Está-me um domingo com cara de sábado.
(Digo mais pra senti-lo do que pra frisá-lo)
O velado não revela
nem ninguém vela o revelado.
O sepultamento dá-se precípite.
Porque é um julgamento sem arrazoados.
O martelo pesa-lhes tanto
que não pode ser sustentado.
A cada segundo desaba seu peso
sobre o que era amadeirado.
E nem se fosse diamantino
o teria suportado.
O golpe é muito insistente
pra que seja amortecido.
Ou talvez o véu fosse mortalha
e eu me tivesse esquecido.
Ninguém devia discutir acessórios.
Fazem a falta em batizados que não fazem nos velórios.
Nem se deviam discutir acidentes.
É da essência que se faz o que mereça a alcunha de gente.
Mas a quem tal não importe não importa nada!
E tudo que não importa é deixado ao limiar da estrada.
É isso ou o atropelo.
(o que é de novo o acidente valer mais que o desvelo).
Mas é apenas uma madrugada
("não é barro nem tijolo").
Mas a cada vez que derrubem a casa
hei de erguê-la de novo.
domingo, 26 de julho de 2020
quarta-feira, 22 de julho de 2020
TRÊS CAVALEIROS
Sua expectativa
veste de derrota meu triunfo.
Tira da aorta ventrículos.
Faz terra rasa da edificação.
Os olhos não percebem.
As mãos não tocam.
Os pés não pisam
o que da devassidão fez meu juízo.
Faz devassa no meu íntimo.
Inquisição no carnaval .
Autópsia no nascituro.
Finados no natal.
Desafinados
Esperança e desânimo,
Rogativa e inclemência.
silêncio e Cântico.
Mas o coração segue pulsando
o seu nicho de bater.
Mesmo se pra bater apanha.
Mesmo se batendo se derrama.
A distância percorrida é tanta
que já não penso na fita vermelha
da chegada mas na do presente.
Eu que sou tão crente
que duvido de duvidar!
Nenhuma dúvida me embrulha
mas a certeza de incertezas,
flor sem estação
Espécie de sempre viva
no jardim de quem se procura.
E não há tristeza que obstrua
o meu sestro de cantar.
Ou de me encantar com o que descubro.
Mesmo ou até mais quando resvalo,
piso em falso mas já não caio,
que a vida gosta de me levantar.
Como se levanta o sol sem perder de vista
Eu lhe peço que não insista
em a tristeza se instalar.
Como dizia Baba Yaga,
"saber demais envelhece antes do tempo".
Todos se querem deslumbrar
mas sem estarem presas do portento,
sem invocar excessivamente o numinoso.
O encanto silencioso está em dar-se conta
de que há coisas que só Deus pode saber.
Pouco importa embaralhar
o negro, o vermelho e o branco.
Só porque caio em noite me levanto
E me levanto ao me raiar.
sexta-feira, 3 de julho de 2020
SORTE
A sorte não se compra.
A sorte não se vende.
A sorte se desvenda.
À sorte a gente se rende.
A sorte é a chance de construção.
A sorte é ter as mãos.
Tijolos, cimento,
coragem!
A sorte pode ser um lume
ou às vezes explode em alta voltagem.
A sorte sorri, chora.
Fere, fere-se.
Mas a sorte se coleta,
afere-se.
Aprende.
Ensina.
Reinventa-se.
Disciplina-se.
A sorte é o esforço
pelo bem que empenho.
A sorte é o cuidado
com o efeito do intento.
A sorte é o dia voltar
sem detença.
A sorte é eu não me curvar
nunca a nenhuma sentença.
Com sorte vou desafiar
o martelo do juiz, o vaticínio da bruxa.
A sorte é não desistir
jamais do que se busca.
A sorte é que vou sorrir
sempre do resultado.
Porque na minha vida o azar
foi sempre sorte ao quadrado.
domingo, 28 de junho de 2020
ALISTADO (É!)
O sonho é evanescente.
Ou bem se o vive,
ou mal se o prende
ou verdadeiramente se perde.
O que se pede é quimera,
consciente ou distraída.
Um sonho é coisa outra
Ou só te mente
ou é coisa vivida.
O sonho é concreto,
não é apenas abstrato.
O sonho... trata-se de plano
real e não só esquemático.
Pro sonho conte com o concurso
de muitos outros sonhadores.
O sonho ou é coletivo
ou coletânea de pendores.
O sonho pra começar
é arregaçar as mangas.
O sonho é sair da sombra,
é pôr-se ao sol, é prana!
Sonhemos, pois, então.
Pernas, mãos e olhos.
Meu sonho é acontecimento,
passado o tempo do ilusório.
Ou bem se o vive,
ou mal se o prende
ou verdadeiramente se perde.
O que se pede é quimera,
consciente ou distraída.
Um sonho é coisa outra
Ou só te mente
ou é coisa vivida.
O sonho é concreto,
não é apenas abstrato.
O sonho... trata-se de plano
real e não só esquemático.
Pro sonho conte com o concurso
de muitos outros sonhadores.
O sonho ou é coletivo
ou coletânea de pendores.
O sonho pra começar
é arregaçar as mangas.
O sonho é sair da sombra,
é pôr-se ao sol, é prana!
Sonhemos, pois, então.
Pernas, mãos e olhos.
Meu sonho é acontecimento,
passado o tempo do ilusório.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
AMEM
Para Tom, meu pequeno pugilista.
Minha poesia me confessa para além de mim.
Para aquém.
Para dentro.
Para o magma sob as praias
de idílico portento.
Para a incandescência,
o calor das ideias que antes fossem indecência.
São fusão.
Dão-se a forjas que escapam
à minha predileção.
Mas o fogo não se pode ignorar.
É apenas queimar-se nele
ou só vê-lo crepitar.
Eu não detenho o conhecimento ígneo,
mas para algo se deve prestar.
E não faz mal se as tectônicas
não se tentam ajustar.
As praias cariocas têm mar gélido.
É mistério se me ponho a pensar.
(faço muito...).
Minhas praias são outras.
Ainda que mesmo as urbanas,
minhas praias são paraíba
ou são pernambucanas.
O mar é tépido.
O beijo é verdazul.
O céu me engole inteiro
como jamais fez no sul.
O povo soa tão bonito
que só posso ser contente.
Se dali fui mais pra trás
também posso ser mais à frente.
(O destino às vezes se tece
ao arrepio da gente.)
Então vou pensar no meu filho,
pra sempre o tenho e amar é agora.
E o tesouro que trouxe dentro
eu não vou levar de volta.
Para aquém.
Para dentro.
Para o magma sob as praias
de idílico portento.
Para a incandescência,
o calor das ideias que antes fossem indecência.
São fusão.
Dão-se a forjas que escapam
à minha predileção.
Mas o fogo não se pode ignorar.
É apenas queimar-se nele
ou só vê-lo crepitar.
Eu não detenho o conhecimento ígneo,
mas para algo se deve prestar.
E não faz mal se as tectônicas
não se tentam ajustar.
As praias cariocas têm mar gélido.
É mistério se me ponho a pensar.
(faço muito...).
Minhas praias são outras.
Ainda que mesmo as urbanas,
minhas praias são paraíba
ou são pernambucanas.
O mar é tépido.
O beijo é verdazul.
O céu me engole inteiro
como jamais fez no sul.
O povo soa tão bonito
que só posso ser contente.
Se dali fui mais pra trás
também posso ser mais à frente.
(O destino às vezes se tece
ao arrepio da gente.)
Então vou pensar no meu filho,
pra sempre o tenho e amar é agora.
E o tesouro que trouxe dentro
eu não vou levar de volta.
sábado, 13 de junho de 2020
PRÉSPERA
A vida lega
o inestimável bem da beleza.
Não é romantismo!
(nem é certeza...)
Certeza mesmo
só o pensar.
Pensar infirma qualquer coisa
que se pretenda afirmar.
Firmeza,
(mas firmeza mesmo!)
é só o tempo passar.
Não adianta correr,
nem faz falta esperar.
Só o que muda algo é ocorrer.
(se ocorrer prosperar)
o inestimável bem da beleza.
Não é romantismo!
(nem é certeza...)
Certeza mesmo
só o pensar.
Pensar infirma qualquer coisa
que se pretenda afirmar.
Firmeza,
(mas firmeza mesmo!)
é só o tempo passar.
Não adianta correr,
nem faz falta esperar.
Só o que muda algo é ocorrer.
(se ocorrer prosperar)
sexta-feira, 12 de junho de 2020
FLÂMULO
"O céu morria uma morte turquesa"
enquanto me precipitava de paraquedas
sobre sonhos prontos.
Nomes, condições, pontos cardeais.
Tudo que não seria sobrescrito jamais.
Tudo sobre o que não imprimiria minha marca.
Tudo pra que não fosse reino,
pra que não fosse pátio.
Tudo pra que não houvesse recreio,
irretrátil.
Apalpava-me, insubstante.
Imponderável de antes.
Antes que eu fosse.
Antes, portanto, que soubesse.
Antes da evidência de que o que sobe desce.
Projétil, projeto não.
Nada é ordenado pelo toque da minha mão.
Que não sabe afagos e tapas,
Apenas sabe tocar, timorata.
Saber que evolução existe não desenvolve.
Assim como aspiração não modela ou colore.
Formulário sempre à mão,
apenas nunca preenchido.
Por não achar que se pudesse
contratar o destino.
Não assumo as roupas do irmão mais velho,
que não o tive do mesmo gênero.
E nem tento respirar profundo
falto de oxigênio.
Que alimenta as células,
como alimenta as chamas.
E por falta de haver brasão,
vou recolher minha flâmula.
enquanto me precipitava de paraquedas
sobre sonhos prontos.
Nomes, condições, pontos cardeais.
Tudo que não seria sobrescrito jamais.
Tudo sobre o que não imprimiria minha marca.
Tudo pra que não fosse reino,
pra que não fosse pátio.
Tudo pra que não houvesse recreio,
irretrátil.
Apalpava-me, insubstante.
Imponderável de antes.
Antes que eu fosse.
Antes, portanto, que soubesse.
Antes da evidência de que o que sobe desce.
Projétil, projeto não.
Nada é ordenado pelo toque da minha mão.
Que não sabe afagos e tapas,
Apenas sabe tocar, timorata.
Saber que evolução existe não desenvolve.
Assim como aspiração não modela ou colore.
Formulário sempre à mão,
apenas nunca preenchido.
Por não achar que se pudesse
contratar o destino.
Não assumo as roupas do irmão mais velho,
que não o tive do mesmo gênero.
E nem tento respirar profundo
falto de oxigênio.
Que alimenta as células,
como alimenta as chamas.
E por falta de haver brasão,
vou recolher minha flâmula.
terça-feira, 9 de junho de 2020
MONTURO
Nada me é adequado.
Eu estou ao contrário
de mim e em mim.
Meu guarda-chuva
não me guarda do que evita.
E nem sei de quê.
(Eu não vi).
Já sublimado sou ainda líquido,
e me precipito sem irrigar.
Mesmo desgastado sou quadrado.
Não pareço feito para rolar.
Pareço pedra fundamental
mas não erijo.
Educador mas não me corrijo.
Musical e não faço canção.
Só sou verso porque não sou prosa,
pois que nada em mim se entrosa.
É tudo desarrumação.
Livro que não se edita,
sem encadernação,
essa soltura não é liberdade.
Parece ser apenas gastar-se,
perder-se sem proveito.
E não aproveito o ensejo
pois que não tenho intuito.
Então deixo-me estar entulho
até eu vir-me recolher.
Eu estou ao contrário
de mim e em mim.
Meu guarda-chuva
não me guarda do que evita.
E nem sei de quê.
(Eu não vi).
Já sublimado sou ainda líquido,
e me precipito sem irrigar.
Mesmo desgastado sou quadrado.
Não pareço feito para rolar.
Pareço pedra fundamental
mas não erijo.
Educador mas não me corrijo.
Musical e não faço canção.
Só sou verso porque não sou prosa,
pois que nada em mim se entrosa.
É tudo desarrumação.
Livro que não se edita,
sem encadernação,
essa soltura não é liberdade.
Parece ser apenas gastar-se,
perder-se sem proveito.
E não aproveito o ensejo
pois que não tenho intuito.
Então deixo-me estar entulho
até eu vir-me recolher.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
BALANÇAR-SE
Como castigo por ter-te doído
estou preso, recolhido,
no preâmbulo da dor.
Como a expectativa é melhor que a festa,
também a angústia é maior que esse detestado furor.
O ponto de ônibus paralisa,
tão pior que caminhar ou balançar-se no lotação.
A Estação, onde nunca se está seguro
nem detrás da linha amarela,
onde o medo faz de tudo queda,
aquela de estranha fascinação.
"A noite tava fria".
"Era o meu corpo que caía".
De tudo soube antes,
mas o tempo não assegura prevenção.
Se a chuva for pouca tiram-se as roupas do varal.
Se há tempestade nem a casa é abrigo
e está-se melhor na rua.
Mas a rua está interditada
e não alcanço nenhum outro planeta,
embora Júpiter me faça muita falta.
Tanta falta!
Não se escreveu ali a "Ode à Alegria"
nem foi Jesus a alegria dos homens,
mas é aonde nos alça a flauta mágica.
Onde o réquiem não se perfaz.
Porque morrer a cada vez
é não morrer nunca mais!
O mais triste,
a dor em sua própria concepção,
é precaver-se da vida.
Um concepto do intelecto
de uma vida adoecida.
Mas eis que surge o Sol
e com ele mais um dia.
E vou tratar de tratar minha vida
como coisa luzidia.
estou preso, recolhido,
no preâmbulo da dor.
Como a expectativa é melhor que a festa,
também a angústia é maior que esse detestado furor.
O ponto de ônibus paralisa,
tão pior que caminhar ou balançar-se no lotação.
A Estação, onde nunca se está seguro
nem detrás da linha amarela,
onde o medo faz de tudo queda,
aquela de estranha fascinação.
"A noite tava fria".
"Era o meu corpo que caía".
De tudo soube antes,
mas o tempo não assegura prevenção.
Se a chuva for pouca tiram-se as roupas do varal.
Se há tempestade nem a casa é abrigo
e está-se melhor na rua.
Mas a rua está interditada
e não alcanço nenhum outro planeta,
embora Júpiter me faça muita falta.
Tanta falta!
Não se escreveu ali a "Ode à Alegria"
nem foi Jesus a alegria dos homens,
mas é aonde nos alça a flauta mágica.
Onde o réquiem não se perfaz.
Porque morrer a cada vez
é não morrer nunca mais!
O mais triste,
a dor em sua própria concepção,
é precaver-se da vida.
Um concepto do intelecto
de uma vida adoecida.
Mas eis que surge o Sol
e com ele mais um dia.
E vou tratar de tratar minha vida
como coisa luzidia.
domingo, 7 de junho de 2020
TRIAL
Despautério
a vontade na noite
do climatério.
Inversão do passado
fazê-lo presente
no desazado.
Nada se repristina.
Na noite ou no dia
há neblina.
Nada se recupera.
Dá igual se esteja
acima ou embaixo da terra.
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