segunda-feira, 17 de abril de 2017

GRATO

Obrigado, Pai!
Por ter posto
em minha vida as pessoas certas!

(As certas certas
 e as certas erradas.)


Obrigado ela limonada,
e por poder ser adoçada.
Obrigado por ter tido tempo
de saber o que é um rancho.

Obrigado por ser este
que de tudo me encanto!

Obrigado por meu canto solto
desde meu canto que não me prende.
Obrigado por ser este ser,
eterno no que aprende.

Obrigado pelo sorriso,
e por poder distribuí-lo
sem que me alcance o juízo.

Obrigado pelo escorpião
que vê pessoas e ambientes.
Obrigado pelo aquário
de se nadar racionalmente.

Obrigado pelo Leão e o garbo
de um imenso coração.
Obrigado por ser obrigado
a perseguir a evolução.

Obrigado por tanta estrela,
tanto mar, tanto sotaque!
Obrigado até pelo que sou
sendo-o apenas de araque!

Obrigado pela música,
e por ser, de tudo,
o mais puro que se escuta!

Obrigado por ser viajante,
e por ser viajor.
Obrigado pelos anjos
me acompanharem em meu andor.

Obrigado por saber amar
mesmo onde o amor não chova.
Obrigado por me espalhar,
hoje sem que eu me exploda.

Obrigado por ser grato!,
grata surpresa da experiência.
Obrigado por ter despertado
para que nem tudo pode a ciência.

Obrigado por meu corpo
ter descoberto a tempo o espírito.
Obrigado! Obrigado!
"Obrigado!" para sempre eu repito!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

C'ALMA

Namoros nunca os tive longos,
talvez justo porque intensos.
A água animada de vida passa,
a parada é repousado momento.

É como já ouvi dito,
perigosamente, sobre os roqueiros:
que "não vivem pouco mas rápido",
que escorrem sem qualquer bloqueio.

Não faço defesa da fúria
que lhe pode custar a vida.
Escolha bem a tertúlia,
a modalidade da alegria.

Tendo chegado intacto
a esta minha sobrevida,
recomendo algum recato,
o recato da calma bem-vinda.

Todo trajeto é ensino,
a senda é toda lição.
Mas consciência não é improviso,
é lenta dilatação.

Então faça por viver muito,
para ser de si o melhor.
Porque romantizar o tumulto
é coisa de fazer dó.

terça-feira, 4 de abril de 2017

ESCOLHO E COLHO

Já não quero o que me faltava.
Já não acho o que procurava.
O que procurava morri.
O que sobrevivo sorri.

Estou sequioso de poder.
Nada sobre os outros,
tudo poder!

À frente a imensidão!
Nenhuma âncora do que alcanço.
Apenas a necessária
a meu eventual descanso.

Tudo posso no que me fortalece!
Do que me enfraquece dou-me alforria.
Já cheguei ao futuro,
tudo claro, nada escuro.

Somente a sombra administrável.
Sou-lhe consciente mas amo sem travo,
sem travas.

(Uma redonda cara limpa
mesmo sob barba)


Escolho a direção,
e só elejo a que faz sentido.
A ninguém é dado fazer nada comigo!

Acompanham-me os que podem,
quando e se querem.
O amor só é se é nado,
não é nada por que se espere.

Impende viver o dia,
e o dia independe.
Se o dia foi tudo que pôde,
certeza que a noite é quente.

Ninguém fará inverno de mim,
ninguém me verá no inferno.
Frio só pra que me recolha.
Frio quando eu escolha.

Sei dos anjos que me acompanham,
que são de mim e serei eu.
Sei-os muito bonitos,
mesmo se o torto me esqueceu.

Hoje vejo que foi coisa boa,
não me predestinou a nada.
Sigo sendo a partir do mesmo,
no que já era minha estrada.

Minha estrada é esta.
A minha estrada foi feia!
Minha estrada foi refeita.
A minha estrada é bela!

Eu escolho!
Não, não franza o sobrolho!
Não é apóstrofe a Deus!
É dado melhorar-me,

de mais a mais filho Seu!

Agradeço a companhia de vocês,
enquanto estamos em sintonia.
Mas meu pai disse e "a vida chama",
então até qualquer dia!

E lhes direi antes do féretro:
não chamem nada de seu.
É tudo apenas empréstimo
que Ele lhes concedeu...a vida!

Divida!

https://soundcloud.com/user-580381287/escolho-e-colho

domingo, 2 de abril de 2017

UM SÓ

Estou no escritório ouvindo o primeiro disco dos 1001 que se recomendam para ouvirmos antes de morrer. (É importante que seja antes, pois sem ouvidos dificulta-se a coisa...). Sente-se em Sinatra aquela tristeza já apropriada de quem separou-se de Ava Gardner. Bom disco! Sobretudo porque te poupa do sertanejo, que jamais penetraria esta sala ornada de Beatles, Drummond, gracejos poéticos de uma ou outra canção popular e uma ordem expressa para eu me expressar.
Venho de um show de rock familiar. Apenas os familiares da banda, que tocou em sua própria sala ( a sala da mãe de dois deles) e poucos amigos, entre os quais me contava. Muitos primos, muitos com suas próprias famílias, mulheres, maridos, filhos e filhas. Eu gosto desse ambiente, dessa atmosfera, mas percebo que não preciso que seja eu o responsável por ela. Sou diferente porque sou igual a todos aqueles que são diferentes. Somos iguais pra cá! A única coisa 24/7 (in english...), de perpétuo funcionamento que me atrai é o mar! E mesmo dele gosto de me despedir para o reencontrar. É!... Deixa tudo como está!