Não somos brinquedos de Deus,
somos suas centelhas.
Lançadas no rumo da perfeição,
e temerosas do desvio.
Somos, pois, seus filhos,
de orfandade impossível.
Estamos sempre ao abrigo,
os que cremos, e os que não.
Meditemos, então,
na beleza da vida:
Não é comprida, mas eterna,
desde o ponto de partida.
A vida não espera,
não para,
não erra,
ela muito bem endereça.
A vida, hoje, na Terra.
Amanhã, só Deus sabe.
Mas haverá! Haveremos.
Aí está o tudo que temos.
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
O TUDO QUE TEMOS
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
VERDADE SUMÁRIA
Já as primeiras fotografias, no século XIX,
mentiam ao mundo sobre o mundo.
Um mundo belo, colorido,vibrante,
posava e esperava pela revelação do que era.
Então descobria-se, segundo lhe diziam,
estático, sem cor, sem graça, e a caminho de nada.
Olha que esse mundo já dispunha de espelhos há milênios,
desde os sumérios, mas preferia a novidade sumária.
Hoje as fotos têm cores, se movem,se filtram.
Muito melhoraram, para mentir melhor.
E o mundo segue o mesmo, cego e atrasado
para as últimas mentiras contadas.
Mentiras não podem ser melhoradas.
domingo, 12 de novembro de 2023
CANÇÃO POPULAR(ESCA)
A sua sorte
é que beleza não tem limite,
não dá overdose.
A sorte geral
é que sua beleza se nota,
se colhe,
se versa.
Chego a pensar na solidão
como atividade pregressa.
Entendo Vinicius.
Entendo Tom.
E até suporto saber
que o caminho não é o do mar
mas o da selva de pedra
(e sem me chamar).
Mas nada na vida é o tempo todo.
Tampouco a beleza deveria sê-lo.
Não é a primavera.
Não é o sonho.
Nem eram os brinquedos.
Mas o instante ainda existe.
Pulsa, impele,
e minha vida fica completa:
sendo alegre, triste, e admirando os poetas.
sábado, 11 de novembro de 2023
CIRANDA
O adeus é uma ciranda,
e até se não há música
o adeus é uma dança.
Às vezes se coreografa,
às vezes é espontânea.
Ensaiado, improvisado,
o adeus volta e meia se lança.
O adeus é um bumerangue,
e pra quem não sabe manejar
não pode haver segurança:
Arremessado o bumerangue,
o medo ao solo se lança.
E a vida é solo.
A vida é tranquila.
Coração inteiro,
ou coração roto.
A vida segue
e os acenos são outros.
segunda-feira, 6 de novembro de 2023
UM POUCO
A loucura é um sábio sinal,
um assobio por meio do qual
Deus chama o louco a si.
Mesmo se o louco O nega.
Mesmo se o louco crê.
Mesmo se o louco se crê
ele mesmo o próprio Deus.
E então o louco é chamado
porque não sobrevive ateu.
O louco é divino,
um predestinado do banquete celestino.
(O receio não tem porquê
onde assiste o recreio)
O louco é quem tem, sim,
raízes nas profundezas.
As tais raízes necessárias
a quem quer tocar o céu.
E o louco se eleva sem cair.
Não cai abaixo do chão,
e às vezes não cai em si.
Não julgue faltar razão
ao ver o louco sorrir.
domingo, 5 de novembro de 2023
ASCENDÊNCIA
Ascendência pernambucana,
és portuguesa, holandesa, ou africana?
Ascendência, isso lá importa?
Aqui é um vasto país, de corredores sem portas.
Nada mais pode ser aclarado,
já tudo está refeito, todos misturados.
Ascendência, de tudo só sei
que tu és o passado.
Ascendência, não me livrei,
mas viverei com os de ao lado.
sexta-feira, 3 de novembro de 2023
UM A UM
"Atrás do porto tem uma cidade",
disse-me a bruxa quando era fada.
Ninguém está infenso ao feitiço,
a essa cidade não escapa nada.
De sabê-lo sinto-me enfermiço.
Tento resistir, mas é cediço:
Quem aqui esteve, voltará,
que só tem água naquela bica.
E a água derramada soa:
"Quem bebe de mim aqui fica!
Uns deixam o coração,
outros plantam descendência.
(estou falando do Espírito,
não lhe aproveitam outras ciências...)"
É preciso nascer da água,
batizar-se com fogo.
É preciso, um a um,
até inteiro esse povo.
DOMINUS
Janis se banha sem nem água,
sem saber que Jesus passou.
Não sabe o que é ter dono,
mas não sabe quem é o Senhor.
Quando se dá conta que a fito,
me olha de forma fixa.
Não sei se interessada,
curiosa, ou aflita.
(às vezes olha por sobre mim
de forma assustadiça)
Sua vida parece tão simples,
que nunca eu a poderia complicar.
Mas tenho essa notícia doce,
que lhe quisera comunicar.
Existe um Pastor,
e nenhum de nós está perdido.
Quisera lhe partipar,
mas ainda estou confundido.
sábado, 14 de outubro de 2023
e obtusos.
O tempo é bruto
e me maltrata.
O tempo é douto
e me ensina.
O tempo antes também seu,
agora nem meu,
menina.
O tempo é o que se deflagra,
e os homens de armas
são sempre malditos
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
QUÃO NOBRE
Também eu,
quando o rei foi morto,
e o reino dividido,
me contava entre os vivos.
No mesmo mundo,
com tantos mais reis,
quantos eram os reinos surgidos.
Nada foi realmente dividido,
apenas o poder soberano,
entre príncipes que eram primos.
Eu e todo o povo
sobrevivemos sem acesso.
Parece vida,
mas é decesso.