Quisera escrever um poema
a cada vez que não lhe posso falar
mas os projetos excederiam de muito
minha capacidade de os realizar
e eu poderia passar sem essa ansiedade
afinal sempre disse, de mim para mim,
que não sofro desse mal
eufórico, deprimido, eufórico, deprimido
mas sem pressa de ir de uma a outro
(não é assim que sou de lua)
querer falar-lhe é recorrente
(mais do que diário)
mas talvez não seja nada para versos
e como destacado nas nuvens
não tenho o diploma de onde se estudam
nem ninguém me outorgou essa dignidade
a não ser por alguns afeiçoados, em epíteto:
Bom dia, senhor poeta!
como aos poetas oficiais das cidades de novela
uma distinção carinhosa que
de uma forma vexada
afaga
eu prefiro filmes a novelas e sou roteirista
o passado quase como havido
o futuro como desejado
neste ainda estou ao seu lado
os problemas se superaram
teceu-se o modus vivendi
a vivenda é qualquer uma
de qualquer patamar
em qualquer localização
os presentes se dão sem medo
dos excessos não se espanta e foge
os passados ainda existem e seguem passados
para frente se olha além das décadas
do decesso
da decendência
às vezes acho que era até fácil
que se podia
que se pode
espero que estes caracteres
encontrem-na bem
Desejar-te desde sempre
Ter-te agora, uma dia, é sempre