sexta-feira, 31 de julho de 2009

PERSONALIDADE CONJUG... AU!

O meu interlocutor do outro dia no bar que me perdoe a reiteração do assunto. Peço-o também aos errantes cansados do cansado assunto que mais parece uma mono-DR. Se bem que este ano, que vai acelarado rumo a seu fim (Putz! Praca!), foi marcado por DR's. Teve D.R. final, D.R. negocial, D.R. restauratória e até D.R.'s tensas de amizade.

Uai! Eis-me doutor em D.R.: DR/DR! Isso é que é credencial, hein!

Outro dia até fui ver uma película tupiniquim que, segundo me disseram, foi engendrada por um guri, toda sobre DR. Aliás, era ela toda uma DR. Chama-se ".apenas o fim." Muito boa! Diverti-me. E para mim, plateia no lance, o título vinha muito justificado: era apenas o fim; era apenas um fim, um fim qualquer, sem qualquer repercussão na minha vida. Foi, ainda, a DR dos sonhos, pois que além de salvo a priori das consequências, eu poderia sair quando quisesse, fosse para verter meu precioso líquido ou para me reabastecer de pipoca, estivesse ela no auge que fosse, sem sequer receber a de outra forma muito justa pecha de babaca!

Mas dando uma de Oswaldo Montenegro "mas não era isso que eu queria falar". Queria falar que, embora continue achando uma bobagem isso de "juntos sermos um", acho que talvez exista uma personalidade conjugal. Numa inferência do texto do Rilke (aquele do post "Ex cathedra para a vida") acho que, com efeito, ninguém deve estar a procurar metade, né! Eu quero uma inteira para com ela (e inteiro!!!) ser UM... conjunto!

It takes two to tango, babe!

Conquanto ache absurda a ideia de nos apertarmos em uma forma para fazermo-nos um, acho que há a tal personalidade conjugal, que não é a soma das duas individuais (como a "vontade coletiva" não seria a soma das individuais, lembram-se?).

O que trouxe do bar (veio-me lá, embora já houvesse no mundo, de tão óbvio) é que relacionamentos (como o sexo, talvez em metonímia) são interação, não ação apenas! Assim, certas combinações são "incombinações" perpétuas e imutáveis, embora algumas admitam recombinações em mudança de modalidade.

Mas há também as combinações que dão azo a uma boa personalidade conjugal. Essas, ainda que possam andar mal por ocasião de falha em um dos combinantes, podem vencer o tempo, não lhes sendo a incompatibilidade da essência. Aí, resolvida a vicissitude, podem rolar ad eternum.
Ave! É mesmo tudo relativo, né?! Depende do "em relação a quem".

É como o sexo: duas gurias podem, numa mesma época, experimentar o mesmo cara e dar-lhe uma dez, a outra zero! É interação (também não desconheço que os haja melhores e piores, vai!) Ah! Vá lá, cara! AChe uma inteira que lhe vá bem em composição!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

HE'S NO EL*

Tem gente que reclama que não há o que fazer por estas paragens com pouca grana. "Vou ali no bar do bairro mesmo, tô meio sem grana". Sei lá! Por mais do bairro que seja o bar não é beneficente, né!
O negócio é que fui ter, pela primeira vez, no Teatro do I. Hendrix, onde se encenava a peça "Chico Rosa" (dez contos o ingresso!) Foi sorte ter-me dado conta sexta da programação, pois hoje foi o último dia da peça. O que se vê no palco é uma descontraída (como próprio do gênero) conversa de "butiquim" entre o Chico Buarque e o Noel Rosa. Muito divertida! Enquanto eles conversam os mais variados assuntos merecedores dos parcos foco e atençaõ dos botequeiros, vão cantando as composições que se amoldam ao contexto. Numa passagem o Noel diz que a situação do Chico era diferente, pois que era "filho" e "homem erudito". Numa muito bem apontada "falha" buarquiana, Noel não poupa Chico por ser um confesso saudoso do troca-troca, haha! Muito bom!
Mas o Noel parecia tão... pícaro!, que o Chico ficou mesmo super bom rapaz no contexto, genro dos sonhos e tal (apesar do troca-troca, né! Haha!).
O lance é que me pus a imaginar aquelas cenas típicas de desenho animado em que um capetinha e um anjinho disputam a resolução infantil.
Viagens! Bom, muito bom o espetáculo. Parabéns aos caras do "Cara de Palco"! Ah! Mas o Chico já não era o Ricardo Nazar, esse mesmo que faz o cover noite afora belorizontina.


http://www.youtube.com/watch?v=g7g8fToqGCo

Olha o Chico (meio tonto) mencionando o Noel:
http://www.youtube.com/watch?v=0JWQMoY3c74&feature=related

E cantando Noel:

http://www.youtube.com/watch?v=GfR_6daAKUE&feature=related

Olha o Noel, que bonitinho, haha:
http://www.youtube.com/watch?v=26GAxh6_aKI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=rETSGoLBjjk&feature=related

* Bom, não costumo fazer aposto de título, mas como os que me conhecem tão topeira (para "fins informáticos") poderiam supor ter havido erro de digitação, haha!:
Segundo consta (não sei o quão fidedigna é a fonte, já que não me lembro qual foi) a partícula "el", tão comum em nomes da literatura religiosa, significa "Deus". ASsim, os nomes com essa terminação significam coisas como " o enviado de Deus", etc...

domingo, 26 de julho de 2009

BIS IN IDEM


A vida tem seus mistérios. Há os que a veem como uma linha reta que se alonga até que se interrompe abruptamente. Há os que a vemos como a própria Terra: quanto mais rápido você se afastar do ponto de origem, mais rapidamente o tornará a atingir novamente.

E há, é certo, experiências cuja repetição vale a pena quantas vezes no-las permitir o feroz carrossel. Ainda mais se as podemos repetir mais de perto, melhor vistas e sentidas.

Uma boa ilustração disso, no tocante à música, é o show do Ney Matogrosso, haha! Por falta de encômios que lhe façam justiça, limito-me a dizer que, desde a turnê em que interpretava Cartola, tenho ido a todos os seus shows e, detalhe, as turnês costumam passar por Belo Horizonte duas vezes cada.

Nesta turnê, Inclassificáveis, que é também o nome do disco que lhe deu origem, batizado, por sua vez, em razão da brilhantemente composta canção homônima, de Arnaldo Antunes, não foi diferente.

E muitos outros a rechearam:

"...cansado de correr na direção contrária
sem pódio de chegada ou beijo de namorada
eu sou mais um cara
mas se você achar que eu estou derrotado
saiba que ainda estão rolando os dados
porque o tempo, o tempo não pára!..."
http://www.youtube.com/watch?v=ffy9GkgPV_4&feature=related


"...sou o novo, sou o antigo
sou o que não tem tempo
o que sempre esteve vivo
mas nem sempre atento..."
http://www.youtube.com/watch?v=sCaeEz0azTw


"....você eu tenho de ter, meu amor
pra poder comer
você eu tenho de ter, meu amor
pra poder dormir

entre a terra e a lua minha alma
tua

já sabe o que eu sinto de cor
ou vou ter de escrever nos muros
gritar nas ruas
mandar por num outdoor
de tanto não poder dizer
meus olhos deram de falar..."
http://www.youtube.com/watch?v=MAGre4uq2Vc


"Mais uma dose
é claro que eu tô a fim
a noite nunca tem fim
Por quê que a gente é assim?

agora fica comigo e vê se não desgruda de mim
vê se ao menos me engole
mas não me mastigue assim

canibais de nós mesmos
antes que a terra nos coma
cem gramas, sem dramas
por quê a gente é assim?"
http://www.youtube.com/watch?v=sec8qyV_MIw

"...enquanto isso, navegando eu vou sem paz
sem ter um porto, quase morto, sem um cais
e eu nunca vou, te esquecer amor
mas a solidão deixa o coração neste leva e traz"
http://www.youtube.com/watch?v=edEdwryBcZ0


"... e antes que um vento assopre-o
diga a si próprio, meu amigo
coragem, coração. Se joga
como corações se jogam
então se liga só no slogan
coragem, coração, se joga
que eu te dou a minha mão."
http://www.youtube.com/watch?v=hAA7nuJFMuQ


"...atenção! Tudo é perigoso
tudo é divino maravilhoso
atenção para o refrão:

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte."
http://www.youtube.com/watch?v=JhaVV2TzSro

" Que tal abrir a porta do dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,Pensar em nada
Legal ficar sorrindo à toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção,a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem"

http://www.youtube.com/watch?v=RUCvkjzj97c&feature=PlayList&p=ABA23CB35DCF05AA&playnext=1&playnext_from=PL&index=10


E a pedida foi mesmo:

"Me dê de presente o seu bis
Pro dia nascer feliz!"
http://www.youtube.com/watch?v=8yDwn75ERD4

Sempre o BIS!!!!

Bom, e pra não ir embora em mudança de estilo:

"Amanhã te escrevo mais
neste diário moderno
junto às saudações finais
mando um beijo fraterno!"
http://www.youtube.com/watch?v=GOTQWNO5_6Y

sexta-feira, 24 de julho de 2009

He's just a jealous guy

O Lennon era o grande ciumento do rock. Ah sei! É o eu lírico, né!
1.
I tried to telephone,
They said you were not home,
That's a lie.
'Cause I know where you've been,
And I saw you walk in your door.
I nearly died, I nearly died,'
Cause you walked hand in hand
With another man in my place.

http://www.youtube.com/watch?v=rlFXy6GPtZo


2.
got something to say that might cause you pain,
If i catch you talking to that boy again,
I'm gonna let you down,
And leave you flat,
Because i told you before, oh,
You can't do that.

Well, it's the second time, i've caught you talking to him,
Do i have to tell you one more time, i think it's a sin,
I think i'll let you down.
Let you down and leave you flat,Gonna let you down and leave you flat,
Because i've told you before, oh,You can't do that.

Ev'rybody's green,'cause i'm the one, who won your love,
But if it's seen,You're talking that way they'd laugh in my face.
So please listen to me, if you wanna stay mine,
I can't help my feelings, i'll go out of my mind.
I know i'll let you down,And leave you flat,
Gonna let you down and leave you flat,
Because i've told you before, oh,You can't do that.

http://www.youtube.com/watch?v=qlW3SolhcIo

3.
Well I'd rather see you dead, little girl
Than to be with another man
You better keep your head, little girl
Or I won't know where I am
You better run for your life if you can, little girl
Hide your head in the sand little girl
Catch you with another man
That's the end'a little girl

Well you know that I'm a wicked guy
And I was born with a jealous mind
And I can't spend my whole life
Trying just to make you toe the line
You better run for your life if you can, little girl
Hide your head in the sand little girl
Catch you with another man That's the end'a little girl
Let this be a sermonI mean everything I've said
Baby, I'm determinedAnd I'd rather see you dead
You better run for your life if you can, little girl
Hide your head in the sand little girl
Catch you with another manThat's the end'a little girl

http://www.youtube.com/watch?v=SPsfg3pVcyY

4.

I was dreaming of the past
And my heart was beating fast
I began to lose control
I began to lose control
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy

I was feeling insecure
You might not love me anymore
I was shivering insideI was shivering inside
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy I didn't mean to hurt youI'm sorry that I made you cryOh no, I didn't want to hurt youI'm just a jealous guy

I was trying to catch your eyes
Thought that you was trying to hide
I was swallowing my pain
I was swallowing my pain
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy, watch out
I'm just a jealous guy, look out babe
I'm just a jealous guy

http://www.youtube.com/watch?v=0P8IdHwLFzk&feature=related


Tudo bem, vai! Não quero detonar o Lennon (I've got him under my skin after all). O cara até evoluiu, ora! Começa emburradinho, desconfiado, num super "não vem que não tem! Quer me enganar me dá bala!". Depois passa a um pseudocontrole da situação e ameaça a guria com o abandono. Dá-me o que quero ou sofrerás a perda de mim! Depois perde a razão e o controle e chega ao cúmulo do passional, e a ameaça passa a ser à vida da guria.
No último passo, reconhece os efeitos dos seu atos e desculpa-se. Reconhece a raiz na insegurança e tal!

Sempre é tempo de melhorar, n'est pas?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ex Lupus todavía... ????????????????????????

"E foda-se, é só isso que eu quero. Acho que nós os dois temos falhado por não saber perdoar, por não saber não ser completamente aceite, e entrementes, no ferir e no ser ferido, o nosso amor (é bom falar assim: o nosso amor) resiste e cresce sem que nenhum sopro até hoje o apague. É como se eu só pudesse amá-la longe dela com tanta vontade, catano, de a amar de perto, corpo a corpo, conforme desde que nos conhecemos o nosso combate tem sido. Dar-lhe o que até hoje lhe não soube dar e há em mim, congelado embora mas respirando sempre, sementinha escondida que aguarda. O que a partir do início lhe quis dar, lhe quero dar, a ternura, percebes, sem egoísmo, o quotidiano sem rotina, a entrega absoluta de um viver em partilha, total, quente e simples como um pinto na mão, animal pequeno assustado e trémulo, nosso."

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gata Poder

Ver uma gata poder fazer o que quiser, livre, leve, doida e solta é das coisas mais inspiradoras que lhe podem ocupar o domingo! E tem de ser doida e solta, que as doidas enjauladas não nos trazem qualquer divertimento.

Depois da tarde feliz no bonde da Curtição de Santa Tereza, tomei um táxi milionário que me levou aos confins do Rio de Janeiro: Jacarepaguá! É lá que fica a muito simpática HSBC Arena. Não vou chamá-las "instalações luxuosas", mas para quem habituou-se ao triste Chevrolet Hall, em que as canções nos chegam por intuição, em vez de por audição...

Ali, sentado a uma distância satisfatória do palco, vi desfilar todo o seu charme à manicômio a irresistível CAT POWER!!! Very Powerful indeed. Então, à descrição detalhada do show:

!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! Uhu!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
!!! !!! !!! !!! !!! Now that's what I call voice! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
I guess I'm about to cry !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !@!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
É a canção de Juno; mensagem pra Junim!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
(mastubração PinkFloydiana: uma espécie de Shine on your crazy diamond com disco arranhado nos primeiros dez segundos que duram 15 minutos - punheta de pau mole, na verdade)

Ufa! Acabou essa merda de "isso é solo?"!

!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!
!!! !!! !!! !!! !!! Trilha de "My blueberry nights" - mensagem pra Caró!!! !!!
!!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!! !!!

Bom, essa mulher tem uma tal voz, e canta num tal transe, que vale mesmo uma transa! E, se é só de ladinho que ela se acha (É, ela canta de lado e de olhos fechados) ela agradeceu por tanto tempo ao final do show, e foram tantas as rosas que distribuiu (em clara aclamação do nosso Rei Roberto, haha!) que tudo se lhe perdoa!!!
Valeu cada centavo!

BONDE DA COR TIÇÃO.

E no que se revelou meu último dia carioca, peguei o metrô até a estação da Carioca, andei uns poucos metros até o prédio da Petrobrás e, ali, tomei entusiasmado o bondinho para Santa Teresa. Instalações precárias, é verdade, mas que alegria!

Iam no bondinho um quarteto de negras muito bonitas, mas dessas que o são sinceramente (nada contra as Beyoncés da vida, hein! Não mesmo!). Não bastasse o fato, iam numa animação que transforma o seu domingo em algo de outra dimensão. E todos no bonde pareciam ir no mesmo espírito. Minha alma ia tão feliz quanto as dos outros, embora eu fosse mudo, já que sozinho (ou poderia passar por doido; será que não?) Quem nunca foi ao Santa Tereza carioca precisa fazê-lo o quanto antes. O bairro é muito charmoso. Não se tem a impressão de que se está no Rio de Janeiro; pelo menos não no de 2009. Dizem até que há lá bar onde se come a melhor feijoada das que há por aí. (Não sei se é melhor do que a do papai Jorge, mas não sou árbitro pra isso, não enquanto não as fizerem de chocolate!).

O bondinho elétrico, que não foi o primeiro de que se valeram os locais, anda por ali desde 1894, passando sobre aqueles simpáticos arcos da Lapa, que antes eram um aqueduto que transportava água do rio Carioca para o Chafariz do Largo da Carioca. Domingo é cultura!

Meu destino foi o Museu Casa de Benjamim Constant. Sabe que foi muito interessante! Eu que sempre fui mesmo desses alunos entusiastas da história, e que sou, no momento, caçador dé imóveis, diverti-me à larga com o tour imobiliário que me forneceu o funcinário. Benjamim morava em muito boa casa, de grandes e ventilados cômodos que, para a minha surpresa, tinham comunicação interna. De um quarto se ia ao outro, deste ao seguite, e coisa e tal. E o mobiliário? De tão resistente (as tais coisas boas que já não se fazem) parecia mais rústico do que jamais foi (era casa de requinte!).

Não bastasse tudo isso, tive a oportunidade de aprender que os puxadinhos já eram prática corrente, e entre os mais favorecidos (Benjamim é um dos pais da pátria republicana). Isso mesmo, Caco Antibes! Acredite se quiser! TAmbém pude inferir que os cursos à distância, hoje muito comuns com o advento da internet, mas que já abundavam graças ao glorioso Instituto Universal Brasileiro, são coisa de muita tradição. Basta ver que Benjamim foi o primeiro ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. Ora, ou aos fundadores da República faltavam apaniguados que agraciar com as mais mirabolantes pastas que se separam em outras de inverossímil utilidade, ou é nome muito sintomático, haha!
Bom, mas a melhor experiência domingueira ainda viria...

domingo, 19 de julho de 2009

EX CATHEDRA para a vida

Este texto é extraído de "Cartas a um jovem poeta", que traz cartas enviadas por Rainer Maria Rilke a um jovem poeta que lhe solicitara conselhos artísticos. Rilke lhos deu úteis para o palco da vida. Sugiro fortemente a leitura do livro, que se lê numa sentada.
"Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo não sabem amar: têm que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos (escutar e martelar dia e noite). A fusão com outro, a entrega de si, toda a espécie de comunhão não são para eles (que deverão durante muito tempo ainda juntar muito, entesourar); são algo de acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana.Aí está o erro tão grave e freqüente dos jovens: eles- cuja natureza comporta o serem impacientes- atiram-se uns aos outros quando o amor desce sobre eles e derramam-se tais como são com seu desgoverno, sua desordem, sua confusão. Que acontecerá pois? Que poderá fazer a vida desse montão de material estragado a que eles chamam a sua comunhão e facilmente chamariam sua felicidade? Que futuro os espera? Cada um se perde por causa do outro e perde ao outro e a muitos outros que ainda queriam vir. Perde os longes e as possibilidades, troca o aproximar-se e o fugir de coisas silenciosas e cheias de sugestões por uma estéril perplexidade de onde nada de bom pode vir, a não ser um pouco de enjoo, desilusão e empobrecimento. Depois procuram salvar-se, agarrando-se a uma das muitas convenções que se oferecem como abrigos para todos nesse perigoso caminho. Nenhum terreno da experiência humana é tão cheio de convenções como este. Há nele uma profusão de cintos salva-vidas, canos e bexigas natatórias, toda a espécie de refúgios preparados pela opinião que, inclinada a considerar a vida amorosa um prazer, teve de torná-la fácil, barata, sem perigos e segura como os prazeres do público.No entanto, muitos jovens que amam erradamente, isto é, entregando-se simplesmente sem manterem a sua solidão- e a média fica sempre nisso-, sentem o peso opressivo do erro cometido e gostariam de, à sua maneira, tornar vivedouro e fértil o estado de coisas a que se veem reduzidos. A sua natureza lhes diz que as questões do amor não podem, menos ainda do que qualquer outra importante, ser resolvidas em comum, conforme um acordo qualquer; que são perguntas feitas diretamente de um ser humano para outro, que em cada caso exigem outra resposta, específica, estritamente pessoal. Mas como podem eles, que já se atiraram uns aos outros e não mais se delimitam nem se distinguem, quer dizer, que nada mais possuem de seu, encontrar uma saída em si mesmos, no fundo de sua solidão já derramada?Eles agem num desamparo comum e, ao quererem evitar com a maior boa vontade do mundo a convenção que lhes ocorre (como o casamento), vão dar em outra solução menos clamorosa, mas de um convencionalismo não menos mortal.Eles não têm, de fato, senão convenções em redor de si.Tudo o que parte de uma comunhão mal coagulada é convencional: todas as relações resultantes de tal confusão encerram a sua convenção por menos usual (ou, no sentido comum, por menos moral) que seja. A própria separação seria aí um passo convencional, uma decisão fortuita e impessoal, sem força nem fruto.Quem examina a questão com seriedade acha que, como para a morte, que é difícil, também para o difícil amor não foi encontrada até hoje uma luz, uma solução, um aceno ou um caminho. Não se poderá encontrar, para ambas estas tarefas, que carregamos veladas em nós e transmitimos sem as esclarecer, nenhuma regra comum, baseada em qualquer acordo. À medida, porém, que começarmos a tentar, solitários, a vida, essas grandes coisas se hão de aproximar da nossa solidão. As exigências feitas à nossa evolução pela tarefa difícil do amor são sobre-humanas e, quando estreantes, não podemos estar à sua altura. Mas se perseverarmos, apesar de tudo, e aceitarmos esse amor como uma carga e um tirocínio em vez de nos perdermos na fácil e leviana brincadeira que serve aos homens para se subtraírem ao problema mais grave de sua existência-então, talvez, um leve progresso e alguma facilidade venham a ser experimentados por aqueles que chegarem muito tempo depois de nós, e isso já será muito"

sábado, 18 de julho de 2009

EX CATHEDRA etimológica...

Estando aqui, e tendo por aqui o apurado, digo-lhes que o gentílico fluminense, utilizado para designar o povo nascido no estado do Rio de Janeiro, vem de fluminens, termo latino que se refere a rio. Então, fluminense é mesmo o nativo do Rio. O tricolor-pó-de-arroz é, assim, o verdadeiro menino do Rio.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

(A) La mer d'amour

Disse a muitos que me cobraram notícias das minhas idas à praia que não era a minha praia, que gostava de passear pela orla e tal, mas sem converter-me em banhista. HOje não resisti. Fui ao Leblon, postei-me próximo ao Dois Irmãos e, depois de muito contemplar o mar, fui-lhe ao encontro.
Olha, revisitei Dorival:


"O pescador tem dois amor
Um bem na terra
Um bem no mar"


Em livre reinterpretação (e as interpretações devem mesmo ser sempre livres) digo que tenho dois amores. Um dos meus amores eu o tenho bem na terra, exatamente na Terrinha, pra ser sincero. Amo-a, e já lhe sinto a falta. O outro amor eu o tenho no mar. Senti-me qual mulher de malandro: o mar me batia, eu gostava. Fustigava-me furioso e, ao mesmo tempo, tirava-me os pés do chão, metaforica e literalmente! Achei que não conseguiria deixá-lo, porque tíbia a vontade e tíbia a força, que quase não mo permitiu.


Logrei.
Ai, ai...

Filho de peixe...

GENTE LESA
GERA
GENTE LESA

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Bambino ritorna alla casa.





















Não é o costume do viajante postar duas vezes ao dia, mas o post celeste era só interferência, notícia que me chegou de Minas...


Sei que prometi aos muitos a quem pedi autorização que voaria da pedra da Gávea, mas não ando muito decolador. Ando, em verdade, e com o perdão da cansada brincadeira, que insiste em impor-se, decola-dor. Muito embora abra o Cristo seus braços em céus de brigadeiro, há pra mim nuvens muitas a cobrir o horizonte (Belo Horizonte?).
É tão claro, e turva tudo!


Disse Drummond que as Minas eram mais belas vistas de longe. Claro, é fácil que assim seja quando se está ao longe estando-se perto do quanto por aqui se vê. Que paisagens resistiriam a uma tal comparação? Poucas, e não as conheço. O negócio é que quem a conhece não esquece jamais, e conhecê-la não é vê-la, apenas, que quem vê cara não vê nada. É preciso conhecê-la intestinamente, penetrar-lhe o âmago, o que não se faz remotamente.


Ao TRE/RJ: continue com as portas abertas, qual se vê no orkut, quem sabe não a cruzam boas filhas que à casa tornem, como a nossa tão boa e já quase sabarense Jones? Acontece que também sou bom filho, mas de outras paragens.
Ai, ai...


Por falar em criação, sou cria do Colégio Santa Maria, versão Floresta, o mais antigo colégio de Belo Horizonte! Isso mesmo! 1903! Dá-lhe Santão! Smurfs do mundo, uni-vos! Bom smurf que sou, conhecedor do hino e tudo ("... e na vida a mais bela atitude é a de quem traz o livro na mão"), entreguei-me hoje, mais uma vez, a empresa cultural: fui ao Real Gabinete Portuguez de Leitura, centro carioca, nas adjacências da Praça Tiradentes, em que localizados os teatros João Caetano e Carlos Gomes. Que lugar bonito! Arre! Dá vontade de ler o mundo!
Mas não os engano, nada ali.


Em compensação, num sebo não mui distante, fiz compras:

Em homenagem aos meus recém terminados estudos propedêuticos de Teoria Semântica:

"A linguagem e sua estrutura", de Langacker - 5 mangos.
"Teoria Semântica", de Kempson - 5 mangos.

Ainda linguisticamente:

"Linguística Cartesiana", de Chomsky - 15 mangos.

Para auxiliar nos incipientes estudos da literatura lusa:

"Literatura Portuguesa", de Massaud Moisés - 15 mangos.

Nos de literatura tupiniquim:

"Drummond, mais seis poetas e um problema", de Antônio Houaiss - 20 mangos.

"Um artista aprendiz" e "Ópera dos mortos", ambos do nosso colossal Autran Dourado - 5 mangos cada.

E, o que muito me alegrou:

"The complete illustrated stories, plays and poems of Oscar Wilde", da Chancellor Press - 30 contos! Um tijolão com uma bela capa dura que muito satisfeito deixaria aquele senhor.

Às vezes é bom ensebar-se, haha!

Azul da cor do mar.

Amigos, antes do mais, aviso-lhes que é inútil deixar aqui seus achismos sobre as chagas alvinegras, que não sou torcedor de futebol; meu ópio é bem outro.



Bom, com efeito, o Cruzeiro tem carreira muito mais retumbante, a ninguém é dado negar. Tanto assim, que dedicou-lhe música, em profecia, meu bom primo Tim. É tão bonita...

http://www.youtube.com/watch?v=RssJ3kkSHyM



"Ah, se o mundo todo me pudesse ouvir
Tenho tanto pra contar
Dizer que aprendi
Que na vida a gente tem de entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri..."



E, como sempre, a internet adianta-se-nos:

O Cruzeiro é mesmo um Rei, como Michael Jackson: anuncia o show, vende ingresso, e morre em casa.

Como sofre o torce-a-dor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Nº 100




Bem que eu queria que essa celebração fosse em comemoração ao centésimo post do Cegos, mas não é não, haha! Fiquei super Bon Jovi no esquema, hein, naquele melhor estilo "as I dream about movies they won't make of me when I'm dead". Mas tudo bem, não há holofotes tão bons que nos alcancem a todos, não é mesmo?
Ontem foi dia de turista, claro, mas não dia de turista mineiro maníaco por areia e mar. Foi uma lance, digamos... cultural!

Primeira estação: "Bibliotheca Nacional". Isso mesmo, aquela mesma fundada por D. João VI em 1810, e que funciona naquele majestoso prédio (esse aí "tampado" pelas árvores) desde 1910. Encarei uma visita guiada, que foi pobre, é verdade, mas que só por uma ou duas anedotas já valeu a pena. Por exemplo, soube que o bom Drumond, que frequentava o prédio, fazia absoluta questão de sentar-se à mesa quatro da sala de leitura. Engraçado! Vi estantes gigantes e incríveis, e tive uma angústia por pensar na nossa parca capacidade de leitura diante de tudo que se nos oferece! Mas às estantes não se vai, não mais! Você pede a obra à bibliotecária, que a manda buscar, e chega-lhe num pequeno elevador.

À porta da Bibliotheca, do outro lado da rua, rolava o balé cuja foto se vê. Os 100 comemorados eram, em verdade, os cem anos do Theatro Municipal (segunda estação), que também se avista da Bibiotheca.

Visto o pouco do balé possível, à terceira estação: Academia Brasileira de Letras. Instalada na réplica do Petit Trianon doada pelo governo francês em 1923, a Academia não permite (pour l'instant) visitas do público. Tendo-me sido negado o chá em tão pomposo sítio (talvez por não ser homem de letras do jaez de um Paulo Coelhor ou de um Sir Ney, grandes imortais!), o jeito foi ir à Confeitaria Colombo, quarta estação, não sem antes contemplar por um instante o nosso bom Bruxo do Cosme Velho, que guarda o prédio.

A Confeitaria Colombo (onde na verdade gozei um chocolate quente com quiche de gorgonzola e nozes, seguido de profiteroles ao chocolate) fica, desde 1894, na Rua Gonçalves dias, uma daquelas estreitas velhas ruas do centro carioca. Como se gaba em seu site, a confeitaria é exemplo da arquitetura art nouveau, e da belle epoque carioca (http://www.confeitariacolombo.com.br/) Foi frequentada, é claro, por grandes expoentes da cultura nacional, como Olavo Bilac, Rui Barbosa,Chiquinha Gonzaga, Villa Lobos, etc., todos presumíveis glutões. Muito bom!

Chegada a noite, o jeito foi ter ao Estação, para ver um filme de que não esperava muito, mas que agora imploro aos senhores que vejam: Casamento Silencioso. É um filme romeno candidamente engraçado e bonito, desses que você vê com um sorriso constante, apenas interrompido por algumas gargalhadas. Cria em nós um bem estar indissolúvel, que não cede nem mesmo diante de alguma tragédia que o filme aporta, em denúncia da estúpida e burra intolerância vermelha que por então instalou-se naquelas paragens. Silencioso fiquei eu ao deixar a sala, que não havia muito o que dizer depois daquilo. IMperdível!!!











































terça-feira, 14 de julho de 2009

Rio de Janeiro, 13 de julho de 2009.





Era o sagrado dia do rock, mas nem o Rio de Janeiro para oferecer programação que o celebrasse à altura. Pelo menos não de tão ruidosa divulgação que pudesse chegar aos ouvidos uaizados de um mineiro em férias. Mas vá lá! Coisa de mineiro de férias litorâneas é ir ter com o mar. Fi-lo. Troquei uma ideia com o Dorival, e esboçamos nossas saudades da Bahia. Ah, mas que saudade eu tenho da Bahia! Também andei com a camisa dez pela Princezinha do mar, vendo a bela e sonora arrebentação, que ontem era das mais fortes.


Mas as energias de uma segunda não eram tantas que pudéssemos inventar muita moda, e foi acabar a noite recolhido a Botafogo, vendo o velho e excelente "Amadeus", o colosso de 1984.


Aquele Mozart era mesmo a prova cabal da existência de Deus! Será? Uau! Mas o efeito disso, Fllé, é que, ainda na Maravilhosa, tive vontade de estar nos seus sapatos (bem estadunidensemente), mas não nas sapatilhas, por suposto!


Ah, mas deixe estar, que ainda conheço o Velho Mundo. De mais a mais, não era Viena, era Praga, haha!


Ah, mas
"O mar quando quebra na praia é bonito! É bonito!"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Que pAuLINHO da viola!!!



“Dinheiro na mão é vendaval…” E plástico também é vendaval! Lá ia eu em direção ao Rio Sul para visitar a T-shirteria (camisetas são meu pão e manteiga, como sabido) e eis que deparo o quadro do Canecão: Paulinho da Viola, Acústico MTV. Ora! É um show que só Deus explica como eu não vira em Belo Horizonte. Na verdade, não precisa tanto. Eu sei. É que, então, eu ainda não encarava shows sozinho, como fiz há pouco com os de Rita Lee, Milton Nascimento, e Caetano Veloso. Como ninguém animara, desisti. É bem verdade que, na ultimíssima hora, uma amiga minha (dessas que decidem tudo quando tudo já parece perdido, estranha forma de caçar emoções) me chamou, mas não gosto do destinado à frustração, se é que você me entende! Bom, o fato é que não fui. Enfim, show no Canecão, “do lado de casa”, como não ir!? Ainda mais que ainda não sabia que sairia do shopping sem os olhos! Comprei.


Acho que se estes meus posts tivessem algum alcance, eu poderia ser contratado pelos artistas para louvar-lhes publicamente os shows, mas o que posso fazer se não me tem vindo a desdita de um show ruim? Vocês já viram o Paulinho no palco? Não? Então vão! É mesmo um Lord do samba: suas canções são muito elegantes, como de resto é sua abordagem do público, muito animado, apesar de sentado em suas mesinhas, como é sempre a coisa no Canecão.


E show sem reflexão não vale, e foi muito bom lembrar-me de meu pai, que sempre me dizia meu filho tome cuidado! Quando penso no futuro não esqueço meu passado! E, pensando melhor, tudo a quem tiver atenção e disposição, pois que as coisas estão no mundo, eu só preciso aprender.


Outra coisa boa do Paulinho (tudo bem, há quem não goste!) é que é um interessante contador de casos. Contou como, quando já entrado na profissão, compôs em parceria com Ronaldo Bolacha (Ronaldo mesmo?), cujos sambas já cantava na infáncia, Botafogo afora, bom sambinha. É, Paulinho é nascido e criado em Botafogo; estava em casa!


Teve também a parceria relâmpago: um amigo lhe apresentara algumas letras e, tendo ido o tal amigo verter seu precioso líquido, disse-lhe Paulinho na volta: Olha, esta aqui está pronta, já tem música. Espanto feliz do amigo! Em compensação, de outra feita, um já parceiro apresentou-lhe a música para que Paulinho lhe cravasse a letra. Aí já complica... Muitos telefonemas de cobrança ao longo dos anos, seguidos de promessa de conclusão prontamente quebradas até que, dez anos depois, diante da iminente gravação de um disco de que a potencial canção seria a perfeita peça complementar, Paulinho dá à luz, em dois dias, a bendita letra. Muito Chinese Democracy esse esquema... Agora lembrei-me dos eleitores indignados que, em visita ao Cartório Eleitoral, ao se aperceberem de que alguma providência de que precisam terá mais etapas do que supunham, dizem: É muita democracia! Por isso este Brasil não vai pra frente!


Num último caso de interesse, Paulinho tira do baú um samba havia muito começado e também já havia muito abandonado e, através de Marisa Monte, encomenda a Arnaldo Antunes (que conhecera e com quem se encantara na casa de Marisa havia pouco) parceria sambista. Em um par de dias é surpreendido por telefonema de Marisa que lhe noticia: Tá pronto o samba; eu entrei no esquema, tá! O tal samba (de cujo nome não me lembro) está no cd da Marisa, Universo ao meu redor.


Foi uma noite de esplendor, fechando muito bem um insólito fim de semana inteiramente musical: sexta de Elba, sábado de Rei e domingo de samba-Paulinho! Isso sim!
Bendito quem gosta de música! Pra quem ama esse troço, apesar de tudo existe uma fonte de água pura, quem beber daquela água não terá mais amargura!
Despeço-me como se me impõe, cantando: Há muito tempo escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou. Só se foi quando o dia clareou...

ps: Hoje é dia do rock, e hei de achar programação que o celebre! Pra começar, posto ouvindo "Punk 1977/2007 30th anniversary", cd triplo que achara muito caro em Bh mas que, em meio à balbúrdia delirantemente feliz das férias, resolvi comprar! No future, haha! Ainda mais tão pródigo!

domingo, 12 de julho de 2009

TIRIOCAS




Rio de Janeiro, 12 de julho de 2009.




Cara, eu devo mesmo gostar desta cidade. Com que prazer consigno local e data nestas crônicas cariocas! Pois é!




E ontem não teve nada de praia. Levando a cabo um projeto jocoso nascido de uma sugestão avacalhada da Camisa 10 (A.k.A. Super Banbs), fomos ao Mário Filho ver de perto a Realeza, qual estivéssemos nos idos de 1808!




O evento estava marcado para as 21 h, com graves suspeitas de pontualidade, já que destinado à transmissão satelitária. Não querendo perder o grande happening, aboletamo-nos no metrô às 20h, em Botafogo.




Já no metrô estava ganho o dia: conhecemos as tiriocas do metrô! Eu já sabia que o metrô era uma benção dessas que os biririzontinos não conhecemos de verdade. Poder ir de lado a outro em tempo certo é coisa que só conhecem pouquíssimos de nossos irmãos, os que tiveram a sorte de trilhar diariamente área coberta pelo parco metrô mineiro. Mas o que eu não sabia (que os guias não o declinam) é que era ainda outra opção de lazer carioca. E é carioquíssima, que duvido que o seja paulistana. As tiriocas eram 5 cariocas, três tias entre os 55 e os 60, duas entre os 30 e os 35. Estavam vestidas não para ver um Rei, mas para ver Deus. E uma delas fulgurava mesmo o júbilo de quem trilhasse tão divina senda. Assim que nos viu seu público, pôs-se a narrar sua transviada juventude. Contou como ainda aos sete driblara toda uma plateia para ter com Chacrinha, a quem confessou seu propósito de ver de perto o enviado de Cachoeiro. Chacrinha riu e perguntou-lhe pelos pais. Ela já nem se lembrava de os ter. De outra vez trepou aos telhados para ver o nobre filho de Lady Laura e estampou páginas de jornal cuja legenda denunciava os negligentes pais do tempo. Tudo entre muitos risos, só interrompidos pela apóstrofe da companheira, uma sua prima, que dizia: Tá louca, velha! Vamos à Lapa, ver o baile funk! Quebra! Quebra! (requebrando).




Hilária a interação entre as primas, ainda mais que a segunda, que tentava disfaçar o destino, era a cara da Rogéria. Ela mesma, o Astolfo! Mal sabiam pra onde rumávamos os jovens de já cansados diafragmas e bochechas (já tentou sustentar por horas um sorriso?!)




Chegamos sem ingressos, os quais já estavam esgotados havia um par de semanas. Aí, para sanar a falha da já descrita viagem à lapa, travei contato com a malandragem carioca, a pior: os cambistas. Conhecemos o Cláudio na antevéspera, em tentativa frustrada de comprar as entradas. Anotamos seu número. No dia, eis que vem-nos justo o Cláudio! Foi o jeito, compramos no mercado negro, haha! 400 % de ágio. Compramos por 120 reais duas entradas cujo valor de face era 20 reias (arquibancada branca) e 10 reias (meia de arquibancada amarela). E o bom Cláudio sequer nos chamou a atenção para o fato de que uma delas era meia. Que bom que éramos ambos estudantes, né! Disse, ainda, que com a mais cara seria possível entrar na mais barata, engodo revelado em 5 minutos. Que mancada, hein! Claudicante mesmo o Cláudio!Bom, acho que foi ledo engano do rapaz. Eles te dão um cheque sem fundos, do fundo do coração! O fato é que não estávamos nem um pouco dispostos a perder o evento, e separamo-nos. Entrou a moça e fui dar a volta no Mário Filho. Assim que entrei, veio-me ela, que conseguira mudar de setores por dentro mesmo.




Olha! Muitas emoções! Mesmo! Eis-me súdito! O homem é o carisma encarnado, não há negar! Pensei mesmo que muitas seriam as que teriam a culpa se um outro cabeludo lhes aparecesse na rua. Também pude identificar o maior dos meus casos. Relembrei muitos detalhes. Até pedi proteção à "mãe de Deus!". Regozijei-me pensando que pode ser que um dia seja mesmo proibido fumar. Senti saudades do meu calhambeque (que aqui estou pedestre), tudo isso...




Comecei pensando nas mães de todos os meus amigos, na minha vó e, já pelo fim, pensei em Catonis e tais, que são tremendos irmãos de fé, irmãos camaradas; tremendões! E acabei pedindo atenção a Jesus:






Mas, Jesus! Tem de me jogar confete, ou te deleto do msn! Mas deixe estar, que não te bloqueio, só deleto mesmo, haha!!




Só no Rio, Meu Deus!!!






sábado, 11 de julho de 2009

Diários Cariocas, 11/07/09.




Fui à Lapa e não perdi a viagem. Lá já não vai maladragem, é verdade, pelo menos em abordagem (o que é bom) de mim e dos demais indisfarçáveis não cariocas. Mas os que pisamos este solo nos cariocamos para logo, é forçoso reconhecer. A terra é mágica, bem o sabem todos que a visitam. E a Lapa?! Tem de tudo, vale? Tem casas mil por trás daqueles arcos, que tudo abrigam: Hip Hop, Rumba, Salsa, Forró, Funk, Rock n' Roll. Há turistas pelas ruas, de variado acento, há locais de perto e dos que se chacoalham nos trens da central; é um universo! Tudo bem que as moças, dado o mix, não as há tão belas quanto as que vão pelas Minas, mas temos aqui as nossas representantes, né mesmo!


Não achei rock que desse samba, mas que desse frevo, forró e o cacete, nossa! Achamos um Arraiá da Fundição progresso com a marcante presença da Elba RAmalho. Pode!? Felicidade urgente para todos! Foi um aconchego só, naquela festa no interior. Duas horas sem sair de cima! Não é à toa que aquela senhora vai trocando de tempos em tempos seu jovem mancebo por uma versão ainda mais nova, que é pra ver se aguentam com ela! Arre!


Vamos ver se hoje os convivas conseguem energia para ter com o Rei no Maraca, que a nossa representante mineira anda meio combalida dos efeitos da noite nordestina a que sobrevivemos com júbilo. Por falar nisso, vou ali comprar um termômetro. Até mais, meus caros!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Rio de Janeiro, 10/07/09




Tenho andado por lugares bonitos, e outros menos. Hoje, sentimental que sou, tirei uma foto com o Alencar em pleno Largo do Machado. Por quê não há ali bronze do bom Bruxo do Cosme Velho? Achei graça... Mas sei que há um seu trono na ABL, onde terei com ele, para foto e tal, haha!


Fui ao Maracanã comprar entradas para o show de cinquenta anos de carreira do Rei. Acreditam? É! Pasmem! Vou pela minha vó, e pela minha indisfarçável atração, infância afora, pelos seus (os reais) especiais anuais no plim-plim. O cara tem mesmo uma "força estranha". Confesso que há sim coisas da sua pena de que me dá pena não reconhecer o valor. Como bem sabem os poucos (e muito valorizados) leitores deste sítio, sou dado a panegíricos, quando os posso fazer sinceros. E que melhor homenagem musical do que "Debaixo dos caracóis..."? Confesso que me arrepio. Há muito da produção real jovenguardista de ingênua emoção que me agrada também. Gosto de percorrer as curvas da estrada de Santos (uma já antiga infinita highway), e também posso dizer a umas tantas que se um outro cabeludo lhes aparecer na rua, e isso lhes trouxer saudades minhas...


Vou também ao show do Nando, já que é uma segunda, dia em que, mesmo no Rio, não creio que haja algo de melhor a se fazer. Também estou aqui a comprar na net entradas para o show daquela poderosa gata estadunidense, haha!


Agora deixo esta breve página de diário, que a moça já ficou pronta e calha ir à Lapa caçar rock que dê samba!




PS: biririzontinos de vinda marcada: Espero-lhes!!!






quinta-feira, 9 de julho de 2009

Rio de Janeiro, 09/07/2009.

"Certa vez disse-me velha Tonha: Doido, só cresce quem sonha.... "

E certa vez me disse uma guria que não lhe agradavam as cidades litorâneas, onde todos pareciam estar o tempo todo sujos. Bom, não chego a tanto, mas tampouco nego que me incomodem os descamisados do supermercado, sobretudo os das cercanias dos hortifrutigranjeiros. Mas, vá lá! Há também suas vantagens. Ando par tout descabelado, embermudado e chinelado; uma beleza!

Gosto bastante de estar na Maravilhosa, sobretudo se também o é a companhia! Mas dedico este post a JONES, minha boa companheira sabarense, carioca da gema, que muito sente a falta das grandes concentrações aquosas salinas, e tenta quebrar o galho com a Lagoa da Pampulha. Vou de Helder e Caetano. O primeiro vai saber que mar o inspirou, se o Atlântico visto de lá ou o quê! Ao segundo, não ficam dúvidas, o bom mar baiano, a que também quero em breve tornar!

"De lá se parte, chega-se ao mar. Já me disseram que a gente que nasce e vive ao pé do mar é mais pura. Penso que o mar dá uma qualidade especial à fantasia, ao desejo e à confiança. É uma misteriosa propriedade do espírito, e por ela se aprende a nada esperar, a não desesperar de nada. Talvez seja isso a inocência. Talvez só no mar nos seja concedido morrer verdadeiramente, morrer como nenhum homem pode." ( De "Os Comboios para a Antuérpia", in HELDER, Herberto. Os passos em volta. Lisboa: Assírio & Alvim, 1986)

Beira Mar
(Caetano Veloso)


Na terra em que o mar não bate

Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morrem o sol e a lua
E acaba o caminho do chão

Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei

Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão

No cais, na beira do cais
Senti meu primeiro amor
E num cais que era só cais
Somente mar ao redor S
omente mar ao redor

Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica

A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral

É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração

terça-feira, 7 de julho de 2009

Hirsuto, isso tudo!

Alienado!
Só por ter-me deixado estar alheio
às mutações, de apenas detalhes,
do circo que é cerco há tanto!
Pouco se me dá!
Muito se lhes dão, a si!
Em Si, Lá...
E nós, em Dó.
Muito Dó! Dó maior!
Ao inferno, Sir Ney!
Seus nobres acólitos, seus vassalos,
Excelências fecais!
Seus cargos, a cargo do capeta!
Descarrego!
Pra vocês? Hoje tem sessão?
Sessão Pralamentar?
Não, do descarrego!


Alienado?
Meu nada mais saber?
E o seu "saber, nada mais"?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

06/07/1950


Contanto que fosse, com tanto, dar a alguém mãe como aquela! Era Rita Lee, Meryl Streep, Hilda Hilst, Clarice Lispector.

É! Não deixa de ser... jamais!!!


Em tempo: mãe como esta(´)!


"Eu não posso entender

Essa vida tão injusta

Não vou fingir que já parou de doer

Mas um dia isso vai se acabar

Eu não consigo me convencer

Que essa vida não foi injusta

Tanta falta me faz você

Queria ter você lá em casa

Mãe, O amor que eu tenho por você é seu

Mãe, O amor que eu tenho por você é seu

Como é seu o meu aniversário"




"No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor"
Ps: Rosângela, Moms-Fatinha, Sá, e Cristina-mãe, sou-lhes muito obrigado!

sábado, 4 de julho de 2009

Breve e sintética notícia espetacular.

Vamos ao óbvio: Não tem mesmo como! O cara vai sempre Caetanear o que há de bom! E o que há de melhor do que uma sexta-feira? Ainda sexagenário o resultado é um espetáculo! Não é à toa que vi Irene rir, vi Irene dar sua risada. Aproveitei o ensejo para pedir que tudo ficasse better, better, beta, Bethânia! Louvei a Lapa e reconheci que a Lobão assistia razão; chega de verdades!

Por fim, tendo visto muitos cabelos brancos na fronte do artista, (o tempo não para e no entanto ele nunca envelhece!)e sentido que uma força estranha me levava a cantar, já multicolorido, embarquei pra casa no Trem das Cores.


Mas que vã guarda a do dinheiro do ingresso!


http://www.youtube.com/watch?v=C9U31wnmxOo
http://www.youtube.com/watch?v=lDnvOWBsOhc&feature=channel

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Viajo a Portugal de carona...

A mulher está para mim como o vinho para o viajante: sua maior virtude está em não resistir a mim como eu a ela (não resisto!!!).

Haha!