segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DESSOÇOBRA

Toda ilusão

que tinha
que alimentava
e em que insistia

soçobrou


sobrou
você

sábado, 24 de janeiro de 2026

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

OUTRA LEI DE NILTON

Depois do abacaxi
só o abacaxi

não há o que possa
suceder sua doçura

abacaxi não é problema
mas textura

o coroado abacaxi!

"a gente chega
 a achar que é feliz"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

VENTILADO

 A notícia
fictícia
sobressalta

seu advento
sublinha
a falta

concretiza a despedida
desembrulha o estômago
abre vagas de

escassa procura
difícil aprovação
impossível investidura

o golpe
que desarma
a armadura

cessa o duelo
nos foros
da loucura



Como um livro quando faltam páginas
some do epílogo a explicação


sábado, 17 de janeiro de 2026

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

MINEIRO E SOLIDÁRIO

Eu não preciso de provas
nunca precisei de provas
eu experimento, oras!

Eu sinto
perscruto
intuo

tudo que é bonito
vívido
pulsante

Só preciso de provas
se diagnóstico de câncer

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

MEU TEMPO TAMBÉM É QUANDO

Nunca antes
até tão depois

Nunca antes 
partir ficado

Nunca antes...

mas e o depois projetado?

sábado, 10 de janeiro de 2026

DEDICADO MENTALMENTE

Quisera escrever um poema
a cada vez que não lhe posso falar
mas os projetos excederiam de muito
minha capacidade de os realizar

e eu poderia passar sem essa ansiedade
afinal sempre disse, de mim para mim,
que não sofro desse mal

eufórico, deprimido, eufórico, deprimido
mas sem pressa de ir de uma a outro
(não é assim que sou de lua)

querer falar-lhe é recorrente
(mais do que diário)
mas talvez não seja nada para versos

e como destacado nas nuvens
não tenho o diploma de onde se estudam
nem ninguém me outorgou essa dignidade

a não ser por alguns afeiçoados, em epíteto:
Bom dia, senhor poeta!
como aos poetas oficiais das cidades de novela

uma distinção carinhosa que
de uma forma vexada
afaga

eu prefiro filmes a novelas e sou roteirista
o passado quase como havido
o futuro como desejado

neste ainda estou ao seu lado
os problemas se superaram
teceu-se o modus vivendi

a vivenda é qualquer uma
de qualquer patamar
em qualquer localização

os presentes se dão sem medo
dos excessos não se espanta e foge
os passados ainda existem e seguem passados

para frente se olha além das décadas
do decesso
da decendência

às vezes acho que era até fácil
que se podia
que se pode

espero que estes caracteres
encontrem-na bem




Desejar-te desde sempre
Ter-te agora, uma dia, é sempre

DIÁRIO DE BORDO (Gil)

 A Bahia não me deu
(e nem eu queria)
régua e compasso

mas aquele abraço
tem
pintura no braço 
tem
orla, largo, confissão

na Bahia nada
atravanca a expansão