sexta-feira, 9 de março de 2018

FAMILIAR


A tez ouro da família,
que resplandecia mil sóis em um só sistema.
O brilho dos que somos sós.
A família que se ia escolhendo na trilha.
A família do descarrilamento.
A família dos sentimentos que sobrepujam a razão.
A família do pão e do vinho.
A família que se vai fazendo no caminho.
A família do que me avizinho de toda a sua soltura.
A família que nos une na loucura e nos pede seu rebento.
A família que nos somos no momento.
A família que não tem paredes nem teto.
A família que não arquiteto.
A família sem plano nem projeto.
A família que humilha pretensões de correção.
A família que abençoa os tornados.
A família que é encontro e é achado.

Estou com o fuso da doidiv-Ana.
O fuso que é central pros desta flâmula.
Vem, desarrumada!
Vem e me desarruma!
Chove no meu molhado!
Nenhuma tempestade é pecado.
Nenhuma castidade se permite e toda fúria se proclama.
A fúria que aqui se decl-ama.
Traz-me seu volume em cacho.
Encharca, repito, meu molhado.
Eu, que sou louco certificado.

Rasga este diploma este que te ama sem por-lhe peias e sem detença.
O amor não prolata sentença,
subscreve a liberdade.
Inscreve-me em seu corpo com vontade.
Vamos! Que é cedo pra ser tarde!

quarta-feira, 7 de março de 2018

DINDO (Nina I)

Para Carol, Diogo e Nina.

Mi nina ainda está
na barriga da cunhada.
Pouco sabemos sobre como
escolheu a primeira casa.

Só o que sabemos
é que escolheu-a bem.
Escolheu-a casa de amor
e de cuidados também.

Vai crescendo pouco a pouco
desde que se insinuou.
Na forma secreta e divina
que ninguém sabe que sonhou.

O nome é curto
e tudo vai-lhe dentro.
O nome está tão prenhe
como prenhe dela o ventre.

Vai poder fazer dele
tudo que o céu permitir. 
E conta com tanta ajuda
que, espero, possa pressentir.

Espero que nos tenha escolhido,
como nós acolhido a ela.
E aproveite o primeiro quartinho,
que há muito o que fazer na Terra.

segunda-feira, 5 de março de 2018

BILHETIM

Para Carol Careta

Carol,
não sei se Maria ou Ana.
A insônia me expulsa
confuso da cama.

Idade
por volta de trinta.
Pé (todo do meu)
por volta de trinta.
Altura
a volta toda.

(Atordoa!)

Cabelos
cacho.
Cachos,
acho.

Ouro Preto Planalto
(Confusing!)
Perna de pau e bate um bolão
(Confusing!)

Não sei quem sou
ou sei muito
mais que antes.
À vontade
alarme constante.
Aventura à romance.

O futuro não é nada
pra quem tem presente.
O futuro não é nada
até que se apresente.

Grato, gatos,
pelo presente.
Volto nesta estação.
A corrente!



Brasília, 5/3/2018.

quinta-feira, 1 de março de 2018

INCARDIO

Para Olga

Todo carnaval tem seu fim.
O deste foi o de nós dois.
Por que interromper a folia?
Por que não deixar pra depois?

Um calor de agonia,
como intensa falta de ar.
Não há forma mais aflita
de deixar-se acabar.

Não soube dar passagem
ao que em si era tão libre.
Cedi a minhas miragens
e minha brutalidade, ao declive.

Agora notas não me socorrem,
não me embala nenhum tom.
É uma vida de quase morte,
que não tem cor, gosto ou som.

Apenas tem cheiro,
um cheiro a vidas passadas
que não percebi, contrafeito,
que passei a esperá-la.

Agora até a próxima!
uma mais próspera edição,
em que o Senhor deixe de troça
e me dê melhor coração.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

SOUDCLOUD

Interrompemos a programação normal apenas para lembra-vos que tudo o que vai sendo postado aqui (e, portanto, na página do Facebook) também vai sendo postado, em áudio, na SoundCloud, onde consto como Gabriel Nogueira Maia.

https://soundcloud.com/user-580381287

725. ENXADRISTA

A vida prega peças
que não sabemos manejar.
Falta o talento do enxadrista:
refletir, planejar.

Às vezes nos atropelam fatos,
multiplicam-se distrações.
Cada um tem seu passo
e o caos da multidão.

Tantas possibilidades!
Tanta conjugação se oferece!
É difícil em qualquer idade,
uma espécie de continuado teste.

E é de fato!
E é como se aprende a arte da vida.
"Até com os erros dos outros!",
disse o anjo da Paraíba.

Prestar atenção.
Retificar, absorver.
Sem nunca julgar as falhas
de quem possa estar pra trás de você.

A vida é uma escola solta,
as séries todas misturadas.
A cada um segundo suas escolhas,
mas nunca o que se colhe é nada.

No mínimo o prejuízo
de a nada ter-se lançado.
Que é o mesmo de não ter vivido,
de ter-se mesmo assassinado.

Não faça ouvidos moucos,
não deixe os olhos fechados.
Esforce-se ao menos um pouco,
a força está do seu lado!

O lado luminoso da força,
o radiante bem!
Comprometa-se, íntegro,
e verá que nada o detém!

724. ME ATREVO

Com que conhecimentos me engano?
Quem precisa saber o que é o escafandro?
Muitos não sabemos nem do que feitos.
Muitos não somos sujeitos.

Muitos só estamos sujeitos
ao que nos maltrate e conserve.
Alguns embebidos em vinagre,
outros como se dados aos vermes.

Que mosca me veio da sopa do inerme?
Que bicho talhou meu vinho?
Por favor me liberte ou me interne
o seu mais terno carinho.

Não é um tempo confuso.
Quero praticar a fusão.
Que me venha a matéria de Pernambuco.
(É o que me pede o coração)

Ideia fixa os modos de frevo,
porque não existe alegria pouca!
Alegria é fevereira!
De cantar até ficar rouca!

Dançar até enfraquecer-se
e procurar uma cadeira.
E atear fogo em meu interesse,
em reação em cadeia.

Reações tão fortes!
Relações tão intrincadas!
Não sei se dão prova de sorte
ou de coisa predestinada.

Não sei do que lhes falo tanto..
Eu que nunca sei de nada...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

SORTÃO (Une sorte de)

Te amo imenso, meu bem!
E à sorte grande que a gente tem.
As vidas sendo tantas e tão largas
não foi pouca coisa achá-la!

Nem receber você a mim!
As vidas mais bonitas
são as repletas de carinho.

Por isso é de se brindar a esse saca-rolhas
que abre a tampa do coração,
que se verte sem escolha.

Estes recipientes que viemos,
plenos do mais belo conteúdo,
não viemos pra que voltemos os mesmos,
tendo vivido atrás de escudos.

Escondidos não se vive,
viver é lançar-se!
Ah, que me lançava agora
a essa terra para alcançar-te!

DURA REALIDADE (Capitalismo Selvagem)

Te dou cartão verde, babe!
Carta branca!
Vem com essa fúria e me desbanca!

de ter sono
e me impõe o que eu,
se dono,
lhe imporia de bom grado!

(Bom grado ladino,
te olhando de soslaio.)

E a mão de frente
e ele, meu sócio,
bem rente!

Rente, 
que quente rende mais!
É a dura realidade!
(Esse capitalismo me atrai...)

Sou corporativista,
ativista do corpo.
Sou CEO das coisas celestes.
(Me coube esse pouco!)

As ações que sobem e descem
com mais desenvoltura
são as minhas mãos te pegando.
(Pegando-te pela cintura...)

Dessa dança não me furto,
mesmo sendo pé duro.
Esse talento me alcança,
esse na infância obscuro.

Gabriel, anjo do xote!
Do arrocha, do baião.
Tudo que o leito comporte!
Concede-me a dança...e a mão?

domingo, 18 de fevereiro de 2018

APURO (Heranças)

Como música e cuspo literatura.
Poucos entendem a tessitura
deste que vos falo.

Não importa!
Não estou pra ser entendido,
estou pra ser praticado.

Pra ser repetido
por parques e praças
sem nunca ser citado.

Porque um caminho foi-me dado,
o de imitar o melhor.
Missão muito doce!

(E também muito só...)

Mas sou doce,
ainda quando sou duro.
Nunca perco a ternura!

(é o que apuro!)

Faço a vida no dia a dia,
pois ninguém a adianta,
ninguém a adia.

A ninguém aproveita adiantá-la!
Se ruim, é suportá-la!
Celebrá-la sempre que boa.

A vida é seu maior dom,
e não lhe foi dado à toa.
(Acredite no que a entoa!)

O que sei foi herdado.
"Eu não sou ator,
eu não tô à toa do teu lado".