40 anos no deserto
tropeço
na areia por cama.
40 anos no deserto
é decerto
o que a alma reclama.
Tentada
Abrasada
e resistente.
40 anos no deserto
fazem muito (observo)
à gente.
Até que sofrimento e meditação
trazem oásis.
Até que a dor traga suas lições
luminares.
Não pode trazer prejuízos
o alto sol meridiano.
Apagam-se à noite as luzes:
hora de ponderar sobre os planos.
(Não dura mais que um dia
tudo o que falsificamos).
A areia é muita
mas o tesouro subjaz.
Cavar parece eterno
como eterna será a paz.
Paz laboriosa,
operante.
(Paz é bem melhor
do que o tumulto de antes).
Já tendo sido satisfeitos
todos os banquetes dos sentidos,
a mente tira novas consequências
dos mesmos banquetes de signos.
Essa saciedade abre um novo tempo,
tempo de edificação do meu próprio templo.
Em que nos atendemos, os amigos em elevação.
E fica lavrado este ato com feitio de confissão.
40 anos no deserto,
a Humanidade pode tudo:
Basta o amor por projeto e material de estudo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
40 anos no deserto.
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
BAILADO
Pressinto no que já fui bom
pelos gostos que me ficaram
na intensidade de uma saudade.
Pela impressão de que quase se chega a poder
quando todas as tentativas foram infrutíferas.
Pelo gosto de ver os feitos dos que naquilo triunfaram.
No consolo que depois assoma notando na pausa outras escolhas.
Novas dedicações.
Para conquistas inéditas ou para ultimar as começadas doutra vez.
Alguém, alhures.
Essência metida em outros acidentes.
Quiçá mais bonitos.
Talvez mais bem aceitos.
Os defeitos mais discretos.
As janelas mais cerradas.
Mas aqui respira-se muito,
mostra-se muito a cara.
Vincada de erros
e acesa de esperanças.
E a menina dos olhos...
dança!
terça-feira, 22 de setembro de 2020
A(O)LADO
A gata olhando para o céu e pra mim,
pra mim e para o céu,
como a me cobrar o sol
neste súbito dia nublado.
Coisa que talvez já não se lembrasse que existe
tantos têm sido os dias claros.
Olha-me súplice.
Olha-me indignada?
Olha-me triste
não sei ao certo!
(Não há dedos que possa por em riste)
Mas quer o sol!
Quer quiçá me atiçar
pra que faça algo fantástico,
como quando abro a janela e venta.
Neste momento abre mão do seu garbo
e vivemos um contra-Egito.
Ninguém é Deus nem endeusado.
Ninguém á amo, apenas amado.
Porque estamos
simplesmente
lado a lado.
sábado, 12 de setembro de 2020
M'USA
Não sei o que a música faz em mim
porque não sei o que ela é.
Mas sei que seus doces efeitos
transcendem os da mulher.
A música dá-se sem peias,
é sua tão logo a ouça.
Pouco importa a quantos se dá,
aos ouvidos e às bocas.
A música transforma sem perder-se,
transmuta sem degenerar.
A música é parte do mapa.
A pista mais fácil de achar.
Porque antes de falar, canto.
Soo de uma formas imprevistas.
Nascida a música comigo
não posso chamá-la conquista.
Não faço dela o que bem quero.
Ela é que me tem feito.
Não sei explicar (bem se vê)
mas é o namoro perfeito.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
COM O VENTO
Quem me dera se francamente
eu não desse a mínima!
Mas posso enlouquecer me importando,
se Deus não em ilumina.
