(Ffdp)
Vigiava tão atenta
quanto o farol da barra
sonhava com aquela cadena
que segue se a música para
não lhe bastou encontrá-la
jamais conheceu sorte plena
(a apaixonada pela falta
à escassez se condena).
Vêm-me e, se a bem, vão-lhes.
(Ffdp)
Vigiava tão atenta
quanto o farol da barra
sonhava com aquela cadena
que segue se a música para
não lhe bastou encontrá-la
jamais conheceu sorte plena
(a apaixonada pela falta
à escassez se condena).
(Ffdp)
Num xadrez de ontologias
ocultava os peões
nas torres de sua vida
e sem crer-se se dizia
à cata do rei
(ou seria da rainha?!)
atenta ao que o cavalo avance
até que o xeque a mate
(de relance)
Era neutro. Não se expressava, não interferia, não se posicionava, não sabia.
Dormiu, acordou em cima de um muro. Era largo, confortável.
Viu embaixo, de um lado, anjinhos esfuziantes que lhe acenavam perseverantes, convidando-o a descer para junto deles.
Do outro lado capetinhas impassíveis o olhavam de braços cruzados.
Estranhando o fato, perguntou a um deles:
- Não vão tentar me convencer a descer para o seu lado?
Sem esboçar emoção, o capetinha respondeu:
- O muro já é nosso.
(Ffdp)
Maldição não acaba em morte
maldição não acaba em beijo
maldição acaba a desoras
(no momento em que percebo)
o crime contra o tempo
os golpes desferidos na estima
e que era apenas julgamento
o que antes fora vida
maldição não tem antídoto
para maldição não há polícia
mas felizmente, como para tudo,
há a porta da saída.
Heute klingt Dein Name wie ein leeres Buch
Wie ein nie erfulltes Versprechen
(Ffpd)
Por fin, vas a terapia [...]
¿pero de qué te sirve
si siempre mientes más que hablas?
Olha-se no espelho
e sem justiça
faz dele inimigo
sem anteparo para ver-se
e em si deter-se
ignora o intestino
e disfarça
o passado no passado
o passado no presente
só não retrata
o crivo
Sem qualquer expertise
me adivinho rio
rio intermitente
às vezes tão caudaloso
que não há o que o sustente.
Era menina
contava pétalas
bem-me-quer
mal-me-quer
bem quis
mal quis
agora conta carneiros
sem perder a conta
(infeliz)
(Ffpd)
À primeira vista
só aos olhos
dos que só então
nos viam
nos sabíamos
nos víramos
mas sem bons olhos
para nos insistirmos.
O que se vive é irrepresentável
salvo o desejo
impossível e intenso
de retê-lo
quanto mais me dabato
mais o percebo
assomar-se uma sede
que é só o que bebo.
Vales mais que o amor
que na morte pressente a vida
a vida inequilátera
mais medida que cumprida
que pode valer o amor
tão contido nessa vida
se a vida tão expansiva
pode ser interrompida?
talvez contrariado consinta
que vale sempre o seu tanto
cada sorriso e cada pranto
que nada vale o que dura
tudo vale o que me faz
e vale mais se a bem me muda.