sábado, 31 de janeiro de 2015

CÃIBRA (não, quero morrer é disto!) ou LONGA RAPSÓDIA DO TORMENTO

Ex Chat,com Chrissy Reis.

"Is this the real life?
 Is this just fantasy?
 Caught in a landslide
 No escape from reality..." - Bohemian Rhapsody (Queen)


Não é que eu ache
que você me possa ajudar;
talvez me desse até azar
(que maus presságios madrugadas nos trazem!).

E não há solução para rimá-lo,
mas acordei das dores da cãibra;
cara, o troço dói tanto que disse:
"Senhor, mate-me agora e não amanhã!"

Não adianta me mandar comer
mais bananas porque têm potássio;
old habits die hard,
pra matar os deste velho não está fácil!

Isso mudou os meus planos, é fato,
os planos que tinha pra morte;
o coração era o desiderato,
mas ataque cardíaco é falta de sorte!

Qual a relação?!
Será que você não entende?
Descrição: cachoeira de cãibras.
Agora compreende?

Se esse troço, na panturrilha,
já me provoca este alvoroço,
imagine-o no coração!,
que é o nosso caroço...

Um caroço que eu devoro,
todos o fazem, se amam.
Disse-o o Chico Buarque,
cuja arte é o nosso "amo".

A dor foi mesmo forte,
não o digo por chilique.
Não estou zumbi por esporte,
jurei-o agora à Chrissy.

Sim! Disse-o à moça,
também zumbi, mas por maternidade.
Até lhe censurei a vigília,
mas não soube se "muito cedo!" ou "muito tarde!".

Acho que para sabê-lo
(ou será que isto é delírio?)
tinha de saber se ia ou se vai,
mas se "entro" demais me mata o Alírio!

Moça, estou contrafeito:
a dor era forte, embora fora do peito.
E juro, a esta hora:
derrubou-me do leito!

Mas ela disse que sou um fracote,
que a cólica que sente é que é de matar;
eu lhe disse que isso vinha ao poema,
mas ela não pôde acreditar.

Mas eu já falei isto sonhando
que algum dia me estudem a genética:
adoro versar conversando,
minha  produção "ex chat" é frenética!

Mas caso você que lê ou me ouve
não seja versado em literatura,
esclareço que essa "genética"
não descobrirá nenhuma cura.

É genética da caneta,
talvez seja pura frescura;
mas guardo o que manuscrevo,
poupo ao profeta do passado a procura.

Cara, não posso versar de madrugada,
vira um mar de despautério escrito!;
e como soo alto (me falta mistério
e a Rainha não desce do salto),
hora destas me chamam o síndico
(Mas eu sou o Maia do prédio!).


("Too late, my time has come.
 Sends shivers down my spine,
 body's aching all the time.
 Goodbye, everybody,
 I've got to go.
 Gotta leave you all behind
 and face the truth"."

Então vou abreviar-me,
às vezes também sei me esconder.
E tenho que aproveitar a onda de sono,
antes que se vá perder.

Fiquei sozinho, também,
Chrissy tomou y yo busco pan!
Miguelzinho disse "amém!",
agora só (mais uma hora?) amanhã!

Até que vejo o Paulo Baia,
que para mim é um cara insular;
não acho que conversaria,
então não vou cutucar.

Ah, lembrei! Termino a página de diário.
É uma dor tenaz a cachoeira de cãibras,
e não me tendo vindo o tórax de superman,
o sofrimento não seria abreviado. 

A morte que convém a um poeta
é a morte indolor;
então abandono o ataque cardíaco,
e vou morrer vendo o verso se por.

Ah, e Chrissy,
junto com o ósculo:
"contração espasmódica
E DOLOROSA do músculo".

Nunca é à toa o meu calmo tumulto!

"Nothing really matters,
 anyone can see.
 Nothing really matters,
 nothing really matters to me...

anyway the wind blows"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SEMPRE LIVRO (Libreto II)

A todos os bibliófilos.


Leio e estou libreto. (30/4/11)


Não ando sem livro por nada!
E não é que me livrem a cara,
ou me integrem a uma sociedade secreta,
como cria a Teresa cria do Kundera.
(insustentável, cria-se eterna)

Não ando sem livro
porque livro me liberta!
E nem já falo de espírito,
nem de nada intestino,
ou de coisas da essência,
internas.

Suspiro como quem gera,
mas não faço do papiro uma quimera.
Eu me liberto com meus livros
porque me livram da espera.
(piro com esperas...)


Com livros me calo
e expando os horizontes.
Divertido, já não sei quem me confronta,
nem há afronta no que emperra.
(dá-me um livro e já nem gira a Terra!)

Com livro sou bonito;
sempre livro!
(Quem me dera!)


"No trabalho, na fé, na virtude,
 se engrandece e se firma a nação;
 e na vida a mais bela atitude
 é a de quem traz o livro na mão" - Hino do Colégio Santo Maria.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ANGÉLICA FLOR-ESSÊNCIA


Para a minha mãe Rosângela Magalhães.
(Sim, adjetiva restritiva.)


A senhora é a matriz,
colocou o trio em cena;
mas talvez seja má atriz,
quando finge só haver problemas.

Quando eu adentro o recinto,
algo a convida a narrar-se.
Talvez porque saiba o que eu sinto
(gosto do jeito das rosas de dar-se).

Gosto de saber da menina de Salinas
(jazida do que era doce),
como de saber das notícias
-Que notícias?
-As que pai trouxe!

De como ficava admirada
namorando a revista Life;
tramando talvez uma chance
de da vida enamorar-se.

Eu sempre estive bem ali,
lembro-me bem do que houve:
sabia que não era filho,
embora quisesse que eu fosse.

E de certa forma eu sou,
já que sou irmão dos outros.
Então sou um pouco seu filho,
este pouco meio torto.

Sempre que eu chegava ali,
havia uma espécie de alvoroço;
dizia linda a minha família,
e eu carregava o seu moço.

Era cabeludo então,
eu o passeava na Savassi;
e via que ela suspirava
(não queria que o tempo passasse).

Queria ter-nos no seu ninho,
aninhados, ternos, sob suas asas;
mas, para todo menino,
chega a hora de sair de casa.

Mas não da casa permanente,
que é o coração da mãe,
nossa caminha mais quente,
que dá aos sonhos vazão.

E a que mais dá razão a nossos sonhos,
razão de serem e de se exercerem;
mesmo que às vezes lhe doa
ver os filhos crescerem.

(jamais doeu-lhe doar-se!)

Uma casa, o outro viaja,
e o mais novo é um "vida-louca".
E o que pode dizer Rosângela?
(Anjos  não falam pela boca...).

Nem essa anja rosada,

rosa dos jardins de lá;
Lá-Salinas, Lá-Santo Antônio,
e lá-aqui, que é meu lar.

Seu menino vai andar longe,
e eu vou ficar de olho;
porque fico em Belo Horizonte,
e somos caneta e estojo.

Descansarei no seu regaço,
quando a vida me quiser bater.
E você vai-lhe opor o braço,
mesmo sabendo que irei aprender:

"Ah, sua vida bandida!
 Bata-lhe e vai-se arrepender!"

Então que ela não nos maltrate,
que eu faria o mesmo por si;
e vamos esperar o menino
crescido que nos vai vir.

Chegará aqui crescido,
já crescida Maria Izabel;
e já estará re-acontecido,
sob os olhos, milagre do céu.

Ficam aí, então, os versos,
vão-se compor com um abraço;
a qualquer tempo pode invocá-lo,
estará guardado no... quarto!

Esqueça a dor, esqueça o tormento,
ainda você não está só.
Vêm aí os meus rebentos,
vai ser de novo avó!



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ALEGREMO-NOS, SENHORA! (In favor gay)

"What else should I say?
Everyone is gay."- Kurt Cobain, "All Apologies".



Quando o interlocutor me diz: 
"Sou gay!",
isso não me alegra,
nem me faz triste.

Não há como prever o que existe
por baixo dessa informação.
O primeiro que me ocorre é respeitá-lo,
como faço com qualquer cidadão.

(a senhora, para fazê-lo,
 não tire do armário 
 palavras de baixo calão;
 elas a rebaixam, a eles, não.)

Com apenas dizer-se gay,
não aumenta muito o que lhe sei,
que é sempre bem pouco,
com só o que vejo.

Talvez presuma alguma alcunha
que sofra pelo alheio preconceito.
Mas não há nada que resuma,
em poucas linhas, o que lhe vai dentro.

Talvez não me arrisque
em dizer que há risco,
até mesmo, em dizer como aproveita
as horas, também felizes pra ele,
que se dá em sua cama, se se deita.

(Nem se sabe como se ajeita,

 se à esquerda, se à direita...).

Preste atenção, minha senhora;
não quero deixá-la contrafeita,
mas peço que não se confunda:

os gays não são uma seita,
não há diferença nenhuma,
além das diferenças que se exerçam.


"What else could I write?
 I don't have the right". Idem

And who shouldn't be all apologies, anyway?


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

(A) TERÇA PARTE




Para Junim, sempre com Amor.

"saudade é um daqueles negócios que, se chegar aos olhos, vaza"-Joyce


Vaza muito, então!
Extravasa!
Anda, que lá em casa
não se admitem entupimentos!

Vaza. Molha o cimento.
Vaza, o aquecimento
há de fazer bem às bochechas.

Vaza, e já não há queixa.
Vaza, esta é a deixa
para a desopilação.

Desopilar é preciso!
Desopilando me livro
de transformá-lo em depressão.

Então, filha,
chora o teu tanto!
Ninguém deve poupar o pranto,
venham-te lenços de papel.

Chora, mas não esquece:
a saudade só aquece
a quem sabe gostar de gente.

Inteligência sentida gostar-se.
Gostar-se de gente e gostar-se,
gostar-se: a gente da gente.

Chora o que for urgente,
depois te inclina ao céu,
que o sol é o de todo o dia,

seca a lágrima em alegria,
muda o pranto em sorrisos;
chorar às vezes faz falta,
mas alegrar-se é mais rico!

A felicidade também cobra seu quinto,
chora(,) a terça parte,
mas passa o dobro rindo!

Acho que perdi as contas,
e essas contas nem se fazem,
então acho que vou...só...rindo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SEGUNDA HÁ CHANCE

"Toda segunda tem alguma coisa ruim,
alguma coisa boa, e uma péssima fama" - Adriana Falcão


Dê uma segunda à chance,
ou se dê chance na segunda.
Perdeu-se num primeiro lance,
mas num relance a casa se arruma.

Endireite-se,
de bambo a bamba,
quem sabe você não se apruma?!

Ou, papagaio empinado,
o vento ajuda e você ruma;
rumo do leste, oeste, sul, norte...
É preciso a sorte, que se coaduna.

Talvez só gatos tenham sete vidas,
mas podemos ter mais de uma.
A que nos acontece,
e a de que nos apetece a tessitura.

Erre o erro,
veja se não o repete!
Isso entristece o criador, criatura!

Então peça!
A ocasião se oferece!
"Jogo de cintura, olho na mistura",
e ao invés de revés, compostura!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

VAI, CATTONI! (Funk Zarpa)



Para Leonardo Rodrigo Magalhães Cattoni, ao léu.

"O melhor o tempo esconde,
longe, muito longe,
mas bem dentro aqui"



É o contrário escrito de mim,
incertos termos.
E o contrário do contrário de mim,
e é belo termos
cada qual a sua envergadura.

Nem sempre a vida está para acertos.
Se a vida acerta em cheio há desmantê-lo;
aqui se faz, ali se cura.

Mas este, o que escrevo,te manteria.
Mas quem tu serias se agora não fugisses?
Seria mesmo outro, o que nunca se disse.

Os que nos dizemos só o fazemos
pelo sestro de nos pensarmos,
e pensar-se é uma loucura!

Perder-se pra depois achar-se,
abandonar-se e dar-se
a nova procura.

Não te enterra no teu berço,
outro endereço!
Tu mereces a ventura!

Novos fios, outra agulha!
A vida em se fazendo se retalha,
nunca se acaba a tessitura.

Vai! Te lança!
Quem não navega não alcança.
É já que passa o cabo das tormentas
e dá-lhes cabo  o da esperança, a boa,
essa que se avista da proa.

Vai! Não te demora!
Quem sabe faz a hora,
e pra quem sabe ela é sempre propícia.

Vai! Restaura a infância!
Vai fazer a Irlanda!
Vai! Essas milhas não são distância!

Trem, dás cores aonde fores
"O meu coração é o Sol, pai de toda a cor".




"E cada volta tua há de apagar,
 o que essa ausência tua me causou"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DA LUA TAMBÉM (Satelito e os cacos desencavados)

Para Bruno Gouveia, gol na veia da Izabella.


"Quando os astronautas foram à lua,
que coincidência eu também estava lá!
Fugindo de casa, do barulho da rua,
pra recompor meu mundo bem devagar".




Quando me cavei, Cavadão,
desencavei um lunático.
Que revelação!
"Função Sonho" no modo automático.

Ah!A redentora assunção do lunatismo!
Alçar-se é preciso!
Mesmo sem bandeiras nas fronteiras suas!
E de que bandeiras acaso precisam
os que hasteiam seus casos pelas ruas?

(Zé-firo-ninguém,
 venta ventanias a quem?)

Expansões cantadas
são lições para os atentos;
que deslumbramento!,
viajar-se de onde se está!

(Só quando o entoaram talentos
 nós o pudemos vislumbrar...)

Praça-Castralve-se!
e salva-se!,
alvando-se (moreno) pro povo.

O povo saca pérolas,
e quem fica poupado na ostra,
perde sua polpa na espera.

Falo o que quero,
não sou ministro, nem magnata,
nem acadêmico de chá pronto às cinco.

Mas como versos são livres,
não me censuro o que apronto,
se o sinto.

("Mas não somos desse mundo (...)
  errar não é humano,
  depende de quem erra"
  Acho que bem fez o Rosa, 
  adiando-se dessa atmosfera...)

Mas, superados os parênteses:
obrigado por fazer-me Jetson!
(quem sabe ali não somos parentes?
I really like the moon song!)

O banheiro é palco aqui em casa,
e palcos dão asas ao lar.
Sabe-o bem a Izabella,
e a Letícia não deve tardar.

Mas o que ia mesmo dizendo?...
Ah! As tais asas do lar!
Então muito obrigado!
Obrigado por nos voar!

Fiz o poema pra você,
sem escondê-lo na Timidez,
que "cada rua da cidade
esconde um desconhecido".

E há tantas ruas no Rio!
Mas pr'atrás dos Arcos não sei aonde vou.
Então instrua os turistas,
ao cicerone impõe-se o favor!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DA GÊNESE DO SOL (em G expandido)

Para Mel

Não é vinho retinto,
já há muito te pinto.


Ele era um sol que não se quis brilhar.
O Sol que se quis esperar,
quando tantos morriam de frio.

(Isso talvez lhe tire beleza,
há estranho egoísmo nisso.)

Você é a em-Sol-ação;
não a insolação que me feriria,
mas o Sol que me leva à ação
de me brilhar todo dia!

Sol na rua,
sol pra só nós.
Eu o devolvo num Sol generoso,
tocado(,) em projetada voz.

Eu lhe tirei o primeiro,
mas nosso sol real é o quinto
(quinta grandeza de primeira!).
Que o esperemos a noite inteira,
topo até o vinho tinto!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

SOL PESSOA (O Pessoa só),


Chora-se e ri-se a imensidão sublime do Nogueirão.



Quis beijar o Sol,
mas minhas asas são de cera.
O que me acontecera
quando da concepção?

Não me entenderam nunca!
Nunca me entenderão!
Como pode ser hoje tão grande
o maior dos poetas, o do porão?

Não era porão, é verdade.

Talvez estivesse mais para sobrado.
Onde se sobrava só
esse imenso potentado?

Será que não o convidavam
nunca, a nenhuma parte?
Ou o à parte era(a penas) esporte
do só dedicado à arte?

(Será que escolheu não amar,
 ou terá sido falta de sorte?)

Mas eu li as cartas todas
trocadas por ele com Ofélia,
que acabou morrendo sozinha,
envelhecida da espera.

(As dele não eram tantas,
 as dela, pura quimera.)

Vi que investiu tanto,
tanta abdicação, tanto pranto,
para que ele não bebesse,
e para que a visse o seu tanto.

(Mas, além da bebida constante,
 o gajo só se engajava em escrever.)

Disse que sua vida
submetia-se a outros mestres,
como se quisesse estar forro:
"Forrar-me é o que me apetece!"

Mas às vezes sofro tanto
de imaginar que podia sê-lo,
porque a liberdade de ser só
parece-me às vezes degredo. 

E era tudo tão imenso,
tudo o que escrevia,
que não me meço por ele,
nem ninguém poderia.

Nem o maior Du-monde,
com tudo o que alcançou.
O Pessoa era tantos!
Não sei como não se lançou...

Não que eu não fique só no meu canto,

e o meu canto é o de só um.
Mas tento espalhá-lo tanto!
(Tanto esforço e sigo comum...)

Como um qualquer que tentasse,
a cada estrofe que cometesse,
projetar-se a todos,
num impulso de arremeter-se.

Mas ele sabia do seu tamanho!
Organizou, parece, o baú.
Será que era tão enrustido
que temesse a tinta azul?

Porque rios se escreveriam
quando assomasse a aurora.
Os mesmos rios afluentes
dos influentes de agora.

Desta distância todos o enxergam,
mas será que se entenderia
com os nobres daquele tempo
se o baú visse a luz do dia?

Só mandou uma pequena Mensagem,
pra que não houve o competente oblato;
seriam os contratantes dementes
ou não se propôs ao espalhafato?

Acho que só pôs a cabeça pra fora,
mas recolheu-a antes da hora tramada;
porque não se entendia de luz,
e adiou-se, então, a alvorada.

A Cecília, que andava na frente,
tentou ver de perto o viço;
mas não consentiram os astros
do mapa que ele tinha consigo.

Mas nada disso importa!
Aliás, não estou certo de nada!
Apenas de ter-se aberto a porta,
fazendo-o o sol de toda a manada.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

E AMOR LÁ MATA? (Amolar mata...)



O grafiteiro do Belas disse literalmente isto
(ia dizer "exatamente", mas isto não é exato):
"O amor pode te matar.
 Não dê tanto poder a ele."


E o que o lê o entende?

E amor lá mata?!
(Amolar mata)
Cesse a bravata!
Deixe a gravata ser terna...

Como pregar nos soltarmos de nós?
Até entenderia nos desapegarmos,
mas não para nos pegarmos sós!

A vida é um frágil instante,
preso por laços de barbante,
como os do embrulho do pão de outrora.

E o pão, que eu saiba, é o amor!
(mesmo agora...)

E quem não quer pão todo dia?

O pão é liberdade,
só quer comer-se à tarde,
ou no máximo de manhã.

(E deixa espaço para se arrumarem,
refeições de recreio, vãs.)

É sabido que amor não mata,
ele apenas amor-massa,
quando alterna chuva e sóis com loucura.

Como querer que esse calor se abrande,
se o brandimos como tochas
nos castelos escuros do ser?

Baixe a ponte levadiça!
Descomprima as dobradiças,
para a magia desdobrar-se. 

Amor não mata, tenha dó!
E se mata prefiro morrer antes
a vagar apagado

(desinteressado e desinteressante.)

Antes viver antes
de retornado a só pó.

domingo, 18 de janeiro de 2015

USE YOUR ILLUSION 3

DÊ-SE ILUSÃO!

PAUTA NA MÃO 3 (Tempus Fugit)

Que tal depois da missa?


Mal entrou na toca,
já te estou tocando
(para dentro, é claro!).

A saia sobe
e as costas conhecem a parede
de onde se vê a rede amarela.

E até pode ser nela,
dependendo da sede!
(Cede! Excede!)

Vai com muita sede ao pote,
e verás como pode
expandi-lo, mágico.

Ficam as células túrgidas,
fica a cela úmida,
a em que me enclausurando me liberto!

E selado o pacto
(pelados! é hora!),
é sentido o impacto,
agora da pia!

Nem um pio!
Não estou pio,
mas ao arrepio
de toda a castidade!

"Deus dai-me a castidade!",
mas para depois!
Depois de esta vontade saciar-se nela,
a bendita costela que mordeu a maçã!

Vem agora pra cama!
Te derrama!
Vou cobrar o quinto!
E, recobrado o pinto,
vamos ao chuveiro.

Levo o picadeiro
e descabelo o palhaço!
Já não há embaraço,
só o do teu cabelo!

sábado, 17 de janeiro de 2015

CONTEMPLA O CAMPO? DÊ LÍRIOS!

Para Mel
"Não brigue nunca comigo, eu quero ter nossos filhos..."

Quero-os todos, 
nosso todo;
tolos e aprendizes!

Tolos mas felizes,
nos dando iguais 
(o que tanto faz...)
los días grises.

A crise é coisa de outros tempos!
Crises insistem, 
mas elevo o pensamento.

Eles serão livres!
Pensadores,  voadores,
talvez até um pouco dormentes
(de mentes alerta).

Se não querem, 
não saiam aos pais;
não tem (têm) nada demais...

Podem ser até atletas, 
ou asseclas do que escolherem.
Podem premir outras teclas
(se não as temerem...).

Provar de sons distintos,
até dos sem distinção.
Ou imitar meus gritos,
pelos trilhos, de pauta na mão.

Claro que haverá conflitos,

mas não lhes daremos tanta atenção.
Desde que os debelemos,
para uma mais bela repercussão. 

Clara já não me sai tão clara,
e talvez a mudemos em Bruna.
E Luisa, que na cor fosse Lívia,
talvez nos saia graúna.

De Beatriz já não gosto tanto,
do meu canto eu até já a esqueço,
pois agora me soa aos ouvidos
como um "chic" folhetinesco.

Em nomes de homem jamais me detive.
Gosto muito do meu, 
mas de Jrs. me abstive.

Pensei no Thomas do Kundera,
mas aqui seria Tomás.
E vão achar que é homenagem ao poeta,
e o erro vai-me amargar.

Também acho, com ele,
que "as glórias que vêm tarde já vêm frias",
mas nunca lhe perdoou a minha Flor
o ter deixado atrás a Marília.

Acho que não há, dentre os de poetas,
nome que o versejador aprove.
Então vindo-nos meninos, decido:
é a mãe que escolhe!

Mas nada de nomes compostos!
Eles são despojos da indecisão.
E também os nomes pomposos
dão-me alguma aflição.

Então nada de muitos sobrenomes,
e nada de "Fulano César",
nem de "Beltrano Augusto",
nem dessa frescura de "Sicrano Henrique".

(só o perdoo à mãe do Caíque!)

Como ensinar-lhes a simplicidade
carimbando-os pretensos chiques?

O meu sonho era deixar que escolhessem
como vão querer ser chamados.
Mas já vou ficar satisfeito
se deixarem-se ser amados.

Amados e amantes.
Amadores, aspirantes,
mas almas mais velhas que nós.

Vamos aprender com eles,
instruí-los para nos instruirmos nós.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

CROW CAME CRAWLING AND CRIED ("Nevermore!" like never before)

"Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe". (Lennon)


"Nevermore!", cried the crow.
 Nevermore 'till there's... more!

 Another open door,
 and I'll let the windows rest.
 Another open door,
 let me be put to the test!

"My game of love has just begun",
 as once said by the Queen.
 Only there's no game at all,
 and I'm walking lonely by the shore.

 Are there really rules?
 Is there any?
 I have followed none.
 People tell me there's plenty.

 Love is like a rush for gold,
 and I only do slow dancing.
 Because I care about the words,
 and I can hear them romancing.

 I really don't know what it takes
 for the likes of me to be accepted.
 But I do it my way, for I like me,
 and for that there'll be no regrets. 

  

RISE AND SHINE!

GROW WITH THE GLOW!

= : )

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

JANEIRO IN: FLUENTE (Carreirinha)

O esperado janeiro flui.

Seu trânsito flui.
Nele, meu carrinho flui.
Nele, meu carinho flui.
Meu amigo já é estrangeiro: flui.
Eu estive lá primeiro. Fluí.
Meu cabelo flui.
Nele, o pente flui.
Meu trabalho flui.
Me embaralho. flui.
Meu pensamento, tempero, flui.
Chili Peppers flui.
The Doors flui.
English flew.
Raul flui.
Mel-o-dia flui.
Verso flui.
Drummond... não fui.

O Amor influi.


ARMADURA

Para os meus promotores: Ana Gabriela, Luciano e Marcelo.


"If you're gonna die, die with your boots on", mas vivos!


Se a injustiça tem de ser perpetrada, 
eu prefiro não encará-la,
ser irmão metralha, ou algo assim.

Se a injustiça tem de ser cometida,
eu prefiro minha vida contida,
em sua reestruturação.

Se a injustiça tem de levar-se a cabo,
eu me despeço e saio,
levado para o lado de lá.

Se a injustiça tem de dar-se,
eu prefiro libertar-me,
e ficar banido, assim.

Se a injustiça tem de cometer-se,
eu prefiro perder-me,
e ficar esquecido por aí.

Não! Esqueça esse muito que digo,
é como me inclino,
mas a coisa não pode ser essa!

É preciso outro estilo,
é preciso o arremetido,
o sem medo de combater.

Essa gente emoldurada
por armaduras douradas,
a que não apanham armadilhas.

É preciso desmantelá-las,
combatê-las, 
esconjurá-las,
as bem posicionadas quadrilhas

que menoscabam o povo,
inflamam suas dores,
"garantidores" togados,
armados,eleitos.

É preciso remover essa gente,
devem ser eles os penitentes!
A estrutura é para todos nós!

Não é a Casa da Dinda,
nem a da mãe Joana,
muito nos enganam
os que pensam assim.

Eu às vezes, do meu lado,
fico fraco, só rezando.
Fico assistindo, esperando,
que outros promovam a justiça.

Até me investi do conhecimento,
mas me falta o talento,
na minha covarde preguiça

de nutri-lo, expandi-lo
(e não apenas poli-lo),
para exercer a missão.

Mas fomento os amigos,
de encorajá-los preciso,
e você precisa também!

Que façamos qualquer coisa,
que seja coisa outra,
mas não restemos "amém"!