quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

PARUANO (ainda e outra vez)

 Como outras vezes se pontuou,
o ano novo é uma ilusão oportuna.
E mais oportuno faz o ano
quem o faz novo sem ilusão.

Paruano quero cortar obsessões,
livrar-me de muitas manias.
Paruano quero melhorar o plantio,
para muito mais alegrias.

Paruano quero provar que é melhor ser bom do que esperto;
gentil do que não ser trouxa.
Que muito mais importa como nos investimos
do que com que roupa.

Paruano que meus estudos sejam
para o discernimento, o esclarecimento,
não para a ilusão do brilho
(ou o brilho da ilusão).

E que meu discernimento sirva, antes,
à minha própria transformação.

Paruano que eu sonhe, pense,
sinta e implemente.
Paruano sejamos gente boa,
mas muito mais boa gente.

SALTA

O excesso me reduziu a nada
o que eram planos já é só bravata
a disposição virou-me a cara

ou as várias caras que tem
decreto essa morte
(hei por bem!)

viverei muito melhor além
desses
disso
e por sobre qualquer compromisso

Livro-me solto
(é cediço...)

Salta aos olhos!
(e solto o enfermiço)




Por fin vas a terapia
vas al psicólogo y también psiquiatra
pero de qué te sirve
si simpre mintes más que hablas..

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

DESMANTELO

Não te veem o edifício 
mas belo terreno em que construir
e para fazerem matéria-prima
tratam de te demolir

Qual não será o assombro
ao notarem tratar-se de escombros

domingo, 28 de dezembro de 2025

BLOQUEIOS

Uma viagem apenas planejada

um perdão nunca oferecido

uma fruta nunca experimentada 

vestidos envelhecidos na etiqueta

um língua nunca utilizada onde falada

um poema dedicado apenas mentalmente 

um roteiro nunca filmado 

um invento aprisionado no projeto

um projétil nunca disparado

nada merece tanta sequência 


O pior é o amor não amado 

até as últimas consequências 





(dedicado mentalmente)



sábado, 27 de dezembro de 2025

TEOREMINHAS

Enquanto ignoras quem és
e te distrais do que queres
o Tempo tira as medidas do teu féretro

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

TEOREMINHAS

Se há penas,
é trocar o certamente duvidoso
pelo duvidoso apenas

LIVREIRO

Elisário, douto,
para que dar vida às coisas extintas
e realidade às inventadas?

Melhor é criá-las
novas e melhoradas.




D'aprés Machado de Assis

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

DIÁRIO DE BORDO

Não se preocupe
nem a mim

Nada de chover
sobre meu sol brilhante

Nada de nublar meu sorriso
ou macular meus olhos de verde lume

Aqui se insiste na luz
(se acostume)

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

DIÁRIO DE BORDO (Baiana)

Quem sugeriu sabia o que fazia 

que aquilo ia acender o dia


E como pôde

de duas noites fazer-se luz?


A Lua não abandona seus filhos

(e o amor é o amor refletido)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

DIÁRIO DE BORDO

A Prada não vende

os olhos de cronista

com que olho os turistas

sendo turista também


DIÁRIO DE BORDO

Pisar a terra de grandes vultos

e vê-los por entre o tumulto

dos anônimos sem tempo para mim


Mas ouvir as músicas e ler as linhas 

em que o sangue e os músculos se adivinham 

domingo, 21 de dezembro de 2025

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

TEOREMINHAS

Nada existe
além do que se sente
e assim me descubro
o suprassumo do existente

domingo, 14 de dezembro de 2025

ALIEN

Tão bom ser latino

mas as brasileiras só adotam

outros apelidos


LIVRO DE PEQUENAS RESPOSTAS

Se em parte tem remédio
e em parte está remediado
o mundo não está doente
está mei curado

sábado, 13 de dezembro de 2025

PEQUENO LIVRO DE PERGUNTAS

 - Quem precisa da nossa opinião?

- Mal mal (e muito mal)
  quem pediu.

ONDE ASSISTO

Nestes tempos que correm (tanto)
é um acontecimento tropeçar
numa beleza à vontade

Não de ser tanta
ou de que se espante
mas de não haver esforço
ou excesso de consciência

Uma beleza consequência e não meta
uma beleza que não afeta
sem cifras ou
@s para indicar

Uma beleza que nem pensa em se estadear
a beleza já como estado
que se curvará ao tempo se o tempo a reclamar

Que portará belezas outras
das que se desenvolvem desde o gérmen 
as democráticas
ao alcance da experiência e sem preço

A beleza não como adereço
mas a beleza que é meu endereço


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

VELOCISTA

Os anos arrombam as portas a qualquer vida.
Para o tempo não existem vias impedidas.
Existem preferências e faixas exclusivas.

Tudo ao Tempo,
que precede e sucede a vida.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

INCESSÁVEL

Floresceram artistas sob todos os regimes,
e flutuando em todos os índices. 
Sob e sem censura.
Onde integravam a cultura.
Para ressoar ou inaugurar um som.
Escrevendo ao gosto do povo, ou o ilegível.
Revivescentes canhões líricos.
Guardados no baú, indo ao ar.
Cavando seu lugar.

Pintou-se sob toda luz.
Esculpiram-se os deuses, 
os demônios,
e os êxtases que dão.
A fome. O fruto. O pão.

Produzem entre os solstícios.
Com o Sol a pino, no escuro.
Dos dois lados do muro
(e só aos lados).

A arte pulsa.
A arte é imparável.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

INFLORESCÊNCIA

O figo acontecido em torno do inseto
tem mais substância do que eu nesta hora.
Mais simples,
e de muito mais propósito.

Mas sigo
(incompreendido e insólito).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

COLHEITA (Ventura)

Sim, é verdade!
Se você está no topo,
daí é só ladeira abaixo.

Mas relaxe!
Sem angústia.
Sem azáfama.

Os 15 minutos só se contam
para muito piores safras.

domingo, 7 de dezembro de 2025

PLENILÚNIO

Noto que a Lua nos entende,
lado claro, lado escuro.
Não nos chega de repente,
mas com aguardado apuro.

A Lua nunca deixa na mão o lunático.
Nem o esfuziante,
nem o sorumbático.

Não há iminência de catástrofe.
O êxtase é pleno.
A Lua é o fiel farol
do homem nem tão terreno.


sábado, 6 de dezembro de 2025

UM TOQUE

Vivo esbarrando no terceiro
ao buscar o quinto andar.

Onde, afinal,
eu quero chegar?


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

TOBOGÃ

Já eram muitos os degraus em demanda do tobogã.
"Eu sei que vou te amar", atrás. 
"Eclispe oculto", atrás.
"Nuvem", atrás.
"Olhos nos olhos" atrás.

Tantas crianças precisando da aventura
te tiram não a coragem, mas o direito de desistir.

Agora um pano qualquer, contra a resistência
de uma superfície que pouco importa (pois será vencida)
devolvem-lhe a certeza de estar viva.

Medo, zelo, frio na barriga, euforia, alívio,
tudo saltitando em um rearranjo que te devolve matéria prima.

Apure-se, agora é "Construção".