Você tem quase tudo.
Tudo quanto é produto!
(o que é o eclipse do problema...)
Mas é quase mudo:
não sabe o modo de fazer poema.
terça-feira, 16 de julho de 2019
segunda-feira, 15 de julho de 2019
CLARO-ESCURO
Para Fá.
Meu amor,
o poema é seguro!
O poema é o claro-escuro
onde nada irá nos quebrar.
Não haverá análises,
hidrólises,
decomposições.
O poema está para as galerias
como o refúgio pras mansões.
Ninguém nos vê,
inveja,
aporrinha.
Do poema coisa alguma é vizinha.
O poema é sermos os colonizadores
de terra fértil e ganha.
O poema não é Brasil,
é Pindorama!
O poema é haver mata Atlântica.
Não ter havido extinções.
O desmatamento não se proibir
por não se ter inventado.
O poema é estarmos lado a lado
e ser o mais o que criarmos.
NO QUE SE CRIA

Era no que se cria:
"Deus fez primeiro o homem
e a mulher nasceu depois.
Por isso é que a mulher
trabalha sempre pelos dois".
Depois notou-se que,
o que se anotara,
a mulher ao homem lhe segredara.
Na calada da noite
em que supostamente calara.
Não era só ninho,
nem era bengala.
Era crescer-se em quem
o Criador confiara.
Fosse mulher ou homem
era tudo da mesma lavra
Que tudo meio que de barro viera,
e tudo se constelava.
Pouco a pouco,
com o leite da galáxia.
Essa mãe-pai de tudo-todos
que por destino os transportava.
Pede a sabedoria
que tudo se assimile.
Porque pro espírito homem e mulher
são coisa que não existe.
sexta-feira, 12 de julho de 2019
TÃO ALÉM (Fragmento)
Para Fá.
Te vejo em cores
que você nem sabe que tem.
Não sabe!
Soubesse-as e o seu sorriso,
tão claro,
não poderia ser belo
tão simplesmente.
E elas,
as cores,
seriam outras
que não veria,
que não me viriam arrombar a retina.
Nada faz mais um poeta
do que ver a paz em fragmento.
E nunca será poeta o que se julgar
capaz de todo o entendimento.
De todo o entendimento a que me lancei
mais não retive do que a vontade
sincera,
viva,
pulsante,
de o conquistar,
de beneficiar-me.
Mas o que com isso ganharia o entendimento?
Por isso me alegro tanto de você
ser algo tão além do entendimento,
e de poder ver surgirem seus sorrisos e cores
deste que sou fragmento.
Te vejo em cores
que você nem sabe que tem.
Não sabe!
Soubesse-as e o seu sorriso,
tão claro,
não poderia ser belo
tão simplesmente.
E elas,
as cores,
seriam outras
que não veria,
que não me viriam arrombar a retina.
Nada faz mais um poeta
do que ver a paz em fragmento.
E nunca será poeta o que se julgar
capaz de todo o entendimento.
De todo o entendimento a que me lancei
mais não retive do que a vontade
sincera,
viva,
pulsante,
de o conquistar,
de beneficiar-me.
Mas o que com isso ganharia o entendimento?
Por isso me alegro tanto de você
ser algo tão além do entendimento,
e de poder ver surgirem seus sorrisos e cores
deste que sou fragmento.
quarta-feira, 10 de julho de 2019
ESTOU LIBRETO
"...but the book always burns,
as the story takes its turn..."
Lê, atenta,
um poema
como quem se salva.
Os livros estão espalhados
por minha pequena casa.
Há livos na minha cama,
no escritório, e na sala.
(E livros com marcadores,
não terras inexploradas).
A poesia é o caminho mais belo
prum cara melhorar-se.
E só não deixo livros na rede
por medo de se molharem.
Mas tenho livros no prelo
(ou podem imaginar-se...).
Que o melhor que ligo ao livro
é o poder de sonhar-se.
terça-feira, 9 de julho de 2019
CORPO DE BAILE
Para Caíque e Junim.
Para Beta, Fá e pra mim.
Minha gata brinca
sozinha-comigo.
Só passo no corredor
e ela corre num pico.
Orelhas pra trás,
postura de caçadora.
Pra ela a caça é veraz,
pra mim, gasta-se à toa.
Mas gosto de vê-la feliz.
Solo e vendo corpo de baile.
Apenas faz-me pena pensar
que fui eu mais cedo ou serei mais tarde.
Para Beta, Fá e pra mim.
Minha gata brinca
sozinha-comigo.
Só passo no corredor
e ela corre num pico.
Orelhas pra trás,
postura de caçadora.
Pra ela a caça é veraz,
pra mim, gasta-se à toa.
Mas gosto de vê-la feliz.
Solo e vendo corpo de baile.
Apenas faz-me pena pensar
que fui eu mais cedo ou serei mais tarde.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
COM EDUCAÇÃO
Humberto de camisa do Sport.
Gil de camisa do Grêmio.
Eu com a bandeira de um país
perdido ao menino de engenho.
Perdido pelo engraxate
que tanto pai diz que foi.
E um falso comandante louvando
o trabalho a que não se dispôs.
Não lhe importa saberem.
Não lhe importam artes.
Não lhe importa colherem
a mínima liberdade.
Mais lhe importa lhes impor
sem crítica tudo desde o berço.
Desde os times pras taças
até qualquer dor como emprego.
Só importa que trabalhem,
mesmo se não não herdam os frutos.
Estão na chuva pra molhar-se
sob o céu de viaduto.
"Não têm a senha.
Não têm acesso.
E vivem do lado de fora
da 'Ordem e Progresso'".
Mas nós não aceitamos.
E eles não passarão!
Digo-o porque amo,
e o digo com educação.
Gil de camisa do Grêmio.
Eu com a bandeira de um país
perdido ao menino de engenho.
Perdido pelo engraxate
que tanto pai diz que foi.
E um falso comandante louvando
o trabalho a que não se dispôs.
Não lhe importa saberem.
Não lhe importam artes.
Não lhe importa colherem
a mínima liberdade.
Mais lhe importa lhes impor
sem crítica tudo desde o berço.
Desde os times pras taças
até qualquer dor como emprego.
Só importa que trabalhem,
mesmo se não não herdam os frutos.
Estão na chuva pra molhar-se
sob o céu de viaduto.
"Não têm a senha.
Não têm acesso.
E vivem do lado de fora
da 'Ordem e Progresso'".
Mas nós não aceitamos.
E eles não passarão!
Digo-o porque amo,
e o digo com educação.
domingo, 7 de julho de 2019
YES!-SIM!
Para Fá.
Lume meu,
não ligue pra mínima estrela.
O Sol parece apagar-te
mas vem apenas entretê-la.
Pintar o quadro da aurora,
pintar o do arrebol.
Mas a hora é a tua:
A mesma!
Quem nunca?
Quem sempre?
Entre uma e outra
a hora é a da gente.
A de por a mesa.
A da lauta refeição.
Seja a de madeira,
o batistério,
ou o chão.
Utiliza a velha coragem
que é tua de vocação.
Vê como os anos agem
nos tramando em expansão.
Tessitura de bela rede,
tão bela quanto consente
a atmosfera terrena.
(E todo o capaz de consentir
vai poder sentir com a gente).
O sim-yes já de antes.
O de sempre.
O de tudo!
(O sim sempre tão confiante
que revi ontem no teto escuro.)
Não tem flash que apague uma estrela,
nem Sol, nem susto, nem nada.
Até o cego sabe o que sente
quanto tateia uma ponta estrelada.
Deixo-te a tua ampulheta,
que escorre Israel ou escoa o Saara.
Que escoe tempo adentro
sem diminuir-me em nada!
Não é precisa a vida,
mas preciso seguir o que pulsa.
Até que entrevisto o paraíso
o mundo, feliz, nos expulsa.
Lume meu,
não ligue pra mínima estrela.
O Sol parece apagar-te
mas vem apenas entretê-la.
Pintar o quadro da aurora,
pintar o do arrebol.
Mas a hora é a tua:
A mesma!
Quem nunca?
Quem sempre?
Entre uma e outra
a hora é a da gente.
A de por a mesa.
A da lauta refeição.
Seja a de madeira,
o batistério,
ou o chão.
Utiliza a velha coragem
que é tua de vocação.
Vê como os anos agem
nos tramando em expansão.
Tessitura de bela rede,
tão bela quanto consente
a atmosfera terrena.
(E todo o capaz de consentir
vai poder sentir com a gente).
O sim-yes já de antes.
O de sempre.
O de tudo!
(O sim sempre tão confiante
que revi ontem no teto escuro.)
Não tem flash que apague uma estrela,
nem Sol, nem susto, nem nada.
Até o cego sabe o que sente
quanto tateia uma ponta estrelada.
Deixo-te a tua ampulheta,
que escorre Israel ou escoa o Saara.
Que escoe tempo adentro
sem diminuir-me em nada!
Não é precisa a vida,
mas preciso seguir o que pulsa.
Até que entrevisto o paraíso
o mundo, feliz, nos expulsa.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
FOI TOM!
#meupequenopugilista
#meninotom
A coisa mais bonita que já me aconteceu
foi Tom me olhar nos olhos.
Foi nos termos no colo,
sem saber se o mais importante
era a lição ou a demonstração do Amor.
Porque o Amor é o que se
dadá dadá dadá.
O Amor ninguém precisa interpretar.
É eflúvio.
Ou é fúlgido.
O Amor é o plenilúnio
ser dono de todas as noites.
É o Sol alcançar todo recanto.
O Amor é a compreensão
sem dúvida nem esforço.
É alvoroço.
É alegria e paz.
O Amor vi-O daqui.
O Amor vê-me de lá.
Veio-me de lá,
me convida.
É a maior investida
que já gozei dos céus.
O Amor é a abelha vir do mel.
O Amor antecede.
Por isso o Amor persiste.
Insiste.
Abarca.
O Amor é a sua casa!
Derrube Suas paredes.
O Amor é estar em rede.
Inexcedível.
Plena.
Total.
O Amor é que é o tal!
O tal do Amor!...
SAPOC, 5/7/2019.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
EM TEMPO (Profundis!...Clamavi!...)
Para Tom.
Deus é meu camarada!
Me deu o consolo bem antes da mágoa.
"NÃO SE FAÇA!" - e não se fez mágoa.
Não era pro afogamento
a água que me jorrava.
Era de se fazer o rebento
que Ele me preparava.
Foi envio bem antes do tempo,
e não despedida antecipada.
Foi exposição em gestos
do quanto eu desperdiçara.
(E sabia que com despedidas
bem mais eu elaborava.
E porque precisava eu não desistir
antes da hora tramada...)
Parecia que em parte me prendia
o que por toda parte me libertava.
E "amor" é palavra 'novantiga",
nunca demais praticada.
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