sábado, 31 de dezembro de 2011

O último será o primeiro


Certa vez, enquanto anoitecia em Porto Alegre doidamente, ocorreu ao Bomgaúcho, às margens nada plácidas de um rio vermelho-anil em que mergulhava o sol, a certeza de que o último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro. Tudo bem, vai! É certeza das menos perigosas pra quem vinha de fazer sua última resolução: da próxima vez só uísque escocês.

Amanhã, como disseram outros muito bem antes dele (conformando-o, conformemo-nos) the sun will be the same in a relative way but will be older! Mas o mesmo bomgaúcho disse (tá, o contexto era outro): todos iguais, todos iguais; uns mais iguais que os outos.

Chega de disse-me-disse! D'hoje pr'amanhã, à meia-noite (two minutes pra midnight todo mundo já atento, hein!) dois iguais vão-se posicionar de costas um pro outro e caminhar na mesma direção mas em sentidos opostos, e todos já sabemos quem vai sair vencedor, em que pese a igualdade. Ao perdedor um jazigo (espero que tranquilo e visitado com parcimônia) na lembrança.

Sem pesos e medidas, sem instrumentos de precisão (e eu com esses números?) eu lhes digo: não se apeguem ao apagado. Sigam. Não vence sempre o melhor? Sigam-no, desde já!

Nisto, quem ri por último ri sempre mais atrasado...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Vai assim de mim.

Dia desses disse a alguém que acordara de “causas naturais”. Diverti-me da expressão; penso tê-la inventado, não sei. Mas se há algo de verdadeiro nela além do fato de que não me desperta qualquer aparato; se há algo de intrinsecamente verdadeiro nela, é que são naturais meus pensamentos e tudo que me chama à vida. Muitos ao ouvi-los expressos diriam que não é verdade. Mas o que posso, se é tudo isso que me chama?

Disso que é tão prático e ainda assim não me ajuda a viver, eu não quero saber; eu não vou aprender isso. Vocês o dominam; dominam o que com isso?

Se adivinho significados ou se os atribuo, pouco se me dá; torneios verbais não são competição. AS palavras estão ai pra muito, pra muito poucos.

Se só és nocivo pra quem não se defende, absolvo-te. O mundo é agreste e o indefeso é suicida. Vai ao natural a seleção, e estou fora. Cada um é pro que é. Sou pro que sôo. Sou desnecessário e até inútil, mas não sou imprestável. Vai assim de mim, ou esvai-se assim de mim. Vaia-se de mim?

Ninguém ouve todas as camadas do dito; ninguém ouve se sussurro, ninguém ouve já se grito. Preciso ser ouvido em todas as camadas, não-preciso, acamado.  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

X-mas

Neste Natal, como em todos, abundaram mensagens sobre seu verdadeiro significado. Não lhes torço o nariz, absolutamente! Ou pelo menos "não lhes torço o nariz absolutamente", embora houvesse mesmo quem propusesse, já no dia 25 pela manhã, otimismos nos moldes do "passado o Natal, agora....".

Tudo bem! Há sempre razões além das razões que arrazoamos. Talvez achasse razão em já ter superado o Natal no 25 pela manhã no estar o Natal na ceia e troca de presentes, mas talvez a encontrasse em ter sido a data... tragada de coisas pagãs.... Papai Noel  avermelhado pela Coca... re-gerada nos mitos germânicos não sei quais...


Quase todos dão-se à troca de presentes. Tenho observado, no entanto (e aqui vai a razão pela qual realmente consigo estender pelo ano o que há em mim natalino) que o principal é a troca entre os presentes. Disso nasce muito. Disso se nasce (Tá! Às vezes também disso se morre!).


Não organizando eu mesmo ou os mais diretamente meus festas próprias, tenho assistido àquelas para que me têm convidado e, lá estando, assistido aos enlevos dos circunstantes.


Há sempre os que dizem fervorosos, os ditosos arrebatados pelo ditado, mas também os infensos ao dito. Sem mais torneios e indigitados, à conclusão: Só lhe faremos o milagre que mora em si, se mora (expedito ou moroso). Recorramos ao paquidérmico Saramago:

Não ordenou, não recorreu ao seu variado repertório de toques de bastão, uns mais agressivos que outros, apenas deu a entender, o que demonstra uma vez mais que o respeito pelos sentimentos alheios é a melhor condição para uma próspera e feliz vida de relações e afectos. É a diferença entre  um categórico "Levanta-te" e um dubitativo "E se tu te levantasses?". Há mesmo quem sustente que esta segunda frase, e não a primeira, foi a que jesus realmente proferiu, prova provada de que a ressurreição, afinal, estava, sobretudo, dependente da livre vontade de Lázaro e não dos poderes milagrosos, por muito sublimes que fossem, do nazareno.


Balança favorável (e não é comercial!) é isto: O verdadeiro milagre é o que portamos, se nos importamos! Esse é o X-... da questão!
E têm aqui o meu balanço!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Quito

A fim não de sobreviver, mas de conquistar o espelho, veio-me em acidente o bomgaúcho e deixei-o ficar até ilhar-me: "Todo mundo é uma ilha".
Somo todos ilhas, apenas em arquipélagos. Arquiduques sobre duques, tudo matéria dúctil de tola sobreposição; esse ducto para o nada.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

...O que não é espelho?

Há, sim, homens bons. Mulheres boas também as há (mais confusas que em profusão). Mas só as palavras, creio (e como é inebriante a confirmação do óbvio), é que são... apalavradas! Creiam-me quando não restar mais que em palavras.


Narciso não morreu do admirar-se mas da aproximação; somos tão mais bonitos de longe!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alma Grande: Mulher.

Não que julgue que aconteça para impor-me conclusão, ou mesmo reflexão, mas às vezes vem-me uma confluência de objetos nas conversas que traz parâmetros.

Outro dia, em curso no patrão, um professor de Português, desses que não têm lá muito a dizer de novo, a que falta luz,  iluminou-me o óbvio ("...toda vez que falta luz o invisível nos salta aos olhos..."): as mulheres mandam. Disse que, no âmbito doméstico, reina a mulher e, na sua falta, a faxineira (já lhes cansei sobre isso...). Mas o âmbito é maior.

Não muitos dias passados, assisti (seguindo oportuna recomendação) a "José e Pilar". A espanhola mulher de Saramago arrebatou-o a Portugal e, em novos baluartes (pilares...), refundou-o. Não canso de ouvir teorias que atribuem às mulheres de Einstein e outros seus grandes feitos. Na Vetusta havia mestra (ou doutora...) cuja obra, diziam, publicava-se sob o nome de iminente professor (dela e nosso). 

Pergunto-me se mais que "em tudo" as mulheres estariam "atrás de tudo". Hillary segurou as pontas dos panos sob os quais o marido dera vazão à concupiscência (quem não tem seu sassarico?) e Clinton hoje é ela mesma. Caetano, que já muito elucubrara e inspirara, só viu montarem seus ganhos a patrimônio ao encontrar, ainda Paula, sua Lavigne, uma tigresa de unhas verde-dólar que, sem o dolo de sobrepujá-lo, teve o mérito de impulsioná-lo.

Então por quê indecidir-se ante as decididas que apontam? Adianta? Aponta-te o dedo qualquer mulher! E quem quer mulher qualquer?A mulher é a alma do negócio, Elias!

Diz, almada, o que esperar...


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

In Werther Teurgia


A súbita consciência de que um núcleo comum não é sempre adjacente, ou já não é adjacente. A inopinada impressão de que o seguro não é sempre palpável, e de que o palpável não assegura. O estampido da rolha que se solta da garrafa que antes não se tinha à mão por tíbia (à) vontade, e que invertida faz com que verta o que só a mim diverte, que me diverte de mim, divergente.

De ver gente tanta tocar a minha caixa para nenhuma entrada. De ver gente tanta tão gente... Não se não os acolho; se não os acolho não ressoam em minha caixa. Nomes do que já não é, ou é alhures. Fictícios aqui os mais pra lá tão reais. “Sempre chegamos aonde somos esperados”. E se não somos? E o estatuto da realidade, quem o dá?

“Sempre é inesperado o abominoso”.  É que então são felizes. Esperar o pior é impossível, porque nada pode ser pior que esperar o pior. O pior é presente se se espera. E quem é que se dá um tal presente? Diz-se espera.

Os sofrimentos de um jovem, se decide não gozar. E para quê poder podar? A vida está, Kundera, em outro lugar?
Te urgia a quê?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Carma a vir



No começo era o verbo... Nunca fui um muito bom entendedor das palavras alheias, embora me propusesse amiúde a escutá-las, fazendo-as miúdas partes do meu. Embora não fossem, embora não iam.

Achava impertinentes aquelas ideias que me ficavam na cabeça (Tablet, nuvem... me dá igual! Dá-me muito!). Assombrava-me o que não era então mais do que o de que ora sou feito. Faz-me hora, faz... hora comigo, não... ora comigo... Ora! Comigo!?

Falar de relacionamentos é criá-los. E a mãe? É quem cria ou quem inventa? Não dá a cor da íris o tom na nossa diferença. Já não sei o que lhes aconteceu, não sinto o que sentiram, apenas sinto a partir do que sentiram. Mentiram? Mentiram, que me tiram o que lhes veio e, inconclusos todos, posso em releitura ler qualquer romance pela primeira vez! E se têm todos então a capa vermelha? Carmim... Escarlate... Escalar-te... 


É dos outros! É meu! Mas se “eu é outro”, “é meu” é-me alheio!


Saussure tinha dito aquilo das palavras e das ideias... Vou lá pesquisar o que disse o suíço....Sou isso? Vou nada! O sangue seca e já a letra não é a minha! Câmbio?

E que fraudes há no riso que eclode indômito por sobre a alma torturada!?


Car ma vie, car mes joies...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

...é quando.

Que seja ontem sempre a véspera do dia em que seremos felizes.

domingo, 4 de dezembro de 2011