sábado, 28 de fevereiro de 2015

ROCK NACIONAL (Incenso Sincero)

Lindas as últimas folhas de caderno.

"Na maioria silenciosa, orgulhosa de não ter
 vontade de gritar, nada pra dizer,
 a violência travestida faz seu trottoir". - Gessinger


A quem interessar possa!
Quem desinteressar, fossa.
Vai de sertanejo,
eu vou de rock na balsa.

Ou vou de bossa n' roll;
quem será que errou?
O rock n' roll ou a Bossa?
A quem interessar possa!

O rock errou feio,
mas foi tudo tão bonito!
Nesse "imenso monolito",
me deito com Rita ali.

É rock de verdade,
por mais que cante suave;
entende de sacanagem,
até louvou os Raimundos.

O rock às vezes é sujo,
às vezes até imundo;
só assim pode ir fundo,
e recobrir de você a mim.

Mas o rock pode ser limpo,
como as guitarras de "O Papa é pop",
que não eram limpas por esporte,
Licks disse algo ali.

O rock é tão profundo!
(Saber ser limpo e imundo...)
Às vezes o fazem de funk
(perguntem disso pro Bruno).

Se há anjos, Legião.
Se há planos, Engenheiros.
Se voa, Barão vermelho.
Arranjos, arrepios, arpejos.

O rock é bom; ouça bem!
O rock é bom; está visto!
O rock é toda a altura,
Ratos dançam sobre a Sepultura.

O rock é inventivo,
escalas de Norte e de Sul;
saber ser fofo e divertido,
como o rock do Pato Fu.

No rock (se) houve balanço há reggae.
O rock a tudo dá acesso.
Tiveram balanço o Skank,
e os Paralamas do Sucesso.

O rock não deixa quieto,
desconhece a lei;
em  Revoluções Por Minuto,
rói sempre a roupa do rei.

O rock já era(!) antes,
os estrangeiros estavam sós,
como os Engenheiros em fama de Pampas,
até virem Nenhum de Nós.

Desde cedo era rico o arma-zen,
desfrutavam-se o doce o amargo,
indistintamente, e era um barato,
como com Secos & Molhados.

Raul fez até na Bahia,
Cazuza, com poesia.
Deram-nos muito transporte,
até os transportar a morte.

No rock pra mim há tudo;
o rock merece estudo.
O rock ainda será amanhã,
sempre haverá Titãs!

No rock já houve tantos!
Lembro do Lulu Santos
prescrevendo aventuras,
ou a benfazeja pro-cura.

"O rock é pra animais",
dizem os que não veem a paz.
Mas é um povo Chorão,
nosso animal é o Lobão.

O rock faz-se e se arde;
faz-se às vezes com humor,
faz as vezes do amor,
ou é de rigor o Ultraje?

O rock é tão ubíquo,
que vai às raias da MPB;
tragava sempre a Cássia Eller,
e o Caetano-mutante soube fazer.

O rock às vezes dá samba;
também é casa de bamba.
Já bateram no cara estranho,
vencedor-loser do Los Hermanos.

Agora vão dar um piti,
mas também ela está aqui;
herdeira de Raul e também da Lee,
gosto da baiana Pitty.

O rock erra e às vezes pira,
cisma de defender a "gente bonita";
outras vezes acerta o passo
e dirige melhor sua Ira!.

Nomes os há aos montes:
Plebe Rude, Inimigos do Rei,
Hanoi Hanoi, Biquini Cavadão,
e até Cachorro Grande.

Nas Minas de não qualquer um,
desenha-se ainda o Cartoon.
E que se derrame sem que se cale,
nosso místico Cálix.

A lista já ficou grande,
e sempre interrompo a estrutura.
Eu comecei Engenheiro,
do tipo dado a arquiteturas.

"Pra ser sincero",
esqueci muita gente boa;
mas muito infelizmente
nem a todos a canção entoa.

E tava certo o "otista" que disse,
ouvindo Engenheiros do Hawaii,
que "o rock nacional não existe".
Argumento pra quem não resiste:

E daí?!




















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

PÁGINA DE DIÁRIO (Quem disse "crendice"?)

(De novo) aceso na noite,
(De novo) não ilumino ninguém;
mas me ilumino com um iluminado
melhor do que o de Stephen King.

Lamino-me "without and within". *
De novo nada de novo?

É novo o jogo ter fim!
(jogar melhora-me em "afim").


A fim de quê?
(Só em graça pra ver...)
Engraça pra ver!


*Questions and Answers on the Teachings of Theravada Buddhism



Ao que consta, George escreveu-a para Krishna.
Mas... se por aí dão-na a Jesus...
Às vezes acho-os todos o mesmo,
só lhes mudam o "cá-pus".


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

ÓCULOS

Para Diogo Nogueira Maia,
e para uma guria que os limpava pra mim.

"Cada um tem o seu ponto de vista;
 encare a ilusão da sua ótica". - H.G.

Meus óculos estão sempre sujos,
não adianta limpá-los pra mim;
e atrás dos seus os seus olhos
também são um pouco assim.

Veem o mundo com algum prejuízo,
é sempre assim a visão;
ou há loucura ou sobrejuízo,
e é tudo estiolação.

Algumas vezes a macha, a nódoa,
conserta o que vejo adiante;
nem sempre a beleza das horas
tem a pureza de um diamante.

Mas também podem ser para sempre,
sejam elas manchadas ou não;
e vai saber qual de nós mais entende
da telúrica rotação!

"Telúrica" ou "terrestre"?
Tanta palavra que a cabeça esquece!
Qual é exata pra que fim?

Vivo o acidente da palavra;
topadas me ajudam a encontrá-las,
e se me vêm destinam-se a mim.

Eu as recebo, embaralho e cuspo;
faço fácil, não há custo.
Mas não era outro o assunto?!

"Óculos do John ou olhar do Paul?",
em óculos ou olhar o rock errou?




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

XARAPIM


Para o Sandrokito Gabrielzim


O Xarapim é um menino ladino,
como o Vinícius cantou.
Dizem que, nas bandas de Uberaba,
ele é o que toca o terror!

Raspa o joelho,
quebra o dente;
nem se fica enfermo
a festa fica pendente!

É o orgulho da mãe,
mais Sandrokita que nunca;
se o bonito apronta feio,
franze o sobrolho e coça a nuca.

Dar uma coça no menino?!
Isso nunca se pensou!
Deixemos ficar o castigo
um dia, para Nosso Senhor,

que sabe melhor do que nós
que criança é preciso;
pois se não ficamos criança
nos encarcera o juízo.

Xarapim às vezes fica quieto,
a voz não lhe sai e parece calado;
mas é um silêncio de esperto,
e irrompe rindo, fantasiado.

Fantasiando eu é que estou;
nada do que digo
a mãe me confirmou.

E sou capaz de jurar
que é tudo verdade!
E devo experimentar

ainda que só mais tarde!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

PERFUMADO


Para Flor,
"com" Mel.



Já são cinco,
e já não é crime estar acordado.
O crime é o leito vazio,
sem você do meu lado.

Às duas tentei um vinho,
mas me desceu quadrado.
Também tentei seu livrinho
sobre o rapaz iluminado.

Iluminou-se sob alguma árvore?
Porque também pensei no Newton,
iluminado sob a macieira
(rapazes, me deem a receita!).

Preciso estar iluminado
para ser iluminante?
Pois precisam aqui do meu lado
do que eu já sabia antes.

Do que eu sabia de cor,
sem que me dessem corda;
desde o líquido amniótico
daquela abençoada senhora.

Chamando-se a moça Flor,
não podia ser diferente:
muito mais do que uma faca,
tinha talento pra gentes.

E é como tenho dito,
tornando em meu o ditado:
Todos os caminhos levam aroma
quando se está perfumado.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

ABLUTOMANIA (Outrora ou Outra hora!)

Lapidem-se as manias brutas


Vou versá-la,
não se irrite.
Não gosto de dar palpite,
mas o caso é de imposição.

"Safe sex" tem limite;
a coisa inflamada, a pique,
e me manda lavar as mãos?!

Certas coisas não suportam detença,
isto não é sentença,
apenas  uma sugestão.

Fiquei contrariado,
"limpo" não é meu contrário,
mas o sexo não suja.

Não que não deva ser limpo,
em limpeza eu acredito,
mas sem a morte do que urja.

Então dê-se mais pela vida,
e dê-se menos à risca
ao que pede improvisação.

Não precisa correr riscos sérios,
mas que se preserve o mistério
do que tenho na mão.

Uma lavadinha antes,
uma durante,
e uma depois.

Se provei e não gostei...
...não engoli;
é insuportável a mania de abluir!


domingo, 22 de fevereiro de 2015

FACA (você mesmo) ou BOLSÃO NARO

Eu sou faca!
Não importa o que eu faço.
Até quando garfo
eu sou faca!

Outros que sejam espadas,
seus gumes colaterais,
legumes em quaisquer quintais...
Eu sou faca!

Eu sou faca!,
corto na carne,
na carne diferente.
Sou faca, não sou gente.

Sou faca!,
a uma cedilha da ação,
a léguas de ter coração.
Sou...faca.

A uma "r" de se enxergar...

sábado, 21 de fevereiro de 2015

SÃOS

A Academia diz "Vejamos!...",
e "Alvejamos mais um!
Não inovou em nada,
vá-se à vala dos comuns!"

O que a Academia não sabe
é que trabalho na repartição;
não há nada mais natural
do que ver comum meu pobre quinhão.

A poesia é um prédio público,
mas há santos que canonizam o púlpito.
Pregam-se no altar da apreciação,
e já nascem sepultos os que são o que são.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OUTRA ALEGRIA


Ex chat com Letícia Camarano


A moça está de noite,
e parece que está inteira;
como foi a festa da carne?,
esteve para brincadeiras?

A festa foi muito boa,
pela primeira vez fui às ruas;
eu que não gostava de folias...
E você, como foi a sua?

Alguma aversão à folia
notava já na moça, intuía.
Estranhei, na foto que me veio,
ver que a moça se dera ao recreio.

Também por aqui se foi,
"ozamos" uma chuva imensa;
e estando os mineiros sertanejos,
até que foi uma bela recompensa!

Pois eu não queria viajar,
nem tampouco ficar em casa;
a experiência antropológica foi boa,
a que na folia se disfarçava.

Até mesmo pulei um pouco,
meu pai sempre nos disse:
"Não basta trabalhar a mente,
é preciso mover o corpo!"

E eu acho que seu velho estava certo,
ou pelo menos é o que me parece!
É preciso pular o carnaval,
nem que um dia, para ver o que acontece!

(A gente às vezes pensa que não,
mas muitas vezes a gente se diverte!)

Sou dada a elucubrações internas,
isso não nego, é fato!
A moça até pode sê-lo,
mas tem de ir da potência ao ato!

E, sendo coisa que se faz o ano inteiro,
a moça não perde nada
por no carnaval dar-se ao enleio,
pulando no meio da criançada.

Sim! É como férias de mim;
no carnaval ausento-me assim!
E se sentiu-se a falta perigosa,
talvez tenha sido pênalti!

Fatal para nós, 
fata para si.
E nos despedimos aqui!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ENGENHARIA DE MINAS

"Eu já fui cego.
 Já vi de tudo.
 Já disse tudo e fiquei mudo" - Agagê

Eu sou "o que não foi impresso",
o que não impressiona ninguém.
-Eu sou o Cego Ego!
-E daí?! O que que tem?

Sem bandeiras nas fronteiras tuas,
desde a primeira até a última.
A última é a primeira que se viu;
boa mesmo foi a da "puta que pariu!"

Não se calcula o da mina escura,
pira a espora e o cavalo continua.
Funda-se fundo o que não me afundo;
falei só besteira e achei que fui profundo.

Pro fundo já?

"Sou cego, não nego.
 Enxergo quando puder.
 Só vejo obscuro objeto, desejo indireto.
 Será que você me entende"? - (GESSINGER, Humberto)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

GENTE BONITA (Dura condição)

Para Klik e Bortolo, de um lado.
Para os outros, de outro.
E você, assina a lista do comum?

"How does it feel to be
 one of the beautiful people?".-John Lennon


"Gente bonita":
cuidado com o escopo disso,
com belezas censitárias
eu não assumo compromisso.

Estranha generosidade,
relógios maiores que os braços;
(mais) sentido menos horário:
menos horas, mais abraços.

Tenho dó de trazerem no peito
emblemas de equitação;
às vezes o que têm de cavalos
não passa da educação.

Costumo ver gente mais nobre
pilotando pangarés;
e se a gasolina sobe,
essa gente anda a pé.

Não que o dinheiro vincule
os hábitos e os usos,
mas alguns eu tiraria da zona,
e jogaria no Pólo sul.

Na Zona Nordeste que habito,
a seca ainda não chegou;
e só me molho no açude
do mais rico rock n' roll.

Eu nada tenho contra o Lord
afeito às mesmas guitarras,
mas há palhaços nos Circus
que de rock não entendem nada.

Mas quer saber de uma coisa?,
cada um dá o que tem;
de beleza entendo pouco,
e não custa tantos vinténs.

"Má que beleza!", eu digo,
diante da beleza que faz o que pode;
mas tem gente que só vê beleza
nas MAC belezas de free shop.

E eu prefiro liberdades outras,
como a de talvez nem consumir;
mas sem o carro certo,
desejos há que hão de sumir.

Então cada um que aplique,
se honesto, como quer seu quinhão;
mas as de apliques iluminados
não fazem subir minha condição.

Digo-o descendo Bahia da Floresta:
muita chuva, muita festa;
e não preciso chover desculpas:
cada um sabe o que presta.

Então faça-me um favor:
não preciso de favor nenhum.
Requinte ao máximo seu sabor,
eu assino a lista do comum.


"Nem toda obra se prima.
Nem tudo que é pobre se rima.
Nem tudo que é nobre se esgrima.
Nem tudo que sobra é lixão.
Nem tudo que fito é o que vejo.
Nem tudo bonito eu almejo..."-Vander Lee

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

FANTASIA(DA) DE LIXO


Errando, achei-me no lixo.
Li e senti-me mal.
Fiquei pensando em como
o bonito é sempre natural.

Não importa o que envolva.
Não importa o que a fé remova,
se montanhas santas,
se dos montes, sinais.

Fiquei confuso e com tédio.
Que efeito há no remédio
para efeitos colaterais?

Todos para o prazer de todos!
Todos, se consentido.
Com o sentido que há.

As free as they let me.
As long as they do,
Let it be: love me do!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A FOOL IA (, o experto previne)

Alerta um pouco à Caíque.



"...se o luar é meu amigo,
censurar ninguém se atreve".

Hoje é Lunes, Moonday.
É o dia dos lunáticos.
É segunda de carnaval,
mas se pede não soltá-los.

Cuidado os da lua na rua,
se os veem os da Terra,
podem-se arruinar;
a velha lei ainda impera!

Cuidado, folião,
há retaliação!
A lei de talião
resistiu ao tempo.

Se se solta no vento,
exagerado a contento,
o tormento pode assomar.

Já dizia o velho Chico,
então comprometido(,)
a nos alertar:

"A lei te procura
amanhã de manhã,
com seu faro de doberman".

Não seja o avaro do confete,
pois o faro ainda compete
a quem seu doce possa azedar.

"Já estava aí quando cheguei!"
Disse "só vi!" e ele "Eu sei,
mas você pode confessar!".

Confesso que receei,
mas "só sei que nada sei",
nunca pretendi duplicar.

O recreio eu só vi,
mas como te vi vendo,
eu já nada posso negar.

Censurar ninguém se atreve?
Há trevas!
Ah, se há!


domingo, 15 de fevereiro de 2015

HORTO (2014... Delirium Tremens)


Para Cris e Maria;
Para Rafael Sadi;
Para Lídia Lage;
Para Roberta de Oliveira;
Para Wanderley Ávila
(para quem nunca para!)



Caí no Horto.
Não tô morto!
Tô doido!
Tô? São!

O Galo ganha
e à gente prende.
E gente treme...
...de emoção.

Olha a Horto-grafia:
"Galo" traduz-se em
C.A.M.peão.

Foi-se a abstinência,
são tempos de tremedeira.
A raposa não arma a barraca,
à campa, nova brincadeira.

Calma, futebol não vale nada!
Mas "a zueira, meus amigos,
essa nunca acaba!"

Delirium tremens de quem?

ARMADILHA ATLÉTICO-LÍRICA (A atleticanos e cruzeirenses a-versão completa)



Para Roberta de Oliveira e Wanderley Ávila



Cruzeirenses dirão que está certo(:)(,)
Atleticanos só verão sucesso.

Pontue sua ação. 
Falar é fazer.

O futebol é lindo, 
e não vale nada!
O futebol é uma galante palhaçada!

Ou seja: 
o Galo antes, 
e o resto é nada!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ABRA-CORPUS (Carne-Aval)

ex chat com Igor Brazil Nogueira


Impetrado o abra-corpus,
pula a alegria;
todos pulam a um canto.

Pu-la na fantasia e que,
de seu canto,
anticorpos saibam falar esperanto.

Cláusula pétrea.
Durem artérias.
Pedra que arde.




"Todos sabem usar os dentes..."

CAE STAND DO

Caetano previu meu itinerário.

Só quero saber de piscina.
Só sei da Carolina.
Aceito gasolina.

Caetano...
...Caetano é um visionário!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CARNE NAVAL

"Quando algo sai do seu controle,
o mundo volta a respirar..."




Cheguei ao consultório,

o médico olhou o hemograma.
Clínico, um pouco cínico, 
não se deu a filigranas:

-Gabriel, meu nem tão jovem,
o senhor tem três semanas!
Fiquei branco do espanto!
(o branco nunca fora tanto...)

Tanto quis esse momento
quando a nau me afundava em tormentos!
E agora que, now, me recreio,
querem ceifar o meu tempo?!

Sempre se tem a perder!
Não quero sua seiva;
nada espero da cerveja,
nem de mesas de bilhar.

Mas não adianta oração,
vejo que Tempo,
"um dos deuses mais bonitos",
resolveu me humilhar.

O desconcerto foi notório;
eu rodei o consultório,
fiz o gesto de vomitar.
E o susto dele foi manifesto:

"O Sr. o que está a pensar?!"

A porra do médico era luso!
Do sotaque eu até suspeitara,
mas o reconheci pelo uso
desse troço gerúndio-infinitivo.

Cada coisa que cruzo!
Não veio do telemarketing,
não tem o vício de linguagem
de estar sempre em curso.

Sem mais, pegou-me do ombro:
-Homem, sem mais desespero!
As três semanas são apenas
as que te restam de fevereiro!

Aproveites o carnaval!


"...a confusão pode ser doce,
a perfeição pode matar" - Pato Fu

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

PIERI ESTAÇÃO PRIMEIRA (Juventude Bronzeada a priori)



Para Marcela Pieri
(o Cego cumprimenta  o surdo)

"Todo mês de fevereiro, morena,
 carnaval te espera..."


Bom dia, Zum be Pandeiro!
Como trabalha a moça,
quando lhe vem fevereiro!

Cara, grossa injustiça!
Aposto que o ano inteiro,
até dezembro e desde janeiro!

A paixão que muito se bate
batuca no corpo inteiro
(batuca com fête-morteiro).

Pouco importa se Sapucaí;
sapeca o samba aí que
à moça não lhe importa

se o som entra pela há-já-nela,
ou se lhe abrem a porta
(o festivo morteiro não se faz de morta!).

Quando assoma o carnaval,
multiplica sua cota.
(Haja art-é-ria aorta!)

Aja! Há horta!
Planta-se a alegria
que se transplanta a todos no dia.

Esse dia, 
não importa a estação,
é sempre de sol a pino.

(Dia de verão-diz-há-tino!)

Mas intuo que aplica amor,
então é também dia de chuva.
(E chove carinho!)

Chega de adivinhar do assunto;
não sambo há uma vida inteira,
mas acredito no que em instinto presumo:

Pieri é estação primeira!

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ARANHA É MARAVILHA!



Arranham-se!
O jato invisível ninguém vê!

Mas o tangível na camisinha!
Boa fantasia pra vocês!



Todos fe-luzes no carnaval!


"Tem gente que vê e é cega em ilusão de luz.
  Tem gente que vê e é cega, usa rédea e bitola.
  Acorda!".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DESDITA (Cafeteria Mineira) - Feira dos Produtores II

Para Dita


Você não acredita!
Uma tragédia logo cedo!
Eu não assisto a jornais, 
nem os leio, mas esta me veio!

Na Cafeteria Mineira,
quem a conhece não a esquece jamais!
Mas o digito no telefone:
atenderá a outros ramais.

Espalhar a rama pelo chão,
ou quem sabe por que ramos se espraia!
Minha tia gritou lá de Santos:
"Pode arrumar a mala!"

Todos querem ver o mar;
mar dita férias à Dita.
Que férias?! Se aposenta!
(Férias na minha fantasia...)

Não é que a Lídia, por jovem,
não me possa bem atender;
mas serve o cappuccino tão quente,
que chego a me arrepender!

Fico sonhando com os sucos
de  um box de mais pra lá:
faço a combinação que desfruto,
e me deixam beber o que sobrar.

Voltemos ao desjejum:
Não sou "Melhor Impossível",
e me pode atender qualquer um
(por sorte, qualquer  uma!)

A Deici é bem humorada,
será bom quando for sua a vez!
Mas confesso certa apreensão
com a incerta folia da Reis.

Quer saber? Gosto das três!
Minha fome não vai distratá-las.
Mas até a Dita eu chamava pra briga,
se queria minha conta quitada.

Mas já dizia o meu velho:
"Não tem jeito! A vida chama!"
Vai descansar, isso não é desdita,
desde sempre esta Feira te ama!

Caramba! Já chega o dia!
Eu me desdito no fim do mês!
Mas com broinhas e meninas tão boas,
é certo que sigo freguês.