Não me custou muito notar que eram aversos ao verso e não o podiam pronunciar. Não o podiam! Essa crueldade que se crê simpática, empática, poupadora. Esse grito mal dissimulado de que não me era dado dar-me por essa forma. Que deformados só o podiam fazer se o faziam em muito mais bela forma. Eu não conhecera a fôrma por que se compuseram esses compositores aptos a darem voz a esses apreciadores expertos. Eu de nada sabia. De nada nunca procurara saber, como se daquele veneno do conhecimento jamais me pudesse morrer. A ignorância é que era a bênção, dizia-se por aí afora. Nutrir-se do que outros organizaram era a mais escura forma de aurora, pra um novo dia que de novo não tinha nada, que era mais uma forma da forma de outrora. Era uma eterna véspera. E do quanto sabia todos tinham tido a mesma via, os cafés, os predecessores, a dissecação. Salvo aquele liberto que se pusera a salvo dessa comunhão. Mas eles não o podiam saber, porque seguiu-se-lhes no tempo sem os seguir a essa campa. Outro mais maldito, diferentemente maldito, disse que preferia um banquete de amigos à gigantesca família. Onde isso ou aquilo? Pra que ser compreendido? Outros protegeram-se disso. Ela claramente protegera-se disso. Outra evadira-se da vida antes que pudesse atrever-se a essa compreensão. Minha mãe nutriu-se disso e me pariu. Como vêm essas coisas à luz? Fazem-se na madrugada? Fazem-se quando não se faz nada? Outros tiveram rotinas matinais em que martelavam seu ofício. Roíam os ossos do ofício (e como se não se perdessem em carnes...) Mas a carne é a etapa mais reduzida, e a única que se conhece. E me veio o grande esclarecimento pelo qual fui jogado de novo e sem defesa à mesma ideia de que a ignorância é que é a bênção, e que se dá de presente. Mas não essa ignorância presente e que tem sido a de sempre, não a de que nos queremos livrar pra já não precisar dessa outra. Faço-me entender? Claro que não! E pra quê? Pra que ganho? Pra que ganho, aliás? Eu não quero o risco do engano, embora já tenha desejado sua certeza, providenciado-a até. Não, Mallarmé! Eu e outro. Eles só veem o reboco, porque não lhes é dado penetrar. A luz que os guia é a de fora, a que se permitia. Do contrário era muito o trabalho. Pra que tanto? Pra que pranto? Educandário de mais recreio que lição? Desconheço! O duro é aguentar-se enquanto as incógnitas montam a sistemas, não é mesmo? O que os veicula se arrasta e a lombada os oprime e aprisiona, para sempre, no mesmo trecho da estrada. E é bem como não se vai a nada. E são mesmo dessa raça, essa extração, que só querem o outro que é eu, deles. E eu o que quero é aniquilar-me noutros. A cabeça do dragão o demanda, e as boas demandas não as resolvem os tribunais. Disso nem vale a pena que falais.... Falaz sim!
domingo, 10 de dezembro de 2017
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
S'ABRACE
A boca da noite não tem dentes,
não me parte.
O Sol parte mas em outra parte
não deixa nunca de brilhar.
(Amo os 24 horas...)
Não temo os recessos,
pois é dos recessos acabar.
Tenho hiatos da felicidade,
como se de costas pro mar.
Mas mais pra dentro tenho um rio,
e não se foge do Destino,
sei aonde vai-me levar.
Salga-se a água do que chora,
mas a água salgada é pro que quer-se curar.
Nunca jogue a toalha!
(a tolha se pode trocar...)
E não a faça de mortalha
(a morte pode esperar...)
Tudo tem seu tempo,
tudo se concatena.
Deixe o pranto e tome tento,
não finja que não sente a antena.
Vai-lhe dentro, palpitante,
um alarme em cada contexto.
Abra-se! Abrace-se!
A felicidade tem seu endereço!
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
VOU
E deixo o Nordeste,
com a certeza de que vou voltar.
Minas é logo ali
pra quem gosta de voar.
Minas é uma catapulta
que me assusta para o mundo.
O mesmo susto de um parto,
a cada vez que vou partir.
(Mesmo se a experiência
comprova que vou sorrir)
É um sofrimentozinho
bem menor que o impulso.
Coisa de alma velha,
que sabe que a vida é percurso.
Vou e volto,
que é a melhor forma de tornar a ir.
Nunca retorno, isso é certo,
o mesmo que parti.
Volto mais rico,
mesmo se deixei dinheiro.
Porque volto com a clareza bonita
de ter-me dado por inteiro.
com a certeza de que vou voltar.
Minas é logo ali
pra quem gosta de voar.
Minas é uma catapulta
que me assusta para o mundo.
O mesmo susto de um parto,
a cada vez que vou partir.
(Mesmo se a experiência
comprova que vou sorrir)
É um sofrimentozinho
bem menor que o impulso.
Coisa de alma velha,
que sabe que a vida é percurso.
Vou e volto,
que é a melhor forma de tornar a ir.
Nunca retorno, isso é certo,
o mesmo que parti.
Volto mais rico,
mesmo se deixei dinheiro.
Porque volto com a clareza bonita
de ter-me dado por inteiro.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
PRA MAIS UM POUCO
Cubo de gelo ao sol,
sou pra só mais um pouco.
Nutriu-me um sorriso estranho
a lágrima que desceu pelo rosto.
Você me ensinou o que fazer,
mas eu fui feito o oposto.
E não pude mais me fazer
a matéria do meu desgosto.
Pois tenho estado comigo
pelos séculos sem fim.
E sei que não há acaso
no terem-me feito assim.
E me destino a voos altos,
pelos céus de onde os vejo.
E o que pra mim é assombro
pra você é "não percebo!"
Percebo o que não realiza,
faço por prosseguir.
Sinto falta dos seus beijos,
mas meu desejo é conseguir
altear-me além dos desejos,
completar a contento a etapa.
E talvez alcançar um tempo
em que você não faça falta.
Não por ter sido nula,
que o quanto me empenho não o permite,
mas por ser época de pura
sorte que não nos limite.
Nem nos aparte,
cada um crescido a seu modo.
Eu agora me sinto completo,
meus defeitos não ignoro.
Mas sei que farei deles
a plataforma do meu impulso.
E traga de volta seus beijos,
sou pra só mais um pouco.
Nutriu-me um sorriso estranho
a lágrima que desceu pelo rosto.
Você me ensinou o que fazer,
mas eu fui feito o oposto.
E não pude mais me fazer
a matéria do meu desgosto.
Pois tenho estado comigo
pelos séculos sem fim.
E sei que não há acaso
no terem-me feito assim.
E me destino a voos altos,
pelos céus de onde os vejo.
E o que pra mim é assombro
pra você é "não percebo!"
Percebo o que não realiza,
faço por prosseguir.
Sinto falta dos seus beijos,
mas meu desejo é conseguir
altear-me além dos desejos,
completar a contento a etapa.
E talvez alcançar um tempo
em que você não faça falta.
Não por ter sido nula,
que o quanto me empenho não o permite,
mas por ser época de pura
sorte que não nos limite.
Nem nos aparte,
cada um crescido a seu modo.
Eu agora me sinto completo,
meus defeitos não ignoro.
Mas sei que farei deles
a plataforma do meu impulso.
E traga de volta seus beijos,
que já não me vejo sem seu concurso.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
OUTRO TANTO (Mais Esperanto)
Vem-me de novo Sabino,
sabido,
a me lembrar que ainda
o menino é o pai do homem.
Vem-me, assim, de longe,
a confirmação do que estou.
Cada vez sou mais o homem
que o menino ensinou.
De déu em déu a palmilhar,
o mundo que entrevejo
vai-se expandindo tanto,
que do "pequeno" nada percebo.
Não o digo do pequeno que somos,
deste que torno a ser,
mas daquilo de que se distraem
os que se põem a perder.
Nada valem as miudezas
que vidrados se disputam.
Tão nublados da luz que os guia,
que o que perseguem deles triunfa.
Fora do medo há o mundo,
a coragem vai-nos dar à Luz.
A luz vai-nos dar a nós mesmos,
livrar-nos do mundo-capuz.
Cá pus eu o que entrevi,
num momento de meditação
com que pude, disse-me a moça,
poupar-me à perturbação.
Desejo-nos Paz.
A paz de um é a de outro.
Todo mundo é capaz,
é só tentar mais um pouco!
sabido,
a me lembrar que ainda
o menino é o pai do homem.
Vem-me, assim, de longe,
a confirmação do que estou.
Cada vez sou mais o homem
que o menino ensinou.
De déu em déu a palmilhar,
o mundo que entrevejo
vai-se expandindo tanto,
que do "pequeno" nada percebo.
Não o digo do pequeno que somos,
deste que torno a ser,
mas daquilo de que se distraem
os que se põem a perder.
Nada valem as miudezas
que vidrados se disputam.
Tão nublados da luz que os guia,
que o que perseguem deles triunfa.
Fora do medo há o mundo,
a coragem vai-nos dar à Luz.
A luz vai-nos dar a nós mesmos,
livrar-nos do mundo-capuz.
Cá pus eu o que entrevi,
num momento de meditação
com que pude, disse-me a moça,
poupar-me à perturbação.
Desejo-nos Paz.
A paz de um é a de outro.
Todo mundo é capaz,
é só tentar mais um pouco!
domingo, 22 de outubro de 2017
BAR TRISTE
Estou em um desses bares tristes
em que a televisão está ligada.
Rumino a vontade acesa
de não ter minha alma apagada.
Espero o transcurso de um tempo,
até a hora de um compromisso.
Um outro ostenta sofrimento,
num ar meio enfermiço.
Tenho vontade de abraçá-la,
toda essa gente distraída
que desperdiça com afinco o tempo,
sem saber que sangram vida.
O tempo não é de se matar,
ele é de se viver.
O tal "senhor tão bonito",
de que feitos eu e você.
Então lhe dê bom emprego,
como o que daria a um familiar.
E vai ver que as horas são joias
de nos fazermos brilhar.
Centro Oriente, 11/7/2017.
em que a televisão está ligada.
Rumino a vontade acesa
de não ter minha alma apagada.
Espero o transcurso de um tempo,
até a hora de um compromisso.
Um outro ostenta sofrimento,
num ar meio enfermiço.
Tenho vontade de abraçá-la,
toda essa gente distraída
que desperdiça com afinco o tempo,
sem saber que sangram vida.
O tempo não é de se matar,
ele é de se viver.
O tal "senhor tão bonito",
de que feitos eu e você.
Então lhe dê bom emprego,
como o que daria a um familiar.
E vai ver que as horas são joias
de nos fazermos brilhar.
Centro Oriente, 11/7/2017.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
SORRINDO (Trabalhe!)
Sorria, meu velho!
Você já não é tão novo,
mas é sempre oportuno!
Sorria do compreendido,
sorria do absurdo.
Sorria para o estranho
como para o conhecido.
Sorria pelo que lhe vem,
sorria pelo que tem tido.
Sorria à larga,
que o sorriso (lembra?) é um lume.
E porque vai rumo ao novo
pode ser que lhe ajude.
Que lhe ajude a ajudar
a quem está a sua volta.
Essa em que estende a mão
é sempre a hora mais grata!
O mundo parece uma rede,
a vida, uma transmissão.
Multiplique essa espécie de peixe,
que a mais lauta refeição.
Seja tanto quanto possa
o arauto dos céus abertos.
Sem esquecer que, lá longe,
Ele está sempre por perto.
Trabalhe com sinceridade,
sobre esse ponto eu insisto.
Aquele feito com coragem
é o trabalho mais profícuo.
Faça render os frutos
para tudo de que temos fome.
E lembre-se: Nunca se esqueça
de que não trabalha em seu nome!
AMEMG, 7/6/2017
Você já não é tão novo,
mas é sempre oportuno!
Sorria do compreendido,
sorria do absurdo.
Sorria para o estranho
como para o conhecido.
Sorria pelo que lhe vem,
sorria pelo que tem tido.
Sorria à larga,
que o sorriso (lembra?) é um lume.
E porque vai rumo ao novo
pode ser que lhe ajude.
Que lhe ajude a ajudar
a quem está a sua volta.
Essa em que estende a mão
é sempre a hora mais grata!
O mundo parece uma rede,
a vida, uma transmissão.
Multiplique essa espécie de peixe,
que a mais lauta refeição.
Seja tanto quanto possa
o arauto dos céus abertos.
Sem esquecer que, lá longe,
Ele está sempre por perto.
Trabalhe com sinceridade,
sobre esse ponto eu insisto.
Aquele feito com coragem
é o trabalho mais profícuo.
Faça render os frutos
para tudo de que temos fome.
E lembre-se: Nunca se esqueça
de que não trabalha em seu nome!
AMEMG, 7/6/2017
domingo, 8 de outubro de 2017
É TEMPO!
Sem notar que sofrer amedronta,
pus meu coração numa concha
e deitei-o no fundo do mar.
Num berço esplêndido.
Incogitável.
Intangível.
Inalcançável.
Para que não me pudesse encontrar.
Para que não me pudessem encontrar.
Para que seguisse selado.
Para que pudesse ocultar
os meus ouvidos precavidos
d'uma memória insurgente.
Uma memória polimorfa
de uma sereia que é gente.
O som não é tão veloz
quanto a Luz que me cegou.
Mas eis que agora me surge
e me parece melhor
que a memória que lhe tinha
e que a custo abafava.
Porque eu não a entendera,
e ela me machucava.
Como o tempo é senhor de tudo,
agora menos cego que mudo...
Mudo não digo, mas rouco,
pois chega de ouvidos moucos.
Vou abusar da garganta
e enviar-lhe um convite.
A você que já me encanta,
e chega do antigo alvitre.
Quero estar desembaraçado
do medo e outros freios.
Quero é ser alcançado
de novo por modos de frevo.
E boto meu bloco na rua,
com desculpas a quem se ofenda.
E votos de que aproveitem o exemplo,
que pode ser que lhes renda.
Eu me rendo ao amor,
imperfeitos como sejamos.
Tanto ele quanto eu,
e nos declaramos humanos.
Portanto perfectíveis,
como tudo que planejarmos.
E que Deus nos escute e ampare,
e quem sabe decida alar-nos.
Aos céus os prometidos.
Aos céus os alcançados.
E o tempo, não vou medi-lo,
mas é tempo de nos beijarmos!
pus meu coração numa concha
e deitei-o no fundo do mar.
Num berço esplêndido.
Incogitável.
Intangível.
Inalcançável.
Para que não me pudesse encontrar.
Para que não me pudessem encontrar.
Para que seguisse selado.
Para que pudesse ocultar
os meus ouvidos precavidos
d'uma memória insurgente.
Uma memória polimorfa
de uma sereia que é gente.
O som não é tão veloz
quanto a Luz que me cegou.
Mas eis que agora me surge
e me parece melhor
que a memória que lhe tinha
e que a custo abafava.
Porque eu não a entendera,
e ela me machucava.
Como o tempo é senhor de tudo,
agora menos cego que mudo...
Mudo não digo, mas rouco,
pois chega de ouvidos moucos.
Vou abusar da garganta
e enviar-lhe um convite.
A você que já me encanta,
e chega do antigo alvitre.
Quero estar desembaraçado
do medo e outros freios.
Quero é ser alcançado
de novo por modos de frevo.
E boto meu bloco na rua,
com desculpas a quem se ofenda.
E votos de que aproveitem o exemplo,
que pode ser que lhes renda.
Eu me rendo ao amor,
imperfeitos como sejamos.
Tanto ele quanto eu,
e nos declaramos humanos.
Portanto perfectíveis,
como tudo que planejarmos.
E que Deus nos escute e ampare,
e quem sabe decida alar-nos.
Aos céus os prometidos.
Aos céus os alcançados.
E o tempo, não vou medi-lo,
mas é tempo de nos beijarmos!
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Assinar:
Postagens (Atom)