Muitos amores!
Diz: Sabores!
Diz: Há lento,
lento labor do tempo.
Não consigo o que não tento.
Não conquisto o que não invento.
Vento nenhum por meu intento,
porque não sei pra onde vou.
E se não sei lá não sou esperado,
e não fazem falta mapas e dicas.
O que não sabe pra onde vai
está visto que é o que fica.
(Fica sonhando distâncias,
mas não as alcança o que não se lança.)
Então pega logo essa estrada
a cujas areias já metes as unhas.
Então pega logo essa estrada!,
ou outra, qualquer uma!
Pega e diz que viaja,
eu te vigio da lua!
domingo, 21 de agosto de 2016
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
BOULEVARD
Estou em insensibilidade,
apenas a carne me arde.
Não alcanço o amor.
Cansa-me,
alcança-me a dor.
A maré nunca é mansa
para o insistente remador.
A luta é sempre dança
para o entregue lutador.
Mas espero a espera da vida
boulevar-me a avenidas em flor.
apenas a carne me arde.
Não alcanço o amor.
Cansa-me,
alcança-me a dor.
A maré nunca é mansa
para o insistente remador.
A luta é sempre dança
para o entregue lutador.
Mas espero a espera da vida
boulevar-me a avenidas em flor.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
SOBRE A MEDIDA
Cachorro vira-latas
corre atrás dos carros.
Não serve mesmo pra nada!
(manipanço ou espantalho?)
"Sinto muito, sinto tanto,
no meu canto" que não sei o que digo.
Não espero a colheita do verso,
forço-o a desprender-se do limbo.
Não sei a arte de orar,
não sou do tipo que peço.
Por isso não sei me mostrar,
e sou de minha vontade o inverso.
Em horas mortas vou devagar,
nas que me agradam sou expresso.
Nunca sei o que vou expressar,
mas depois que me digo me meço.
Fico portanto grafado,
gravado para o depois.
Esquecido dos que me elegeram,
e presa inútil do que me depôs.
corre atrás dos carros.
Não serve mesmo pra nada!
(manipanço ou espantalho?)
"Sinto muito, sinto tanto,
no meu canto" que não sei o que digo.
Não espero a colheita do verso,
forço-o a desprender-se do limbo.
Não sei a arte de orar,
não sou do tipo que peço.
Por isso não sei me mostrar,
e sou de minha vontade o inverso.
Em horas mortas vou devagar,
nas que me agradam sou expresso.
Nunca sei o que vou expressar,
mas depois que me digo me meço.
Fico portanto grafado,
gravado para o depois.
Esquecido dos que me elegeram,
e presa inútil do que me depôs.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
LIVRO-ME
Alto lá com esse molde!
Eu sei (e não vou esquecer)
que pra me por nesse seu molde
vai precisar me derreter.
E não é apenas isso,
e não é preciso ciência:
sobro em parte para ajustar-me
e perco essa parte de essência.
Alto lá com essa moldura!
Não harmonizo com suas paredes!
A menos que as possa furar,
e nelas pendurar minha rede.
Fora moldes! Fora molduras!
Tudo que sou é livresco!
E estou livre de sua frescura,
se assim não lhe alcanço o apreço.
Liberdade não tem preço!
Sem liberdade não fico!
Liberdade, nunca é tarde!
E a vivo nos mares e livros!
Eu sei (e não vou esquecer)
que pra me por nesse seu molde
vai precisar me derreter.
E não é apenas isso,
e não é preciso ciência:
sobro em parte para ajustar-me
e perco essa parte de essência.
Alto lá com essa moldura!
Não harmonizo com suas paredes!
A menos que as possa furar,
e nelas pendurar minha rede.
Fora moldes! Fora molduras!
Tudo que sou é livresco!
E estou livre de sua frescura,
se assim não lhe alcanço o apreço.
Liberdade não tem preço!
Sem liberdade não fico!
Liberdade, nunca é tarde!
E a vivo nos mares e livros!
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
DADOS (Obra em curso)
O destino é um dado,
é ocioso jogá-lo.
Já houve definição
(um lado é dado de antemão...)
A vida escolheu o trem;
escolheu até o vagão.
Somos todos passageiros
(não há proveito na aflição!)
Mas aproveito pra lição:
também me é dado livre arbítrio.
Assim posso ser consultado
sobre o que acontece comigo.
Escolho de que lado viajo,
se me sento com um amigo,
se me exponho na janela,
ou se no corredor me abrigo.
O Alto é nosso parceiro,
não estamos sozinhos cá embaixo.
Então mostre do que é feito,
e O leve a bem formá-lo.
é ocioso jogá-lo.
Já houve definição
(um lado é dado de antemão...)
A vida escolheu o trem;
escolheu até o vagão.
Somos todos passageiros
(não há proveito na aflição!)
Mas aproveito pra lição:
também me é dado livre arbítrio.
Assim posso ser consultado
sobre o que acontece comigo.
Escolho de que lado viajo,
se me sento com um amigo,
se me exponho na janela,
ou se no corredor me abrigo.
O Alto é nosso parceiro,
não estamos sozinhos cá embaixo.
Então mostre do que é feito,
e O leve a bem formá-lo.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
COMO SE FOSSE
Viver está como se fosse,
é preciso evitar o doce;
o amargo é o que cura.
O cura, na igreja
(perceba...),
já não sabe o que procura.
O povo não procura saber.
Os inocentes fazem sem ver;
olham para o lado contrário,
não veem que é vão.
Deus sabe mesmo de tudo
(sabe até da intenção!).
Não faço planos,
ou ri-se de mim o Alto.
Não faço planos,
ou me frustram o ato.
Tudo é uma espera,
mas somos a peça central.
Tudo é uma espera,
peça pra que não leve a mal!
Desculpe, Senhor,
o ato não contrito.
Desculpe, Senhor,
o haver tanto conflito!
Desculpe, Senhor,
o arrependimento é real.
Desculpe Senhor,
por esta vida banal!
Lapinha da Serra, 16/7/2016
é preciso evitar o doce;
o amargo é o que cura.
O cura, na igreja
(perceba...),
já não sabe o que procura.
O povo não procura saber.
Os inocentes fazem sem ver;
olham para o lado contrário,
não veem que é vão.
Deus sabe mesmo de tudo
(sabe até da intenção!).
Não faço planos,
ou ri-se de mim o Alto.
Não faço planos,
ou me frustram o ato.
Tudo é uma espera,
mas somos a peça central.
Tudo é uma espera,
peça pra que não leve a mal!
Desculpe, Senhor,
o ato não contrito.
Desculpe, Senhor,
o haver tanto conflito!
Desculpe, Senhor,
o arrependimento é real.
Desculpe Senhor,
por esta vida banal!
Lapinha da Serra, 16/7/2016
terça-feira, 26 de julho de 2016
GOURMET
São tempos frugais,
ama-se com parcimônia.
Foi-se o tempo da fartura,
o amor é uma fratura.
Ninguém o fatura,
ninguém atura o amor.
O amor não precisa de roupa,
precisa de atadura o amor.
Mas no amor não nos reunimos,
o amor não precisa de ata.
O amor já não nos acolhe,
o amor nos desacata.
O amor é célere,
o amor não é célebre.
O amor não é meu amigo,
o amor é um desconhecido.
O amor não nos expande,
ele agora nos encolhe.
O amor ninguém engana,
o amor quem é que escolhe?
Mas, bem ou mal
(e até sem aval!...),
é sempre o amor que explode!
ama-se com parcimônia.
Foi-se o tempo da fartura,
o amor é uma fratura.
Ninguém o fatura,
ninguém atura o amor.
O amor não precisa de roupa,
precisa de atadura o amor.
Mas no amor não nos reunimos,
o amor não precisa de ata.
O amor já não nos acolhe,
o amor nos desacata.
O amor é célere,
o amor não é célebre.
O amor não é meu amigo,
o amor é um desconhecido.
O amor não nos expande,
ele agora nos encolhe.
O amor ninguém engana,
o amor quem é que escolhe?
Mas, bem ou mal
(e até sem aval!...),
é sempre o amor que explode!
sábado, 23 de julho de 2016
ADSTRINGENTE
Eu às vezes me levanto no sábado de manhã limpo, muito limpo (tão limpo quanto pode um antigo grunge) e, munido de rara coragem, levo o carro ao lava-à-jato do bairro. Lá chegando, deparo uma longa fila de carros limpos, muito limpos, acompanhados de seus donos bem trajados (estarão limpos?) e o choque me restitui à velha covardia. Volto pra casa trinta reais mais rico, sentindo-me em dia com o meio-ambiente, e enriquecido por mais meia hora de leitura. Os caronas que me desculpem, mas culpem a gente, adstrin-gente.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
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