Uma vontade de amar
nunca antes sentida.
E a moça a que me destino
sem resolver a vida.
Que nem tem resolução!,
não é nítida.
É matéria de construção
(e nunca está construída).
Como nas cantigas de antes,
ela é mui mi'amiga.
Mas não a tenho tocado,
e lhe ofereço a vida.
Ofereço meus predicados,
que são poucos e cada vez mais.
Como ser garoto de recados
de uma vida assaz... Assaz!...
Mas não tenho pressa,
embora não seja enxadrista.
É que não vejo mistérios,
nem sou estrategista.
Sou convicto da força
daquilo que é pra ser.
Aquela coisa tão toda
que nada a pode deter.
E já tenho a humildade
bastante pra perceber
que nem tudo da minha vontade
se destina a acontecer.
Tudo que me for negado
se pareço merecedor,
é um desgosto encomendado
por aquele que já não sou.
Mas quero vê-la plena,
mesmo se não ao pé de mim.
O egoísmo envenena
(não quero ser assim!).
(não quero ser assim!).
Então o que faço é torcer,
que não é jogo de azar.
E o mais justo vai acontecer
(ah mas você pode esperar!)
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