domingo, 27 de janeiro de 2013

Às vezes alto demais


Insinua-se a chuva e me ocupa
em dedilhar mistérios.
E não toco com as mãos
o que só aos dedos é dado tocar.
E as coisas não se entregam
por eu as adivinhar.

Fez-se o mundo do que não sei
e nem se me impõe pesquisar.
Viver, ainda com sorte,
é um jogo de azar!
E com que terão sido brindados
os consortes em que gasto o olhar?!

Medito neles o que não me atrevo
a eu mesmo experimentar!
Habito o beco, é meu jeito
de não me encurralar.
Não é defeito embora o preço
esteja alto e a pagar.

Apago-me.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gema



É uma alegria circense,
picadeiro-coração,
ver a moça fluminense!

O de que preciso,
não faço suspense,
é de transmissão imediata,
imediata do quanto eu pense!

E a rua se arvora em fofoca:
A menina dos meus olhos
é a moça carioca!





"No corcovado quem abre os braços sou eu.
Copacabana, esta semana o mar sou eu..."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Por Palavras



Batizo o que não conheço,
faço-me, por palavras,
o sacerdote do avesso.

Algumas vestem-me a alma,
são do mais-eu adereço;
outras a mais não me servem
que a expressões de apreço.

Disserto sobre o que calo,
adorno o que desconheço;
fúteis ou necessárias
palavras animam-me o peito!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CANTINHO SÓ

Eu queria querer dessas coisas
que só se querem ruidosamente,
como ser um cantor popular...

Mas só canto no meu cantinho,
um cantinho só!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

São Vicente



Entrar no mar de apenas
um santo vigente;

Entrar no mar distraído,
displicente;

Entrar no mar e cobrir
de marulhos a gente...

Entrar no mar é sentir-se maxima-mente mínimo!



São Vicente, 03 de janeiro de 2013

sábado, 29 de dezembro de 2012

CÊ MENTE



Diz-me semente de mim,
mas sinto-me completo assim.
Onde há alguém que aquilate
que já este coração bate
suficiências?

Bate e se debate com ingerências,
mas do coração não há ciência.
Pobres cardiologistas
sobre os nossos debruçados!
Não conhecem as guerras,
as santas, os cruzados!

Não fujo combates,
não temo abates,
sou um coração.
E bate!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

INCLINAÇÃO



Coragem para debater-se
com as agruras da noite escura
sem deter-se nessa espécie de tintura.

Pintar-se do verde da esperança;
vestir-se dessa cor, a das crianças.
Saber sonhar o mais que não se tem
sem fazer-se do desejo refém.

A questão se resolve pelo foco
e resolvo até o problema que não toco.
Tomar a senda clara da luz
"difusa, confusa explicação".

(É que há o que se sente,
como nos inclinamos, e que não
pode padecer explicações...)