Espetou o dedo na roca,
e quer dormir por cem anos.
E quem sabe pra mim não é melhor
que a moça me vá sonhando?
Se me sonha me conserta,
e fico super ser humano.
E protege seus frágeis ouvidos
dos concertos que dou se me banho.
Mas se não me ouve não me entende,
e nossos "nós" não desatamos.
E quem é alguém no mundo se não se desata?
Em riso, ou o tino, ou mesmo o nó da gravata?
O melhor é que esteja desperta,
pra de perto nos despertarmos
tudo aquilo que, sem coragem,
só haveria num mundo sonhado.
E o mundo é melhor pra quem o habita,
pra quem o fita e se dá por achado.
E talvez seu mais fino segredo
seja saber o que deve ser procurado.
E se os olhos lancei
a cintilantes cinderelas,
nela devo tê-los pousado.
Rico mundo, fecundo,
o do sonhador profundamente acordado.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
BORBOLETREO
com Erick Leite
Borboletras, porque era preciso renovar.
Nenhum homem foi feito de barro,
mas de Barros até se pode pensar!
Viveu (vemos!) a forma plena;
agora vai, Manoel, ser poema!
Borboletras, porque era preciso renovar.
Nenhum homem foi feito de barro,
mas de Barros até se pode pensar!
Viveu (vemos!) a forma plena;
agora vai, Manoel, ser poema!
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
NEM BEM, NEM MAR
Olho e oro pro mar;
ora calmaria,
ora procela,
mas a próxima Ela
eu não deixo
(prometo!)
escapar!
Olho, oro e desatino:
"Quem não vai lá pro mar bravio,
não sabe o que vai achar".
= : )
ora calmaria,
ora procela,
mas a próxima Ela
eu não deixo
(prometo!)
escapar!
Olho, oro e desatino:
"Quem não vai lá pro mar bravio,
não sabe o que vai achar".
= : )
quinta-feira, 31 de julho de 2014
IDA
Se tem que ir vá agora e com Deus!
E leve tudo o que prometeu:
os céus mais fundos, campos floridos,
leve tudo o que não tem sido!
Manhãs felizes, tardes de sol,
felicidade da aurora ao arrebol.
Diversão adulta, sorriso infantil,
e a refrescãncia pouca, contida em cantil.
Se tem que ir, vá agora! Vá já!
Não há motivos para tardar!
O que fui já não sou e o que foi já não vejo,
já não me dou conta se me apercebo!
Mancebo em festa, cabrocha em flor,
um tempo ido que já murchou.
Que dias brancos?! Qual alegria!?
Cesse e recesse a porfia!
Vá já perder-se na imensidão,
nos campos vastos do meu coração!
E leve tudo o que prometeu:
os céus mais fundos, campos floridos,
leve tudo o que não tem sido!
Manhãs felizes, tardes de sol,
felicidade da aurora ao arrebol.
Diversão adulta, sorriso infantil,
e a refrescãncia pouca, contida em cantil.
Se tem que ir, vá agora! Vá já!
Não há motivos para tardar!
O que fui já não sou e o que foi já não vejo,
já não me dou conta se me apercebo!
Mancebo em festa, cabrocha em flor,
um tempo ido que já murchou.
Que dias brancos?! Qual alegria!?
Cesse e recesse a porfia!
Vá já perder-se na imensidão,
nos campos vastos do meu coração!
segunda-feira, 28 de julho de 2014
COLHEITA
Ah! É um amor que não se consuma
e me consome!
Quer tornar o poeta uma estátua de bronze,
fincada na terra natal...
Mas eu quero é cheirar, tocar, gostar!
Quero ver é de muito perto,
e viver o sonho desperto!
E viver o sonho que desperto,
que o bom não se vive sozinho
(o poeta é movido a carinho!)
Então venha mover-se e mover-me;
Venha (e não tarde) a ver-me,
que escrever já não me aproveita:
é tempo, já, de colheita!
e me consome!
Quer tornar o poeta uma estátua de bronze,
fincada na terra natal...
Mas eu quero é cheirar, tocar, gostar!
Quero ver é de muito perto,
e viver o sonho desperto!
E viver o sonho que desperto,
que o bom não se vive sozinho
(o poeta é movido a carinho!)
Então venha mover-se e mover-me;
Venha (e não tarde) a ver-me,
que escrever já não me aproveita:
é tempo, já, de colheita!
segunda-feira, 14 de julho de 2014
ACINTE
Às vezes parece-me a vida
um jogo de gato e rato:
consigo escapar à ação,
mas não posso fugir aos fatos.
Às vezes nem me procuro;
às vezes sim, e não me acho.
Não posso adentrar a casa
sem limpar os pés no capacho.
Notícias põem-me pra cima,
notícias me deixam pra baixo.
Às vezes a vida é um acinte,
e às vezes um nó, cambalacho.
um jogo de gato e rato:
consigo escapar à ação,
mas não posso fugir aos fatos.
Às vezes nem me procuro;
às vezes sim, e não me acho.
Não posso adentrar a casa
sem limpar os pés no capacho.
Notícias põem-me pra cima,
notícias me deixam pra baixo.
Às vezes a vida é um acinte,
e às vezes um nó, cambalacho.
domingo, 13 de julho de 2014
ENLEIOS
Não posso ser chamado de seu,
liberdade inigualável
a que Deus me concedeu.
Por ninguém serei chamado de amor,
solidão correspondente
de que Deus me dotou.
Nunca mais primeiros beijos,
nunca mais treino no espelho,
nunca mais paixão.
Nunca mais versos e arpejos,
nunca mais enleios,
prefiro até a solidão.
Solidão ou aquilo que vier,
tão livre quanto eu puder!
liberdade inigualável
a que Deus me concedeu.
Por ninguém serei chamado de amor,
solidão correspondente
de que Deus me dotou.
Nunca mais primeiros beijos,
nunca mais treino no espelho,
nunca mais paixão.
Nunca mais versos e arpejos,
nunca mais enleios,
prefiro até a solidão.
Solidão ou aquilo que vier,
tão livre quanto eu puder!
terça-feira, 1 de julho de 2014
DE COR
"com" Humberto Gessinger
Espero contra as expectativas;
trago uma fé embutida
que muito me há de salvar.
"As chances estão contra nós",
e os nós que cá trazemos
quem os desatará?
"Igualdade aos desiguais",
também trazem corações
os que não vão bater mas apanhar.
A vida é esta e se expande,
a vida é esta e o sangue
já não se pode estancar.
Então viva mesmo com dor,
viva e saiba de cor
que as coisas vão melhorar!
Espero contra as expectativas;
trago uma fé embutida
que muito me há de salvar.
"As chances estão contra nós",
e os nós que cá trazemos
quem os desatará?
"Igualdade aos desiguais",
também trazem corações
os que não vão bater mas apanhar.
A vida é esta e se expande,
a vida é esta e o sangue
já não se pode estancar.
Então viva mesmo com dor,
viva e saiba de cor
que as coisas vão melhorar!
quinta-feira, 26 de junho de 2014
FALTO DE TI
Sou saudade
e ai que me arde
a ausência de ti!
E os dias são jogos longos,
imensos fardos
que eu nunca escolhi.
E não entendo o que estou fazendo,
nem o que estou lendo;
será que morri?!
Ou será que andei fingindo,
e era tudo farsa,
o que achei que vivi?
Mas vamos à chave de tudo:
não estou falto de vida,
mas faltas-me aqui!
e ai que me arde
a ausência de ti!
E os dias são jogos longos,
imensos fardos
que eu nunca escolhi.
E não entendo o que estou fazendo,
nem o que estou lendo;
será que morri?!
Ou será que andei fingindo,
e era tudo farsa,
o que achei que vivi?
Mas vamos à chave de tudo:
não estou falto de vida,
mas faltas-me aqui!
terça-feira, 10 de junho de 2014
SERTANEJA
Sertaneja,
em tua beleza,
gasto minha meditação.
És a matéria do sonho,
e o homem que não sonha
despediu-se da vida,
já não sente suas feridas,
nem lhe palpita o coração.
Então busco a sua imagem,
deixo as ruas da cidade,
e me embrenho no sertão.
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