sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
SEMPRE LIVRO (Libreto II)
A todos os bibliófilos.
Leio e estou libreto. (30/4/11)
Não ando sem livro por nada!
E não é que me livrem a cara,
ou me integrem a uma sociedade secreta,
como cria a Teresa cria do Kundera.
(insustentável, cria-se eterna)
Não ando sem livro
porque livro me liberta!
E nem já falo de espírito,
nem de nada intestino,
ou de coisas da essência,
internas.
Suspiro como quem gera,
mas não faço do papiro uma quimera.
Eu me liberto com meus livros
porque me livram da espera.
(piro com esperas...)
Com livros me calo
e expando os horizontes.
Divertido, já não sei quem me confronta,
nem há afronta no que emperra.
(dá-me um livro e já nem gira a Terra!)
Com livro sou bonito;
sempre livro!
(Quem me dera!)
"No trabalho, na fé, na virtude,
se engrandece e se firma a nação;
e na vida a mais bela atitude
é a de quem traz o livro na mão" - Hino do Colégio Santo Maria.
Leio e estou libreto. (30/4/11)
Não ando sem livro por nada!
E não é que me livrem a cara,
ou me integrem a uma sociedade secreta,
como cria a Teresa cria do Kundera.
(insustentável, cria-se eterna)
Não ando sem livro
porque livro me liberta!
E nem já falo de espírito,
nem de nada intestino,
ou de coisas da essência,
internas.
Suspiro como quem gera,
mas não faço do papiro uma quimera.
Eu me liberto com meus livros
porque me livram da espera.
(piro com esperas...)
Com livros me calo
e expando os horizontes.
Divertido, já não sei quem me confronta,
nem há afronta no que emperra.
(dá-me um livro e já nem gira a Terra!)
Com livro sou bonito;
sempre livro!
(Quem me dera!)
"No trabalho, na fé, na virtude,
se engrandece e se firma a nação;
e na vida a mais bela atitude
é a de quem traz o livro na mão" - Hino do Colégio Santo Maria.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
ANGÉLICA FLOR-ESSÊNCIA
Para a minha mãe Rosângela Magalhães.
(Sim, adjetiva restritiva.)
A senhora é a matriz,
colocou o trio em cena;
mas talvez seja má atriz,
quando finge só haver problemas.
Quando eu adentro o recinto,
algo a convida a narrar-se.
Talvez porque saiba o que eu sinto
(gosto do jeito das rosas de dar-se).
Gosto de saber da menina de Salinas
(jazida do que era doce),
como de saber das notícias
-Que notícias?
-As que pai trouxe!
De como ficava admirada
namorando a revista Life;
tramando talvez uma chance
de da vida enamorar-se.
Eu sempre estive bem ali,
lembro-me bem do que houve:
sabia que não era filho,
embora quisesse que eu fosse.
E de certa forma eu sou,
já que sou irmão dos outros.
Então sou um pouco seu filho,
este pouco meio torto.
Sempre que eu chegava ali,
havia uma espécie de alvoroço;
dizia linda a minha família,
e eu carregava o seu moço.
Era cabeludo então,
eu o passeava na Savassi;
e via que ela suspirava
(não queria que o tempo passasse).
Queria ter-nos no seu ninho,
aninhados, ternos, sob suas asas;
mas, para todo menino,
chega a hora de sair de casa.
Mas não da casa permanente,
que é o coração da mãe,
nossa caminha mais quente,
que dá aos sonhos vazão.
E a que mais dá razão a nossos sonhos,
razão de serem e de se exercerem;
mesmo que às vezes lhe doa
ver os filhos crescerem.
(jamais doeu-lhe doar-se!)
Uma casa, o outro viaja,
e o mais novo é um "vida-louca".
E o que pode dizer Rosângela?
(Anjos não falam pela boca...).
Nem essa anja rosada,
rosa dos jardins de lá;
Lá-Salinas, Lá-Santo Antônio,
e lá-aqui, que é meu lar.
Seu menino vai andar longe,
e eu vou ficar de olho;
porque fico em Belo Horizonte,
e somos caneta e estojo.
Descansarei no seu regaço,
quando a vida me quiser bater.
E você vai-lhe opor o braço,
mesmo sabendo que irei aprender:
"Ah, sua vida bandida!
Bata-lhe e vai-se arrepender!"
Então que ela não nos maltrate,
que eu faria o mesmo por si;
e vamos esperar o menino
crescido que nos vai vir.
Chegará aqui crescido,
já crescida Maria Izabel;
e já estará re-acontecido,
sob os olhos, milagre do céu.
Ficam aí, então, os versos,
vão-se compor com um abraço;
a qualquer tempo pode invocá-lo,
estará guardado no... quarto!
Esqueça a dor, esqueça o tormento,
ainda você não está só.
Vêm aí os meus rebentos,
vai ser de novo avó!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
ALEGREMO-NOS, SENHORA! (In favor gay)
"What else should I say?
Everyone is gay."- Kurt Cobain, "All Apologies".
Quando o interlocutor me diz:
"Sou gay!",
isso não me alegra,
nem me faz triste.
Não há como prever o que existe
por baixo dessa informação.
O primeiro que me ocorre é respeitá-lo,
como faço com qualquer cidadão.
(a senhora, para fazê-lo,
não tire do armário
palavras de baixo calão;
elas a rebaixam, a eles, não.)
Com apenas dizer-se gay,
não aumenta muito o que lhe sei,
que é sempre bem pouco,
com só o que vejo.
Talvez presuma alguma alcunha
que sofra pelo alheio preconceito.
Mas não há nada que resuma,
em poucas linhas, o que lhe vai dentro.
Talvez não me arrisque
em dizer que há risco,
até mesmo, em dizer como aproveita
as horas, também felizes pra ele,
que se dá em sua cama, se se deita.
(Nem se sabe como se ajeita,
se à esquerda, se à direita...).
Preste atenção, minha senhora;
não quero deixá-la contrafeita,
mas peço que não se confunda:
os gays não são uma seita,
não há diferença nenhuma,
além das diferenças que se exerçam.
"What else could I write?
I don't have the right". Idem
And who shouldn't be all apologies, anyway?
Everyone is gay."- Kurt Cobain, "All Apologies".
Quando o interlocutor me diz:
"Sou gay!",
isso não me alegra,
nem me faz triste.
Não há como prever o que existe
por baixo dessa informação.
O primeiro que me ocorre é respeitá-lo,
como faço com qualquer cidadão.
(a senhora, para fazê-lo,
não tire do armário
palavras de baixo calão;
elas a rebaixam, a eles, não.)
Com apenas dizer-se gay,
não aumenta muito o que lhe sei,
que é sempre bem pouco,
com só o que vejo.
Talvez presuma alguma alcunha
que sofra pelo alheio preconceito.
Mas não há nada que resuma,
em poucas linhas, o que lhe vai dentro.
Talvez não me arrisque
em dizer que há risco,
até mesmo, em dizer como aproveita
as horas, também felizes pra ele,
que se dá em sua cama, se se deita.
(Nem se sabe como se ajeita,
se à esquerda, se à direita...).
Preste atenção, minha senhora;
não quero deixá-la contrafeita,
mas peço que não se confunda:
os gays não são uma seita,
não há diferença nenhuma,
além das diferenças que se exerçam.
"What else could I write?
I don't have the right". Idem
And who shouldn't be all apologies, anyway?
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
SEGUNDA HÁ CHANCE
"Toda segunda tem alguma coisa ruim,
alguma coisa boa, e uma péssima fama" - Adriana Falcão
alguma coisa boa, e uma péssima fama" - Adriana Falcão
Dê uma segunda à chance,
ou se dê chance na segunda.
Perdeu-se num primeiro lance,
mas num relance a casa se arruma.
Endireite-se,
de bambo a bamba,
quem sabe você não se apruma?!
Ou, papagaio empinado,
o vento ajuda e você ruma;
rumo do leste, oeste, sul, norte...
É preciso a sorte, que se coaduna.
Talvez só gatos tenham sete vidas,
mas podemos ter mais de uma.
A que nos acontece,
e a de que nos apetece a tessitura.
Erre o erro,
veja se não o repete!
Isso entristece o criador, criatura!
Então peça!
A ocasião se oferece!
"Jogo de cintura, olho na mistura",
e ao invés de revés, compostura!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
DA GÊNESE DO SOL
Ele era um sol que não se quis brilhar.
O Sol que se quis esperar,
quando tantos morriam de frio.
(Isso talvez lhe tire beleza,
há estranho egoísmo nisso.)
Você é a em-Sol-ação;
não a insolação que me feriria,
mas o Sol que me leva à ação
de me brilhar todo dia!
Sol na rua,
sol pra só nós.
Eu o devolvo num Sol generoso,
tocado(,) em projetada voz.
Eu lhe tirei o primeiro,
mas nosso sol real é o quinto
(quinta grandeza de primeira!).
(quinta grandeza de primeira!).
Que o esperemos a noite inteira,
topo até o vinho tinto!
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
SOL PESSOA (O Pessoa só),
Chora-se e ri-se a imensidão sublime do Nogueirão.
Quis beijar o Sol,
mas minhas asas são de cera.
O que me acontecera
quando da concepção?
Não me entenderam nunca!
Nunca me entenderão!
Como pode ser hoje tão grande
o maior dos poetas, o do porão?
Não era porão, é verdade.
Talvez estivesse mais para sobrado.
Onde se sobrava só
esse imenso potentado?
Será que não o convidavam
nunca, a nenhuma parte?
Ou o à parte era(a penas) esporte
do só dedicado à arte?
(Será que escolheu não amar,
ou terá sido falta de sorte?)
Mas eu li as cartas todas
trocadas por ele com Ofélia,
que acabou morrendo sozinha,
envelhecida da espera.
(As dele não eram tantas,
as dela, pura quimera.)
Vi que investiu tanto,
tanta abdicação, tanto pranto,
para que ele não bebesse,
e para que a visse o seu tanto.
(Mas, além da bebida constante,
o gajo só se engajava em escrever.)
Disse que sua vida
submetia-se a outros mestres,
como se quisesse estar forro:
"Forrar-me é o que me apetece!"
Mas às vezes sofro tanto
de imaginar que podia sê-lo,
porque a liberdade de ser só
parece-me às vezes degredo.
E era tudo tão imenso,
tudo o que escrevia,
que não me meço por ele,
nem ninguém poderia.
Nem o maior Du-monde,
com tudo o que alcançou.
O Pessoa era tantos!
Não sei como não se lançou...
Não que eu não fique só no meu canto,
e o meu canto é o de só um.
Mas tento espalhá-lo tanto!
(Tanto esforço e sigo comum...)
Como um qualquer que tentasse,
a cada estrofe que cometesse,
projetar-se a todos,
num impulso de arremeter-se.
Mas ele sabia do seu tamanho!
Organizou, parece, o baú.
Será que era tão enrustido
que temesse a tinta azul?
Porque rios se escreveriam
quando assomasse a aurora.
Os mesmos rios afluentes
dos influentes de agora.
Desta distância todos o enxergam,
mas será que se entenderia
com os nobres daquele tempo
se o baú visse a luz do dia?
Só mandou uma pequena Mensagem,
pra que não houve o competente oblato;
seriam os contratantes dementes
ou não se propôs ao espalhafato?
Acho que só pôs a cabeça pra fora,
mas recolheu-a antes da hora tramada;
porque não se entendia de luz,
e adiou-se, então, a alvorada.
A Cecília, que andava na frente,
tentou ver de perto o viço;
mas não consentiram os astros
do mapa que ele tinha consigo.
Mas nada disso importa!
Aliás, não estou certo de nada!
Apenas de ter-se aberto a porta,
fazendo-o o sol de toda a manada.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
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