Dubito
ergo cogito
ergo sum
o crente completo
nunca duvidoso
de tudo muito certo
foi natimorto
Vêm-me e, se a bem, vão-lhes.
Fui tão longe por ti
que leste ou oeste me voltavam para casa
(de 10 em 10 quilômetros meio mundo
de repente contados em milhas náuticas)
estou em terra firme
e reafirmado nesta latitude
noto quanto essa corda bamba era distante
o distante mais ao rés do chão
mas como é bom cair em si
(e é trabalho solo a evolução)
Onde há seu rastro
passou a cobra
onde suas pegadas
a fera
o trilho atesta o trem
(o que foi ou o que vem)
mas mais convém ao poema
o vestígio do amor
vestígio rimado
não é dor
é estrago!
Condenado à pena perpétua
escrevia-se como se a outros
o que nunca alguém lia
mas a pena se enfrenta
à pena um se resigna
a pena ninguém lamenta
poderia ser pior e
a bancada dos canalhas sempre o quer:
"a perpétua não é lá tão pesada"
alguns são de outro alvitre
a pena parece prêmio
tira um peso da alma
esses não parecem entender
que urde outros tantos pesos
(e sempre de madrugada!)
Há o amor
de que tudo decorre
o amor sempre está
porque o Amor é premissa
mas há a dissolvente pressa
e as há
as há
metas enfermiças.
Trabalha muito e se orgulha
dá o sangue até nos fins de semana
poderá comprar a casa bem localizada
fazer aquelas viagens bem situadas
poderia comprar um carro
(se quisesse um carro)
ou joias
(se houvesse onde se enfeitar)
em algum momento
reservará algum tempo
para ir a algum lugar
conhecer alguém
(se der...)
alguém ainda não localizado
que também morrerá antes
de saber quem é
(Canudo ou não...)
nada certifica tanto
quanto deixar ali o coração impresso
e ser dali egresso sob forte impressão
A manhã
tão aberta quanto seja
tão ampla quanto se veja
encerra tanto em si
símbolo diário da esperença
embora já não creia o velho
e ainda não saiba a criança
mas aos que vamos pela metade,
que presente introduz a tarde!
tarde que também tem prazer
- não tão leves quanto os da manhã -
(mas estes prefiro perder)