quinta-feira, 26 de junho de 2014

FALTO DE TI

Sou saudade
e ai que me arde
a ausência de ti!

E os dias são jogos longos,
imensos fardos
que eu nunca escolhi.

E não entendo o que estou fazendo,
nem o que estou lendo;
será que morri?!

Ou será que andei fingindo,
e era tudo farsa,
o que achei que vivi?

Mas vamos à chave de tudo:
não estou falto de vida,
mas faltas-me aqui!

terça-feira, 10 de junho de 2014

SERTANEJA


Sertaneja, 
em tua beleza,
gasto minha meditação.

És a matéria do sonho,
e o homem que não sonha 
despediu-se da vida,
já não sente suas feridas,
nem lhe palpita o coração.

Então busco a sua imagem,
deixo as ruas da cidade,
e me embrenho no sertão.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

FLORESTA, FLORESTINHA (CRIANÇA 3)

Para Lelê e Danilinho


Floresta, Florestinha,
conta só pra mim:
o que deve ter um bicho
pra morar em ti?

A juba do leão 
é uma coisa divertida!
E também tenho macacos, 
coçando suas barrigas!

A tromba do elefante 
rouba água à fonte,
e a águia ou o falcão 
vão riscar o  horizonte!

Naquele outro canto 
o gambá está sozinho
porque ninguém aguenta mais 
sentir o seu cheirinho!

À girafa, bem comprida, 
todos pedem uns favores,
porque lá de cima vê 
se já vêm os caçadores!

O jacaré aparece 
se ninguém o espera,
e nessa hora "medo!",  
ninguém finca o pé na terra!

O esquilo não é esquisito, 
é o maior barato,
juntando muitas nozes, 
ou jogando seu baralho.

Da cobra ninguém gosta, 
bicho rastejante,
que vai comer o rato, 
que faz medo ao elefante!

Floresta, Florestinha,
conta só pra mim:
O que deve ter um bicho 
pra morar em ti?

Pode ser bicho da selva,
e pode bicho da cidade!
E aceito até menino
com a sua idade!

sábado, 26 de abril de 2014

SAPIM (CRIANÇA 2)

Sapo, sapinho, 
da lagoa azul!
Nunca lhe disseram,
mas você é tu!

Sapo, sapinho, 
coaxando feliz!
Onde não há lagoa
há um chafariz!

Sapo, sapinho,
e tudo nos contenta:
cheirinho de café
e ardidinho de pimenta!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

FUGERE URBEN!

Fugere Urben!, 
me dizem e eu pasmo!
Que mania mais verde
a de se meter no mato!

No mato não há 
(delícia!) notícias,
mas tampouco há fatos.

E a cidade?!

Ah! A cidade é tão bonita,
com sua gente aflita,
experimentando a contramão!

Então digo que sou citadino,
não é outro o meu destino.
Matutos, rogai por  nós!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

NEFELIBATA

Sou feliz nas horas vagas,
quando me distraio de ser sofredor.
Estranho, penoso talento,
foi o Senhor me impor!

Tanta gente se distrai
com as coisas mais vagas,
que não vejo o menor sentido
em não ser eu feliz com as parvas!

Então peço humilde ao Senhor
que, numa próxima edição,
não me faça um nefelibata,
mas um sincero e alegre tolo,
que se distraia com qualquer algazarra!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

FUGA

Foge-me a inspiração,
longe, longe!
Foge-me e outra-me,
para um lugar que não sei onde.
Foge-me e outra-me,
e deixa-me mesmo sem nome...

Foge-me a inspiração,
e me dizia uma velho tolo:
"não era mesmo coisa de homem!"

Foge-me a inspiração,
foge ao horizonte!
Foge-me a inspiração,
fuja antes que a retome!

domingo, 30 de março de 2014

INFANTIL



"Nasce o sol e não dura mais que um dia!"
E se desse duro e durasse, 
o que de você ouviria?

Talvez fossem flores...
E se forem?

Que mal em alguma alegria?

Ou talvez explosão de cores,
que em frutas sabores daria.
Nasce o sol e não dura mais que um dia!
Nasce o sol, 

e nascendo me pede este canto.
E se posso falar qualquer coisa,
por que não falar esperanto?

Mostre a lágrima molhada
e será fácil secar esse pranto.
E convidar  outros amigos
para cantarem outro tanto!

Desce o sol, 
e com isso convoca a lua.
De face tão alva e redonda,
mais alva e redonda que a tua!

Desce o sol,
e nos brinda com a noitinha..
E ainda há tempo pra festa,
digamos mais uma coisinha...

Venham estrelas
e nós muito nos animamos.
Nem precisa estar perto
pra ver o quanto nos amamos.

E vai-se a noite e vem o sol
e não dura mais que um dia.
E a prosa esteve tão boa, 
que a repetiremos todinha:

Nasce o sol e não dura mais que um dia...                                      

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

GRILOS

Cai a tarde e as nuvens se esticam,
como se à cata de sol.
Por que tanta melancolia,
se tão bonitos os tons do arrebol?

Talvez fosse de bom tom
aceitar a noite e seus bichos,
mas em horas tão griladas
não sei o que faço comigo. 

E você lá andando distâncias,
cancelando a verde esperança.
Fica assim a coisa preta 
e me azulo todinho.

(E serei eu a me ensinar
isso de ser sozinho...)

Sozinho me morro,
não sem companhia;
é mania diária
morrer-se o dia.

Se não entendeu dou-lhe cores:
isto aqui é um convite.
Tá pra nascer o ensolarado
que sozinho não se aflige!


sábado, 18 de janeiro de 2014

SÓ PARA O MOMENTO

Isolo-me na madrugada.
Deixem-me, 
quero escrever umas linhas.
(Umas linhas para que não me queiram deixar...)

E do que me queixo, 
mão no queixo,
se não é nada do que estou pensando?
(Sou o contrário, mesmo me opondo...)

O que sou é contrafluxo, 
maré em reverso.
Deixe-me ser, 
mas não me deixe estar

só para o momento.