domingo, 30 de abril de 2017

BEL PRAZER

Belchior, meu Nietzsche, descansa em paz!
"Eu não tô interessado em NENHUMA teoria. Amar e mudar as coisas me interessa mais".

D'ONTEM D'AMANHÃ

Ó distante delivramento,
traz-nos nosso rebento!
A vida pode ser dura,

mas menos se em contentamento.

Esse futuro tão claro
terá anos de dependência.
Mas nos vem do passado,
iluminado em sapiência.

Alguma coisa escondida
no mais recôndito de mim
diz-me que vem em concurso,
pra que então eu entenda meu fim.

"A que estou destinado?",
dedico-lhe meditação.
Mas talvez só o enviado
saiba ver-me o coração.

Descenderá de mim,
que sou seu descendente.
É uma espiral complicada
(verdadeiro novelo de gente!...)


"O menino é pai do homem",
disse um dia o Sabino.
Quis dar-lhe outras cores,
e dou-lhe o mistério do destino.

Então até ontem!,
vou aproveitar a manhã.
Dedicar parte do presente
a me lembrar do amanhã.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

GRATO

Obrigado, Pai!
Por ter posto
em minha vida as pessoas certas!

(As certas certas
 e as certas erradas.)


Obrigado ela limonada,
e por poder ser adoçada.
Obrigado por ter tido tempo
de saber o que é um rancho.

Obrigado por ser este
que de tudo me encanto!

Obrigado por meu canto solto
desde meu canto que não me prende.
Obrigado por ser este ser,
eterno no que aprende.

Obrigado pelo sorriso,
e por poder distribuí-lo
sem que me alcance o juízo.

Obrigado pelo escorpião
que vê pessoas e ambientes.
Obrigado pelo aquário
de se nadar racionalmente.

Obrigado pelo Leão e o garbo
de um imenso coração.
Obrigado por ser obrigado
a perseguir a evolução.

Obrigado por tanta estrela,
tanto mar, tanto sotaque!
Obrigado até pelo que sou
sendo-o apenas de araque!

Obrigado pela música,
e por ser, de tudo,
o mais puro que se escuta!

Obrigado por ser viajante,
e por ser viajor.
Obrigado pelos anjos
me acompanharem em meu andor.

Obrigado por saber amar
mesmo onde o amor não chova.
Obrigado por me espalhar,
hoje sem que eu me exploda.

Obrigado por ser grato!,
grata surpresa da experiência.
Obrigado por ter despertado
para que nem tudo pode a ciência.

Obrigado por meu corpo
ter descoberto a tempo o espírito.
Obrigado! Obrigado!
"Obrigado!" para sempre eu repito!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

C'ALMA

Namoros nunca os tive longos,
talvez justo porque intensos.
A água animada de vida passa,
a parada é repousado momento.

É como já ouvi dito,
perigosamente, sobre os roqueiros:
que "não vivem pouco mas rápido",
que escorrem sem qualquer bloqueio.

Não faço defesa da fúria
que lhe pode custar a vida.
Escolha bem a tertúlia,
a modalidade da alegria.

Tendo chegado intacto
a esta minha sobrevida,
recomendo algum recato,
o recato da calma bem-vinda.

Todo trajeto é ensino,
a senda é toda lição.
Mas consciência não é improviso,
é lenta dilatação.

Então faça por viver muito,
para ser de si o melhor.
Porque romantizar o tumulto
é coisa de fazer dó.

terça-feira, 4 de abril de 2017

ESCOLHO E COLHO

Já não quero o que me faltava.
Já não acho o que procurava.
O que procurava morri.
O que sobrevivo sorri.

Estou sequioso de poder.
Nada sobre os outros,
tudo poder!

À frente a imensidão!
Nenhuma âncora do que alcanço.
Apenas a necessária
a meu eventual descanso.

Tudo posso no que me fortalece!
Do que me enfraquece dou-me alforria.
Já cheguei ao futuro,
tudo claro, nada escuro.

Somente a sombra administrável.
Sou-lhe consciente mas amo sem travo,
sem travas.

(Uma redonda cara limpa
mesmo sob barba)


Escolho a direção,
e só elejo a que faz sentido.
A ninguém é dado fazer nada comigo!

Acompanham-me os que podem,
quando e se querem.
O amor só é se é nado,
não é nada por que se espere.

Impende viver o dia,
e o dia independe.
Se o dia foi tudo que pôde,
certeza que a noite é quente.

Ninguém fará inverno de mim,
ninguém me verá no inferno.
Frio só pra que me recolha.
Frio quando eu escolha.

Sei dos anjos que me acompanham,
que são de mim e serei eu.
Sei-os muito bonitos,
mesmo se o torto me esqueceu.

Hoje vejo que foi coisa boa,
não me predestinou a nada.
Sigo sendo a partir do mesmo,
no que já era minha estrada.

Minha estrada é esta.
A minha estrada foi feia!
Minha estrada foi refeita.
A minha estrada é bela!

Eu escolho!
Não, não franza o sobrolho!
Não é apóstrofe a Deus!
É dado melhorar-me,

de mais a mais filho Seu!

Agradeço a companhia de vocês,
enquanto estamos em sintonia.
Mas meu pai disse e "a vida chama",
então até qualquer dia!

E lhes direi antes do féretro:
não chamem nada de seu.
É tudo apenas empréstimo
que Ele lhes concedeu...a vida!

Divida!

https://soundcloud.com/user-580381287/escolho-e-colho

quarta-feira, 15 de março de 2017

DISTRIBUTIVA (Edital)

A Pepa Mujica, o sóbrio.

Faz caridade!
Não é tarde!
Parece atrasar-te,
mas o que te adianta!...

Se almoço um pouco menos,
alguém ganha a chance da janta.
Não existe melhor maneira
de diminuir-me a pança.

Se compras um carro mais simples
(será preciso que tantos te olhem?!)

pode ser que descompliques
como outro se locomove.

Tudo o que desperdiçamos,
por preguiça ou vaidade,
pode ir a bom fogo se atiça
a chama santa da oportunidade.

Segundo disse o Senhor
ninguém vale pelo que tem.
Melhor valer pelo que sabe,
e nesse caso é melhor valer

por saber ser dado à fraternidade.

Todas as forças que conservas
por delas não seres doador,
podem ser forças de trevas
em que te internas como devedor.

Quem não tem dinheiro tem um abraço.

Quem não tem braços pode dar um sorriso.
E quem sorri (isso eu garanto!)
faz no mundo um mundo de amigos.

O poema é mesmo simples,
porque em simples intenção.
Espero que te seja um convite,
pois vai servir-me de inspiração. 


quarta-feira, 8 de março de 2017

MINHA MÃE (Uma mulher)



Minha mãe era tímida.
Ou era "tímida nada!"
Ou talvez, como se disse Clarice,
fosse de uma timidez arrojada.

Minha mãe ia adiante
(era em tudo muito adiantada).
Minha mãe, no susto do encontro,
enchia a timidez de palavras.

Minha mãe era cética,
não tinha a certeza de Jesus.
Talvez, naturalmente ética,
pudesse prescindir da cruz.

Não estava certa nem de Tiradentes,
que dirá de Sócrates!
Platão podia tê-lo inventado
(que filosófica sorte!)

Minha mãe era grande leitora,
obras pequenas e grandes.
Até a menor grande obra:
era leitora de homens.

Até de seu pequeno filho,
rebelado contra a lucidez.
Minha euforia, meu enfado,
tudo via com nitidez.

Minha mãe era Flor que se cheirasse,
flor de nos deixarmos entranhar.
Se não entranhasse o cigarro
o câncer não a ia apagar.

Mas fica o lindo exemplo
do bem-viver a bem.
Essa é a vida mais plena,
pouco importa vivida com quem!

Minha mãe é daqui e de Galápagos.
Da África, França, Ásia.
Só me cobre a esperança,
nunca me cobriu a mortalha.

Seja-se!
E será verdade!
Ainda bem que esse exemplo eu colhi,
antes que fosse tarde!