Sonhei com a festa da cumeeira
a exaltação da completude
que entrega seus feitos
a outros inícios
mas acordei sem edifício
num terreno baldio
com muitos planos espalhados
que entravam em conflito
Vêm-me e, se a bem, vão-lhes.
Sonhei com a festa da cumeeira
a exaltação da completude
que entrega seus feitos
a outros inícios
mas acordei sem edifício
num terreno baldio
com muitos planos espalhados
que entravam em conflito
Vivo no seu trem
na portinhola da locomotiva
não adentro os vagões
que deles não te vejo
neles há muita gente
daqueles outros vilarejos
não apeio
gosto do vento no rosto
gosto de ver teu caminho
e gosto de que me aproximo
mas andar na linha
não me revela a jornada
não construí a estrada
nada sei de ferros e encruzilhadas
interessa-me entender
o que na poesia da vida desperta o seu sorriso
talvez mais raro que sua gargalhada
não o sorriso público
à gente a ser evitada
o seu sorriso mais puro
a este que quer adivinhá-la
e você nos conduz
por pontes sobre rios
com essa sua certeza
que destrói meus desatinos
e não sei o que me embrulha o estômago
se é certo o destino
(é que é incerto chegar contigo...)
- por favor, sem solavancos, maquinista!
O guarda-sol recolhido tem um quê de frustração
de piscina vazia
de crianças portas adentro
e tem também um ar de esperança
para quem traz um sol por dentro
pleno de alegria
que dissipa as nuvens
dá calibre à réstia
e restaura o dia
Decesso de excesso existe,
do que dá prova o clube dos 27
mas...percebe...
ainda aí é a falta que nos perde
Depois do abacaxi
só o abacaxi
não há o que possa
suceder sua doçura
abacaxi não é problema
mas textura
o coroado abacaxi!
"a gente chega
a achar que é feliz"
A notícia
fictícia
sobressalta
seu advento
sublinha
a falta
concretiza a despedida
desembrulha o estômago
abre vagas de
escassa procura
difícil aprovação
impossível investidura
o golpe
que desarma
a armadura
cessa o duelo
nos foros
da loucura
Como um livro quando faltam páginas
some do epílogo a explicação