domingo, 23 de dezembro de 2012

Ocaso


Gosto do ocaso e acaso
não me despertam amanheceres.

O que fazer se me vestiu
o dia desses afazeres?

Não faço mistério do mister:
entender-me é profissão de fé
(Que só comungue comigo

quem de verdade quiser!)

Perigoso transe no trânsito
e meu Português faz-se sânscrito...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Inacabado

Eu bem que lhes disse
que o mundo não se acabava
sem que eu os revisse!

Há ainda muito "aaaaaah!"
E quem a estar vivo resiste?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

BATO-ME (AÇOITE)




No meio da noite
o açoite
de uma vontade de não ser.

Mas como obtê-lo
por meio
diferente de morrer?

A não ter nascido
não me arrisco;
não, não o posso obter!

Então me bato com o
mundo arisco,
e de dobrá-lo
vou viver!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

INTERAÇÃO





As palavaras,
minhas estrelas,
são a interação mais bela!

Pois vejo,
ao escrevê-las:
fazem de mim
o que eu delas!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Partícula(r)


Movemo-nos num mundo em que há sombras, 
procurando as frestas de luz. 

E as há, azar para o que em nós só quer planger! 
Por que não se implantar o novo se não há bem em remoer? 

Luz!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012








"Sobre edifícios, no trigésimo andar, uma flor vermelha nasceu..."

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

À Deriva



O que sinto é que neste mundo não fiz nada às escâncaras, e que se cansam sem que me alcancem. E sou, na melhor das hipóteses, uvas postas no alto; na pior, passas.

E dos que passam guardo a ternura que lhes nutri, ainda nutro talvez, por mais que os dias sejam tais que não nos possam ver juntos.

Junto então ao meu o seu quinhão e somos já coisas diversas. E quem precisa de unidade?! Cada um se vale das medidas de que se pode valer (por que mais se vale...), e o metro não ultrapassa a condição de mera convenção. A muitos não lhes basta, é pra outros excessivo, e os ultrapassa. E vamos todos aos derivados.

Uns derivados, nós todos!