Para Olga
Estou bambo!
Bambo do bambo bom!
Bambo de ter manchado o colchão,
do esforço que não se sente.
Do esforço que planta a semente,
esforço em que dois se entendem.
Esforço do corpo lasso,
esforço seguinte ao abraço.
Daquela energia empregada
em nos deixar renovados.
Da que não se fala nos noivados,
mas está nos entrementes.
O fruto do efusivo.
O doce que flui lascivo
e move todo um universo
(ou move dois...).
Entenderam e não me alongo.
Lá dentro me esperam pro banho,
e só posso voltar depois.
domingo, 7 de janeiro de 2018
domingo, 31 de dezembro de 2017
SUAVE (Caminho)
A Felicidade é suave!,
bate às vezes sem alarde,
mas preferimos dormir
(e a porta não se abre).
Às vezes perdemos até as janelas;
passamos batidos por elas,
distraídos do caminho
(e aquele pássaro canta sozinho).
Às vezes não pomos sentido
nos balões vermelhos do Amor,
insistindo em não sermos meninos
(e a vida perde sabor).
Porque não há maior alegria
do que a do menino com doces e desejo:
o sorriso lhe sulca o rosto
e a satisfação lhe suja os dedos.
Eu escolhi outra senda;
vou fazendo meu próprio caminho.
Eu me atrevo!, não se ofenda,
mas é melhor seguir comigo.
Eu me distraio é dos problemas,
e não atrapalho meu destino.
bate às vezes sem alarde,
mas preferimos dormir
(e a porta não se abre).
Às vezes perdemos até as janelas;
passamos batidos por elas,
distraídos do caminho
(e aquele pássaro canta sozinho).
Às vezes não pomos sentido
nos balões vermelhos do Amor,
insistindo em não sermos meninos
(e a vida perde sabor).
Porque não há maior alegria
do que a do menino com doces e desejo:
o sorriso lhe sulca o rosto
e a satisfação lhe suja os dedos.
Eu escolhi outra senda;
vou fazendo meu próprio caminho.
Eu me atrevo!, não se ofenda,
mas é melhor seguir comigo.
Eu me distraio é dos problemas,
e não atrapalho meu destino.
sábado, 23 de dezembro de 2017
EM TEMPO
Vai dormir, meu bem!
Vai deitar e nos sonhe!
É só o que posso pedir,
estando de si tão longe!
Mas muito posso esperar
enquanto espero passar o tempo.
Posso radicar na Esperança,
meu mais belo livramento.
E com chamá-la tal em vez de "sonho",
não me censuram o tê-la acordado.
Mesmo com a cara de bobo
de quem a tivesse sonhado.
Fogo, o que desejo,
é que vá queimar-se na praia.
Que queime este mineiro,
que agora por aí se espalha!
Vai deitar e nos sonhe!
É só o que posso pedir,
estando de si tão longe!
Mas muito posso esperar
enquanto espero passar o tempo.
Posso radicar na Esperança,
meu mais belo livramento.
E com chamá-la tal em vez de "sonho",
não me censuram o tê-la acordado.
Mesmo com a cara de bobo
de quem a tivesse sonhado.
Fogo, o que desejo,
é que vá queimar-se na praia.
Que queime este mineiro,
que agora por aí se espalha!
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
OSHO - Amorável (Primeiro Septênio)
Como ajudar uma criança
a crescer sem interferência
em suas potencialidades?
Ajudá-la é maldade!
Criança quer amor,
não ajuda!
Basta regar a planta
que ela se transmuta.
"Under the name of 'help'
everybody interferes
with everybody else"
Tanto nos ajudam,
jogam-nos tanta tralha,
que o peso sobre os ombros
é o Himalaia!
Não seja tenso!
Seja ameno,
aberto,
terno!
AS crianças são todas tão únicas!
Como, para ajudá-las,
veste-se a mesma túnica?
(túnicas francesas pro Brasil...)
À cabeça provêm desculpas.
Tudo os pais pensam
por medo de alguma culpa.
"Sem ajudá-lo vai cair!"
Sim! E com sorte!
Cair em si!
A vida vai em septênios,
como o dia em 24 horas
e 365 dias são anuênio.
Não me pergunte por quê.
Não o digo porque não o entendo.
Apenas aceite o fato
de que crescemos em septênios.
Os sete primeiros anos são fulcrais.
Por isso nos caçam com afinco
pra vestir-nos vestes sacrais.
Para sempre estaremos confusos,
porque esses sensos difusos
nublam os potenciais.
Acenam a constrição
com camadas de poeira
sobre mente e coração.
Crescemos e questionaremos
tudo quanto há,
mas nos distanciaremos
do que "nos nasceram" já.
A primeira prova de amor
dada ao no primeiro septênio
é deixá-lo a mais livre flor;
não lhe impor nada nem com acenos.
Nada de conversão.
O mais amoroso afazer
é deixá-lo pagão
(com o contrário se disfarça um grilhão)
Por que tanta impaciência?!
Que contraproducente ciência!
As respostas antes das perguntas
em abuso de inocência.
Perguntando-nos sobre Deus,
mostremos as versões todas.
Tudo que se cometeu!
Não gostando que seja ateu!
Deus não se prescreveu.
Não está escrito.
Quem disso o convenceu
está proscrito.
Não há necessidade intrínseca
de crença em algum Deus.
Muitos viveram sem isso,
antepassados seus.
Nem há necessidade
de muita concordância.
Impor a visão dos pais
é assassinar a infância.
Se todos concordassem sempre
com o paterno quinhão
estaríamos na porta do Éden,
pelados de mãos com Adão.
Não me parece difícil.
É condição da evolução.
Para a humanidade melhorar
são necessários "nãos".
(Mas os pais gostam de obediência,
fecham ao rebelde o portão...)
Com atos livres e constitutivos
devemos livrar os cativos
de pais, pregadores, professores,
apenas liberemos os livros.
Cerque-os livres.
Cerque-os de carinho.
Remova as ameças,
mas deixe-os andarem sozinhos.
Feito isso,
serão seus próprios,
não os invadiremos
com os nossos micróbios
que apequenam pequenas vidas.
Nossos medos, covardias,
todas as nossas fraquezas:
de pais, avós e tias.
Com essa fundação
constrói-se, a si, um forte.
Não teme nenhuma sorte,
nem ventos do norte, tufões.
Uma fundação fraca
é a estampa do medo.
Habilita-se o adulto
para dar-se ao desmantelo.
Não segura sua onda
nada em que acreditou.
O quarentão vestiu o terno
e seus cabelos cortou.
Chamam a isso 'maturidade',
não vê por quê o cortou:
é medo da sociedade,
qualquer padrão o torou.
Não interfira na criança.
Não lhe ensine o medo.
Ela é a filha da Esperança.
Deixe-a tatear no escuro.
Pode parecer difícil,
mas vai render-lhe doces frutos.
Casa Sublime, Alto Paraíso, 10/3/2015.
a crescer sem interferência
em suas potencialidades?
Ajudá-la é maldade!
Criança quer amor,
não ajuda!
Basta regar a planta
que ela se transmuta.
"Under the name of 'help'
everybody interferes
with everybody else"
Tanto nos ajudam,
jogam-nos tanta tralha,
que o peso sobre os ombros
é o Himalaia!
Não seja tenso!
Seja ameno,
aberto,
terno!
AS crianças são todas tão únicas!
Como, para ajudá-las,
veste-se a mesma túnica?
(túnicas francesas pro Brasil...)
À cabeça provêm desculpas.
Tudo os pais pensam
por medo de alguma culpa.
"Sem ajudá-lo vai cair!"
Sim! E com sorte!
Cair em si!
A vida vai em septênios,
como o dia em 24 horas
e 365 dias são anuênio.
Não me pergunte por quê.
Não o digo porque não o entendo.
Apenas aceite o fato
de que crescemos em septênios.
Os sete primeiros anos são fulcrais.
Por isso nos caçam com afinco
pra vestir-nos vestes sacrais.
Para sempre estaremos confusos,
porque esses sensos difusos
nublam os potenciais.
Acenam a constrição
com camadas de poeira
sobre mente e coração.
Crescemos e questionaremos
tudo quanto há,
mas nos distanciaremos
do que "nos nasceram" já.
A primeira prova de amor
dada ao no primeiro septênio
é deixá-lo a mais livre flor;
não lhe impor nada nem com acenos.
Nada de conversão.
O mais amoroso afazer
é deixá-lo pagão
(com o contrário se disfarça um grilhão)
Por que tanta impaciência?!
Que contraproducente ciência!
As respostas antes das perguntas
em abuso de inocência.
Perguntando-nos sobre Deus,
mostremos as versões todas.
Tudo que se cometeu!
Não gostando que seja ateu!
Deus não se prescreveu.
Não está escrito.
Quem disso o convenceu
está proscrito.
Não há necessidade intrínseca
de crença em algum Deus.
Muitos viveram sem isso,
antepassados seus.
Nem há necessidade
de muita concordância.
Impor a visão dos pais
é assassinar a infância.
Se todos concordassem sempre
com o paterno quinhão
estaríamos na porta do Éden,
pelados de mãos com Adão.
Não me parece difícil.
É condição da evolução.
Para a humanidade melhorar
são necessários "nãos".
(Mas os pais gostam de obediência,
fecham ao rebelde o portão...)
Com atos livres e constitutivos
devemos livrar os cativos
de pais, pregadores, professores,
apenas liberemos os livros.
Cerque-os livres.
Cerque-os de carinho.
Remova as ameças,
mas deixe-os andarem sozinhos.
Feito isso,
serão seus próprios,
não os invadiremos
com os nossos micróbios
que apequenam pequenas vidas.
Nossos medos, covardias,
todas as nossas fraquezas:
de pais, avós e tias.
Com essa fundação
constrói-se, a si, um forte.
Não teme nenhuma sorte,
nem ventos do norte, tufões.
Uma fundação fraca
é a estampa do medo.
Habilita-se o adulto
para dar-se ao desmantelo.
Não segura sua onda
nada em que acreditou.
O quarentão vestiu o terno
e seus cabelos cortou.
Chamam a isso 'maturidade',
não vê por quê o cortou:
é medo da sociedade,
qualquer padrão o torou.
Não interfira na criança.
Não lhe ensine o medo.
Ela é a filha da Esperança.
Deixe-a tatear no escuro.
Pode parecer difícil,
mas vai render-lhe doces frutos.
Casa Sublime, Alto Paraíso, 10/3/2015.
domingo, 17 de dezembro de 2017
CAPIBARIBE
Para João, Clarice e Olga
Num ansiado cruzamento de líricas,
beijo João Cabral
e o Capibaribe entra em minha mística.
Águas por que tentaram Severinos
uma realidade menos crística.
Onde a faca não os cortasse,
aliviados de forma híbrida:
Nem cabo,
nem lâmina,
só a vida e sua rixa.
Capibaribe que viu Clarice
viver sua meninice.
Descobrir encantada Lobato
e o que em livros se descobrisse.
(Livrar-se do tormento todo
que se sofre o que não se disse...)
O Capibaribe e tudo em que aporto
obriga-me à expressão.
É talvez mais um São Francisco
que deságua em meu coração,
que embora não tenha visto a seca
precisa de fluidez.
E a chance se aproveita
e eu do rio sou a tez.
A parte que o importa
e cospe de volta ao mundo.
Esquina em que Severino
me encontra e a meu Raimundo.
(Sempre a serviço da rima,
nunca da solução...)
E pra que procurar se o mar
não melhoraria o Sertão?
Este mundo não é coisa certa,
é mundo de transição.
Não falo de ir a verde
a deserta vegetação.
Falo da gente mesmo
que ri e chora sobre este chão.
E da moça e de seu rapto,
do rio que no mar se salga
pro que deságua em minha constelação.
Recife, 17/12/2017
Num ansiado cruzamento de líricas,
beijo João Cabral
e o Capibaribe entra em minha mística.
Águas por que tentaram Severinos
uma realidade menos crística.
Onde a faca não os cortasse,
aliviados de forma híbrida:
Nem cabo,
nem lâmina,
só a vida e sua rixa.
Capibaribe que viu Clarice
viver sua meninice.
Descobrir encantada Lobato
e o que em livros se descobrisse.
(Livrar-se do tormento todo
que se sofre o que não se disse...)
O Capibaribe e tudo em que aporto
obriga-me à expressão.
É talvez mais um São Francisco
que deságua em meu coração,
que embora não tenha visto a seca
precisa de fluidez.
E a chance se aproveita
e eu do rio sou a tez.
A parte que o importa
e cospe de volta ao mundo.
Esquina em que Severino
me encontra e a meu Raimundo.
(Sempre a serviço da rima,
nunca da solução...)
E pra que procurar se o mar
não melhoraria o Sertão?
Este mundo não é coisa certa,
é mundo de transição.
Não falo de ir a verde
a deserta vegetação.
Falo da gente mesmo
que ri e chora sobre este chão.
E da moça e de seu rapto,
do rio que no mar se salga
pro que deságua em minha constelação.
Recife, 17/12/2017
sábado, 16 de dezembro de 2017
AUTOAJUDA
O amor é algo muito importante,
perdido dentro de casa.
Acha-o mais fácil o distraído
do que o da procura desesperada.
perdido dentro de casa.
Acha-o mais fácil o distraído
do que o da procura desesperada.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
PRESTAÇÃO DE CONTAS (700)
700 poemas publicados.
Uns me parecem feios,
outros complicados.
Outros me têm no enleio
de ter-me decifrado.
Uns distraem alguns,
outros oferecem um atalho.
Ficam aí para o tempo:
meus sorrisos, meus retalhos.
Uns me parecem feios,
outros complicados.
Outros me têm no enleio
de ter-me decifrado.
Uns distraem alguns,
outros oferecem um atalho.
Ficam aí para o tempo:
meus sorrisos, meus retalhos.
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
A BEAGÁ (íntegro)
A Belo Horizonte, por ocasião de seus 120 anos.
Beagá, Biririzonte,
não te cantei em meus louvores.
Sede dos meus deuses lares,
tocada de meus amores.
Nascida pra abrigar o novo
e corresponder ao plano.
E não tardou a demonstrar
que confins são ledo engano.
O melhor é estourar os limites,
engolir a Contorno.
Tornar-se abrigo ditoso
d'um crescimento buliçoso.
Nossos estados e cidades num sentido,
nossas tribos e índios no outro.
E ruas que cantam poetas,
que cruzo pelo que percorro.
Cidade Jardim um dia,
reduzida a cidade canteiro.
Mas resistem ruas verdes,
que habitamos como viveiros.
Raul Soares, marco zero,
sem marcas que o apontem.
Salvo o mercado, bem perto,
onde mineiros matamos a fome.
Fome de tudo que seja,
que ali não falta nada.
Ou de fígado com cerveja,
ou de doces, queijos, cachaças.
Do alto das Agulhas Negras
abençoou-nos o Papa peregrino.
Só vejo as marcas da passagem,
dada quando era um girino.
Mas já me perfiz anfíbio,
pra explorar seus ambientes.
Sejam as manhãs e seu néctar,
sejam as noites e seus nutrientes.
Ou o que as ligue em ponte,
como A Obra e os rocks todos,
que nos distraem enquanto o horizonte
veste a aurora de novo.
Eduquei-me em teu primeiro Colégio,
depois sofri outro sistema.
Mas esta é uma terra de fortes,
a cicatriz é meu emblema.
Subi Bahia, desci Floresta,
tanto, e por tanto,
que minha fronte é de luz,
trago um sol na testa.
Belo Horizonte não se esconde,
querem achá-la, ela está aqui!
Ressuscitou o carnaval,
pra brilhar-se como sempre quis!
No Maletta o meu Q.G.:
é minha e do Lucas a Cantina.
O filé e o talharim em disputa,
e o vencedor da peleja me anima.
Temos a Savassi, quase um centro,
de 'perambulância' diversa.
E a Pampulha que, distante,
mais parece secreta.
São cavidades do meu coração,
em que me formo e dissipo.
Jamais deixarei os aviões,
mas pra cada estação um "volto!" e um "fico!".
E me preservo no Santa Inês,
dos recônditos à tona.
Ora me mostro, ora me cifro;
sou as parcelas e a soma.
Belo Horizonte,
cento e vinte anos!
Eu te celebro e me entrego!
Te conheço os demônios e os anjos
e, também duplo,
te integro.
Beagá, Biririzonte,
não te cantei em meus louvores.
Sede dos meus deuses lares,
tocada de meus amores.
Nascida pra abrigar o novo
e corresponder ao plano.
E não tardou a demonstrar
que confins são ledo engano.
O melhor é estourar os limites,
engolir a Contorno.
Tornar-se abrigo ditoso
d'um crescimento buliçoso.
Nossos estados e cidades num sentido,
nossas tribos e índios no outro.
E ruas que cantam poetas,
que cruzo pelo que percorro.
Cidade Jardim um dia,
reduzida a cidade canteiro.
Mas resistem ruas verdes,
que habitamos como viveiros.
Raul Soares, marco zero,
sem marcas que o apontem.
Salvo o mercado, bem perto,
onde mineiros matamos a fome.
Fome de tudo que seja,
que ali não falta nada.
Ou de fígado com cerveja,
ou de doces, queijos, cachaças.
Do alto das Agulhas Negras
abençoou-nos o Papa peregrino.
Só vejo as marcas da passagem,
dada quando era um girino.
Mas já me perfiz anfíbio,
pra explorar seus ambientes.
Sejam as manhãs e seu néctar,
sejam as noites e seus nutrientes.
Ou o que as ligue em ponte,
como A Obra e os rocks todos,
que nos distraem enquanto o horizonte
veste a aurora de novo.
Eduquei-me em teu primeiro Colégio,
depois sofri outro sistema.
Mas esta é uma terra de fortes,
a cicatriz é meu emblema.
Subi Bahia, desci Floresta,
tanto, e por tanto,
que minha fronte é de luz,
trago um sol na testa.
Belo Horizonte não se esconde,
querem achá-la, ela está aqui!
Ressuscitou o carnaval,
pra brilhar-se como sempre quis!
No Maletta o meu Q.G.:
é minha e do Lucas a Cantina.
O filé e o talharim em disputa,
e o vencedor da peleja me anima.
Temos a Savassi, quase um centro,
de 'perambulância' diversa.
E a Pampulha que, distante,
mais parece secreta.
São cavidades do meu coração,
em que me formo e dissipo.
Jamais deixarei os aviões,
mas pra cada estação um "volto!" e um "fico!".
E me preservo no Santa Inês,
dos recônditos à tona.
Ora me mostro, ora me cifro;
sou as parcelas e a soma.
Belo Horizonte,
cento e vinte anos!
Eu te celebro e me entrego!
Te conheço os demônios e os anjos
e, também duplo,
te integro.
domingo, 10 de dezembro de 2017
INVERSO
Não me custou muito notar que eram aversos ao verso e não o podiam pronunciar. Não o podiam! Essa crueldade que se crê simpática, empática, poupadora. Esse grito mal dissimulado de que não me era dado dar-me por essa forma. Que deformados só o podiam fazer se o faziam em muito mais bela forma. Eu não conhecera a fôrma por que se compuseram esses compositores aptos a darem voz a esses apreciadores expertos. Eu de nada sabia. De nada nunca procurara saber, como se daquele veneno do conhecimento jamais me pudesse morrer. A ignorância é que era a bênção, dizia-se por aí afora. Nutrir-se do que outros organizaram era a mais escura forma de aurora, pra um novo dia que de novo não tinha nada, que era mais uma forma da forma de outrora. Era uma eterna véspera. E do quanto sabia todos tinham tido a mesma via, os cafés, os predecessores, a dissecação. Salvo aquele liberto que se pusera a salvo dessa comunhão. Mas eles não o podiam saber, porque seguiu-se-lhes no tempo sem os seguir a essa campa. Outro mais maldito, diferentemente maldito, disse que preferia um banquete de amigos à gigantesca família. Onde isso ou aquilo? Pra que ser compreendido? Outros protegeram-se disso. Ela claramente protegera-se disso. Outra evadira-se da vida antes que pudesse atrever-se a essa compreensão. Minha mãe nutriu-se disso e me pariu. Como vêm essas coisas à luz? Fazem-se na madrugada? Fazem-se quando não se faz nada? Outros tiveram rotinas matinais em que martelavam seu ofício. Roíam os ossos do ofício (e como se não se perdessem em carnes...) Mas a carne é a etapa mais reduzida, e a única que se conhece. E me veio o grande esclarecimento pelo qual fui jogado de novo e sem defesa à mesma ideia de que a ignorância é que é a bênção, e que se dá de presente. Mas não essa ignorância presente e que tem sido a de sempre, não a de que nos queremos livrar pra já não precisar dessa outra. Faço-me entender? Claro que não! E pra quê? Pra que ganho? Pra que ganho, aliás? Eu não quero o risco do engano, embora já tenha desejado sua certeza, providenciado-a até. Não, Mallarmé! Eu e outro. Eles só veem o reboco, porque não lhes é dado penetrar. A luz que os guia é a de fora, a que se permitia. Do contrário era muito o trabalho. Pra que tanto? Pra que pranto? Educandário de mais recreio que lição? Desconheço! O duro é aguentar-se enquanto as incógnitas montam a sistemas, não é mesmo? O que os veicula se arrasta e a lombada os oprime e aprisiona, para sempre, no mesmo trecho da estrada. E é bem como não se vai a nada. E são mesmo dessa raça, essa extração, que só querem o outro que é eu, deles. E eu o que quero é aniquilar-me noutros. A cabeça do dragão o demanda, e as boas demandas não as resolvem os tribunais. Disso nem vale a pena que falais.... Falaz sim!
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
S'ABRACE
A boca da noite não tem dentes,
não me parte.
O Sol parte mas em outra parte
não deixa nunca de brilhar.
(Amo os 24 horas...)
Não temo os recessos,
pois é dos recessos acabar.
Tenho hiatos da felicidade,
como se de costas pro mar.
Mas mais pra dentro tenho um rio,
e não se foge do Destino,
sei aonde vai-me levar.
Salga-se a água do que chora,
mas a água salgada é pro que quer-se curar.
Nunca jogue a toalha!
(a tolha se pode trocar...)
E não a faça de mortalha
(a morte pode esperar...)
Tudo tem seu tempo,
tudo se concatena.
Deixe o pranto e tome tento,
não finja que não sente a antena.
Vai-lhe dentro, palpitante,
um alarme em cada contexto.
Abra-se! Abrace-se!
A felicidade tem seu endereço!
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