sábado, 7 de novembro de 2009

PODE SEGUIR A TUA ESTRELA...
















Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber

Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você


Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você








sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Assim acaba acabando!

Tenho uma mestra lusófila que nos dá folhas impressas sem destino em cujos versos devemos rascunhar nossos esforços acadêmicos. Tenho também uma amiga meio teutônica que se recusou a receber de mim um cd com algumas canções que lhe sugeria, dizendo-se mais disposta (e como!) a baixar as canções ela mesma, pois o mundo não precisava de que mais um cd fosse posto em circulação.
Confesso que dentre as posturas ecológicas há as que me parecem exageradas, sei lá.
Mas eis que estou parado no sinal (semáforo, farol, coisa e tal) e me vem uma guria (uniforme, boné, pá e tal...) e me entrega mais um folheto (ou afim, não sei bem como chamá-lo) cheio de mais ofertas de "acabamentos". Caramba! Haverá mesmo tantas dessas lojas? Caramba! As pessoas estão mesmo se acabando nessas construções e reformas? Tanto assim? Vixe!
Agora vou preferir a culpa de deixá-las (as gurias em uniforme) abobadas à raiva de ter sempre tantos papéis de que me livrar e à de fomentar um tal disparate!
Eco! Eco! Eco!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EX LUUPUS

"Assim, aos trinta anos, mais ou menos, este jovem fidalgo não só tinha passado por todas as experiências que a vida oferece, como verificara a inutilidade de todas elas. Amor e ambição, mulheres e poetas eram igualmente vãos. A literatura, uma farsa(...) Só duas coisas lhe restavam agora, nas quais pôs a sua fé: os cães e a natureza; um galgo e uma roseira. O mundo com toda a sua variedade, a vida com toda a sua complexidade, tinha ficado reduzidos a isso. Uns cães e uns arbustos eram tudo. Livre, pois, de uma vasta montanha de ilusão, e, por conseguinte, muito despojado...
...a lua nasce e o sol morre; a primavera sucede ao inverno e o outono ao verão; como a noite sucede ao dia e o dia à noite; como, depois de uma tempestade, vem o bom tempo; como as coisas permanecem como são por uns dois ou três séculos, apenas com um pouco de poeira e umas teias de aranha que uma velha pode varrer em meia hora; conclusão a que se podia chegar mais rapidamente, sem dúvida, dizendo: "o tempo passou e nada aconteceu".
Mas, desgraçadamente, o tempo, que faz florescerem e murcharem animais e vegetais com espantosa pontualidade, não tem sobre a mente humana um efeito tão simples. A mente humana, por seu lado, atua com igual estranheza sobre o corpo do tempo. Uma hora, instalada no estranho elemento do espírito humano, pode ser distendida cinquenta ou cem vezes mais do que a sua medida no relógio; inversamente, uma hora pode ser representada no tempo mental por um segundo(...)
Não defrontava apenas com os problemas que têm confundido os maiores sábios, como: "Que é o amor? Que é a amizade? Que é a verdade?", mas, logo que pensava nisso, todo o seu passado, que lhe parecia tão longo e múltiplo, precipitava-se naquele segundo prestes a cair, dilatava-o até umas dozes vezes o seu tamanho natural, coloria-o com mil cores e enchia-o com todos os resíduos do universo."

"Aja duas vezes antes de pensar."
Haja dúvida!
Há já tantas!
Ajax nelas?
Não! Aja nelas!
À janela?
Não! Lá isso não!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CAETANO QUASE ACERTOU

É PRÓ-LIBIDO PROIBIR!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Orientação

-Opa, espera aí, Bi, Esqueci de tomar um chazinho...
-Puta merda!

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-Sabia que é bom tomar algo quente depois do almoço?
-É nada! É horrível!
-A gente tem de seguir os orientais. Eles são sábios!



Por quê será que a gente se orienta, em vez de se ocidentar? Acidente?

domingo, 1 de novembro de 2009

São Vicente, 31 de outrubro de 2009.

Ando, ando, ando. A areia é feia, e a água nos pés, gostosa. Canso. Sento-me, abro o livro que leio. Pela data azul, minha mãe o leu em 88. Oitenta e oito? Tabuada, Tia Leone, Cíntia. Sentia medo. Era tudo à distância. Algo me ocorre. Dubito, ergo cogito, ergo sum. Ergo-me, volto-me. Puta que o pariu! Duvido que tenha andado tanto! Logo, apresso-me. Logo chego à barraca de côco. Entro. O atendente é cearense:

-Tu é de onde, tu?
-Beagá.
-De onde?
-Belo Horizonte.
-Ah, lá é estiado! Pesse lado ninguém vê sol faz quatro mês!

Há um carioca ao lado, cujo carrinho de compras fora abarrotado pelo cearense com cinquenta côcos:

-Tu é de Belo Horizonte?
-Sou.
-Beleza! Três pontos e lá vêm mais três, agora com o cruzeiro.
-Cruzeiro? Fique à vontade!

O cearense:

-Tu mora atrás do Atlético? Ele é fluminense, esse aí!.
-Conheço o Fluminense, era um time do Rio, né?- e saio. Ouço ao longe:

-É! "É" um time!
Como é irresistível a pertinência, o pertencimento.

sábado, 31 de outubro de 2009

A CASA é sua, Glória!- Paterfagismo

Era uma vez a era do "A casa é sua glória.". Agora é, de vez, a era do "A CASA é sua, Glória!"
E essa CASA, capital, não é o lar, é o mundo, a CASA CAPITAL!
Quem as amava Amélias agora não poderá senão amar-lhes as Glórias.
Já não se fazem mulheres como antigamente, com antigas mentes.
Adeus, Amélia!
Bem-vinda, Glória!
Você tinha razão, Paula!
Bel, chior as são?
É a hora em que "o novo, o novo sempre vem!"
Só não poderemos ser os mesmos e vivermos "como nossos pais"!
Qual o problema? Como amamos nossos pais!
Pois comamos nossos pais!
Comamos em paz!
E façamos a nossa indie gestão!

E canto:
"Se meu filho nem nasceu
Eu ainda sou o filho
Se hoje canto esta canção
O que cantarei depois?"