, moça!
Venha ver os "de fé".
A gente quer vê-la de perto,
aprender o que é ser Fllé.

So dance your life away,
Tanz mit mir, bei uns.
Mas esteja sempre por perto,
pro beijo, o abraço e o afeto

comuns!


Vache zdoróvie!

Centralina, dez/2014.



domingo, 29 de março de 2015

MEDO


O medo é uma chaga no peito,
aberta diante do desconhecido.
O medo é ejaculação precoce,
tosse antes do "me resfrio...".

O medo é mau (e do mal) conselheiro,
ouça primeiro a intuição,
que é uma voz bem mais discreta:
conecta alma, mente e coração.

Ouça o resto do corpo;
ele diz sempre um pouco
para além do que treme.
E verás que melhor vistas as coisas

É veraz que não há o que temer!

O medo é o freio ativado
quando se vai com o pesado 
ladeira acima.
O medo é o preconceito,

ou seu filho mais feio com a cisma!

O medo é a castração antes do parto,
é poupar-se ao ato da reprodução.
Por seus praticantes vê-se que está
a serviço da conservação.

E eu penso exatamente isso!

Pobre do mundo sem revolução!
Revolva-se! Vasculhe-se!
A esperança revolve!
Use flores para o tiro

do mais bonito revolver!

E vai ver como,
num átimo,
precioso, preciso 
e impreciso

a vida se resolve!



No fear! It interferes! 

Centralina, dez/2014.

sábado, 28 de março de 2015

SISTEMA EDUCASTIONAL

"Pois é, degringolou.
 Tá cheide gringolá!"


O professor da base,

que ensina os verbos,
que ensina a crase,
não acha quem lhe pague.

(Para transformar
o pastante
em ruminante
não há verba!)

O professor superior
que averba
muitos diplomas
do exterior,

e que acorrenta
o deslumbrado
com estudos
importados,

ganha à beça.
Ganha por peça.
Todas as que monta
pra bolsas de ponta.

Desaponta-me.

sexta-feira, 27 de março de 2015

GRUSHENKO (Soldados)



"Com" Octávio Pizato

Sempre admirei solados.
Juro!
Fico admirado:
soldados à morte e

preparados!

Andam de fardas,
mas estão pelados.
E se houvesse índios,
escalpelados!

Mas são remunerados!

Soldos!
Sold souls!
E o que lhes importa
a própria Moscou?

A ave está torta e sangrou!

Mas importa a História,
a que se grafou.
Mesmo se a moléstia
já se agravou.

Onde a modéstia ficou?!

De onde lhe vêm
as ideias de odor?
Beberam perfume
ou passaram licor?

(Se tiverem a chance, os few men!)

São soldados,
estão fardados.
Fadados ao porte,
sem fada da sorte,

de seu melhor fardo:
a morte!




Também na obra a "Quadrilha" de Drummond, os perigos do silogismo, a nossa velha misogamia, a nobreza da poesia, e da filosofia.. Senhores, um filme bastante completo, if you ask me:

quinta-feira, 26 de março de 2015

GALO (Clube Atlético Mineiro 107)




Para todos os Galantes,
os de agora e os de antes,
o jornal de ontem e de sempre.


Os Galantes
já eram antes.
Antes de barbantes
serem cordões umbilicais.

Antes!

Agora, depois:

Outro se lhe contrapôs.
Menos narciso,
não nasceu do umbigo,
mas "ao Galo me o-brigo".

(Melhor raposa-vela
 do que as raposas-velhas
 que se promovem com elas...)

Já falei dos amigos,
justifiquei sua cheia vaidade.
Ahora voy a darles testigo
dos gramados da cidade.

O Galo canta,
o dia raia.
A noite morre,
mesmo estrelada.

O Galo berra,
treme a terra.
A Terra se Toca
de outras esferas.

(E com seu escudo
o Atlético impera!)

Mais de 3 coroas
gostam do Galo.
Também os do povo
e ex-deputados.

Quando o jogo é muito,
se é bem disputado,
o Galo se enriquece
de honorários

pagos em raça
e muito amor.
E esquecem-se as taças
que conquistou.

"O gelo derrete",
é mesmo verdade!
Mas a espera é festa
pros que se ardem.

Antes que tardia,
a nossa alegria
supera a ação.

E o tempo consolida
a em água derretida
e redura a paixão

em que, às vezes,
forte, 
vinga a dor.

(É assim nesse esporte,
 o de mais fulgor!)

"Cansado de apanhar no Mineirão"
tantas glórias
por sobre o irmão.

(Desfile-turfe, Galão)

Metamorfose ambulante,
tão bem pro ambulante
e também pro patrão.

O Galo é massa!
O Galo é da massa!
(E isso não passa...)

Ave do do amor,
do carinho.
"Eles passarão,
'nós' passarinho"

E daria 107 motivos,
mas correr é preciso
pra ganhar o pão.

Parabéns, Galo doido!
Atlético Mineiro!
O último...

e sempre o primeiro!

quarta-feira, 25 de março de 2015

AO CID (Notícia Genética III)



Tríptico



Ele tinha um catálogo de doenças,
de doenças verbais.
Mentira!
Tinha-o o George,

um de seus ancestrais!

Disse-me um
"mente empoeirada".
Têm os seus à frente,
de trás.

Eu tomava ferro
e nem percebia.
Tomava e não me nutria
mas aumentava a anemia.

Sim! Fique o senhor sabendo!
A Tereza não me disse,
mas eu estou percebendo:
Excesso de fruta desnutre.

Desfrute! Mas menos...

Muito obrigado ao Sérgio
por revelar-me o grande pequeno.
O sábio Manoel
não desfilava erudição.

Usava-a, discreto,
em uma grande fundição.
Parecia só operário,
mas era simples artesão.

Mas não vou brigar com o Aurélio,
nosso amor é um caso sério,
e sou tio da bisneta do Rosa.
Então vou continuar no verso,

mas meu anverso é meio prosa!

Gosto muito de palavras
(palavra que gosto!)
Tenho tesão no lance verbal.
Então meu mergulho de narciso

será um salto ornamental!




SEBEF, 6/3/15, 9:23H.

terça-feira, 24 de março de 2015

CELA-CANTO (Herberto Helder)



Para o estiolado deste, 
o de ao lado.

Ainda ontem eu falava de si.
Falava de mim, de ti.
Falava as estiolices que te colhi,
em que me acolhi.

Em que me encolho.

Tu és o que eu escolho,
o que escolhi.
Franzi o sobrolho
e não me atrevi.

Quis,
como quis!

Tanto quis que selei o canto,
encantei-se-me de ti.
E desci.
Em algum ponto eu desci.

Enalteci.
Enalteço.
Eu não te mereço,
e trago-te aqui.

Eu o tenho tragado sempre,
entranhado sempre,
estragado-me sempre,
sido sempre o nunca.

Rematura-se a casinfância,
e a estâncias eu morri.
Em todas as distâncias
que contigo eu percorri.

Mas não as consigo percorrer,
eu sou o só de correr.
Mas os olhos não correm,
detêm-se.

Eu sou detento!

Eu sou o que tento!
Não consigo!
Nem contigo,
nem se só me empenho.

Eu me empenhei!
Empenhei tua palavra!
Eu me travei!
A trava era a porta da casa!

Disse-o à moça a quem te apresentei 
num ontem que já era hoje,
que sempre te será ontem,
não importa sob que nome,

nem o nome do país!

Eu juro que entendi!
Juro que o ia entendendo,
e a alegria que te viam
eu a ia escondendo!

"Isto não se lê assim!"

Acaso não veem o que vejo?
Está em tudo!
Está no meio!
Parto e parto-me ao meio:

Todos os lugares são no estrangeiro!

Como é que agora partes,
sem antes te teres repartido.
Não te dividiste comigo,
Eu me dividirei até o fim!

E a dívida só aumenta,
e nada do que isso me renda
pode fazer com que eu aprenda
a já não mais me render!

Vou continuar a fazer o meu poema,
o (de) contínuo,
continuamente aprendiz
disso que nunca se entende.

Na repartição em que esse
te estavas prebendo,
sine cura
e me prevendo.

Ócio! Ócio! Ócio!
Qual é o no me do negócio!?
Gabriel, isso não é negócio!
Eu não vi vantagem!

A vantagem que tinha era a dos anos.
Os anos se iam passando,
as retretes te escondiam,
os trens partiam a Antuérpia.

Essa terra nem existe, camarada!
Mas como que não!?
Ela está no mapa!
O mapa não leva a nada!

Nadam-me mapas em águas
escuras e profundas!
As águas turvas em que surjas
fazendo a luz na ponta dos dedos!

Crianças, isso não é brinquedo!

Não brinquem com fogos
ou se queimam!
E pode ser que nem entendam
o que os está aprendendo!

Contei a ela tudo,
tudo sobre o estudo.
A meditação em que me meti!
A loucura em que me intrometi.

Larguei a família,
matei-a.
Não fui ao cinema,
mas fui à veia.

A veia era mel pra mim,
escondido, sozinho, aqui!
A vitrola e uns livros,
tudo o que me livro

como te aprendi!

Sinto que o mundo se esvazia.
Já vazava e ninguém via,
o que é que se queria
quando facas cortavam o fogo!?

E o nome do jogo?!

Que facas são essas?!
Tu que não o impeças!
As regras são esta:
Às réguas, e que se meça!

Não aprende essa gente!
Querem o canhão lírico,
querem a usina da metáfora,
querem torná-la cansada.

Não descansarão até que o façam.
Não veem que me embaraçam?!
Dizem-se os meus irmãos.
E eu só os tenho plantados no chão.

"Toda semente traz em si
a árvore que será".

A árvore será?
A árvore de cera,
no museu que merecera!

"Era uma criança,
não se aguentou!"
"Sei coisas terríveis
sobre o mundo!"

E me querem dar barbitúricos?!

Sepultai-vos!
Erguei-vos!
As crianças perdem-se na noite!
Todas sentiram o açoite!

O açoite sempre esteve lá!
Apenas não o quiseram enxergar.
Que mania têm de enfeitar.
Têm toques de floricultura!

Ouvi Bach também!
Quase me aniquilei.
Matemática?
Não alcanço...

Há vida li,
muito!
"como uma acontecimento excessivo".
Eu de excessos nunca me privo!

"Se não quer dar em pantanas",
se já não se engana,
engaje-se em um estilo,
diga não ao estio!

"Está a ouvir como essas enormes crianças
gritam e gritam entrando na eternidade?
Note: somos os poemas onde elas se distanciam.
como? Loucamente.
Quem suportaria esses gritos magníficos?
Mas o poeta faz o estilo."

Eu me arrepio!
Chamam-me na hora do capeta!
A chama se me hasteia
Eu não suporto bandeiras.

Mas tenho o demoníaco
júbilo da poesia.
Sempre que me vem a maré
e a lua está cheia.



segunda-feira, 23 de março de 2015

O SILÊNCIO QUE PROVOCA O ESPORRO II (Bobinas, traquinas...)

Cara,
no avião escrevo a jato.
Ou será bobina?

(A bobina me rebobina!)

Eu quero ver o futuro,
fast forward!
Desci do muro.

(Is there an award, a reward?...)

Os muros vão todos cair!

O "de Berlin, dentro de mim",
o "entre o lado claro e o lado escuro",
o entre o passado e (entre!) o futuro.

(Eu saio! Não me misturo!)

É pura mentira!
Sabe-o qualquer turista,
mas não os tenho sábios...

("Seiscentos anos de estudo,
ou seis segundos de atenção")

Ninguém tem esse refrão pra mim,
ninguém quer meu chorus
(às vezes, no couro...)

E se o abolisse?

Sim! Ao couro,
antes que me demolisse...

"Delice!"
Quem disse?
Alice ou Berenice?

Gritaram?
Sussurraram?
Me da igual...

Esquisitices!


Sou esquisito mesmo!
Esquisito é meu avesso!
Descobriu-me Cabral...

(Achou-me intenso...)

Pero...Vaz caminha a meu lado
se formos aos jogos do Galo,
e também se a rocks de Brasília.

(Ah, se avião fosse à pilha...)

Cabral! Cabral!
Descobriu-me na virada!
Mar? E nela?

Procela!

Sou tempestade mas
pró-cela nunca!
Cadeias são espeluncas...

Não recuperam ninguém!

São escolas pro crime e
aprenderem-no me deprime.
Apreendam-no ou prendem-me a mim!

Não! Por favor!
Não quero mais esse louco!
Prendam-me a qualquer outro!

"Je est un autre"

Sai de mim, Mallarmé!
Eu disse que quero mulher!
Que Carolina a candanga me quer?

Quer-me desde quando?
Dos carolíneos?
Carlos Magno?

Não gosto de Magnos!
Não gosto de Augustos!
Odeio os Césars!

(Czares, Kaisers, pesares...)

Me errem!
Me enerva!
Impolutos...

Desde a quarta série?
Desde o quarto período?
Desde a Tailândia?

Tudo só existe agora!

E agora?
Quer-me de novo?
Ou o que posso ser?

Tenho comido muitos peixes.
Deveria comprá-los em feixes.
Mas o mar não está para...

("It's ok to eat fish 'cause they
don't have any feelings...")

Paralítico, hemofílico...
Começo a sangrar e fico parado,
ou engasgam do meu lado

e fico ali empacado!

Poderia escrever pacas!,
mas já me encostam a faca,
não gostam de "comunistas".

Mas são Francos?
São! Matam os da lista.
Francos e Brancos Castelos.

De Costas são Silvas,
mas silvam-se outros,
nomes à estranja.

E isso não me estranha!
Médi ci a si,
eu a mim!

Não me engana!

Não querem chaves pras portas.
Temem fiéis, Fidéis às tortas
trilhas escuras do norte.

Mas são Francos,
louvam o de "Minha Luta",
e se há vermelho nessa diz "Puta!"

Puta que pariu pro egoísmo!
Ah! Se distinguem!
Sou distinto também!

-"Moço, suco?"
-"Mas e o vinho tinto?"
Ah, nem!...




CNF-BSB, 20/3/15, 18:36h.





domingo, 22 de março de 2015

NEM CRISTO



"Todos foram tão cretinos
quando elas se beijaram" - H.G.

Dispensaram o porteiro,

vagou-se a porta do celeiro. 
Qual é a brincadeira?
Agora entra qualquer um?

(Cancele-se a feira!)

Sim!
Esta é a casa do comum.
E só uma casa comum.
E é a casa comum a todos.

Este celeiro agasalha os ogros.
Este celeiro agasalha as fadas.
Este celeiro agasalha, em algazarra,
magos e magas!

(Fazem-se nele convenções de magia...)

Mas se todos soubessem 
o que travestia,
duvido que fossem...
Será que se ia?

Estava no peito do roqueiro:
"Nobody knows I'm a lesbian".
E, no outro dia:
"Tell your kids the truth".

Abaixo a hipocrisia!
E como as traduziria?
As inscreveria na pedra,
as que, rolando, eu doo.

Coisas de rock n' roll!
E também em outra se via:
"Kill your idols",
e havia foto de Jesus.

Pois preparem a minha cruz!
Foi o que cá pus!
Ku Klux Klan,
militares no afã...

Não sou fã de coisas chãs!

"A medida de amar é amar sem medida" - Agagê, apud Santo Agostinho.

Brasília, 22/3/15, 4:20h, vendo a babaquice rolar nas mídias.

sábado, 21 de março de 2015

O SILÊNCIO QUE PROVOCA O ESPORRO I (Viajei)

Adoro quando viajo!
Esqueço as chaves,
bolsos, bolsas.

Dependendo de pra que boca,
esqueço até as roupas!

Que liberdade em transferir-se!
Não me afasto de mim,
como o Geraldo Azevedo bem disse.

Mas...

Escolho o que de mim levo,
e o que enterro no berço.
Enterro o que não mereço.

Nem ninguém merece,
sobretudo quem não me esquece,
sobretudo quem me aquece.

Me aquece até
sem por a mão.
O pensamento é meu avião.

Sou o branco da Cidade Negra,
sou o preto da cidade alheia,
e sou verde de alma inteira!

Terra &
Fogo&
Vento&
Coração.

Tá estampado no meu peito.
Eu estampado
sou perfeito.

Traduziram-me bem por aí:

"Quem não precisa de uma versão,
uma tradução?"
Eis tudo...

(Digo de novo:
Bom gaúcho é matéria de estudo.
Prestem-lhe mais atenção...)

A canção diz tudo,
e eu sou louco.
Confio no poder do shuffle.

Cara, que sortudo!
Me embaralho:
"Que do caralho esse barbudo!"

Só não transo assim...
Sou do caralho só pra mim.
Pros outros, uma "disgreta".

Uma diz "Greta!"
Grito-o e vou.
Por quê me provocou?

Eu quero ver de perto.
Sou verde, mas tô esperto.
E experto em alguma coisa...

Ou talvez em nada.
Já falei disto.
Disse-mo o Metal:

"Esse é seu dízimo.
Você é muito inteligente...
...pra muito pouca coisa."

A Sandinha apagou a lousa:
"Isso não se diz a um amigo!"
Ela é pro carinho.

Que vontade de chorar!

Depois querem me censurar,
quando digo que prefiro as moças.
Nem todas têm pernas de louça

mas sabem me radiografar!

E eu as radiografo.
Inspiramos-nos
e nos grafo.

(E nos garfos fico nu...)

Kika,
vamos ser comunistas!
Você assinou a lista!

(apenas ignorou uns itens...)

Ah!
Deem seus chiliques!
É mesmo coisas pros chiques. 

Quero ser comum!

"Gabriel acomodado!",
disse a professora,
e disse o curso.

(Era da Letras,
das tretas francesas:
"Esse chá rodou!"

Mestra, me entenda!
Eu sou acomodado,
mas não incomodado.

(em tenda...)

Entendam,
já falei em três outros:
Fico na peça!

Isso é ser cômodo
Sou um cômodo,
o mais meritório.

(meu genuflexório?...)

O meu escritório!

Be yourself,
free-vos!
Em meio aos livros!

Uma pena colorida...

E mais dois Drummonds
em que me sou.
Me inscrevi quando cá soou:

"E agora, José?"

Acho que não vai dar pé!
Mas isso é o de menos..
Do mundo, o sentimento

e apenas duas mãos!

Com só isso fico na mão,
e ninguém vai-me ter nas suas,
marcarem-me suas unhas.

O papiro não me quer!

"Ah!", suspiro.
Quem precisa de "Pá! Piro!"
Isso é loucura de antigos.

Sou nascido em bits e bytes.

Bite me, if you will.
Onde já se viu?
"Num retrato, num espelho

no mapa do Brasil!"

Ouvi o que ele disse
e mais ninguém.
Mais ninguém o ouviu!

Como me tem feito bem!

Faço-me a bem do outro
e o futuro não existe,
então estou só nessa.

Só nessa, mas em muitas!
Em tantas!
Ainda há esperança!

Espalhem-se-me,
crianças!




CNF-BSB, 20/3/15, 18:16h.