Banhei-me no dourado.
É Inefável.
Pode-se escrever?
Ela é bonita!
Em toda a sua estrutura:
a voz melíflua, a pele escura,
os cabelos livres...
...os olhos que sorriem,
e os sorrisos da boca;
nem se a dissesse "sublime"
faria justiça à moça.
É linda simplesmente,
e simplesmente linda,
como tudo que ela diz sê-lo.
Às vezes me parece que,
quando olha pro mundo,
refletem-na espelhos.
(Para ver tanta beleza, é a beleza dela mesma...)
A "boa nova" que o outro poema espera,
é a de agora,
e é na Terra.
Fico todo temperança e,
esperança,
cruzo a cidade.
(Aquele a quem a esperança não toca
diria que já é tarde...)
A vida dá-se em graça,
e às vezes acha o que não procura;
pressinto tanta riqueza!
Deus permita que eu esteja à altura!
sábado, 10 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
CORITO
Moça, eu te adoro!
E sinto que me melhoro
só de querer estar contigo.
Mas as palavras não me socorrem,
porque embora às vezes me jorrem,
nem tudo que penso eu atinjo.
Vou usar também o abraço,
que será o laço de te enfeitar.
E seguir um pouco o seu passo,
e deixar essa luz me guiar.
Porque sei que a moça aprende
a olhar a sombra "de revesguê".
Eu olhei-a de frente,
mas agora quero aprender
o delicado soslaio
que têm os zen, tão bonitos.
E vou manter-me também,
mas ficando um pouco Corito.
APRENDIZ
Ensina-me o que sabes!
Me ensina! Me cabe!
A minha sina é aprender.
A nenhuma coisa outra
destina-se viver.
Quero aprender a teu lado
o que sabes decorado
e o que a espontaneidade produz.
Quero banhar-me no dourado
abençoado da tua luz!
Não te chamo santa,
ninguém implanta a santidade em alguém.
Apenas quero dar-te a planta
do que me construo também.
Construirmos-nos juntos,
através dos assuntos
que nos inventarmos.
E que sejam muitos,
calmos tumultos
de sonhar acordados.
Todo aquele doce
que tantos cantam.
Que estanca o pranto
com fruta mordida.
A fruta que é o doce da saúde,
e nem sei como pude
nutrir-me de outros.
Pois para tornar-me o que sou,
ou melhor, o que estou:
pronto para outra canção.
Mel-o-dia todo,
cantar pode ser pouco,
mas é inclinação;
Me ensina! Me cabe!
A minha sina é aprender.
A nenhuma coisa outra
destina-se viver.
Quero aprender a teu lado
o que sabes decorado
e o que a espontaneidade produz.
Quero banhar-me no dourado
abençoado da tua luz!
Não te chamo santa,
ninguém implanta a santidade em alguém.
Apenas quero dar-te a planta
do que me construo também.
Construirmos-nos juntos,
através dos assuntos
que nos inventarmos.
E que sejam muitos,
calmos tumultos
de sonhar acordados.
Todo aquele doce
que tantos cantam.
Que estanca o pranto
com fruta mordida.
A fruta que é o doce da saúde,
e nem sei como pude
nutrir-me de outros.
Pois para tornar-me o que sou,
ou melhor, o que estou:
pronto para outra canção.
Mel-o-dia todo,
cantar pode ser pouco,
mas é inclinação;
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
RINDO-NOS
Quando te penso eu rio,
e não é pouco!
Mas juro que não sou louco!
Apenas bobo da corte.
E não sou bobo só se cortejo,
ser bobo é o que mais almejo!
(Distraio melhor que governo...)
Mas os sorrisos tendo alforria,
dizem, prorroga-se a vida,
e isso me consterna!
E se ficar semente esquecida?
Apaga-se o mundo e eu seguro a lanterna?!
Não entendo tanto de futebol,
mas a lanterna sei que pode ser triste.
E como fazer-se de sol,
apagados os felizes?
Os felizes que escolhi,
os felizes com quem aprendi
a arte do contentamento.
Será que se me deixam ascendem,
e acendem meu firmamento?
Não sei! É mistério!
Minério sem ferro,
matéria sem promessa...
Mas enquanto matéria eu mesmo,
e se não há o que o impeça,
vou vivê-lo do meu jeito!
E esse jeito é o de experimentá-los,
aos meus eleitos felizes.
Pois um dia se vão, arrebatados,
e restam-me as cicatrizes.
Mas se fomos felizes,
as cicatrizes são sorrisos.
E vou esperá-los vestindo-os,
até o dia em que também me transfira.
Vou esperá-los contente,
assim aproveita-se a vida!
EU NOS "NÓS"
Neste mundo redondo,
"cada um no seu quadrado",
nem sempre é fácil
decifrar a comunhão.
Quando é o majestático?
Quando é o de modéstia?
Quando é o de modéstia?
Qual o plural de imposição?
Quando há mesmo outra gente?
Pode ser que nos casos todos...
Pode ser-lhes também pertinente
Pode ser-lhes também pertinente
quando sou modesto ou tolo!
Mas o plural que mais exerço,
acompanhado ou só,
é o plural do que não me conheço,
quando não desato meus "nós".
domingo, 4 de janeiro de 2015
DE ROCHA
Mas que mulher era aquela?!
Abalou o meu underground.
Fez-se aquilo da costela?
(Was Jesus ever around?...)
(Was Jesus ever around?...)
Não tem lar que se sustente,
diante dessa provocação.
Nem os lares dos crentes,
que se construíram na pedra.
Não! Não se sustentam!
Nem se era a rocha eterna...
Nem se era a rocha eterna...
Quem se perdeu no labirinto aflito
daquelas comissuras labiais
vai querer andar pra a frente,
mas será voltado pra trás!
Cabelos sedosos, peitos suculentos,
tanta coxa, bunda... talentos!
Sofre-se pela visão,
só sofre mais o a que ela falta!
Mas é o trabalho de Deus tão evidente,
que talvez o adivinhasse a alma!
Mas como informar a alma
sem os olhos ou as mãos?
Então quem nunca as pousou naquela,
terá outra disposição.
Eu me disponho a muito!
Há muito já que o não sentia!
A escravidão dá-se pronta,
e desconhece alforrias!
Calma! Veja onde estou!
Deitado na cama e só!
Era tudo matéria de sonho!
Não eram de cabelo mas de mente
os nós!
VADE MECUM
Expectativas incontroláveis!
Quero tempos memoráveis,
e até acho que os mereço...
Mas as coisas nunca são puras,
sempre algo as conspurca.
E ainda algum mal eu padeço.
"Males que vêm para o bem"
servem-me à flexão,
à flexão do braço.
O esforço às vezes é físico;
não me dou tanto com isso,
mas vai ser assim, por enquanto.
Este mundo é muito encarnado,
há nele o mal incrustado,
e nem sempre ele fácil se extirpa.
Talvez já nasça com a gente e,
um dia, assim, de repente,
eclode de nossas tripas.
Mas podemos dar-lhe combate.
Está em nós (ou em parte...)
também a reflexão.
E reflito muito comigo;
escuto o que diz o umbigo,
mesmo quando é coisa torta.
Podemos ajeitar-nos com isso.
É melhor. Eu aceito! Não brigo...
Ah!Vou por aí! Vem comigo?
Quero tempos memoráveis,
e até acho que os mereço...
Mas as coisas nunca são puras,
sempre algo as conspurca.
E ainda algum mal eu padeço.
"Males que vêm para o bem"
servem-me à flexão,
à flexão do braço.
O esforço às vezes é físico;
não me dou tanto com isso,
mas vai ser assim, por enquanto.
Este mundo é muito encarnado,
há nele o mal incrustado,
e nem sempre ele fácil se extirpa.
Talvez já nasça com a gente e,
um dia, assim, de repente,
eclode de nossas tripas.
Mas podemos dar-lhe combate.
Está em nós (ou em parte...)
também a reflexão.
E reflito muito comigo;
escuto o que diz o umbigo,
mesmo quando é coisa torta.
Podemos ajeitar-nos com isso.
É melhor. Eu aceito! Não brigo...
Ah!Vou por aí! Vem comigo?
sábado, 3 de janeiro de 2015
LEGIÃO ESTRANGEIRA
Não compito.
Não me compete.
O opositor mais fraco agradece.
Esse talvez eu vencesse, mas...
já não lhe acontece!
Disputem com afinco os troféus,
disputem as medalhas.
eu sigo confuso e ao léu;
eles já não me dizem nada!
Dizem talvez os diplomas,
mostrando o caminho do pão.
Mas não fazem falta ao idioma
que fala o meu coração!
Quer falar a língua do mundo,
a que desconhece fronteiras?
A que mais me expande e aquece?
E quem não é da legião estrangeira?!
Não me compete.
O opositor mais fraco agradece.
Esse talvez eu vencesse, mas...
já não lhe acontece!
Disputem com afinco os troféus,
disputem as medalhas.
eu sigo confuso e ao léu;
eles já não me dizem nada!
Dizem talvez os diplomas,
mostrando o caminho do pão.
Mas não fazem falta ao idioma
que fala o meu coração!
Quer falar a língua do mundo,
a que desconhece fronteiras?
A que mais me expande e aquece?
E quem não é da legião estrangeira?!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
SANGRIA (Primeiro de janeiro)
Não sei definir o que sinto. É híbrido. Sinto ao mesmo tempo uma saudade do passado e uma ânsia pelo a transcorrer. Meu coração se encolhe e se expande; é como se eu fosse morrer! Não que conheça a morte por dentro, já tive talvez o intento, mas sou detento da vida. E o passo sai-me lento e me incomodo: quero vê-la cumprida! Quero cumpri-la já! (Às vezes me dói esperar...) Sinto vontades de ubiquidade, quero por a bandeira na lua. Mas não tenho meios pra tanto, e me contento com a rua. Passam tantos que sou eu! "Eu é um outro". Qualquer um que pulse, desde que louco. Ganho léguas na cidade vazia, fito os destroços da alegria, no dia da fraternidade. E não sinto que a consigo. Às vezes acho um risco, e quero restar misantropo. Mas o tempo passa e não me ajusto a isso. É tão fácil convocar os amigos! E os quero comigo outro pouco. Mas não é o que se tem para o instante. Essa foto não capta gente, só mesmo os rastros. A velocidade com que iam não se adivinha. Por que se corria? Fugia-se?! Aonde? Ainda ontem era tanta folia; onde os confetes se escondem? Os papeis coloridos que grudam nos pés já não são isso, apenas poluem. Sim! Talvez sim! Talvez seja isso a alegria, sempre a matéria de outro dia, que escurece o presente, se cotejo. Ou talvez seja sempre atual, e apenas não me apercebo... Mas são só coisas vãs que me entretêm, distraem-me de mim. Tenho tanto receio disso... Por que dói pensar-se assim? Talvez pelo duro confronto com as minhas circunstâncias. Se aperto os olhos diviso tudo o que não realizo, o que não trago a lume, e não é tragado pelo real. Porque não sei se é real quando dentro, esfuma-se, é revezamento. Vejo num instante e no outro, não...
Esta caneta já me dói, é vermelha, eu me sangro. Esvaio-me, e me descontrolo. Só com largá-la me estanco. Sim! Dou-me conta! A confissão nunca está pronta! Basta proferir-se e se mentiu. Já não sou mais aquele; onde é que se viu?
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
VIRÁ? VIROU! (Dândis III)
Acredito em mágica,
mas desacredito em mágicos.
Não sei se acredito em futuro,
nem se é possível o presságio.
Nem acredito no muro
entre o lado escuro e o claro.
Não acredito que mudo
no dia do aniversário.
Nem acredito que o luto
seja disso o contrário.
Mas sei que há o escorbuto,
se faltam laranjas no itinerário.
Não acredito em patrão,
mas no mundo é preciso o operário.
Não sei se acredito em dinheiro,
mas de que outro jeito remunerá-lo?
Tudo bem que amor alimenta,
mas há também alimentos mais caros!
Se só tiver o de que preciso,
não preciso de publicitários,
que vivem de oferecer
necessidade aos otários.
Mas quando a oferta é muita,
é preciso o santo alertar-nos:
nem com tudo que se ganha se tem
ajuda para nos aguentarmos.
Vou suspender o inventário,
ou não demora e caio em contradição.
Melhor é aproveitar o sol claro,
que será raro em outra estação!
mas desacredito em mágicos.
Não sei se acredito em futuro,
nem se é possível o presságio.
Nem acredito no muro
entre o lado escuro e o claro.
Não acredito que mudo
no dia do aniversário.
Nem acredito que o luto
seja disso o contrário.
Mas sei que há o escorbuto,
se faltam laranjas no itinerário.
Não acredito em patrão,
mas no mundo é preciso o operário.
Não sei se acredito em dinheiro,
mas de que outro jeito remunerá-lo?
Tudo bem que amor alimenta,
mas há também alimentos mais caros!
Se só tiver o de que preciso,
não preciso de publicitários,
que vivem de oferecer
necessidade aos otários.
Mas quando a oferta é muita,
é preciso o santo alertar-nos:
nem com tudo que se ganha se tem
ajuda para nos aguentarmos.
Vou suspender o inventário,
ou não demora e caio em contradição.
Melhor é aproveitar o sol claro,
que será raro em outra estação!
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