sábado, 18 de novembro de 2017

JAMBO PITANGA (Olga)

Estou em vigor
e o girassol aflora,
chamando-me à luz emanada
de uma distante Olga.

Qual distante!,
se estou ao pé de si,
brilhando o melhor sol que posso
do que há dentro de mim?!

Não foi à toa que o poeta
decretou ser arte o encontro.
Porque quando assoma sou inteiro,
na reunião dos escombros.

Já ninguém lembra a dor do recesso.
A doída morte de ontem
hoje compõe a semente
de um aprazado sucesso.

De mais não se faz o sucesso
que de uma bem aproveitada
chance de ser feliz.

Nutrindo-se de caule e pólen
da mais bela flor
que o inconsciente sempre quis.

Exsurge a pela escura,
o coração dourado,
o ideal vermelho.

Não sou chefe de nada,
pois me perdura a infância
de tudo em que sou escoteiro.

Tateio nas sombras benditas
em que a surpresa não espanta,
apenas desanca a desdita.

Pois onde o coração palpita
ela não se contém.
E é a fé que me dita
a hora do "amem!"

E amém!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PRA MAIS UM POUCO

Cubo de gelo ao sol,
sou pra só mais um pouco.
Nutriu-me um sorriso estranho
a lágrima que desceu pelo rosto.

Você me ensinou o que fazer,
mas eu fui feito o oposto.
E não pude mais me fazer
a matéria do meu desgosto.

Pois tenho estado comigo
pelos séculos sem fim.
E sei que não há acaso
no terem-me feito assim.

E me destino a voos altos,
pelos céus de onde os vejo.
E o que pra mim é assombro
pra você é "não percebo!"

Percebo o que não realiza,
faço por prosseguir.
Sinto falta dos seus beijos,
mas meu desejo é conseguir

altear-me além dos desejos,
completar a contento a etapa.
E talvez alcançar um tempo
em que você não faça falta.

Não por ter sido nula,
que o quanto me empenho não o permite,
mas por ser época de pura
sorte que não nos limite.

Nem nos aparte,
cada um crescido a seu modo.
Eu agora me sinto completo,
meus defeitos não ignoro.

Mas sei que farei deles
a plataforma do meu impulso.
E traga de volta seus beijos,
que já não me vejo sem seu concurso.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

OUTRO TANTO (Mais Esperanto)

Vem-me de novo Sabino,
sabido,
a me lembrar que ainda
o menino é o pai do homem.

Vem-me, assim, de longe,
a confirmação do que estou.
Cada vez sou mais o homem
que o menino ensinou.

De déu em déu a palmilhar,
o mundo que entrevejo
vai-se expandindo tanto,
que do "pequeno" nada percebo.

Não o digo do pequeno que somos,
deste que torno a ser,
mas daquilo de que se distraem
os que se põem a perder.

Nada valem as miudezas
que vidrados se disputam.
Tão nublados da luz que os guia,
que o que perseguem deles triunfa.

Fora do medo há o mundo,
a coragem vai-nos dar à Luz.
A luz vai-nos dar a nós mesmos,
livrar-nos do mundo-capuz. 

Cá pus eu o que entrevi,
num momento de meditação
com que pude, disse-me a moça,
poupar-me à perturbação.

Desejo-nos Paz.
A paz de um é a de outro.
Todo mundo é capaz,
é só tentar mais um pouco!