Regeneração
a alegria benfazeja
de pensar na instalação
do que talvez um dia eu veja
até lá prevejo chão
e que a gente não se esqueça
que só nos vale a intenção
que em ação se converta
Vêm-me e, se a bem, vão-lhes.
Regeneração
a alegria benfazeja
de pensar na instalação
do que talvez um dia eu veja
até lá prevejo chão
e que a gente não se esqueça
que só nos vale a intenção
que em ação se converta
Compreendi que para passar
de versejador a poeta
é preciso inventar
não palavras novas
mas novas formas de amar
e como serão?
formas conclusivas
como eram as da ilusão?
os que de fato são poetas
do que será que partirão?
para muitos pães e peixes
é preciso algum peixe e algum pão
mas eu só tenho memórias
e memórias só viram canção
Como a lanterna do andarilho
suspendo meu coração
e não me revela nada
além da própria escuridão
receio as feras
prossigo
há de haver melhores bichos
com que me comunique
sem falar
sem luta
sem fuga
tropeço
arranho as mãos
não ouso apalpar nada
pelo silêncio que ouço
reconheço esta estrada
não leva a lugar nenhum
já não promete o infinito
será mais fácil caminhá-la
que encaminhar novo destino?
Diante da polidez que se esmera
eu lhes pergunto com cordura:
não é ainda má postura
a impostura?
Altar, mas tão alto
que de vales não se divisa
e a bênção se improvisa
para muito além da visão
nenhuma praga se insinua
coisa alguma tranca a rua
e nem mau-olhado alcança
o de que não se está à altura
só sonhos e desdobramentos
para conseguir o intento
de tão alta posição
não que haja desculpa
mas ainda assim se estrutura
o perdão
Sobre a terra
sobre você:
nada é alvissareiro
se a enfermidade
é o enfermeiro
nem pode haver descanso
se o despertador
é o travesseiro
Tudo se refaz
sem refazimento
"pesa mais a raiva que o cimento"
Saudade dá
e passa
dá e passa
dá e passa
saudade dá e passa
mas não mata
(como mata a fome...)
ser um lobo em tempo de dama
em tempos de águia, homem
saudade não mata
(mas consome)
Consterna-me a força do Sol nascente
poderoso, luminescente
ousado e ascendente
(e no entanto com poucas horas
dá-se o poente)
em que beleza deveria
o que vive pela ótica do lucro
da pressa e do preço do atributo
investir o dom da visão?
Quando a bala se alojou em mim
entendi imediatamente que tinha meu nome
ela me estava destinada
desde que a disparara
esse projétil eu o projetara
por ter deixado vencer-me
minha parte mais bárbara
eu que tanto tinha errado
jamais perdoara
nem nunca pedira perdão
agora já penso em outra chace
ainda dentro deste caixão
oblongo
escuro
prematuro para o que planejara
com minhas pequenas asas
do amor nunca voara
fora sempre intelecto
ora fértil, ora abjeto
mas bons ventos me embalem
da Misericórdia divina
e me deem forças para a retificação
que agora se me destina
mas sempre haverá amanhã
pois Deus é Amor
e esse Amor não limita