Pairei, pairei
e parei.
Quando dei na rua
escura,
pura,
bela,
sem saída,
sua.
Rua no canto,
encanto
e nos canto a nós.
As cantoneiras seguram
os retratos dos avós.
A voz em que
nos queremos converter.
Nos entreter até estarmos serenos.
Até estarmos plenos,
isentos de ilusão.
Na vida não se evita
a confusão.
Corredores largos
e estreitos,
e o alarme bate no peito
quando pára a respiração.
Ninguém precisa estar certo.
Certeza só a de estar perto
de quem sempre foi o chão...
...e o teto!
Ela é a casa.
Este é o caso.
E o ocaso da noite,
o amanhecer.
Brilho.
Trilho.
Ninguém precisa entender.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
SAUDADE (Nosso Tesouro)
"É preciso manter sempre acesa
a velha chama da saudade!".
Disse-o o boêmio a sua beldade
sobre os dias em que não a via.
Há vias que são melhores limpas,
como as vias da liberdade.
A liberdade é coisa santa,
coisa que coabitar espanta.
A chama da saudade é preciso
inflamar-se nela sem que se extinga,
fazê-la pira olímpica.
Não é espetáculo pra todo dia,
é restaurante favorito,
esperar o próximo livro.
É rezar pra que não chova
no dia do futebol.
É escolher com muito critério
onde passar o carnaval.
É entender a avaliação do Rosa,
que fazia poemas até com sua prosa:
felicidade se acha em momentos distraídos.
E o distraído é um só,
que em certos momentos se conjuga.
Domingos, dias de chuva,
ou se o convoca outro coração.
Viva um pouco de saudade!
O amor é liberdade,
não matéria de contratação!
terça-feira, 20 de setembro de 2016
OLHOS DE VER
Nunca quis dizer,
saiu-me.
Sempre quis sentir,
fugiu-me.
Nunca quis reter,
entranhou-se-me.
Entranhamo-nos,
quando vi estávamos nus,
tanto quanto a alma se mostra.
A alma não é amostra.
A alma é o que somos nós,
cada um milhões de sóis,
cada outro o universo.
Saibam o posto no verso:
A concepção é divina!
Há uma força e
quem não se afina
destoa da composição.
saiu-me.
Sempre quis sentir,
fugiu-me.
Nunca quis reter,
entranhou-se-me.
Entranhamo-nos,
quando vi estávamos nus,
tanto quanto a alma se mostra.
A alma não é amostra.
A alma é o que somos nós,
cada um milhões de sóis,
cada outro o universo.
Saibam o posto no verso:
A concepção é divina!
Há uma força e
quem não se afina
destoa da composição.
sábado, 17 de setembro de 2016
DITO
Orbitava o Sol,
plácido.
O calor era meu palácio.
A energia me abrigava.
A energia me obrigava
a todo tipo de ação,
mesmo à ação pensada,
ativa forma de omissão.
Não pude aquecê-los a contento,
não eram meus rebentos,
jamais foram parte de mim.
Mas não sejam meus nem delas.
É horrível habitar as trevas.
O Pai quis que fosse assim.
sábado, 10 de setembro de 2016
NAS NUVENS
Para Amanda Vital
Já te estou vendo nas nuvens!
Peço a meu pai que me ajude!
Aí antes só bichos fofos,
que via desde a urbe.
Já te estou vendo nas pautas.
Jobim foi sequestrado!
Vinícius não vai mais às ruas,
está aqui ao meu lado.
Todos sabemos distâncias,
sabemos a desventura.
Mas somos dados a instâncias,
e clamamos por aventuras!
É vital nos aproximarmos,
vermos de perto o preto,
o preto desses seus olhos,
que me têm em desconcerto.
Não existem mais instrumentos
capazes de me localizar.
Estou ao sabor do vento
que quiser te acariciar.
E no próximo que me levar
chego bem perto das coxas,
exploro tudo entre elas
e digo ao Zéfiro "Morra!
Não vês que sou mais feliz
no locus em que está a moça?!"
Não sou louco por um triz,
porque a loucura é que me dá força.
Então até mais, amigos!
Sou mesmo capaz de amar!
E a moça, digna de tudo.
Digna até de me conservar.
Já te estou vendo nas nuvens!
Peço a meu pai que me ajude!
Aí antes só bichos fofos,
que via desde a urbe.
Já te estou vendo nas pautas.
Jobim foi sequestrado!
Vinícius não vai mais às ruas,
está aqui ao meu lado.
Todos sabemos distâncias,
sabemos a desventura.
Mas somos dados a instâncias,
e clamamos por aventuras!
É vital nos aproximarmos,
vermos de perto o preto,
o preto desses seus olhos,
que me têm em desconcerto.
Não existem mais instrumentos
capazes de me localizar.
Estou ao sabor do vento
que quiser te acariciar.
E no próximo que me levar
chego bem perto das coxas,
exploro tudo entre elas
e digo ao Zéfiro "Morra!
Não vês que sou mais feliz
no locus em que está a moça?!"
Não sou louco por um triz,
porque a loucura é que me dá força.
Então até mais, amigos!
Sou mesmo capaz de amar!
E a moça, digna de tudo.
Digna até de me conservar.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
O "F" DA FESTA (Espelho Retrovisor Futuro)
Para FB
Com esse sorriso,
com esse brilhinho nos olhos,
sulcam-me o rosto
as covinhas que eu nem tenho
(é coisa espontânea,
não é preciso empenho).
Mas dou minha palavra
(quando estou certo
gosto de empenhá-la):
o que mais quero agora
é encontrá-la!
Sentir o perfume.
Provar o gosto.
Beijar a boca.
Tocar o rosto.
Fazê-la rir,
encantar-me da risada.
Fazer de um tudo
pra conquistá-la.
E perceber,
sem nenhuma surpresa,
que o caçador é que foi presa.
Cassar a dor,
instaurar a festa.
O emprego é seu!
Quando começa?
Você não versa?
Mas nem precisa!
A moça é feita
de poesia!
E já sei também
que é alma caridosa.
Quando contempla
este poeta prosa?
Não sou arquiteto
mas fiz um plano
empilhando versos.
E subo neles
e me dão estatura.
E começo pela testa,
com afeto e sem luxúria.
Um beijo verde,
de esperança pura.
Com esse sorriso,
com esse brilhinho nos olhos,
sulcam-me o rosto
as covinhas que eu nem tenho
(é coisa espontânea,
não é preciso empenho).
Mas dou minha palavra
(quando estou certo
gosto de empenhá-la):
o que mais quero agora
é encontrá-la!
Sentir o perfume.
Provar o gosto.
Beijar a boca.
Tocar o rosto.
Fazê-la rir,
encantar-me da risada.
Fazer de um tudo
pra conquistá-la.
E perceber,
sem nenhuma surpresa,
que o caçador é que foi presa.
Cassar a dor,
instaurar a festa.
O emprego é seu!
Quando começa?
Você não versa?
Mas nem precisa!
A moça é feita
de poesia!
E já sei também
que é alma caridosa.
Quando contempla
este poeta prosa?
Não sou arquiteto
mas fiz um plano
empilhando versos.
E subo neles
e me dão estatura.
E começo pela testa,
com afeto e sem luxúria.
Um beijo verde,
de esperança pura.
sábado, 3 de setembro de 2016
AGORA HÁ MUITO (Setembro Amarelo)
Mar calmo não faz bom marinheiro.
A procela é que é a sela do guerreiro.
Exige força equilibrar-se sobre o xucro.
E quem nem tenta faz da vida seu sepulcro.
Cavalo indômito é o que é a vida!
Mar bravio, de rara calmaria.
Ondas ou lombos, tanto faz!
Escolha o desafio que mais lhe apraz.
O que não lhe é dado é estar parado.
A vida cavalga o pobre revoltado.
A onda arrasta o pobre renitente.
É melhor aceitar e caminhar contente.
Escolha a direção e o sentido.
Escolha quem vai caminhar consigo.
Escolha ser forte diante da tarefa.
(mais alguma sorte e a receita está completa!...)
Tenha com cada percalço a devida atenção,
como quem percorre descalço a imensidão.
O menor obstáculo é o maior perigo!
(a pedra grande é sempre mais visível!...)
Plante amor,
exale leveza,
sinta a paz!
(Já está decidido:
você é capaz!)
Esqueça o passado
e o futuro se elabora.
Você só precisa estar aqui...
e agora!
A procela é que é a sela do guerreiro.
Exige força equilibrar-se sobre o xucro.
E quem nem tenta faz da vida seu sepulcro.
Cavalo indômito é o que é a vida!
Mar bravio, de rara calmaria.
Ondas ou lombos, tanto faz!
Escolha o desafio que mais lhe apraz.
O que não lhe é dado é estar parado.
A vida cavalga o pobre revoltado.
A onda arrasta o pobre renitente.
É melhor aceitar e caminhar contente.
Escolha a direção e o sentido.
Escolha quem vai caminhar consigo.
Escolha ser forte diante da tarefa.
(mais alguma sorte e a receita está completa!...)
Tenha com cada percalço a devida atenção,
como quem percorre descalço a imensidão.
O menor obstáculo é o maior perigo!
(a pedra grande é sempre mais visível!...)
Plante amor,
exale leveza,
sinta a paz!
(Já está decidido:
você é capaz!)
Esqueça o passado
e o futuro se elabora.
Você só precisa estar aqui...
e agora!
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
BOTE SALVA VIDAS?
Para Henrique Chaves e Marina Póvoa
Tenha soro antiofídico,
há muita cobra no Congresso!
É do tipo bem vestido,
que se pudesse lhe cobrava o ingresso.
Agem como se não soubessem
Agem como se não soubessem
que o ingresso lhes demos nós.
Agora só cuidam de si,
e nós que fiquemos sós.
Estamos sós mas não estamos cegos.
As torres são bem construídas,
mas são torres feitas de ego.
Às vezes penso comigo:
melhor dar enxadas aos umbigos,
e extirpar o abscesso.
Em atenção ao golpe parlamentar concluído nesta data, nesta terra.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
VERINVERNO?
Mas faz um verão!
Vou te contar!
Aquele verão!
(e no meio do inverno...)
Vou te contar!
Aquele verão!
(e no meio do inverno...)
Verão daqueles!
(sensação à inferno...)
Já não se pode
com este calor.
E se acaso derrete as asas
dos santos anjos do Senhor?!
(sensação à inferno...)
Já não se pode
com este calor.
E se acaso derrete as asas
dos santos anjos do Senhor?!
São criaturas tão ternas!
E são criaturas celestes.
Volta e meia nos vêm à Terra,
E são criaturas celestes.
Volta e meia nos vêm à Terra,
mas enfrentarão o Sertão ou o Agreste?
Que verão mais intempestivo!
Diz, Pedro, perdeste o juízo?!
É um verão a desoras!
Que verão mais intempestivo!
Diz, Pedro, perdeste o juízo?!
É um verão a desoras!
Vixe, Pedro! Colabora!
Mas não vou mais reclamar
desta temperatura.
Seria muito pior
se a escolhessem nas urnas.
Mas não vou mais reclamar
desta temperatura.
Seria muito pior
se a escolhessem nas urnas.
Não sabemos escolher,
mas pra reclamar somos ótimos.
Então guardemos o talento
para quando aumentarem os impostos.
sábado, 27 de agosto de 2016
E LEVO
Erro!
(mas isso é vago...)
Vago!
(mas isso é perda...)
Perco-me,
mas acerto o passo
se preencho o vago
em acerto contigo.
Não digo,
calo!
Sou do difícil "faço!"
(e já agora os calos
são os da ação).
Não me azeito,
não me escondo.
Aceito-me o escrito
e no atrito me impulsiono.
(O impulso é o da alma,
esta alma fanfarrona...)
Vamos no rumo do horizonte!
Vamos! Não é longe...
Vamos! É belo!
Nunca nos chegará,
mas a cada passo estará mais perto.
Floresta, deserto,
o que importa?!
Na minha alma é a fauna que flora!
(tenho estado animal...)
Encarnado,
presa do corpo.
A surpresa é eu agora estar forro!
(alma da liberdade...)
Alma que conhece e parte.
Alma de elevar-me.
Alma que vou levar-te!
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