Percebo que meu erro diante
do seu olhar disciplinário
foi confessar haver vivido
(o que te parecem ossos no armário)
talvez preferisse alma nova
nunca antes encarnada
simples e ignorante
assim do berço como da cova
mas tive ânsia de saber
com toda a alegria e dor
e foi indispensável nascer
e obedecer ao Criador
e assim fui errando
aprendendo com os tropeços
ainda trago raladas as mãos
e acumulo recomeços
notei não ser lícito parar
que a melhor inércia é a do movimento
e que a arte de trilhar
exige morte e nascimento
assim também nasci para você
e por um tempo para você vivi
que preferiu ver-me morrer
por confessar o quento nasci
e aqui ainda estou
um morto que te fala
e a quem responde sem saber por quê
tentou voltar se ainda estava