segunda-feira, 9 de março de 2015

FUTURO DO PASSADO

Não largo da caneta vermelha!
"Disgreta!",
diz a Greta em que me garbo.

Não me garbo do armário,
o armário foi de outro,
Pessoalmente menos afoito,
e muito melhor por isso.

"Se a Deborah Kerr que o Gregory Peck"...
Ah muleque!
Solta da Rita!
"Pack your bags, Gary!"

É o que diria Marie, elle,
se acaso se casasse.
Eu duvido que passe
da solteirice ao matrimônio.

Demônios?!
Lembram do primeiro poema?
Daquele passo apostólico?
Vou ficando na peça...

(...e faço de propósito!)

Proposital e sem proposta
nenhuma!
Não a tenho sob as mangas,
não ma fez turma nenhuma!

Disseram da editora.
Ela era outra coisa.
Eu sempre penso em "Spectrum".

Talvez porque me ectoplasme.
Talvez porque tanto eu pasme
da garota que escolheram.

Se gostam daquilo não me leiam!
Eu me enleio com qualquer coisa,
com muito menos mistério
(vejo menos, sou cego!).


Se nem vi já falei demais...

isso do "enleio" me veio,
incorporou-se ao meu tom.
Veio me afastando de Frieiro,
e me aproximando de Drummond.

Escrever é mais que ler!
A ninguém ajuda ser lido.
Leiam ou não me leiam,
eu, de mim, sigo aflito.

Os conflitos eu os gasto
escritos!
Acabou o papel...
Que merda!


CNF-BSB, 6/3/15, 19:30H.

domingo, 8 de março de 2015

ASTROLÁBIO

Ponte aérea,
e me censuraram.
Não me ensinaram,
não sei as usuras

(não sou usurário...)

Não sei se é usual
pensar tanto no lucro,
eu quero é ir ao fundo
do trazer-me à superfície. 

Eu quero vir à tona:
o medo, na lona;
o temor, nas cordas;
o narrador chora

(ou era riso aquilo?)

"Que arraso!"
e comigo:
"o senhor está bem?"

Su-s-surra-me,
e à plateia grita,
e a plateia grita:
"Abortem-no!"

(o mundo já está cheio!)

O Sérgio ao CID consultou
e nos disse:
"Chega de poetas nas prateleiras!
A doença está na cheia!"

É como direi (está inédito...):
Essa gente faz elite de tudo!
Quer entrar?
Mais estudo!

(Se não és tudo,
fique mudo!)

Eu só quero ser
o que não sei.
Desconheço as leis
mais novas que as de Nilton.

E a primeira dele
(contei na crônica)
é-lhes afronta:

Divirta-se sempre que possível!

Só rindo mesmo...
Eu só estava rindo.

CNF-BSB, 6 de março, 19:15.

sábado, 7 de março de 2015

GREGÁRIO

Confins, 6 de março de 2015.


"com" Helcira.

Alvíssaras!
Vou entornar as vísceras.
Entorná-las sobre o papel,
e mais de perto.

Sinto assomar céu aberto,
somo sem subtração.
Só subtraio o medo,
não disse a que vinha


e não veio!


Sempre estive no esteio,
apenas precisava de tempo;
meu processo foi mais lento
do que o da gente pronta.

"Gabriel do céu",
dizia o ao léu,
"como aprendeu a andar?"

Não ousava no banal,
e talvez não ouse nisto.
Não tenho nenhum compromisso,
estou livre e solto a me grafar.


(bio?)


Não falemos dos chegados à coluna,
os da coluna do meio, fortes estruturas.
Tanta gente pronta, já-nela,
e eu sou da gente corre-dor.

Corroo-a de mim a vocês,
corroo-a, e há prazer!
Se há corroimento,
corroem por fora e eu por dentro.

Poucos viram a larva,
muitos verão-na alada.
Nem borboleta, nem nada,
talvez apenas distraído.

O acaso vai me proteger:

Diga aos Titãs que duvido!
Não entenderam?
Nem peço!
Foi só convite pra um congresso.

Eu tanto me meço
que me expeço;
só (há vezes...) expresso.

Não foi nada!
Só voei...



CNF-BSB 

sexta-feira, 6 de março de 2015

À BAIA, BAIANA! (Heroína de Gibi)


Para Cris Azevedo, 
com imenso amor fraterno.

Queria mesmo era Minas de sal,
que é o que a baiana tem;
além de saudades de mim, 
como não as tem ninguém.

Digo-o, modéstia às favas,
porque já o vi muito no sorriso
bonito com que a moça me brinda,
quando visita o amigo.

Disse o maior de nós
que as Minas são mais bonitas de longe;
não queria que fizesse escola!,
não gosto quando a moça se esconde.

Cadê você pra me promover
de Don Juan a Renoir,
e derrubar-me de novo ao primeiro
depois de eu muito canastrar?

Acho que só a moça me entende
antes mesmo de eu falar.
Aqui também se tem rede!
E amarela! Posso provar!

Quero provar de novo
de seu sorriso diário.
Amigo eu fito de frente
(muito às vezes de soslaio!).

"Venha!" Eduque-se, "ordinária!"
Mas eduque-se pobre, de Gibi!
O livro seria mais nobre,
mas esse eu nunca escrevi.

E te digo que "amigo é casa!",
seja casado ou solteiro;
então passe nesta sua casa,
pra papos sérios e recreios.

"A Bahia é que é o cais,
a praia, a beira, a espuma",
mas aqui está sua matrícula:
devolva-nos a escuna!

"Tudo, tudo  na Bahia
faz a gente querer bem.
A Bahia tem um jeito terra..."
Ora, terra aqui temos também!

Você é "a cor que lá principia,
e que habita em meu coração,
e que habita em meu coraçaõ,
e que habita em meu coração, êêê..."




quinta-feira, 5 de março de 2015

CAMA-LEÕES


"...ser, querer ser, merecer
ser 'da cama um leão'"

Eu não sou bom de cama.
Ela não é boa de cama.
Somos bons se a cama chama,
sexo é interação.

"Quando o neon é bom",
a noite é inteira de ação.
Neon nada!
Somos Sol-Pessoas.

(Nada de fogo fátuo!
 o fogo é de rigor pro ato!)

Sol quando ela me toca
fico inteiro tesão.
A pedra diz "ponta!",
e aponta a direção.

Não se recomendem aos amigos;
quando se muda o umbigo,
muda o entorno, morre o feitiço
(entorna-se do caldeirão?)

Sexo é jogo? É!
Tem de fazer uma fé!
Não é jogo de azar,
de sorte que busco a pequena morte.

Não a morte grave, do vírus;
nem fertilização in vitro.
Como me protejo se vidro
me estilhaço pelo chão?

Cama de tatame,
quadro pendente de arame.
Não é boa luta, a exangue,
se se contamina o sangue.

Sem as fake plastic trees
de fingir-se a segurnça.
Vá da procela à bonança.
Proteja-se! Abrigue-se!

Não se obrigue à difusão,
prática de fazer plástica.
O amor é pra encarnação.

O Ministério da saúde adverte,
mas a gente se diverte, descura.
Na loucura do alvoroço.
E o que fará da fruta?

Roê-la até ser só caroço?


terça-feira, 3 de março de 2015

SE VIAJO

"com" Humberto Gessinger


Sou feliz viajando,
e feliz com ter viajado;
mas não tenho o mesmo destino
na hora de planejá-lo.

Tanta parte se oferece!
Fico inteiro confuso:
paralelos e meridianos,
e neles tantos fusos...

Disseram que "o mundo é muito grande
pra quem anda de avião", 
e que "pra quem anda sem destino,
ele cabe na palma da mão".

Soa belo isso!,
e até consigo ver-lhe razão;
mas ando sempre perdido,
não enxergo a limitação.

É muito grande o troço!,
e queremos dominá-lo;
muitos estão-se dispondo,
já até com planos traçados.

Isso é muito convidativo;
não sou dos mais ativos,
mas um curioso metido em preguiça.

E logo fico buliçoso,
quando a chance de embarcar se avista
(nessa hora este não enguiça!)

"A vida é uma viagem,
passagem só de ida",
e até a última viagem,
curta até as compridas!

Alargue-se! Expanda-se!
Esqueça a terra prometida!
Cruze os mares e os céus,
que nenhuma terra é proibida!

Rimas fáceis,
e só verdades, embora;
dito isto,
vou-me agora!





segunda-feira, 2 de março de 2015

CENA DE DOMINGO (Trio Sam ou Feira dos Produtores II)


Para Trio Sam.


Esta é uma cena de domingo,
com que lhes aceno nesta segunda,
com segundas intenções confessas.

Achava-me ali,
sem as chagas da pressa,
imbuído do Buddha com que madrugara.

Chegava cedo à Feira,
e algo belo se ouvia;
pensei: "Me interessa!".

Era o Trio Sam, mas,
nada tendo com o Tio,
eram todos avôs.

Ou podiam sê-lo!
Um ia nu em pelo
(ou será que exagero?).

Bermuda, regata e chapéu,
não sei de que se encarregava;
ouvia o som e olhava o céu.

Já os três do Trio,
senhores mais serenos,
empunhavam instrumentos:

violão, bandolim, afoxé.
Nada de axé!,
não se pulava e o choro era livre

e como gosto: a bem soado!,
um som alegre e inspirado
(não gosto de choros que deprimem).

Depois chegou um quarto
(acho que era convidado!),
incorporando o cavaquinho.

Gerações se encontravam;
ninguém passado do prazo!:
cabeças brancas, loiras, morenas.

Eles, as brancas;
eu a já quase e ainda loira;
a morena era de uma pequena

a que o do chapéu tomou nos braços.
Idade? Uns quatro!
E (,) como eu (,) sorria da cena(.)!

Não me contive e ri;
o do violão olhou pra mim
e entremeou "Stairway to Heaven".

Tocou-a my way,
e também a "My Way" de Elvis/Sinatra.
Saí dali decidido:

Vou do verso à Serenata!