sábado, 28 de novembro de 2009

ETHOS

Muitos estudiosos da ação e da linguagem humanas (que para muitos é, ela mesma, ação) postulam que os indivíduos agem, com muita frequência, senão sempre, com atenção a um certo efeito de imagem. ASsim, não só a imagem que projetam é efeito de suas ações (que, por sua vez, são efeito de seu pensamento), como a própria imagem que projetam ou querem projetar é determinante de suas ações.
Sou levado a crer que seja assim.
Claro que o grau de consciência desse arranjo, bem como o grau de sofisticação no engendrá-lo, variam. Mas quem pode dizer que nunca tenha pensado algo do tipo : "Ah, mas seu eu fizer (ou disser) isso, vai parecer que...". Podem objetar que, num tal caso, não se tem mais que o cálculo imposto pela inexorável conclusão de que estamos, sim, sujeitos aos efeitos do que pensam de nós. A alegada necessidade do procedimento, embora se possa dizer que o desculpe, não só não o nega, mas o confirma. Fazemos isso!
Assim, quero deixar aqui a canção de que extraí a frase-símbolo de que, quanto mais mal feita a coisa, quanto mais perceptível o esforço para o constructo, mais baldado...

Ei-la:


Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras que não digo

Mesmo na luz não há quem possa se esconder no escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido

Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha nos teus olhos



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JE SUIS DÉBORDÉ!!!!!

Foda-se este trabalho!
Conhecimento é poder e TODA FORMA DE PODER É UMA FORMA DE MORRER POR NADA!!!

EX-VIEIRA

"...a insatisfação eterna do prazer obliterando o caminho do amor."

domingo, 22 de novembro de 2009

VOZES

"Já mandei mensagem pra ela, mas, como de costume (eu 'tava sem crédito!), não respondeu.
Dá pra crer?
O jeito é dar-lhe crédito!"

sábado, 21 de novembro de 2009

SOUZA CRUZ PERDE CLIENTE

CELSO JÁ NÃO PITA MAIS!

Estava na barbearia "dignificando" meu visual para a boda a que hoje assistirei. Lá, no costume, o assunto só passa por "...plantou a mandioca sem dó nem piedade" e coisas tais. Hoje não. Hoje o bom barbeiro deu-me a notícia do passamento do ex-prefeito. Não tardou para a televisão, ligada na Globo News, trazer a confirmação do que suspeitava fosse até brincadeira. Não, não por ser bom demais pra ser verdade, deixe de ser cruel!
A repórter estava diante do Hospital Sírio Libanês, de onde é comum que se noticiem os decessos dos célebres paulistanos, natos ou de ocasião. É, já não cabia dúvida: a morte era certa. Na breve retrospectiva biográfica a que procedeu como forma de situar o telespectador mais recente, ou de memória muito brasileira, a repórter informava o nome da operação policial que resultara na prisão do ex-prefeito. Informava mais, em encadeamento, que ele enfrentava graves dificuldades financeiras, em decorrência do bloqueio de seus bens por determinação judicial. E por isso o ex-prefeito, em maio último, tivera decretada sua prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia à ex-mulher.
Caramba, né! O Estado é muito vingativo! O bom Pita foi ter à prisão por falta de pagamento de pensão! Como pagar a pensão com seus bens de homem de bem bloqueados? Impossível!
Mas o Zé das Couves é um filho da puta! Esse tem de mofar na prisão! Não conseguir pagar a pensão alimentícia tendo-lhe sido dadas tantas oportunidades de formação e ascensão social?!!
Ah, esqueci de dizer que a prisão de Pita pela inadimplência dos alimentos era domiciliar!
Bom final de semana!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 6

Resposta abolicionista do "judiciosismo":


"Porque não quero ser tão julgado, nem tão de perto"



"...atrás da mesa o açougueiro comanda e intolerância me manda de novo pro banco dos réus."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 5

Resposta do day-to-day man:


"Porque se a mulher de alguém ficar de olhadinhas pra outrem no supermercado, prefiro ser outrem!"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não é sopa, não!





Segunda-feira eu estava na aula de literatura "ora pois" e, para variar, perdi uns minutos que poderiam ter sido de enriquecimento cultural com pensamentos que nem sei se assim se podem chamar. Sei lá do que a mestra falava quando, de repente, sem que ninguém gritasse o inaudito "Toca Raul!", ela o tocou, de ofício: "Isso é como aquela mosca do Raul, da sopa..." Imediata à mente (haha!) veio-me imagem que me vinha quando ouvia isso. Dei-me conta de que quando alguém se valia dessa expressão não me vinha a imagem de uma mosca verdadeiramente pousada na sopa, mas a de alguém comendo sopa e tentando, ao mesmo tempo, livrar-se de moscas que lhe zumbissem ao redor, talvez porque essa imagem me fosse muito simbólica dos incômodos.
Paralela à mente (tá, vou parar...) veio-me imagem de uma videocassetada que vira na infância. Nela, tinha-se uma avozinha muito icônica comendo um mingau (quase uma sopa, vai!) e deparando com uma mosca literalmente pousada na iguaria. Ela a recolhia à colher, olhava para um lado, olhava para o outro e, na falta de mais o que fazer, sobretudo naquela sala limpa (e como se orgulham de suas salas limpas as avozinhas que as têm!) engolia a musca domestica!
Olha, só agora alcancei o verdadeiro incômodo de uma mosca na sopa! É o fim! É a sinuca! Não se tem o que fazer! Ou se fica lá inerte, tapado, vencido de plano pela mosca, ou se deixa que ela cause um grande estrago (como sujar sua imaculada sala) ou, se não se pode vencê-la, é juntar-se a ela, juntando-a a si!
Fica dando sopa aí pra você ver!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cama-Leão




Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De um quasar pulsando lôa
Interestelar canoa...
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...
Rapte-me
Adapte-me
capte-me
It's up to me, Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão...
Rapte-me camaleoaAdapte-me ao seu
Ne me quitte pas...

domingo, 15 de novembro de 2009

Exemplo concreto e ex cathedra da relatividade do óbvio.

Estou feliz e contente estudando para a iminente prova de Semântica quando, no texto do Ducrot, deparo com este trecho:
Consideremos o diálogo:
X: Você quer ver este filme?
Y: Eu já o vi.
A resposta de Y indica um fato que, como tal, é suficiente para apoiar uma conclusão negativa que não é explicitada. Em nossa coletividade (e, em muitas outras) admite-se que o fato de já se ter visto um espetáculo, ou já ter feito um passeio, é uma razão para recusar revê-lo ou tornar a fazê-lo. Neste caso r está implícito, e ao mesmo tempo é levado em conta. (negritei)
Certa vez uma guria, em me explicando algumas possibilidades de classificação das personalidades segundo uma teoria de que não me lembro, disse-me, em exemplificação, que eu era um colecionador. Somos ou não somos produto do meio?

TALIÃO

sábado, 14 de novembro de 2009

DESAMANTES LATINOS

... nos quisimos tu y yo
Con un amor sin pecado
Pero el destino ha querido
Que vivamos separados

Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Sin haberse comprendido
Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Que son el tuyo y el mio

...vuelvo yo a recordar
Y me parece mentira
Ya todo aquello pasó
Todo quedó en el olvido
Nuestras promesas de amores
En el aire se han perdido

Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Sin haberse comprendido
Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muerto
Que son el tuyo y el mio
Que son el tuyo y el mio


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 4

Resposta verde, jovenguardista e gessingeriada:

"Será o fim dessa estrada e finalmente irei parar..."





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 3

Resposta sem esportiva:

A mim não compete competir, não na certeza da derrota.


On your marks.
Get set...
....up!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 2

Resposta Zafírica:

Porque de bom o matrimônio só traz os filhos, e já que os posso ter libérrimo sem, contraindo núpcias, contrair também os grilhões do brinde...


Cuidado com a que você brinda!

"E POR QUE EU NÃO ME CASARIA?!" - Fascículo 1

Resposta Raiumunda:

"NÃO SEI FINGIR, NÃO SOU ATOR, SÓ VOU QUERER O QUE QUISER!"


Rodolfo, seu porco raimundo!

sábado, 7 de novembro de 2009

PODE SEGUIR A TUA ESTRELA...
















Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber

Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você


Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você








sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Assim acaba acabando!

Tenho uma mestra lusófila que nos dá folhas impressas sem destino em cujos versos devemos rascunhar nossos esforços acadêmicos. Tenho também uma amiga meio teutônica que se recusou a receber de mim um cd com algumas canções que lhe sugeria, dizendo-se mais disposta (e como!) a baixar as canções ela mesma, pois o mundo não precisava de que mais um cd fosse posto em circulação.
Confesso que dentre as posturas ecológicas há as que me parecem exageradas, sei lá.
Mas eis que estou parado no sinal (semáforo, farol, coisa e tal) e me vem uma guria (uniforme, boné, pá e tal...) e me entrega mais um folheto (ou afim, não sei bem como chamá-lo) cheio de mais ofertas de "acabamentos". Caramba! Haverá mesmo tantas dessas lojas? Caramba! As pessoas estão mesmo se acabando nessas construções e reformas? Tanto assim? Vixe!
Agora vou preferir a culpa de deixá-las (as gurias em uniforme) abobadas à raiva de ter sempre tantos papéis de que me livrar e à de fomentar um tal disparate!
Eco! Eco! Eco!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EX LUUPUS

"Assim, aos trinta anos, mais ou menos, este jovem fidalgo não só tinha passado por todas as experiências que a vida oferece, como verificara a inutilidade de todas elas. Amor e ambição, mulheres e poetas eram igualmente vãos. A literatura, uma farsa(...) Só duas coisas lhe restavam agora, nas quais pôs a sua fé: os cães e a natureza; um galgo e uma roseira. O mundo com toda a sua variedade, a vida com toda a sua complexidade, tinha ficado reduzidos a isso. Uns cães e uns arbustos eram tudo. Livre, pois, de uma vasta montanha de ilusão, e, por conseguinte, muito despojado...
...a lua nasce e o sol morre; a primavera sucede ao inverno e o outono ao verão; como a noite sucede ao dia e o dia à noite; como, depois de uma tempestade, vem o bom tempo; como as coisas permanecem como são por uns dois ou três séculos, apenas com um pouco de poeira e umas teias de aranha que uma velha pode varrer em meia hora; conclusão a que se podia chegar mais rapidamente, sem dúvida, dizendo: "o tempo passou e nada aconteceu".
Mas, desgraçadamente, o tempo, que faz florescerem e murcharem animais e vegetais com espantosa pontualidade, não tem sobre a mente humana um efeito tão simples. A mente humana, por seu lado, atua com igual estranheza sobre o corpo do tempo. Uma hora, instalada no estranho elemento do espírito humano, pode ser distendida cinquenta ou cem vezes mais do que a sua medida no relógio; inversamente, uma hora pode ser representada no tempo mental por um segundo(...)
Não defrontava apenas com os problemas que têm confundido os maiores sábios, como: "Que é o amor? Que é a amizade? Que é a verdade?", mas, logo que pensava nisso, todo o seu passado, que lhe parecia tão longo e múltiplo, precipitava-se naquele segundo prestes a cair, dilatava-o até umas dozes vezes o seu tamanho natural, coloria-o com mil cores e enchia-o com todos os resíduos do universo."

"Aja duas vezes antes de pensar."
Haja dúvida!
Há já tantas!
Ajax nelas?
Não! Aja nelas!
À janela?
Não! Lá isso não!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Orientação

-Opa, espera aí, Bi, Esqueci de tomar um chazinho...
-Puta merda!

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-Sabia que é bom tomar algo quente depois do almoço?
-É nada! É horrível!
-A gente tem de seguir os orientais. Eles são sábios!



Por quê será que a gente se orienta, em vez de se ocidentar? Acidente?

domingo, 1 de novembro de 2009

São Vicente, 31 de outrubro de 2009.

Ando, ando, ando. A areia é feia, e a água nos pés, gostosa. Canso. Sento-me, abro o livro que leio. Pela data azul, minha mãe o leu em 88. Oitenta e oito? Tabuada, Tia Leone, Cíntia. Sentia medo. Era tudo à distância. Algo me ocorre. Dubito, ergo cogito, ergo sum. Ergo-me, volto-me. Puta que o pariu! Duvido que tenha andado tanto! Logo, apresso-me. Logo chego à barraca de côco. Entro. O atendente é cearense:

-Tu é de onde, tu?
-Beagá.
-De onde?
-Belo Horizonte.
-Ah, lá é estiado! Pesse lado ninguém vê sol faz quatro mês!

Há um carioca ao lado, cujo carrinho de compras fora abarrotado pelo cearense com cinquenta côcos:

-Tu é de Belo Horizonte?
-Sou.
-Beleza! Três pontos e lá vêm mais três, agora com o cruzeiro.
-Cruzeiro? Fique à vontade!

O cearense:

-Tu mora atrás do Atlético? Ele é fluminense, esse aí!.
-Conheço o Fluminense, era um time do Rio, né?- e saio. Ouço ao longe:

-É! "É" um time!
Como é irresistível a pertinência, o pertencimento.