Apenas há tempo
para uma reflexão breve:
melhor dar-te
a Deus
que ao diabo
que te carregue
A vida é bonita como está
incompleta e aflita
a vida quer se realizar
enquanto é infinita
se a coragem receia
o tempo grita
não há receita
(acredita!)
erra!
errar é dos mundos como este
ao fim e ao cabo
não há erro que não se aproveite
usa este acorde
ou aquele
nota!
canta!
samba!
esperança!
e anota:
a vida em espera não existe
só a havida é nossa
O livro se lê até o fim
ou se deita
abri-lo e fechá-lo
fechá-lo e abri-lo
obriga a relê-lo sempre
para emendar o sentido
e àquele que padece
o indiferente sempre
parece trazer intenção
ou proposta de destino
com esses trechos
já não me arrumo
a traça roeu o "eterno"
e deixou apenas "minuto"
as cartas já se devolveram
e os poemas, outro tanto
acabada a música
acabou-se o canto
para que recompor
episódios esgotados
se guardamos o vigor
de vermos novos criados?
o presente nos convida
para que remontar do efeito
à causa já perdida?
(é deixá-la res derelicta)
a vida só vai
não pode ser restaurada
e ademais o juízo prevento
já sabe da coisa julgada
isso é litigância de má fé
e deixa a vida interrompida
não há perseverança
na insistência inifinita
há tantas boas causas
de que a gente anda esquecida
recompõe-se!
revitaliza-se!
faz!
a árvore que não dá bons frutos
é melhor deixada atrás
d'aprés Machado de Assis
Sei que não vemos
essas coisas
só de olhar
coisíssima nenhuma
espuma
bruma
chuva
e
não era
mesmo
qualquer uma
Sonhei com a festa da cumeeira
a exaltação da completude
que entrega seus feitos
a outros inícios
mas acordei sem edifício
num terreno baldio
com muitos planos espalhados
que entravam em conflito
Vivo no seu trem
na portinhola da locomotiva
não adentro os vagões
que deles não te vejo
neles há muita gente
daqueles outros vilarejos
não apeio
gosto do vento no rosto
gosto de ver teu caminho
e gosto de que me aproximo
mas andar na linha
não me revela a jornada
não construí a estrada
nada sei de ferros e encruzilhadas
interessa-me entender
o que na poesia da vida desperta o seu sorriso
talvez mais raro que sua gargalhada
não o sorriso público
à gente a ser evitada
o seu sorriso mais puro
a este que quer adivinhá-la
e você nos conduz
por pontes sobre rios
com essa sua certeza
que destrói meus desatinos
e não sei o que me embrulha o estômago
se é certo o destino
(é que é incerto chegar contigo...)
- por favor, sem solavancos, maquinista!
O guarda-sol recolhido tem um quê de frustração
de piscina vazia
de crianças portas adentro
e tem também um ar de esperança
para quem traz um sol por dentro
pleno de alegria
que dissipa as nuvens
dá calibre à réstia
e restaura o dia