quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

VENTILADO

 A notícia
fictícia
sobressalta

seu advento
sublinha
a falta

concretiza a despedida
desembrulha o estômago
abre vagas de

escassa procura
difícil aprovação
impossível investidura

o golpe
que desarma
a armadura

cessa o duelo
nos foros
da loucura



Como um livro quando faltam páginas
some do epílogo a explicação


sábado, 17 de janeiro de 2026

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

MINEIRO E SOLIDÁRIO

Eu não preciso de provas
nunca precisei de provas
eu experimento, oras!

Eu sinto
perscruto
intuo

tudo que é bonito
vívido
pulsante

Só preciso de provas
se diagnóstico de câncer

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

MEU TEMPO TAMBÉM É QUANDO

Nunca antes
até tão depois

Nunca antes 
partir ficado

Nunca antes...

mas e o depois projetado?

sábado, 10 de janeiro de 2026

DEDICADO MENTALMENTE

Quisera escrever um poema
a cada vez que não lhe posso falar
mas os projetos excederiam de muito
minha capacidade de os realizar

e eu poderia passar sem essa ansiedade
afinal sempre disse, de mim para mim,
que não sofro desse mal

eufórico, deprimido, eufórico, deprimido
mas sem pressa de ir de uma a outro
(não é assim que sou de lua)

querer falar-lhe é recorrente
(mais do que diário)
mas talvez não seja nada para versos

e como destacado nas nuvens
não tenho o diploma de onde se estudam
nem ninguém me outorgou essa dignidade

a não ser por alguns afeiçoados, em epíteto:
Bom dia, senhor poeta!
como aos poetas oficiais das cidades de novela

uma distinção carinhosa que
de uma forma vexada
afaga

eu prefiro filmes a novelas e sou roteirista
o passado quase como havido
o futuro como desejado

neste ainda estou ao seu lado
os problemas se superaram
teceu-se o modus vivendi

a vivenda é qualquer uma
de qualquer patamar
em qualquer localização

os presentes se dão sem medo
dos excessos não se espanta e foge
os passados ainda existem e seguem passados

para frente se olha além das décadas
do decesso
da decendência

às vezes acho que era até fácil
que se podia
que se pode

espero que estes caracteres
encontrem-na bem




Desejar-te desde sempre
Ter-te agora, uma dia, é sempre

DIÁRIO DE BORDO (Gil)

 A Bahia não me deu
(e nem eu queria)
régua e compasso

mas aquele abraço
tem
pintura no braço 
tem
orla, largo, confissão

na Bahia nada
atravanca a expansão

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

DIÁRIO DE BORDO

Talvez não goste de viajar sozinho
nem acompanhado
mas para encontrar

a linguagem do encontro é o abraço,
que faz a impressão do espisódio
na parede do coração

não entope
acolchoa

(de amor não se morre 
à toa)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

DESALMADA

De tal modo e voluntariamente
foi-se esvaziando
com as mãos em pás espalmadas
que seu Espírito já não tinha alma

BAÊA

Mancha de dendê até sai
mas quem foi temperado
nunca mais vive insosso

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

DIÁRIO DE BORDO

Perambular como um estrangeiro
em um país um pouco seu

mas só um pouco
que nunca lhe pertenceu
o que ali se tece

com os olhos certos
é de uma felicidade!

que também um pouco entristece

domingo, 4 de janeiro de 2026

ETERNO

A onda é efêmera
mas as ondas são eternas

como eternamente o carvão
se pressiona em diamantes

que se dão a quem impressiona
(mas não eternamente)

TEOREMINHAS

Quem nunca soube brincar
não sabe ser sério

sabe imitar a morte
e incidir como um imposto

mas não vê a vida
em todos os seus contornos

falta-lhe um sentido
e o sentido de estar 
(disposto)

sábado, 3 de janeiro de 2026

O VOLUNTÁRIO

Já fui cego
e torturado pela escuridão

já fui cego
e orgulhoso de sê-lo

fascinado por aquela tortura
até o dia em que te dirigem o 
"que queres que te faça?"

que cura

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

NÚCLEO

Ecoando de dentro da minha primeira escolha musical
um bardo dizia que o último dia de dezembro
é sempre igual ao primeiro de janeiro
.

Mas os separa uma obsessão.
O último de dezembro é apenas o cúmulo
do que os de dezembro todos portam:
a hora do novo cantada e decantada.

Tanto e de tal modo pronunciada
que chega a ser esperada.
Uns passam o café e arrumam a casa.
Outros fazem a contagem regressiva para a contagem regressiva,
que mesmo tão curta se faz em roupa de ver Deus
(e talvez a preços exorbitantes...)

3,2,1 e SCATAPUM!

Primeiro de janeiro não tem obsessão.
O novo ficou para trás (ou foi o velho?)
É impressionante seu poder de sentir-se o mesmo:
pós-praia, pós-clube, pós-casa-da-sogra, pós-nada.

É como chegar ao pé do arco-íris:
João não vira Maria,
não tem pote de ouro,
não houve o sorteiro bilionário da Caixa.

Tanto faz cada cor, todas as cores, ou cor nenhuma.
O tolo está de ressaca?
Ou o tolo está orgulhoso de que,
este ano, ainda não mandou aquela famigerada mensagem?

Outros têm agora 365 dias para tomar coragem
"até o fim do ano".
Ou para manter a coragem desde esta hora
para não repetir o de outrora.

Um ano limpo, até segunda ordem.
E se a barra sujar: 
"...tenho discos e livros".
O núcleo. Indivisível.