sábado, 30 de novembro de 2024

OPINIÃES

São idiotas todas as discussões de grandeza.
Um poeta não é grande, te toca.
(ou nem te roça)

Uma banda não é a maior, te agrada.
(ou não te serve para nada...)

Uma amor não é como nunca antes, é de agora.
(o maior brilho é o da hora)

E a hora passa,
assim como os homens e seus pãos
(ou pães?)

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

MERO

Não sei o que seja noita alta,
mas a noite despencada
escura sobre mim.

Sem cardumes de estrelas,
embora se pareça
com o fundo do mar.

Não sou biólogo, astrólogo,
astrônomo ou escafandrista.
Eu sou um mero turista.

Estou aqui por acaso.

sábado, 9 de novembro de 2024

VERANEIO

De quatro estações,
três são verões;
uma é veraneio.

É como se Belo Horizonte
fosse o Recife
o ano inteiro.

Chove sobre quem não está.
Como chovo tudo que curo
no meu fictício mar. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

ALMEJADO

Eu sou o que desejo
mesmo quando não pareço obtê-lo.
Essa ideia que se demora;
fica, não vai embora.
Ninguém descobre se chegou ou sempre esteve.

Quem nunca se absteve de tentar
e não tem o direito de desistir.
A ideia radica ali.
Ninguém sabe se essência, se acidente.

Você se ilude que não,
mas é bem esse tipo de pessoa. 
A ideia que não se pronuncia,
mas é sua moradora.
Ninguém sabe se inquilina ou se proprietária.

É uma ideia refratária a todo tipo de realização.
Ninguém sabe se é bênção
ou se é danação. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

INTERSTÍCIO

Tanto lugar no mundo,
e me caí neste eu.
Não sei se escorreguei
ou foi Deus.

Nada parece muito adequado.
Suspeito que fui acidente,
nunca planejado.

Mas sei prestar atenção
e vou aprendendo a escolher.
(Por mim, claro, não por você!)

A vida apresenta suas surpresas.
Parte parece teste, parte presente.
Parte é coisa. Parte gente.

Vou me equilibrando,
dentro do possível.
Entre a parte que me cabe
e a medida de destino. 

A isso chamo vida, ou 
Escola do Interstício.
Parece que vou terminando,
mas sei que é outro início.

domingo, 29 de setembro de 2024

QUANDO É

Foi quando a noite ventou um alívio
que o dia há muito não oferecia.
O dia sempre tão aparente,
mas que pouco se conhecia.

A noite é essa ponte larga,
disso pra qualquer outra coisa.
A madrugada é livre
porque a alma está solta.

Júpiter ainda não
(mas o tenho bem posicionado).
Algumas vezes me atrevo,
outras tantas me calo.

Mas o pensamento arrasa distâncias.
Só a afinidade sabe quanta.
E isso se reconhece,
não se engendra.

Nenhuma métrica enquadra
e nem adianta botar no poema. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

ÁGRAFO

 Não querendo escrever,
grafei.

Agravei o mal sem querer.

O mal de que não me curei por preguiça.
O bem de quando a caneta enguiça.

Eu queria concluir
(mas me faltou premissa).

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

UM POSTO

Uma réstia de sol vale a tarde,
como uma franja de esperança resiste à infância.
A vida sempre por um fio,
não se sabe se curto ou comprido.

Não se sabe se novelo ou desalinho.
Mas tenho a curiosidade de um gato;
o mesmo vivo interesse
que ostenta o pequeno felino.

Eu nem quero, almejo.
E sinto que consigo.
Não vou ficar enganado,
a vida é muito mais que isto.

A vida não está em outro lugar,
apenas está também lá.
A vida é bem mais do que se pode divisar.
A vida não se pode represar.

Ou é vivida em intensidade
ou não está sendo vivida.
A vida não tem como não ser percebida.

A vida bate,
a vida ensina.
A gente aprende,
a vida premia. 

As asas crescendo juntas:
amor e conhecimento,
pela via da disciplina.

A vida eu aceito,
e muito mais eu queria!
Na envergadura divina.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

...TODO

Ninguém precisa entender.
Ninguém precisa aceitar.
Agitada a bandeira do "um-dó-lá-si"
não existe a do fim.

Nem quadriculada,
nem preta com caveira.
Nunca acaba a brincadeira
séria de viver.

É um constante herdar de si mesmo.
Um constante aumentar o inteiro.
Melhorá-lo.
Doá-lo.

Nada a marcar o passo.
Tudo a orientar-te.
Um dia a Júpiter,
um dia amar-te.

Observa.
Entende.
Retifica.
Faz.

Tudo que é bom, apraz.
O que não, dispara o alarme da consciência
Essa é a mais básica ciência,
que não se pode negar.

Viver exige atenção.
Viver bem exige apuro.
Sai do escuro,
acende essa luz!

domingo, 4 de agosto de 2024

UM INTEIRO

A solidão também é liberdade;
faz o que te arde!
Faz o que te pulsa,
coisa alguma precisa ser expulsa.

Tudo o que se aninha em ti
espera o momento do voo.
Escuta o que entoo
e no tempo certo abre as asas.

Nada apaga tua chama.
Clama!
O deserto é o conhecimento de si.

Volta-te pra ti;
Sê!
Ninguém precisa entender.