Vejo, olhando pro globo,
o desconcerto do todo:
O norte vem ao sul
só para o enlace da Austrália.
E se meus braços pedem menos,
o que os atrapalha?
De leste a oeste da cama,
parecem-me léguas.
E que voos, que milhas me levam
ao lasso laço de tuas pernas?
Nada me parece levar
aonde elas te levaram;
bateram-se noite adentro,
e se me escaparam.
E se me escaparam,
como as recupero?
Carrego nos ombros o mundo,
mas nada espero.
Melhor faço voltando a dormir,
que o sonho é terreno livre.
E se posso sonhar contigo,
não há nada de que me prive.
sábado, 6 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
EMPREGO DE VERSO (Dia de feira)
Já está essa moça no tronco?
Ouço um ronco; são motores?
Queria um emprego de verso,
por que não nos fizeram escritores?
Talvez por faltar interesse
de toda a gente no que a gente diz.
(Se não somos mestres de nada,
por que nos dariam aprendiz?)
Mas não quero nada com o serviço,
é coisa que eu nunca quis!
Melhor jogar milho aos pombos,
na praça, perto do chafariz.
Mas a vida reclama dinheiro...
(Aqui se paga pra ser feliz?!)
(Aqui se paga pra ser feliz?!)
Esquece isto! Apaga!
Não é coisa que se diz!
Um beijo estalado e feliz!
=:*
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
QUARTO DE HOTEL (Tauá)
No meio da noite, outro açoite:
o da vontade de escrever.
Mas pra que empunhar a pena
se não tenho o que dizer?
Só o silêncio calha
se não entendo o que sinto.
Mas minha alma se espalha
(e se espalha por todo o recinto...).
Quartos de hotel, muitas vezes,
são a imagem da desolação.
São sempre iguais, todos eles,
como o hospital, o shopping, o avião.
Mas sempre que neles tenho
é sinal de que viajo.
E se não posso viajar no tempo,
pelo espaço me reparto.
E me repartindo me permito,
fito um mundo em expansão.
E também me expando e fico
rico da contemplação.
E todo contemplado
deve agradecer a sorte
grande de ter explorado
leste, oeste, sul e norte.
E, sendo o mundo redondo,
quanto mais rápido vou,
mais rápido sou retornado
ao ponto em que agora estou.
Não há deslocamento,
mas a distância que se percorre
muda o sujeito por dentro,
e de tédio já não se morre!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
CARTA A UMA DESISTENTE
Moça amiga,
não proscreva o amor,
o amor é o sentido da vida!
E o que prescinde do amor
tem-na bem menos bonita.
O amor nem sempre dá certo,
mas o amor é o caminho correto
para um bem-estar profundo.
Então aceite o seu desconcerto,
não adianta dar-lhe degredo,
o amor é ubíquo no mundo!
Não revela o seu segredo
(para a humanidade ainda é cedo...),
mas um dia se esclarece tudo.
Mas se ainda não podemos fazê-lo,
façamos o que já podemos,
que é continuar o estudo.
É lição que completa não se aprende,
mas basta o esforço e nos rende
o sentido da completude.
Então não se esqueça, Rachel:
o amor é uma pista do céu,
a semente de toda virtude!
não proscreva o amor,
o amor é o sentido da vida!
E o que prescinde do amor
tem-na bem menos bonita.
O amor nem sempre dá certo,
mas o amor é o caminho correto
para um bem-estar profundo.
Então aceite o seu desconcerto,
não adianta dar-lhe degredo,
o amor é ubíquo no mundo!
Não revela o seu segredo
(para a humanidade ainda é cedo...),
mas um dia se esclarece tudo.
Mas se ainda não podemos fazê-lo,
façamos o que já podemos,
que é continuar o estudo.
É lição que completa não se aprende,
mas basta o esforço e nos rende
o sentido da completude.
Então não se esqueça, Rachel:
o amor é uma pista do céu,
a semente de toda virtude!
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
FOI FUTURO
Tenho saudade do futuro que tive,
em que nunca estive triste,
nem sozinho, nem perdido.
Mas que tempo terá sido esse?
(Devo ter-me confundido...)
O futuro era só alegria,
era só raiar o dia,
nada de sóis poentes.
Um futuro que era e não foi,
um de antes, não depois.
(Será que estive doente?)
Mas dizem os poetas messiânicos
que o futuro não aceita planos,
que o futuro não se rende.
Que o futuro, "esse hoje escuro",
"não é mais como era antigamente",
("é uma astronave que tentamos pilotar"...)
Mas já não sou como seria, inocente.
O melhor é esquecer o futuro!
O melhor é aquecer o presente!
O futuro é coisa de criança!
Melhor se vive de esperança;
a esperança é de toda a gente!
domingo, 30 de novembro de 2014
PARCELA
Estou de volta à minha cela,
à minha parcela de mundo.
Escolhi as imagens nas telas,
escolho as canções de fundo.
Escolho que poesia me enleva,
meu "fiat lux!" faz-me trevas.
Tudo escuro, me descubro
bem próximo a mim.
Não há ninguém por perto,
e não estou bem certo
de que prefiro assim...
Recarrego as baterias,
mas sei que jamais teceria
a perpétua solidão.
O amor me espera é no mundo!
E é preciso enfrentar o tumulto
que as pessoas fazem no meu coração.
E quem disse que é melhor isolado?
Se o disse antes, me calo.
E me preparo para a comunhão.
"É impossível ser feliz sozinho",
e até o sabem os poetas tristinhos,
mas soa melhor na canção.
à minha parcela de mundo.
Escolhi as imagens nas telas,
escolho as canções de fundo.
Escolho que poesia me enleva,
meu "fiat lux!" faz-me trevas.
Tudo escuro, me descubro
bem próximo a mim.
Não há ninguém por perto,
e não estou bem certo
de que prefiro assim...
Recarrego as baterias,
mas sei que jamais teceria
a perpétua solidão.
O amor me espera é no mundo!
E é preciso enfrentar o tumulto
que as pessoas fazem no meu coração.
E quem disse que é melhor isolado?
Se o disse antes, me calo.
E me preparo para a comunhão.
"É impossível ser feliz sozinho",
e até o sabem os poetas tristinhos,
mas soa melhor na canção.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
DESPORTO
Os poetas jogam pérolas aos porcos,
são navios sem portos,
ou portos sem capitania.
"Larguem do meu braço!", disse um grande.
"Que maçada! Eu não sou da companhia!"
E não o sendo não entendo pra quem faz sua poesia.
Dizem que sempre resta a mãe,
ou, na sua falta, alguma tia...
Mas poesia não se faz porque se dá,
mas se faz porque se deu.
Não se sabe ao certo de onde sai,
e talvez saia mesmo de Deus!
Então não importa muito pra onde vá
depois que o distraído a leu.
Deus se derrama no que há,
mesmo que só haja ateus!
Então que seja feita com fervor,
ou só de dor, ou do nada!
E só quando não houver mais o amor,
só nesse dia a poesia acaba!
são navios sem portos,
ou portos sem capitania.
"Larguem do meu braço!", disse um grande.
"Que maçada! Eu não sou da companhia!"
E não o sendo não entendo pra quem faz sua poesia.
Dizem que sempre resta a mãe,
ou, na sua falta, alguma tia...
Mas poesia não se faz porque se dá,
mas se faz porque se deu.
Não se sabe ao certo de onde sai,
e talvez saia mesmo de Deus!
Então não importa muito pra onde vá
depois que o distraído a leu.
Deus se derrama no que há,
mesmo que só haja ateus!
Então que seja feita com fervor,
ou só de dor, ou do nada!
E só quando não houver mais o amor,
só nesse dia a poesia acaba!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
ME ARRANJO
Todos os dias sou parido,
e pasmo: Que mundo é este que me tem acontecido?
E vêm-me dias surpreendentes:
"Nem tentes! Não há abrigo!"
Não há como proteger-se
dos efeitos da rotação da Terra.
E o dia se dá por inteiro,
numa conta que nunca erra.
São vinte e quatro horas, é certo.
São vinte e quatro horas, exceto
as horas que você durma.
Ou talvez nem adiante dormir,
porque os sonhos tidos assim
são um tempo vivido em penumbra.
Então crio forças pro dia
(Eu as crio, porque não as tenho!)
E porque forças puras não me rendem,
eu as ponho a serviço do engenho.
Porque trafegar pelo mundo
é pura decifração.
E a cada passo, atento, depuro
as notas da estranha canção.
Mas, em que pese o tumulto,
parece às vezes tudo tão perfeito,
que não me resta pensar sobre o mundo
senão que não é acaso, foi feito!
E já que do mundo não me evado,
vou trilhá-lo de pauta na mão.
Pra ver com que arranjos me conserto,
ou se me concerto com a composição.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
COSMOZINHO
O amor é um microcosmo da vida:
nasce, cresce, reproduz ou não, e morre.
(Às vezes suicida!)
É criança desvairada, de tutora infanticida.
Se alimenta do que vê,
come do que não precisa.
Não se joga pra vencer,
não precisa de torcida.
Seu destino é a expansão,
nasce mola encolhida.
Atinge o cético e o crente,
quem o sente não duvida!
E que pessoa em sã consciência
não sonha em ser atingida?
Não precisa de campanha,
não se vale de comícios.
Tem potencial pra guerra,
mas maior pro armistício.
O amor é a semente da paz,
só não sabe quem não faz!
E eu, o que faço?
Me consinto!
nasce, cresce, reproduz ou não, e morre.
(Às vezes suicida!)
É criança desvairada, de tutora infanticida.
Se alimenta do que vê,
come do que não precisa.
Não se joga pra vencer,
não precisa de torcida.
Seu destino é a expansão,
nasce mola encolhida.
Atinge o cético e o crente,
quem o sente não duvida!
E que pessoa em sã consciência
não sonha em ser atingida?
Não precisa de campanha,
não se vale de comícios.
Tem potencial pra guerra,
mas maior pro armistício.
O amor é a semente da paz,
só não sabe quem não faz!
E eu, o que faço?
Me consinto!
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
AMATURUS II
Amaturus, o futuro está maduro!
Colha a fruta do pé,
não a espere ser coisa chã.
(Não machuque as frágeis costas da anciã)
Amaturus, também a sorte é frágil,
é preciso que seja ágil!
E não é ágil o que espera.
(E a felicidade... é a da Terra!)
Amaturus, que tanto pensa?
O crime nem tentado não compensa.
Ninguém quer ser, é certo, condenado.
(Mas acaso não te tenta a recompensa?)
Amaturus, não hesite!
O futuro nem existe!
É vencida, há já muito, a infância!
(E também se abusa da esperança...)
Amaturus, já não há prazo!
Não há sentido em poupar o seu bocado.
E nunca se esqueça do que digo:
Só amando se é amado!
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