sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

NÚCLEO

Ecoando de dentro da minha primeira escolha musical
um bardo dizia que o último dia de dezembro
é sempre igual ao primeiro de janeiro
.

Mas os separa uma obsessão.
O último de dezembro é apenas o cúmulo
do que os de dezembro todos portam:
a hora do novo cantada e decantada.

Tanto e de tal modo pronunciada
que chega a ser esperada.
Uns passam o café e arrumam a casa.
Outros fazem a contagem regressiva para a contagem regressiva,
que mesmo tão curta se faz em roupa de ver Deus
(e talvez a preços exorbitantes...)

3,2,1 e SCATAPUM!

Primeiro de janeiro não tem obsessão.
O novo ficou para trás (ou foi o velho?)
É impressionante seu poder de sentir-se o mesmo:
pós-praia, pós-clube, pós-casa-da-sogra, pós-nada.

É como chegar ao pé do arco-íris:
João não vira Maria,
não tem pote de ouro,
não houve o sorteiro bilionário da Caixa.

Tanto faz cada cor, todas as cores, ou cor nenhuma.
O tolo está de ressaca?
Ou o tolo está orgulhoso de que,
este ano, ainda não mandou aquela famigerada mensagem?

Outros têm agora 365 dias para tomar coragem
"até o fim do ano".
Ou para manter a coragem desde esta hora
para não repetir o de outrora.

Um ano limpo, até segunda ordem.
E se a barra sujar: 
"...tenho discos e livros".
O núcleo. Indivisível.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

PARUANO (ainda e outra vez)

 Como outras vezes se pontuou,
o ano novo é uma ilusão oportuna.
E mais oportuno faz o ano
quem o faz novo sem ilusão.

Paruano quero cortar obsessões,
livrar-me de muitas manias.
Paruano quero melhorar o plantio,
para muito mais alegrias.

Paruano quero provar que é melhor ser bom do que esperto;
gentil do que não ser trouxa.
Que muito mais importa como nos investimos
do que com que roupa.

Paruano que meus estudos sejam
para o discernimento, o esclarecimento,
não para a ilusão do brilho
(ou o brilho da ilusão).

E que meu discernimento sirva, antes,
à minha própria transformação.

Paruano que eu sonhe, pense,
sinta e implemente.
Paruano sejamos gente boa,
mas muito mais boa gente.

SALTA

O excesso me reduziu a nada
o que eram planos já é só bravata
a disposição virou-me a cara

ou as várias caras que tem
decreto essa morte
(hei por bem!)

viverei muito melhor além
desses
disso
e por sobre qualquer compromisso

Livro-me solto
(é cediço...)

Salta aos olhos!
(e solto o enfermiço)




Por fin vas a terapia
vas al psicólogo y también psiquiatra
pero de qué te sirve
si simpre mintes más que hablas..

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

DESMANTELO

Não te veem o edifício 
mas belo terreno em que construir
e para fazerem matéria-prima
tratam de te demolir

Qual não será o assombro
ao notarem tratar-se de escombros

domingo, 28 de dezembro de 2025

BLOQUEIOS

Uma viagem apenas planejada

um perdão nunca oferecido

uma fruta nunca experimentada 

vestidos envelhecidos na etiqueta

um língua nunca utilizada onde falada

um poema dedicado apenas mentalmente 

um roteiro nunca filmado 

um invento aprisionado no projeto

um projétil nunca disparado

nada merece tanta sequência 


O pior é o amor não amado 

até as últimas consequências 





(dedicado mentalmente)



sábado, 27 de dezembro de 2025

TEOREMINHAS

Enquanto ignoras quem és
e te distrais do que queres
o Tempo tira as medidas do teu féretro

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

TEOREMINHAS

Se há penas,
é trocar o certamente duvidoso
pelo duvidoso apenas

LIVREIRO

Elisário, douto,
para que dar vida às coisas extintas
e realidade às inventadas?

Melhor é criá-las
novas e melhoradas.




D'aprés Machado de Assis

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

DIÁRIO DE BORDO

Não se preocupe
nem a mim

Nada de chover
sobre meu sol brilhante

Nada de nublar meu sorriso
ou macular meus olhos de verde lume

Aqui se insiste na luz
(se acostume)