terça-feira, 18 de setembro de 2012

Raso


Riso lacrimoso. Lágrima risível. O que é isso com que na noite me angustio? A noite é campo da paz. A noite é pro plantio do fastio. E por que não tenho em escudo contra a dor a expansão com que me irradio? Cores vivas na paleta do dia, o furta-cor ao mirador da ampulheta. Um tempo em que não é escolha feita mal-dedicar-se a más escolhas sem colheita. No dia implantou-se o que se via, na noite deixaram-se estar os que se deixaram estar. Não brota nunca o que fica pra "se mente". E como traduzir-se em outra linguagem? É como piece of mind, só que de mente.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

À Deriva



O que sinto é que neste mundo não fiz nada às escâncaras, e que se cansam sem que me alcancem. E sou, na melhor das hipóteses, uvas postas no alto; na pior, passas.

E dos que passam guardo a ternura que lhes nutri, ainda nutro talvez, por mais que os dias sejam tais que não nos possam ver juntos.

Junto então ao meu o seu quinhão e somos já coisas diversas. E quem precisa de unidade?! Cada um se vale das medidas de que se pode valer (por que mais se vale...), e o metro não ultrapassa a condição de mera convenção. A muitos não lhes basta, é pra outros excessivo, e os ultrapassa. E vamos todos aos derivados.

Uns derivados, nós todos!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Fresta


Hoje sopra desses ventos que marulham, não importa o quão secas as terras por que me distribuo. E por que me distribuo se não haverá conclusão? Sentir um pesar tão grande por Lennon já não estar, em (nem tão) plenos anos que correm, é sinal, talvez dos fortes, de que outra coisa quer chorar (mas esse sinal jamais será dos fortes...).

Como conciliar (se nem o sono concilio) essa saudade do que não conheci com o medo, assombroso, de deparar o jamais visto? Visto-me com cores de normalidade, e transito pelo dia. O dia é-nos dado a todos, mesmo aos que, ao cabo, sentem que não o tiveram. Ativeram-se, talvez, ao que de mais tolo se dispuseram a fazer. E essa não é a maneira de deixar a vida acontecer.

A vida está nas frestas, disse-o mais de um poeta.Some are dead and some are living. Some are deadly leaving, and some keep leaving the dead. Uns tem living e outros sala de (mal) estar (ou sala de star, que difernça!) Starkey, com os cotovelos nem pensar! Mas como sem os cotovelos num mundo de tantos, com tanto por decifrar?

Aceite como o conduzem, parta a linha que querem que cruze, e leve as cruzes que lhe quiserem dar. Alguém alguma vez lhe disse que o ar se podia aspirar?

Sempre aprende o menino a andar. E há mesmo certas coisas que só existem lembradas.