domingo, 29 de novembro de 2015

ASPIRANTES

Sou contraditório.
Do que digo não se faz oratório.
Vivo confuso
(é notório!)

O que penso é solúvel.
Não sei a palavra é "volúvel",
mas o que diz a gente me muda.
E a muda se planta e vai a árvores
que eu jamais suspeitei.

E às vezes são de muito viço;
não são novo compromisso,
mas podem ser altas de dar-me mirantes.
E tudo o que agora percebo
me torna o que eu não era antes.

Não me seguro em encargos,
a vida é de livre provimento.
O que podem me dar pra que me prive
de um constante livramento?

Ideias...
Serão asas ou masmorras?
É bom que me abrasem até que eu morra,
e me corroam até minhas cinzas.

Ou talvez as formemos juntos,
não era esse mesmo o assunto?
A terra dá-se a entradas de bandeirantes,
e na vida somos todos aspirantes!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

TEMPUS

Sinto cócegas de sono,
mas me sinto dono do meu tempo,
distribuindo-o ao que faz o sorriso,
que às vezes escondo,
às vezes ostento.

Quem muito só ri
não é levado a sério,
e eu não entendo
o mistério disso.

E às vezes sonho
que largo essa gente
e vou pra tribo
do imperfeito juízo.

A perfeição é preocupação vã;
nunca se atingirá,
nem hoje,
nem amanhã.

Hoje, amanhã, outra vida...
Não importa o quanto se tente,
não importa se muito comprida.

Vou distribuir meus minutos
entre tumultos e calmas,
alegrias largas e estreitas,
pro corpo e pra alma.

Vou ficar com o produto da mão,
mesmo de costas pra palma,
e pras palmas de outras almas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SERAFIM

Ai, Serafim!
Sou só eu o tripulante de mim!
Será o fim, do começo,
ou o começo do fim?!

sábado, 7 de novembro de 2015

DREAM INSTEAD

For I can't sleep
I should insist
on dreaming instead.

I should feel the sun
coming back for us
step by step.

There's a fire wich burns
wherever I turn
for it lights up the sky

And this fire will claim you
without invitation.
From that you can't hide.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PULO

Quem vem a mim?
Venha logo!
Eu já não posso esperar.

O tempo que pingava, escorre.
O bobo que vivia, morre.
Acaba por me encontrar sério.

(Um sério morador doado
do mais belo falanstério.)

Todos estaremos juntos,
loucos em profusão.
Gente que troca o juízo
por batidas do coração.

Bate, coração! E pula!
Pula que eu o apanho!
Pula que eu e ela 
não podemos ficar esperando.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

ASSUNÇÃO

Que bonita a moça em seu nicho!
Que beleza não ter visto o início,
adaptar-me ao in media res.

Não sou reles testemunha,
estou atento e não roo as unhas,
mas é bom estar a seu pé.

(Entenda-o:
ao pé de si!)

Pede-se mais tempo,
pelo menos até a aurora.
É muito o conteúdo,
preciso de todo um corpo,
não basta um dedo de prosa.

Batom vermelho intenso,
blusinha cor de rosa.
Será que o invento
ou será que a moça aflora?

Uma é cor da paixão,

a outra colore o amor.
E eu vou ficando arco-íris,
e o pote de ouro é haver tanta cor!