Vou lembrá-los,
antes que o tempo me acabe,
de que mar e amar
são milagres!
Ambos são a verdade,
e são ambos imensos.
Ambos serenidade,
em ambos às vezes tormento.
Ambos nos ensinam,
portanto,
que é preciso ter confiança.
Ambos revelam em nós
o nobre dom da esperança.
Estão ambos sempre vivos,
ambos nos atingem.
E quando nos acostumamos
nenhum deles nos aflige.
Penso que em tanta alma
está a assinatura de Deus.
Porque há um encanto dado
que nunca se prometeu.
João Pessoa, 24/5/2017
segunda-feira, 3 de julho de 2017
terça-feira, 27 de junho de 2017
SORRI, PEQUENA!
Para a triunfante Letícia M. Pizato
Distraiu-se o anjo,
ficou enferma a pequena.terça-feira, 20 de junho de 2017
EM JOÃO PESSOA
A noite cai,
o sol se levanta,
e eu rio!
Eu, rio,
corro para o mar!
O mar é quente.
O mar é qual gente:
tudo questão de saber entrar.
Que defendam que mar é tudo igual,
vai-lhes doer.
O certo é doar-se.
Nesta quarta-feira
o verde quer ser azul,
elevar-se!
O azul quer ser verde,
aprofundar-se,
eternizar-se em marulhos.
As nuvens envolvem o horizonte
de fora a fora,
tarde adentro.
São um convite para a maciez
sabidamente salgada da espuma.
É uma dica para quem a recolha:
os matizes são mais delicados
do que os veem os ditados.
Eu já disse:
E quem gosta de ditados?!
A tarde é toda uma liberdade
e, do meu jeito próprio mas já tão divulgado
amo João Pessoa!
E não nego nada,
ainda que à tarde e sem testemunhas.
João Pessoa só tem uma!,
até que eu lhe volte.
Anote:
Até que eu lhe volte!
João Pessoa, 24/5/2017
o sol se levanta,
e eu rio!
Eu, rio,
corro para o mar!
O mar é quente.
O mar é qual gente:
tudo questão de saber entrar.
Que defendam que mar é tudo igual,
vai-lhes doer.
O certo é doar-se.
Nesta quarta-feira
o verde quer ser azul,
elevar-se!
O azul quer ser verde,
aprofundar-se,
eternizar-se em marulhos.
As nuvens envolvem o horizonte
de fora a fora,
tarde adentro.
São um convite para a maciez
sabidamente salgada da espuma.
É uma dica para quem a recolha:
os matizes são mais delicados
do que os veem os ditados.
Eu já disse:
E quem gosta de ditados?!
A tarde é toda uma liberdade
e, do meu jeito próprio mas já tão divulgado
amo João Pessoa!
E não nego nada,
ainda que à tarde e sem testemunhas.
João Pessoa só tem uma!,
até que eu lhe volte.
Anote:
Até que eu lhe volte!
João Pessoa, 24/5/2017
terça-feira, 13 de junho de 2017
SCRIPTOR
Quem escreve por necessidade
mas logo toma gosto
é tomado pelo medo de que a palavra lhe falte.
Medo de que nada o arrebate,
ou de que não lhe saiba dar expressão,
perdendo a chance do alívio.
O verso
(e também outras linhas)
é como um grito.
Dá eco à alegria,
dá fim a conflitos,
desvenda segredos,
ilumina a essência.
Protege do vazio
e nos alça à consciência.
E a consciência é um exercício.
Parece-me que seja algo que se pratique,
não algo que se seja.
Algo que desperta
mas às vezes boceja.
E se o sono é,
de certa forma e como já o disse,
uma morte interina,
a consciência não resiste
ao que assim a elimina.
Mas se a morte é um transporte
o sono desdobra-se numa espécie de sorte,
numa forma de aprofundamento.
Ele é uma eternidade de diferente dimensão.
Cerram-se dois olhos
ou apenas olham para dentro,
como dizia o vovô Major.
Eu nem sei se se dava conta
da extensão do que dizia.
Dois olhos em compromisso
de olhar pra dentro,
e um terceiro, na testa,
bem aberto!
Abro-me pro manifesto:
nada termina onde tudo começa!
(CNF-JPA, 20/5/2017)
mas logo toma gosto
é tomado pelo medo de que a palavra lhe falte.
Medo de que nada o arrebate,
ou de que não lhe saiba dar expressão,
perdendo a chance do alívio.
O verso
(e também outras linhas)
é como um grito.
Dá eco à alegria,
dá fim a conflitos,
desvenda segredos,
ilumina a essência.
Protege do vazio
e nos alça à consciência.
E a consciência é um exercício.
Parece-me que seja algo que se pratique,
não algo que se seja.
Algo que desperta
mas às vezes boceja.
E se o sono é,
de certa forma e como já o disse,
uma morte interina,
a consciência não resiste
ao que assim a elimina.
Mas se a morte é um transporte
o sono desdobra-se numa espécie de sorte,
numa forma de aprofundamento.
Ele é uma eternidade de diferente dimensão.
Cerram-se dois olhos
ou apenas olham para dentro,
como dizia o vovô Major.
Eu nem sei se se dava conta
da extensão do que dizia.
Dois olhos em compromisso
de olhar pra dentro,
e um terceiro, na testa,
bem aberto!
Abro-me pro manifesto:
nada termina onde tudo começa!
(CNF-JPA, 20/5/2017)
segunda-feira, 5 de junho de 2017
À MULHER
A mulher não é da costela.
A mulher não é só do frevo.
Há mais razões na mulher
que qualquer razão que eu concebo.
Foi preciso uma mulher
pra que eu viesse a ser homem.
E também devo à mulher
se me chamam por meu nome.
Diziam que o feminino era o coração,
como se o coração fosse miragem.
Mas esqueceram que o coração
é o próprio centro da coragem.
O filósofo disse,
e disse como coisa patente,
que o homem nasce livre
e por toda parte depara correntes.
Esse "homem" é o ser humano,
pois foi sempre o mesmo com a mulher:
Assim que nasceu, forte e livre,
viu atarem-se-lhe os pés.
Impôs-se a força bruta,
a vantagem corporal.
A um ponto de ser impuro
estupro de sua moral.
Mas o forte nunca é vencido.
A coragem não se derruba.
E onde houve pilhagem
não tardou nascer a luta.
Mulheres feitas mulheres.
Mulheres de sua seita.
Mulheres indignadas,
e não apenas contrafeitas.
Mulheres desejosas
de assinarem seu contributo.
E de superarem a indecorosa
posição de apenas tributo.
Porque tudo que pode "o homem",
pode-o o ser humano.
Também pode, portanto, a mulher,
haurida do mesmo plano.
E se há (e há!) diferenças,
elas nos fazem complementares.
As cooperações e concertos
são medidas salutares.
Mulher, seu nome é luta!
Mulher, não se aflija!
A todo tempo a labuta
transmuta-se em conquista.
Toda força à mulher!
Toda força ao gênero humano!
Da hora de subir
até a hora de cair o pano!
quarta-feira, 31 de maio de 2017
NERUDO
Viver é fácil:
Você começa com um choro agoniado
e termina com um sorriso suspirado
se deu-se conta,
no itinerário,
que era de amor o tratado.
Você começa com um choro agoniado
e termina com um sorriso suspirado
se deu-se conta,
no itinerário,
que era de amor o tratado.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
D'UM
Dispenso elites
e grupos seletos.
Quero ver gente mesmo!
(e de perto!)
Não sou favorito,
não sou o predileto,
mas sou seu amigo
dileto!
Não nos cingem louros,
não nos cercam muros.
(A luz só se nota
no escuro!)
Esqueça o janota,
é sempre obtuso!
E o esquema de castas,
confuso!
Seja sua lei.
Seja suas regras.
É tão vasto o mundo!,
e tão fortes suas pernas!
Perlustre-se e
se arquitete!
Esqueça o ilustre
perliquitete.
Apascente-se.
Aquiete-se.
Conheça-se
e o mais
se esquece!
e grupos seletos.
Quero ver gente mesmo!
(e de perto!)
Não sou favorito,
não sou o predileto,
mas sou seu amigo
dileto!
Não nos cingem louros,
não nos cercam muros.
(A luz só se nota
no escuro!)
Esqueça o janota,
é sempre obtuso!
E o esquema de castas,
confuso!
Seja sua lei.
Seja suas regras.
É tão vasto o mundo!,
e tão fortes suas pernas!
Perlustre-se e
se arquitete!
Esqueça o ilustre
perliquitete.
Apascente-se.
Aquiete-se.
Conheça-se
e o mais
se esquece!
sábado, 13 de maio de 2017
CAETANO
Meu querido Caetano,
ouvia "O Quereres" no trânsito.
Vim pensando pro trabalho que
"Eu sou mesmo muito grato
por ser-lhe contemporâneo!"
Mesmo se apenas pela franja da encosta.
Mesmo se não por todo o meu tempo.
Meu tempo, senhor tão bonito!,
também é tempo que se esgota.
Não sou anjo.
Não sou mulher.
Não sou alegre, triste, poeta.
Mas em você sou o que eu quiser.
Pouco me importa ou afeta
o podre poder dos homens
que não nem são tão homens assim.
Caetano insano tão lúcido,
vejo disso o fruto em mim.
Faço o luto da lucidez
que não for fermento mas fim.
Caetano, te vejo o garbo
perigoso de ser leonino.
E o pratico com o cuidado
que em Santo Amaro aprendi menino.
Eu gosto do mesmo preto que você,
porque gostamos dos pretos todos!
São todos baianos, todos africanos,
todos as cores todas do humano!
Não há lobo que te fira,
nem se grande, nem se pequeno.
Caetano, você é do meu sangue.
Não se importe com os venenos!
Tão bom filho!
Tão bom irmão!
Reconvexo, recôncavo,
amor do tipo Vulcão.
Caetano se nos ilumina,
e às moças, moços, poetas.
Alegria, Alegria, Alegria!
Caetano é a alma da festa!
Caetano viu o Carnaval,
deu seu aval ao bem.
Bem embalado, ladeira abaixo,
chuva, suor e cerveja também.
É cantar o sol que desce.
É cantar a lua que sobe.
E cantar o povo humilde,
canto do canto mais nobre.
Consagrar esquinas à eternidade,
louvar a beleza da mulher.
Apreciar também o surfista,
que toda onda tem seu revés.
Caetano, eu nem tempo tenho
pra cantar o que você é,
mas aceite os beijos e abraços
deste que tão bem te quer!
Infinitivamente pessoal!
https://www.youtube.com/watch?v=h5ruY3Dt10c
sexta-feira, 5 de maio de 2017
TÂMARA
Aos mistérios...
Efêmera tâmara,
câmara do meu prazer.
Fugaz cintilação,
indelével permanecer.
Fui a terras longínquas
para tropeçar em você.
Encurtou a noite escura,
pra sempre prestes a amanhecer.
Tâmara!
é a flâmula do meu bem querer,
que desconhece tempo e espaço,
tudo no encalço de te conhecer.
Sinto uma alegria funda,
que contamina a superfície.
Tâmara, eu sei que você existe!
Só não tem nome,
como em Clarice!...
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